Brasil

CATÁSTROFE

Extensão e pessoas afetadas tornam tragédia do RS sem precedentes no Brasil

Ao menos 538 mil pessoas estão desalojadas e quase 80 mil estão em abrigos. A catástrofe deixou 147 mortos e 127 desaparecidos, segundo o balanço mais recente

Continue lendo...

A extensão territorial das enchentes no Rio Grande do Sul e o número de pessoas afetadas fazem da tragédia gaúcha um fenômeno sem precedentes no Brasil, segundo especialistas de diferentes áreas ouvidos pela Folha.

Segundo a Defesa Civil do estado, 450 dos 497 municípios foram afetados pelas enchentes até a noite desta segunda (13), e mais de 2,1 milhões de pessoas sofrem as consequências. Dessas, 538 mil estão desalojadas e quase 80 mil estão em abrigos. A catástrofe deixou 147 mortos e 127 desaparecidos, segundo o balanço mais recente.

"Considerando o número de mortes como indicador, já teve piores. Mas pela magnitude do desastre, que afetou a capital, [causou] inundações, destruição total, e em termos de custos, eu diria que este no Rio Grande do Sul de agora é o principal. E ainda não terminou, os rios estão ainda altos, está chovendo de novo", diz o climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Modelagem do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

Ele destaca que dois terços do estado, incluindo a capital, Porto Alegre, sofrem com as enchentes, que afetam também a produção agropecuária -os gaúchos têm o maior cultivo de arroz no Brasil. "Vai ser talvez o [episódio] mais impactante, pelo menos nas últimas décadas", acrescenta.
 

Marengo avalia que o fenômeno no Rio Grande do Sul se destaca também em relação a outros eventos ligados ao clima, como a seca no Nordeste. "São eventos diferentes. Aquilo que aconteceu no Rio Grande do Sul, foram poucos dias. A seca foi um processo de vários anos, e, pelo menos oficialmente, ninguém morreu", pondera.

O secretário-executivo do Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade) da América do Sul, Rodrigo Perpétuo, também ressalta o número de municípios atingidos.

"Se comparada a tragédias similares, como a de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, como a da região serrana do Rio, essa tragédia do Rio Grande do Sul é a maior em termos da mesma ocorrência de tipologia climática, chuva extrema e inundações, e extensão territorial contínua, já que atingiu quase todo o estado", afirma.

Um levantamento feito por um coletivo de cientistas da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) mostra que, só na região metropolitana de Porto Alegre, 242 mil domicílios foram impactados pelas águas da enxurrada.

Os dados confirmam aquilo que já vinha sendo retratado por depoimentos e imagens dramáticas: o município de Eldorado do Sul, a 12 quilômetros de Porto Alegre, foi tomado pela enchente e teve 32 mil pessoas afetadas -o equivalente a 80% da população da cidade.

Outras localidades também foram severamente impactadas. Em Canoas, 154 mil pessoas sofrem com a tragédia (44% do total), enquanto em São Leopoldo, 84 mil (39%). A estimativa foi obtida pela Folha de S.Paulo a partir de imagens de satélite coletadas em 6 de maio, que foram cruzadas com dados do Censo Demográfico de 2022 e outros mapas disponíveis.

O ex-senador Fernando Bezerra estava em seu 11º dia no cargo de ministro da Integração Nacional (hoje Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional) quando, em 11 de janeiro de 2011, ocorreram os deslizamentos na região serrana do Rio de Janeiro, que mataram 918 pessoas -a catástrofe decorrente de chuvas mais letal até hoje no Brasil e que deixou marcas profundas na população.

"O número de vítimas foi muito elevado em Teresópolis. Mas a extensão territorial é menor. No Rio Grande do Sul, é uma coisa muito mais ampla. O número de atingidos, de famílias deslocadas... É um cenário realmente preocupante. E, infelizmente, eu acho que o número de vítimas lá no Rio Grande do Sul vai continuar subindo", afirma Bezerra.

Após a tragédia no estado do Rio, o governo Dilma Rousseff (PT) propôs e o Congresso Nacional aprovou a lei que instituiu a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil. O Cemaden foi criado na mesma época.

Até então, o Brasil até monitorava fenômenos de natureza meteorológica, hidrológica, agronômica, e geológica, mas não havia um órgão responsável por analisar e acompanhar esses dados de maneira integrada.

