Brasil

ABUSO DE AUTORIDADE

Caso Cancellier: TCU não vê ilícitos em contratos da UFSC e Dino anuncia medidas sobre 'abusos'

Agora, delegada da Polícia Federal que comandou as investigações pode ser punida por supostos abusos na atuação da polícia

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O Tribunal de Contas da União decidiu arquivar uma representação que tratava de supostas irregularidades em contratos de locação de veículos com recursos do programa Universidade Aberta do Brasil enviados para a Universidade Federal de Santa Catarina. A decisão foi dada na terça-feira, 4, quase seis anos depois de a Operação Ouvidos Moucos ser aberta para investigar suspeitas de desvios em repasses da UAB para a federal catarinense.

Deflagrada em 2017, a Ouvidos Moucos teve como principal alvo o então reitor da UFSC Luis Carlos Cancellier Olivo, que se suicidou.

A morte lançou suspeitas sobre a atuação da Polícia Federal no caso. Após a decisão do TCU, o ministro da Justiça Flávio Dino anunciou que vai ‘adotar as providências cabíveis em face de possíveis abusos e irregularidades na conduta de agentes públicos federais’.

Dino não citou nomes, mas a principal agente que atuou na Ouvidos Moucos foi a delegada Erika Marena. Ela foi alvo de uma queixa-crime feita pela família de Cancellier. Em 2017, uma sindicância da Corregedoria da PF sobre a conduta da delegada concluiu que não houve irregularidade nos procedimentos adotados na Operação.

Em janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou integrantes da operação Lava Jato pela morte de Cancellier. O petista afirmou que o ex-reitor foi alvo da atuação de uma equipe que buscava punir antes de investigar.

No TCU, o arquivamento ocorrido nesta semana foi determinado pela Primeira Turma do TCU no bojo de um processo autuado em julho de 2019.

A Universidade foi comunicada sobre a decisão na sexta-feira, 7. O caso tramitou sob relatoria do ministro Walton Alencar Rodrigues. O acórdão não detalha os motivos do arquivamento.

No centro da representação do TCU, o programa Universidade Aberta do Brasil foi instituído em 2006 pelo governo federal para capacitar professores da rede pública de ensino em regiões afastadas e carentes do interior do País.

Onze anos depois, supostos desvios em cursos de Educação a Distância oferecidos pelo programa na UFSC entraram na mira da Operação Ouvidos Moucos.

A ofensiva, aberta pela Polícia Federal em setembro de 2017, prendeu o reitor da universidade catarinense Luis Carlos Cancellier Olivo. Menos de um mês depois da Operação, ele foi encontrado morto em um shopping no centro de Florianópolis. Em seu bolso, havia um bilhete que dizia: "Eu decretei a minha morte no dia da minha prisão pela Polícia Federal".

Em novembro de 2019 – quatro meses após aportar no TCU a representação agora arquivada – o Ministério Público Federal apresentou denúncia na esteira da Operação, se debruçando sobre despesas referentes à locação de veículos com motorista pagas via Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), ligada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
 

SOBERANIA

Senado aprova plano para fabricação de fertilizantes no Brasil

O texto referendado pelos senadores é um substitutivo oriundo da Câmara dos Deputados, com adequações de redação sugeridas pela relatora Tereza Cristina (PP-MS)

12/08/2026 07h31

Cerca de 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio brasileiro são importados atualmene

Cerca de 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio brasileiro são importados atualmene

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O plenário do Senado Federal aprovou, na tarde desta terça-feira (11), em votação simbólica, o Projeto de Lei 699/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), com incentivos fiscais e a criação de fundo para apoiar a produção nacional. O objetivo é reduzir a dependência da importação desses nutrientes, utilizados em larga escala na agricultura brasileira.

O projeto agora vai à sanção presidencial. Entre outras medidas, o novo programa prevê isenções de impostos para a importação de máquinas e estabelecimento de plantas industriais para a fabricação desses ingredientes em território nacional.

O texto referendado pelos senadores é um substitutivo oriundo da Câmara dos Deputados, com adequações de redação sugeridas pela relatora Tereza Cristina (PP-MS).

