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Petrobras encolhe R$ 32 bi após proposta que pode facilitar indicações políticas

Papéis caíram 6,60% após comunicado dizendo que conselho de administração aprovou alterações em sua política de indicação de executivos

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Temores de maior ingerência política e redução de dividendos com proposta de alteração no estatuto da Petrobras derrubaram as ações da estatal nesta segunda-feira (23). Os papéis caíram 6,60% e a empresa perdeu R$ 32,3 bilhões em valor de mercado.

A mudança foi anunciada sem muitos detalhes pela manhã. Em comunicado, a Petrobras disse que seu conselho de administração aprovou alterações em sua política de indicação de executivos e a criação de uma reserva de remuneração do capital.

No fim do dia, após a repercussão negativa, a empresa disse que a ideia é suprimir do estatuto parágrafo que enumera vedações às indicações previstas na Lei das Estatais -como membros do governo ou de partidos políticos e sindicatos, por exemplo- mas que o texto continuará seguindo a lei.

A reportagem apurou que a proposta de mudança na política de indicações foi levada pelo presidente do conselho, o secretário de Petróleo e Gás do MME (Ministério de Minas e Energia), Pietro Mendes, e não chegou a ser analisada pela área de governança da estatal.

Os quatro conselheiros que representam acionistas minoritários da estatal votaram contra a mudança na política de indicações, alegando que ela abre portas para indicações políticas. Mas perderam a disputa, já que os indicados pelo governo formam maioria e votaram em peso a favor.

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, questionou a votação do tema sem análise prévia e se absteve de votar.
Mendes teve sua nomeação contestada por parecer interno da estatal, que via possibilidade de conflito de interesses entre suas atividades no ministério e recomendou sua renúncia ao posto na administração federal. Seu colega no MME Efrain Cruz também teve a nomeação questionada.

Na eleição, o governo alegou que "não corrobora com manifestações de caráter meramente opinativo" dos órgãos de governança e que parecer do MME não encontrou vedações a indicações ao conselho. Defendeu ainda que liminar do STF (Supremo Tribunal Federal) havia suspendido as vedações.

Segundo a nota distribuída pela Petrobras nesta segunda, a mudança teria o objetivo de adequar a política de indicações da companhia à interpretação da liminar do então ministro do STF Ricardo Lewandowski, mesmo que o tema ainda não tenha sido debatido em plenário.

Mais tarde, a estatal disse que o objetivo é alinhar o texto a "quaisquer que venham a ser as decisões judiciais sobre o tema".
"A proposta abre caminho para a nomeação de pessoas expostas politicamente", escreveram analistas do banco Goldman Sachs. "Víamos o estatuto da Petrobras como uma camada adicional de proteção contra intervenção na companhia."

A União é hoje ré em dois processos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) por nomear para o conselho da Petrobras executivos que haviam sido rejeitados por comitês internos a partir de vedações previstas na Lei das Estatais.

O primeiro caso ocorreu no governo Jair Bolsonaro (PL), que elegeu para o conselho Jônathas Assunção e Ricardo Soriano, quando ocupavam os cargos de secretário-executivo da Casa Civil e de procurador-geral da Fazenda Nacional.

A Petrobras afirmou também nesta segunda que vai explicitar em seu estatuto que, "para a investidura em cargo de administração, a Companhia somente considerará hipóteses de conflito de interesses formal nos casos expressamente previstos em lei".

A estatal diz que a criação da reserva tem por objetivo "assegurar recursos para o pagamento de dividendos, juros sobre o capital próprio, suas antecipações, recompras de ações autorizadas por lei, absorção de prejuízos e, como finalidade remanescente, incorporação ao capital social".

A empresa ressalta que sua política de dividendos, que prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre, permanece em vigor, mas a avaliação de analistas é que a reserva pode reduzir a possibilidade de distribuição de dividendos extraordinários.

"Com a criação da nova ferramenta financeira, o montante efetivamente distribuído poderá ser sensivelmente inferior ou até mesmo extinto a depender do seu tamanho", disse, em nota, a Ativa Investimentos.

As medidas ainda precisam de aprovação pela assembleia de acionistas da companhia, sem data marcada. Mas, com maioria do capital votante, o governo consegue aprovar qualquer proposta.

A Petrobras ainda não respondeu a pedido de entrevista.

Com o recuo das ações da Petrobras, a Bolsa brasileira registrou queda de 0,32% e fechou aos 112.784 pontos nesta segunda-feira, em seu menor nível desde 5 de junho deste ano.

Além da proposta de mudança na governança, o preço do petróleo também não ajudou: o barril do petróleo Brent, referência mundial do produto, caiu 2,5% nesta segunda, a US$ 89,83, com alívio de investidores sobre o conflito entre Hamas e Israel.

"As ações da Petrobras reagiram à aprovação pelo Conselho da submissão de proposta de revisão do estatuto social, que poderia representar retrocesso na governança corporativa e impactar futuras distribuições de dividendos extraordinários. No fim, a queda do petróleo no mercado internacional foi só um fator adicional de menor impacto", diz Alexsandro Nishimura, economista e sócio da Nomos.

Desde o dia 18 de outubro, quando a Petrobras atingiu o recorde histórico de preço por ação de R$ 38,52, o papel recua 8,23%, o que representa R$ 41,6 bilhões de valor de mercado.

O montante é próximo ao que vale a Sabesp, a estatal de saneamento do estado de São Paulo. O levantamento foi feito por Einar Rivero, consultor de dados do mercado financeiro.

Somente nesta segunda-feira (23), a ação preferencial da Petrobras recuou 6,61% na B3, a R$ 35,35. No ano, o papel sobe 78,09%.