Também foi instituído o S2ID (Sistema Integrado de Informações sobre Desastres), por meio do qual os municípios gaúchos já informaram, nas últimas semanas, um prejuízo de pelo menos R$ 8 bilhões com as enchentes e danos em 92 mil moradias.

"Lamento que, apesar da aprovação da lei, não houve na sequência a mobilização de recursos. A gente fez um trabalho com o apoio das universidades para poder mapear as áreas de risco no país como um todo, tentando identificar onde deveria ser o foco das atenções e dos investimentos", afirma o ex-ministro.

MUDANÇA EM MASSA
 

Marengo, do Cemaden, avalia que a reconstrução dos municípios gaúchos terá um custo muito elevado, além de exigir melhor equipagem das equipes de defesa civil e um planejamento cuidadoso dos gestores, além de diálogo com a comunidade local.

Muitos prefeitos já discutem a possibilidade de transportar bairros inteiros para outras localidades como forma de tentar dar mais segurança à população. A medida é uma reação após cidades do Vale do Taquari terem sido assoladas por três enchentes em um período de oito meses.

"Ainda que seja [uma cidade] pequena, Muçum, por exemplo, ou Eldorado do Sul, levar para onde? Vai ser todo um debate. Imagina em cidades grandes. Eu nunca vi uma capital assim, inundada por vários dias aqui no Brasil", diz Marengo.

Segundo o climatologista, o volume de chuvas está aumentando a cada ano na região, e as obras realizadas daqui para frente deverão levar isso em consideração.

"Realmente vai ter que se pensar em uma transformação da cidade, não só em adaptação. Vai ter que reconstruir e colocar comportas maiores para resistir ao maior volume de chuva. As bombas, por exemplo, muitas delas ficaram estragadas. Deveriam estar superprotegidas. Deu para ver aqui que cidades não estavam preparadas", afirma.
 

R$ 100 bilhões

Claudio Frischtak, ex-economista do Banco Mundial e presidente da Inter.B, consultoria especializada em infraestrutura, afirma que a necessidade de modernização das cidades para torná-las mais resilientes a esses fenômenos terá impacto direto no custo da recuperação do Rio Grande do Sul.

Ele estimou em R$ 90 bilhões a R$ 100 bilhões o investimento necessário para restabelecer o estoque de capital, num cenário em que metade das estruturas existentes tenham sido danificadas ou comprometidas pela tragédia, como pontes, estradas, redes de telecomunicação, energia e saneamento.

O número pode ser até maior, pois não considera a reconstrução de escolas, hospitais e residências.

"As exigências de resiliência da infraestrutura aumentaram. Não pode reconstruir a ponte que você reconstruiria 20 anos atrás", diz Frischtak. "É um fenômeno que não tem precedente no país, pela extensão, pelo volume de danos, pela territorialidade."

(INFORMAÇÕES DA FOLHAPRESS)

transparência

Dino pede a Fachin investigação de relação de Mendonça com o Master

Flávio Dino acusa André Mendonça de favorecer interesses do Master e da prefeitura de São Paulo em troca de verbas do instituto Iter

15/09/2026 12h57

Audiência do STF foi agendada para decidir se o Tribunal abre ou não investigação contra Alexandre de Moraes

Audiência do STF foi agendada para decidir se o Tribunal abre ou não investigação contra Alexandre de Moraes

Continue Lendo...

Uma hora antes do início da sessão de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o ministro Flávio Dino proferiu uma decisão na qual acusa André Mendonça de favorecer interesses do Banco Master e da Prefeitura de São Paulo em troca de verbas para o instituto Iter, fundado por ele.

Em uma ação movida pelo PCdoB sobre a concessão dos serviços cemiteriais de São Paulo, que identificou a participação do cunhado de Daniel Vorcaro no conselho da concessionária, Dino proferiu uma decisão nesta terça-feira, 15, pedindo documentos à Prefeitura de São Paulo e ao Ministério Público de SP sobre o assunto e lançando acusações contra André Mendonça.

A justificativa apresentada pelo ministro seriam "outros fatos conexos (...) que demandam esclarecimento". A decisão foi tomada de ofício, sem uma provocação pelas partes, e divulgada pouco antes do julgamento contra Moraes.

