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Inquérito apura elo de político paulista com PMs que protegiam chefes do PCC

O nome de Milton Leite, ex-presidente da câmara de vereadores de SP, aparece em diálogos de policiais ligados a empresários ligados a facção criminosa

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Uma mensagem do 3º sargento da reserva da PM Nereu Aparecido Alves indica, segundo inquérito policial militar (IPM), a proximidade do grupo de policiais liderado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira com o então presidente da Câmara dos vereadores de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Alexandre é apontado em investigação da Corregedoria da PM que deu origem à Operação Kratos, deflagrada no último dia 4, como líder de um esquema de segurança de diretores da empresa de ônibus Transwolff, ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O ex-vereador afirmou ao Estadão que não conhece o sargento Nereu. Disse ainda que sua escolta sempre foi feita pela Assessoria Militar da Câmara e que nunca se envolveu na escala dos policiais que o acompanhavam. Milton Leite negou categoricamente qualquer vínculo com esquema de proteção à empresários atrelados ao PCC.

Foi na casa do sargento Nereu que a Corregedoria da PM apreendeu uma mala com R$ 1 milhão em dinheiro vivo durante as buscas da Operação Kratos. Nereu e o capitão foram presos na operação, assim como o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário.

Outros quatro PMs são investigados sob suspeita de fazerem parte da organização criminosa, entre eles o tenente-coronel José Henrique Martins Flores, um subtenente, um sargento e um cabo.

O Estadão busca contato com a defesa dos policiais. O espaço está aberto.

Leite sempre negou veementemente qualquer ligação com os empresários investigados ou com o esquema de proteção à Transwolff. Ele deixou a legislatura municipal em dezembro de 2024 após sete mandatos consecutivos, que somaram 28 anos no Palácio Anchieta, sede da Câmara.

A mensagem do terceiro-sargento Nereu Aparecido Alves, resgatada pela Corregedoria, que indica relações próximas do grupo de policiais liderado pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, aconteceu no dia 18 de agosto de 2023. E estava registrada no telefone celular do empresário Cícero de Oliveira, o Té, da Transwolff, um dos alvos da Operação Fim da Linha, que investigou a cooptação de parte do transporte público de São Paulo pela facção.

Nereu, segundo a Corregedoria da PM, avisa Té que estaria "cumprindo uma agenda e que iria demorar, pois estava na inauguração da escola com o nome da mãe do ‘chefe Milton’".

Segundo a Corregedoria, "Milton a que se refere é o ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, e a escola em questão é o Centro de Educação Infantil Nathalia Pereira da Silva". O nome do centro é uma homenagem à mãe do ex-vereador.

A Corregedoria mostra no Inquérito Policial Militar que o evento contou com a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Na conversa, o sargento diz ao empresário Té, que estava com o "celular do chefe", por isso ele não atendeu. E afirma que "o capitão" lhe passou o aparelho. Na época, Nereu já estava na reserva, portanto, não haveria, em tese, ligação entre ele e a Assessoria Militar da Câmara dos Vereadores, onde o capitão trabalhava.

Na tarde desta sexta-feira, 6, o vereador Ricardo Teixeira (União), atual presidente da Câmara dos Vereadores, pediu à Secretaria da Segurança Pública que avalie a necessidade de reformulação da Assessoria Militar da Casa, dando autonomia para a substituir os atuais e indicar novos para o setor.

Em 2023, o Ministério Público de São Paulo obteve na 2.ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital a quebra do sigilo bancário do então presidente da Câmara dos Vereadores de São Paulo. A medida havia sido obtida no âmbito das investigações sobre a empresa Transwolff.

A desconfiança da Promotoria era de que Leite tivesse tido um papel relevante nos crimes que eram investigados em torno da empresa e de seus diretores.

O ex-vereador era próximo de Pandora - presidente da Transwolff, que teve a prisão preventiva decretada durante a Operação Fim da Linha, em 9 de abril de 2024. Na oportunidade, o Gaeco - braço da Promotoria que combate o crime organizado - apresentou denúncia por associação criminosa e lavagem de dinheiro do PCC contra Pandora e outros nove réus, mas não incluiu o então vereador entre os acusados.

De acordo com a investigação da Corregedoria, o 3.º sargento Nereu era considerado braço-direito do capitão Alexandre na gestão do contrato de segurança com a Transwolff. Ele também é apontado nos autos como um dos PMs empregados na segurança pessoal do empresário Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, bem como efetuaria depósitos em dinheiro em bancos a pedido de outro investigado no caso, Cícero de Oliveira, o "Té".

"É possível que Nereu tenha realizado serviço de escolta de valores até o banco", escreveu o corregedor Fábio Sérgio do Amaral.