"O projeto que vai resgatar aquilo que o Brasil precisa, há anos, [reduzir] a sua dependência da totalidade das importações de fertilizantes, trazendo a tão falada, atualmente, soberania. A soberania dos nossos fertilizantes é importantíssima para a agricultura brasileira", destacou a senadora.

Os fertilizantes são insumos utilizados na agricultura para fornecer às plantas nutrientes essenciais ao seu desenvolvimento e à formação de folhas, raízes, frutos e sementes. Os principais são os fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, que fornecem, respectivamente, nitrogênio, fósforo e potássio, conhecidos pela sigla NPK, que são fundamentais para a produtividade das lavouras.

Em 2025, foram importadas 43,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Entre os principais produtos estão o cloreto de potássio, a ureia e o fosfato monoamônico (MAP).

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados pelo agronegócio, especialmente na produção de commodities como soja, milho e cana-de-açúcar, tornando a agricultura brasileira sensível às oscilações de preços internacionais, do câmbio e das condições geopolíticas. Nos últimos anos, esses produtos vêm sendo adquiridos principalmente de países como Rússia e China.

A votação no Senado ocorre após a volta do recesso, na semana de esforço concentrado para votar proposições em plenário e nas comissões. De acordo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), serão duas semanas de esforço concentrado antes das eleições, entre 10 e 14 de agosto, e entre 31 de agosto e 3 de setembro, calendário que também será seguido pela Câmara dos Deputados.

Nesses dois períodos, há a expectativa de votação de medidas provisórias (MPs) que abrem crédito extraordinário e precisam de aprovação parlamentar para não perderem a validade ao longo das próximas semanas.

SOBERANIA

EUA respondem ao Brasil na OMC e aceitam reunião para consultas

Nessa fase, os países buscam negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel para analisar o caso

11/08/2026 07h23

O Brasil se manifestou junto à OMC no dia 27 de julho e argumentou que as tarifas aplicadas pelos EUA são

O Brasil se manifestou junto à OMC no dia 27 de julho e argumentou que as tarifas aplicadas pelos EUA são "inconsistentes"

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Os Estados Unidos responderam, nesta segunda-feira (10), à manifestação do Brasil junto à Organização Mundial de Comércio (OMC) sobre as tarifas extras impostas por eles a produtos brasileiros. 

Na resposta, o país norte-americano se disse pronto para conversar e atender ao pedido de consultas feito pelo governo brasileiro.

“Os Estados Unidos aceitam o pedido do Brasil para participar das consultas. Estamos prontos para dialogar com as autoridades da sua missão em uma data mutuamente conveniente para consultas”, respondeu o governo norte-americano.

O Brasil apresentou seus argumentos como um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da OMC. O documento expõe o cenário, inclusive com as alegações dos EUA de serem tratados de forma discriminatória pelo Brasil.

O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países buscam negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel para analisar o caso.

O Brasil se manifestou junto à OMC no dia 27 de julho e argumentou que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos são “inconsistentes” com as regras definidas pela entidade.

“As medidas em questão [tomadas pelos EUA] parecem ser inconsistentes com as obrigações dos EUA sob o Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994”, afirmou o Brasil.

O Acordo Geral de Tarifas e Comércio traz a base normativa para aplicação de tarifas por parte dos membros da OMC.

O Brasil também afirma que é preterido pelos EUA na relação comercial, comparado a outros países da Organização Mundial do Comércio.

China 

Autoridades do governo chinês também se manifestaram no mesmo pedido de consultas feito pelo Brasil e pediram autorização para participar das consultas. A China é o maior parceiro comercial do Brasil.

“China tem um interesse comercial substancial nessas consultas”, disse o documento. A China afirma que os EUA também impuseram “certas medidas” a produtos originados no país.

“Essas medidas afetam todas as exportações da China aos Estados Unidos, sujeitas a isenções específicas, e em particular as condições de competição para esses produtos originados na China e vendidos ao mercado estadunidense, como resultado de tarifas adicionais impostas. A China, portanto, solicita respeitosamente que seja permitida sua participação nas consultas nesta disputa”, acrescentou.

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