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Entidade sugere alternativa para reduzir tarifa de Itaipu

Seria mais vantajoso propor o aumento do valor que o Brasil paga pela cessão de energia do Paraguai em troca de uma redução no custo da eletricidade de Itaipu, alega entidade

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A Frente Nacional dos Consumidores de Energia afirma que as famílias brasileiras teriam um alívio na conta de luz, e até o índice de inflação cairia, caso o governo mudasse o foco da negociação com o Paraguai no que se refere à tarifa de Itaipu Binacional.

Segundo o presidente da entidade, Luiz Eduardo Barata, seria mais vantajoso propor o aumento do valor que o Brasil paga pela cessão de energia do Paraguai em troca de uma redução no custo da eletricidade de Itaipu.

A entidade vai apresentar essa proposta oficialmente ao MME (Ministério de Minas e Energia).

A Folha de S.Paulo mostrou nesta segunda-feira (4) que estimativas de técnicos da própria usina apontaram que, com a quitação da dívida em 2023, a tarifa da usina deveria ter caído para US$ 10,77 pelo kW (kilowatt). No ano passado, no entanto, ela foi fixada em US$ 16,71.

Quem conhece os acordos bilaterais que regem Itaipu afirmam que os governos dos dois lados da fronteira estão descumprindo o tratado e inflando o valor do custo de energia da binacional para ter recursos extras que possam ser revertidos em obras e projetos socioambientais para ambos os países.

O governo brasileiro costuma rebater as críticas argumentando que, no atual estágio, decisões sobre Itaipu são negociadas, e o país não pode ignorar as demandas dos paraguaios.

Atualmente, as negociações sobre a tarifa de Itaipu estão travadas. O Brasil adotou provisoriamente o mesmo valor do ano passado, mas o Paraguai quer mais.

"O cálculo da tarifa de Itaipu é uma conta simples, aritmética, nem é algébrica, definida dentro do Anexo C do tratado bilateral, e não poderia estar sendo negociada", afirmou Barata.

"Mas se insistem nisso, dentro desse espírito, o governo brasileiro pode resolver o impasse dando ao Paraguai o que ele pede, mas pela alternativa que cobra menos dos consumidores brasileiros."

Barata também lembra que a energia elétrica é um subitem dentro IPCA, o índice oficial da inflação, e sua redução teria impacto sobre esse importante indicador econômico.

Para entender a matemática a favor do consumidor é preciso ter em mente que, segundo o tratado de Itaipu, Brasil e Paraguai dividem meio a meio obrigações e direitos.

Cada lado tem o direito, por exemplo, de consumir 50% da energia da hidrelétrica. Se um dólar for gasto em uma obra de um lado da fronteira, outro dólar será entregue ao parceiro também para obra.

No caso da energia, o Paraguai ainda não consome toda a sua parte. Pelas estimativas, isso só deve ocorrer em oito anos. Obrigatoriamente, vende o que não usa para o Brasil. Ou seja, faz a cessão dessa energia.

Assim, na prática, 85% da energia de Itaipu é obrigatoriamente debitada na conta de luz dos brasileiros das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste --os 50% do Brasil e os outros 35% de cessão feita pelo Paraguai. A cessão é uma parcela menor.

O Brasil paga atualmente cerca de US$ 12 por MW/h por essa sobra de energia do Paraguai. Mensalmente, se avalia quando o vizinho não consumiu, e vai para conta do lado de cá da fronteira.

Numa conta de padaria, vamos supor que o Paraguai esteja reivindicando R$ 100 a mais. Se o Brasil aceitar pagar R$ 100 elevando o custo da energia em Itaipu, terá de elevar o custo total em R$ 200. Só assim garantirá R$ 100 para o parceiro. Se, ao contrário, elevar o valor pago pela cessão, a alta será de R$ 100.

"Essa é uma solução para diplomacia, que encerra o embate, é também uma boa alternativa para o consumidor brasileiro, que vai pagar menos", disse Barata.

"Quem não vai gostar são os políticos do Paraná e agora, com ampliação da área de abrangência feita pela atual gestão de Itapu, parte de Mato Grosso do Sul, que vão perder o orçamento paralelo para obras."

A cessão de energia não é debate novo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 2009, depois de um longa polêmica, Lula, em seu segundo mandato, elevou o valor pago pelo Brasil pela cessão, entre outras decisões. Foi uma vitória diplomática para o governo de esquerda de Fernando Lugo, uma raridade na história paraguaia marcada pela vitória do partido Colorado, de direita.

 

telefonema

Ministros do Brasil e EUA vão retomar negociação comercial

O dia não está definido, mas a previsão é de que reuniões ocorram já na próxima semana

22/08/2026 07h11

Argumento de que EUA são superavitários no comércio com o Brasil é um dos principais argumentos na negociação

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

A reunião ainda terá a data acertada pelas equipes dos dois governos. O Mdic confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, depois da conversa telefônica desta sexta-feira (21) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente estadunidense, Donald Trump.

A retomada das tratativas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Ligação de Lula

Lula telefonou para Trump na manhã desta sexta-feira. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial.

O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

Novo canal

A reunião deverá envolver Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e representantes do USTR.  Em nota conjunta, o Mdic e o MRE consideram que a sinalização dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial.

Cooperação contra crime

Além das tarifas, Lula e Trump discutiram segurança e cooperação no combate ao crime organizado.

O presidente brasileiro defendeu uma atuação conjunta dos dois países e afirmou que as organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas.

Lula também apresentou ações adotadas pelo Brasil para combater essas estruturas, incluindo medidas de asfixia financeira, que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Entre as iniciativas citadas estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

Trump, segundo o Planalto, manifestou disposição para ampliar a cooperação e afirmou que indicará integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas.

Conflitos internacionais

Os presidentes também trataram das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, os dois defenderam a necessidade de uma solução negociada. Lula também criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais.

O presidente brasileiro sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

Durante a conversa, Trump também abordou as perspectivas do governo norte-americano para o conflito com o Irã.

Ao defender a busca por soluções diplomáticas, Lula afirmou: "Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos".

SOBERANIA

Lula conversa com Trump e reabre negociação sofre tarifaço

Conforme o Palácio do Planalto, a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos nesta sexta-feira

21/08/2026 13h10

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula reiterou pedido para que Brasil e Estados Unidos insistam na negociação para retirar o tarifaço imposto a produtos brasileiros e Trump, segundo o governo brasileiro, "concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) nesta sexta-feira. O Palácio do Planalto informou que a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos.

"Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", relatou o governo brasileiro na nota.

O comunicado foi divulgado pela Secom no início da tarde desta sexta. A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã. O combate ao crime organizado também foi assunto, assim como em outras conversas entre os dois chefes de Estado.

De acordo com a Secom, Lula "reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado" e "argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas". Também disse que o Brasil "tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las".

A Secom pouco falou sobre as reações de Trump às falas de Lula. Sobre a questão envolvendo o combate ao crime organizado e à decisão dos Estados Unidos de ter classificado facções criminosas do Brasil como terroristas, a Secom limitou-se a dizer que Trump "se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área".

A conversa entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos também passou pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim como fez com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, Lula reclamou a Trump sobre o conselho de segurança da ONU.

"O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos", informou a Secom.

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