O ministro Flávio Dino escreveu que proferiu uma decisão em 13 de março determinando medidas para coibir preços abusivos das concessionárias do serviço funerário, mas afirmou que o julgamento do assunto foi suspenso por um pedido de vista de André Mendonça. Em seguida, Dino insinua que André Mendonça tomou medidas com o objetivo de beneficiar o Banco Master, beneficiar seu irmão, que ocupava cargo na prefeitura, e obter recursos para o instituto.

"Ocorre que, em 14 de março de 2025 - um dia antes da formulação do referido pedido de vista -, consoante informações confirmadas pelo próprio Ministro André Mendonça, Sua Excelência recebeu, na sede de uma empresa privada, em São Paulo, o Sr. Daniel Vorcaro. Como vimos acima, havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master exatamente em temas atinentes à privatização de cemitérios. Vale recordar que o Sr. Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) é vinculado à Igreja Batista da Lagoinha, e simultaneamente exercia cargo diretivo na empresa Cortel (concessionária de cemitério em São Paulo)", escreveu Dino.

Aliado de Moraes, Dino afirma que Mendonça votou contra sua medida cautelar e de forma favorável aos cemitérios privados. Em seguida, acusa o colega de ter feito isso por interesses próprios.

"Conforme noticiado, em 24 de setembro de 2025 - após o voto do Exmo. Ministro André Mendonça no sentido de não referendar a medida por mim deferida -, o Instituto celebrou com a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Gestão, o Termo de Contrato nº. 32/SEGES/2025, mediante contratação direta fundada no art. 74, III, "f", da Lei nº. 14.133/2021. O contrato, no valor de R$ 380.000,00, teve por objeto a prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, mediante os cursos "Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas" e "Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual", realizados no âmbito da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP)", diz na decisão.

Ao final, Flávio Dino pede que cópia da decisão seja enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, para instruir um procedimento que acusa André Mendonça de quebra da imparcialidade e direcionamento das investigações do Banco Master.

transparência

Mensagens indicam pagamento de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques

Informações foram retiradas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ministro se absteve do caso nesta terça-feira (15)

15/09/2026 12h52

Nunes Marques diz que nunca votou a favor do Master e o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro

Nunes Marques diz que nunca votou a favor do Master e o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro

Continue Lendo...

As mensagens trocadas por WhatsApp pelo banqueiro Daniel Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação aparece em conversa de Vorcaro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025. O Estadão teve acesso às mensagens, que fazem parte da íntegra do conteúdo do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou que o advogado "não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro".

Procurado, o ministro afirmou que "nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro" (leia mais abaixo). Ele deve se declarar impedido no julgamento desta terça-feira, 15.

Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou o contato de Kevin Marques a Vorcaro escreveu, uma sequência de quatro mensagens: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk". Vorcaro respondeu: "Kkkk".

No dia 8 do mês seguinte, Rennó escreveu a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult". Em seguida, enviou o contato de Kevin Marques com a indicação "Aqui" e complementou: "Esse aí. Único 'meu' que faltou".

Como revelou o Estadão em março, Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência entre agosto de 2024 e julho de 2025. Essa firma havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e outros R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A assessoria de Kevin Marques afirmou que o pagamento da Consult é relacionado a prestação de "serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa". "A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal", frisou.

A PF também encontrou mensagens de Vorcaro com a advogada Camilla Ewerton Ramos nas quais o banqueiro a direciona para serviços de voos privados, em novembro de 2025.

Naquele mês, como revelou o Estadão, Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence a empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.

O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite da advogada Camilla Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master e assumiu ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

O Estadão também mostrou que em abril do ano passado, a advogada deu carona em um voo privado para Trancoso, na Bahia, a dois filhos do ministro Kassio Nunes Marques.

Mulher cobrou Vorcaro por 'amiga' que 'ficou com Kassio'

No celular de Daniel Vorcaro também foram encontradas mensagens enviadas por uma mulher que informou ao banqueiro, em 28 de fevereiro de 2025, que "as meninas estão prontas" e pediu um endereço.

Em 7 de março, a mulher, identificada na conversa como Rayanna, mandou outras mensagens a Vorcaro: "A minha amiga lá aquele dia ! Deu certo né ? Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui".

Vorcaro pediu para que ela enviasse "dados e valor". Antes de enviar uma chave Pix ao banqueiro, a mulher escreveu: "10 né! Ela ficou com ele".

A assessoria do ministro informou que ele "não tem conhecimento sobre o contexto" das mensagens de Vorcaro com Rayanna.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).