Brasil

TENTATIVA DE EXTORSÃO

Lewandowski decide que acusação de Tacla Duran contra Moro ficará no STF

A decisão do ministro, tomada às vésperadas da aposentadoria, contraria desejo do senador, que defendia que o caso ficasse na primeira instância

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Na véspera de se aposentar do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Ricardo Lewandowski despachou nesta segunda-feira (10) no caso de um réu da Operação Lava Jato que faz acusações contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).

O ministro determinou que fique no Supremo procedimento relativo a declarações feitas pelo advogado Rodrigo Tacla Duran contra Moro e contra o ex-procurador Deltan Dallagnol, hoje deputado federal pelo Podemos-PR. O advogado acusa o senador de tentativa de extorsão.

Lewandowski fixou a competência da corte para analisar o caso e determinou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) faça uma análise mais detalhada dos fatos e avalie eventual pedido de instauração de inquérito. "Ao menos nesta fase inicial, a competência para a supervisão e apuração dos fatos noticiados no presente expediente é do Supremo", escreveu.

Segundo Lewandowski, a PGR se manifestou afirmando que a cronologia dos fatos expostos "aponta para eventual interferência de Sergio Moro no julgamento dos processos envolvendo a Operação Lava Jato —inclusive os processos envolvendo Rodrigo Tacla Duran".

Conforme a Procuradoria, isso teria acontecido mesmo após a exoneração de Moro do cargo de juiz, "também passando por atos praticados na condição de ministro de Estado da Justiça". Moro deixou a magistratura em 2018 para assumir ministério no governo Jair Bolsonaro. O caso está sob sigilo no STF.

Tacla Duran chegou a ser preso em decorrência de ordem de Moro na Espanha em 2016, mas, como tem cidadania espanhola, não foi extraditado ao Brasil. Sua ordem de prisão preventiva só foi revogada no último mês, por ordem do juiz Eduardo Appio, que assumiu os casos da operação em Curitiba.

Em audiência por videoconferência, Tacla Duran reafirmou há duas semanas acusações contra Moro, o que tem feito em entrevistas e depoimentos no Congresso Nacional desde 2017.

Como Moro e Deltan têm hoje foro especial, o juiz de Curitiba suspendeu a audiência e determinou o envio do caso para o STF.
Moro nega todas as acusações e se diz contrário à tramitação do procedimento no tribunal. Ele disse há duas semanas que o foro é um "odioso privilégio" e que preferia "ser processado e julgado durante seu mandato de senador como qualquer cidadão comum perante um juiz de primeira instância, desde que imparcial".

Na Lava Jato, Tacla Duran foi acusado de ser um operador financeiro. Investigações apontaram que o escritório de advocacia dele recebeu mais de R$ 50 milhões de empreiteiras, de 2011 a 2013. Ele atuou para a Odebrecht até 2016.

Em seus relatos, o advogado menciona um ex-sócio da mulher de Moro, Rosângela (hoje deputada federal pela União Brasil-SP), e suposto pedido de pagamento em uma negociação de delação premiada. Também afirma ser perseguido por não concordar com a extorsão.

Deltan Dallagnol diz que Tacla Duran criou uma "história falsa, requentada pela terceira vez sem novidade e que já foi investigada pelo MPF e PGR, que a descartaram totalmente".


 

telefonema

Ministros do Brasil e EUA vão retomar negociação comercial

O dia não está definido, mas a previsão é de que reuniões ocorram já na próxima semana

22/08/2026 07h11

Argumento de que EUA são superavitários no comércio com o Brasil é um dos principais argumentos na negociação

Argumento de que EUA são superavitários no comércio com o Brasil é um dos principais argumentos na negociação

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O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) deverão se reunir na próxima semana com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para retomar as negociações comerciais entre os dois países.

A reunião ainda terá a data acertada pelas equipes dos dois governos. O Mdic confirmou ter recebido contato do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, depois da conversa telefônica desta sexta-feira (21) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente estadunidense, Donald Trump.

A retomada das tratativas abre um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Ligação de Lula

Lula telefonou para Trump na manhã desta sexta-feira. A conversa durou uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial.

O presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.

Novo canal

A reunião deverá envolver Márcio Elias Rosa, integrantes do MRE e representantes do USTR.  Em nota conjunta, o Mdic e o MRE consideram que a sinalização dos dois presidentes cria uma nova oportunidade para a busca de uma solução negociada para o impasse comercial.

Cooperação contra crime

Além das tarifas, Lula e Trump discutiram segurança e cooperação no combate ao crime organizado.

O presidente brasileiro defendeu uma atuação conjunta dos dois países e afirmou que as organizações criminosas exercem pressão sobre populações vulneráveis, mas não devem ser equiparadas a organizações terroristas.

Lula também apresentou ações adotadas pelo Brasil para combater essas estruturas, incluindo medidas de asfixia financeira, que resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Entre as iniciativas citadas estão a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus.

Trump, segundo o Planalto, manifestou disposição para ampliar a cooperação e afirmou que indicará integrantes de alto escalão para dar continuidade às tratativas.

Conflitos internacionais

Os presidentes também trataram das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, os dois defenderam a necessidade de uma solução negociada. Lula também criticou a falta de atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante dos conflitos internacionais.

O presidente brasileiro sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

Durante a conversa, Trump também abordou as perspectivas do governo norte-americano para o conflito com o Irã.

Ao defender a busca por soluções diplomáticas, Lula afirmou: "Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos".

SOBERANIA

Lula conversa com Trump e reabre negociação sofre tarifaço

Conforme o Palácio do Planalto, a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos nesta sexta-feira

21/08/2026 13h10

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã e combate ao crime organizado também foi tema

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta sexta-feira, 21, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula reiterou pedido para que Brasil e Estados Unidos insistam na negociação para retirar o tarifaço imposto a produtos brasileiros e Trump, segundo o governo brasileiro, "concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível".

As informações foram divulgadas pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) nesta sexta-feira. O Palácio do Planalto informou que a conversa foi "em tom amistoso e cordial" e durou uma hora e 20 minutos.

"Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas. Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil", relatou o governo brasileiro na nota.

O comunicado foi divulgado pela Secom no início da tarde desta sexta. A conversa entre Lula e Trump aconteceu pela manhã. O combate ao crime organizado também foi assunto, assim como em outras conversas entre os dois chefes de Estado.

De acordo com a Secom, Lula "reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado" e "argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas". Também disse que o Brasil "tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las".

A Secom pouco falou sobre as reações de Trump às falas de Lula. Sobre a questão envolvendo o combate ao crime organizado e à decisão dos Estados Unidos de ter classificado facções criminosas do Brasil como terroristas, a Secom limitou-se a dizer que Trump "se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área".

A conversa entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos também passou pela Organização das Nações Unidas (ONU). Assim como fez com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, Lula reclamou a Trump sobre o conselho de segurança da ONU.

"O presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos", informou a Secom.

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