A investigação analisou mensagens de WhatsApp entre Té e o sargento Nereu e constatou que eles mantiveram conversas entre os dias 12 de setembro de 2020 e 8 de abril de 2024, um dia antes da deflagração da Operação Fim da Linha, quando o celular de Té foi apreendido.

Segundo a investigação, ficou provada a existência de uma "relação de afetividade" entre Cícero e o sargento Nereu, quando o empresário se utiliza da tratativa "amigo" ao se dirigir ao PM".

"Percebe-se também que o militar inativo realiza serviço de segurança e escolta para o empresário", destacou o corregedor da PM.

A Corregedoria queria saber por que um policial na reserva estaria acompanhando Milton Leite e o trataria como "chefe"? Na época da mensagem, o capitão era o chefe da Assessoria Militar da Câmara dos Vereadores. Os investigadores querem saber se a segurança do ex-vereador usava policiais da reserva e quem contratou Nereu.

A presença de Nereu na proteção aos diretores da Transwolff teria sido detectada já em mensagens de 2020. Em uma delas, Té disse estar chateado com "os últimos acontecimentos que acabaram envolvendo o nome dos policiais da Rota e a empresa Transwolff, o que teria sido motivo para o comandante da Rota afastar os policiais militares do serviço".

Entre eles estava Nereu, que pediu passagem para a reserva depois que a relação dos PMs foi descoberta pela primeira vez no contexto da Operação Sharks, desencadeada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para investigar a lavagem de dinheiro da cúpula do PCC.

Para a Corregedoria, ficou comprovado que Té contratava os policiais militares da Rota, e que havia, de fato, desconforto institucional por esses militares prestarem serviços de segurança para a Transwolff. Mas, mesmo depois da primeira fase da Operação Sharks, os policiais continuaram escoltando os diretores da empresa.

Em outro áudio, segundo a Corregedoria, ficou claro que Nereu também fez segurança para Pandora. "À época dos fatos, (Pandora) já havia sido denunciado na primeira fase da Operação Sharks, em razão de envolvimento com o PCC", afirma a Corregedoria.

Os corregedores concluiram, ao pedir a prisão de Nereu e de outros PMs. "Uma das beiradas externas desse problema, que não é mais somente uma questão de segurança pública, mas de toda a sociedade, é justamente a necessidade de superar a proteção institucionalizada que os criminosos recebem de agentes do Estado, em especial de policiais militares. Aliás, bom lembrar que não existe crime organizado sem cooptação e infiltração de agentes".

Em nota, quando a Operação Kratos foi deflagrada na última quarta, 4, a Câmara dos Vereadores de São Paulo informou que dos policiais mencionados "apenas o capitão Alexandre Paulino Vieira atua na Assessoria Policial Militar da Câmara Municipal de São Paulo". Ressaltou que o capitão era integrante do órgão desde outubro de 2014, "ou seja, atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes".

Segundo a Casa, o cargo do capitão "é de confiança e, nas atribuições relacionadas à Assessoria Militar na Câmara, não há nenhum registro que o desabone".

"O sargento Nereu não atuou na Assessoria da Polícia Militar da Câmara Municipal de São Paulo. A escolta dos presidentes da Câmara é feita exclusivamente pelo efetivo da Assessoria Militar e a escala de trabalho é de competência exclusiva do comando da referida assessoria."

E concluiu: "Os outros dois PMs presos, inclusive o que guardava dinheiro em espécie segundo a imprensa, não são nem nunca foram servidores da Assessoria Militar da Câmara".

COM A PALAVRA, MILTON LEITE

O ex-vereador afirmou por meio de sua assessoria que não conhece o sargento Nereu. Disse ainda que sua escolta sempre foi feita pela Assessoria Militar da câmara e que nunca se envolveu na escala dos policiais que o acompanhavam.

TIK TOK

Nunes Marques determina volta de Rodrigo Manga à prefeitura de Sorocaba

Famoso nas redes sociais, o prefeito já ensaiou candidaturas ao governo do Estado, ao Senado e à Presidência da República

01/04/2026 07h02

O prefeito Rodrigo Manga tem 3 milhões de seguidores no Tik Tok e cerca de 3,8 milhões no Instagran

O prefeito Rodrigo Manga tem 3 milhões de seguidores no Tik Tok e cerca de 3,8 milhões no Instagran

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O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu nesta terça-feira, 31, o afastamento de Rodrigo Manga (Republicanos) da Prefeitura de Sorocaba (SP). Com a decisão, Manga, que estava fora do cargo desde novembro do ano passado, reassume a gestão municipal.

Em nota, a defesa do prefeito comemorou a decisão e disse que o STF "reconheceu a inexistência de razões e fundamentos para a manutenção do afastamento temerário e precipitado, à míngua de elementos mínimos que pudessem evidenciar qualquer ilicitude praticada pelo Prefeito Manga".

A decisão, contudo, é liminar e precisa ser referendada pela Segunda Turma do STF. Nunes Marques determinou que isso aconteça em sessão virtual extraordinária.

No mês passado, Manga foi denunciado pela Procuradoria Regional da República por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, peculato, contratação ilegal e fraude em licitações. A defesa refuta as acusações.

A denúncia é baseada na Operação Copia e Cola, que investiga Manga e outros aliados por suspeita de desvios de recursos da Saúde do município.

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação em novembro. À época, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região acatou pedido da corporação e afastou Manga por 180 dias sob o argumento de que ele poderia atrapalhar as investigações se continuasse no cargo de prefeito, já que havia indícios de continuidade dos supostos crimes até 2025.

A decisão mencionou a existência de "robustos indícios" de que o prefeito era o líder e principal beneficiário do esquema. O afastamento foi mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ)

Ao suspender a decisão nesta terça-feira, Nunes Marques considerou que o único fato recente apontado para justificar a continuidade do esquema criminoso foi um contrato assinado em junho de 2025 pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (SAAE).

O ministro afirmou que o SAAE é uma autarquia da administração indireta e não faz parte do Executivo municipal e que a "decisão não vincula, categoricamente, o contrato realizado pela SAAE à assinatura pelo paciente, prefeito de Sorocaba".

"Nessa perspectiva, penso que a manutenção da medida constitui, no presente caso, intervenção excessiva na esfera política e administrativa do Município de Sorocaba/SP, sem que a autoridade policial tivesse demonstrado a ocorrência de risco efetivo e atual à ordem pública ou à persecução penal", escreveu Nunes Marques.

TikTok

Conhecido pelo sucesso de seu perfil no TikTok, com vídeos bem-humorados sobre suas ações à frente da prefeitura, Manga já ensaiou candidaturas ao governo do Estado, ao Senado e à Presidência da República.

No ano passado, ele disse ter recebido convite para disputar o governo de São Paulo em 2026 pelo PRTB.

aena

"Dona" do aeroporto de Campo Grande assume o Galeão, no RJ

Em uma disputa acirrada, Estatal espanhola ofereceu ágio de 210% acima do valor mínimo estipulado para o leilão

31/03/2026 07h00

O leilão foi vencido após 26 lances em uma etapa em viva-voz, já que na 1ª etapa ocorreu empate

O leilão foi vencido após 26 lances em uma etapa em viva-voz, já que na 1ª etapa ocorreu empate

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O Aeroporto Internacional do Galeão – Antônio Carlos Jobim, no Rio de Janeiro, foi leiloado nesta segunda-feira (30) por R$ 2,9 bilhões. O valor representa um ágio de 210,88% sobre o mínimo estabelecido em edital, de R$ 932 milhões. A empresa vencedora foi a espanhola Aena, que fez a melhor proposta sobre a oferta de contribuição inicial.

No Brasil, a Aena já controla aeroportos como o de Campo Grande (MS), Congonhas (em São Paulo), Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju. A vencedora concorreu com outras duas empresas: a Zurich Airport – que opera os aeroportos de Florianópolis, Macaé, Natal e Vitória – e a RIOgaleão, atual controladora do aeroporto.

Em Mato Grosso do Sul, a estatal espanhola também administra os aeroportos de Ponta Porã e de Corumbá. E, ao assumir a pista do Galeão, aumenta a perspectiva de que Campo Grande volte a ter voos diretos para o Rio de Janeiro. 

O leilão foi vencido após 26 lances em uma etapa em viva-voz, já que, na primeira etapa, a de apresentação de envelopes, a Zurich Airport e a Aena fizeram exatamente a mesma proposta, de R$ 1,5 bilhão. Já a atual controladora do aeroporto, a RIOgaleão, ofertou R$ 934.045.874,00 durante a abertura de envelopes (na primeira etapa).

O certame de venda assistida foi realizado pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) na sede da B3, no centro da capital paulista. O evento contou com a participação do ministro Silvio Costa Filho.

Atualmente, a gestão do aeroporto é da RIOgaleão (Rio de Janeiro Airport), controlada pela Vinci Airports (70%) e Changi Airports (30%).

O terminal foi concedido em um modelo de venda assistida, uma solução desenhada junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) para modernização regulatória e reequilíbrio econômico-financeiro. A concessionária vencedora vai assumir o controle total do aeroporto, já que a Infraero, que hoje detém 49% da operação, deixará o negócio.

No leilão, a empresa vencedora também assumiu o compromisso de pagar à União uma contribuição variável anual correspondente a 20% do faturamento bruto da concessão até o ano de 2039.

O aeroporto do Galeão, terceiro maior do país, é uma das principais portas de entrada de turistas estrangeiros no país e também desempenha papel relevante na malha doméstica. Em 2025, o terminal registrou a movimentação de cerca de 18 milhões de passageiros, o equivalente a 13% do tráfego aéreo nacional.

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