O movimento recente se dá em meio a quedas sucessivas do barril de petróleo Brent, de um corte de preço da gasolina que elevou a defasagem do combustível comercializado no Brasil e da polêmica proposta de mudança no estatuto social da empresa.

No câmbio, o dólar caiu 0,29% e fechou cotado a R$ 5,016, acompanhando a queda nos rendimentos dos títulos americanos. Os chamados "treasuries" recuaram de 4,91% para 4,84%, após terem ultrapassado o patamar de 5% pela manhã.

 

Brasil

Brasil cria política para ampliar produção de minerais críticos

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

17/09/2026 07h30

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

Lei sancionada cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (16) a lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê investimentos de até R$ 7 bilhões por meio de incentivos a projetos de processamento e transformação dos minerais. 

O objetivo é estimular a pesquisa, extração e transformação de minerais críticos e estratégicos.

“A mineração exige investimentos intensivos e ciclos produtivos que frequentemente chegam a 40 anos. Por isso, previsibilidade e estabilidade, especialmente a fiscal, são premissas indispensáveis para atrair investimento de longo prazo”, explicou Pablo Cesário, do Instituto Brasileiro de Mineração.

A lei sancionada hoje cria um Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam) com aporte de R$ 2 bilhões da União para garantir empreendimentos e atividades vinculados à produção de minerais críticos e estratégicos. O montante do fundo pode chegar a R$ 5 bilhões. O fundo somente poderá apoiar projetos considerados prioritários no âmbito da política.

O Ministro minas e energia, Alexandre Silveira, afirmou que a nova lei será importante para o Brasil conhecer melhor os recursos que tem. “O Brasil vai conhecer em profundidade seus recursos e preservar a capacidade de decisão sobre suas cadeias produtivas”, disse.

Ele explicou que o Serviço Geológico do Brasil terá um aumento de verba, de R$ 8 milhões para R$ 300 milhões, para investir em pesquisa para conhecimento do solo.

Soberania

Após a assinatura da lei, Lula defendeu o investimento na formação de novos profissionais para um mercado que promete se expandir. Lula convidou as universidades e institutos federais a participar da formação de novos cursos “para não ficarmos devendo a ninguém no mundo em preparação”.

O presidente destacou a importância em ter um mercado de mineração desenvolvido, com industrialização e tecnologia de refino e produção no Brasil. Em seguida, afirmou que existem “traidores da pátria” que quiseram vender, “a preço de banana, como fizeram com o minério de ferro”, minerais críticos em estado bruto para os Estados Unidos.

“Não permitiremos que a história se repita. Que os inimigos do Brasil entendam de uma vez por todas. Nossa soberania não está à venda. A riqueza do Brasil tem um único dono, o povo brasileiro”.

Lula também assinou o decreto que cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos. Caberá ao conselho a coordenação, planejamento e acompanhamento da política nacional. O conselho deverá propor políticas e ações públicas destinadas ao desenvolvimento das cadeias produtivas e minerais críticos e estratégicos.

Minerais Críticos

Os minerais críticos e terras raras são insumos indispensáveis para as indústrias de tecnologia, automobilística, defesa e para a concretização da transição energética.

Os minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Terras raras são um grupo específico de minerais críticos. São 17 elementos químicos dispersos na natureza, o que dificulta a extração. Elas são essenciais para turbinas eólicas, smartphones, carros elétricos e sistemas de defesa.

Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.

A definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. As terras raras, por sua vez, também podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto.

transparência

STF deve decidir sobre investigação contra Moraes com sete votos

Devem votar os ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes

15/09/2026 14h05

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

Dois ministros já se declararam impedidos e o próprio Alexandre de Moraes não deve perticipar da votação

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Com parte dos ministros envolvidos no caso Master, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai decidir sobre a abertura de investigação de Alexandre de Moraes com apenas sete integrantes. No início da sessão desta terça-feira, 15, convocada para analisar as conversas de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, os ministros Kássio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos. Além deles, o próprio Moraes não poderá se manifestar, já que é objeto de análise no julgamento.

Também há dúvidas sobre a participação de André Mendonça, já que a Corte vai analisar a nulidade do relatório da PF com as conversas de Moraes e Vorcaro, produzido após sua determinação. Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade e de viés político, mas esse julgamento foi marcado para a próxima quarta-feira, dia 23.

Devem votar os seguintes ministros, nesta ordem: Edson Fachin (relator), Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

Mendonça e Fux já deram sinais de serem favoráveis à abertura de investigação, enquanto Dino e Gilmar indicaram contrariedade.

AJUDA EXTERNA

Depois de experimentar um período de cinco meses sob as sanções da Lei Magnitsky, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, em sua defesa, que o relatório da Polícia Federal que destrincha sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro "é imprestável" e foi produzido com auxílio de "órgão externo, provavelmente estrangeiro".

O ministro disse que o relatório foi produzido "demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito". O STF define nesta terça-feira, 15, sobre a abertura de uma investigação contra Moraes.

Ele sugeriu que o documento foi plantado nos sistemas da PF. "Há, inclusive, a suspeita de que o providencial afastamento do diretor da PF (delegado Andrei Rodrigues), que estranhamente foi comemorado por autoridades estrangeiras, foi para que não pudesse averiguar a produção externa desse relatório", afirmou Moraes. Para o ministro, "não é demais relembrar as inúmeras pressões estrangeiras contra a Justiça brasileira e esse STF, inclusive com a cassação do visto de diversas autoridades e a aplicação da Lei Magnitski".

Alexandre de Moraes foi sancionado pelo governo Donald Trump em 30 de julho de 2025. Os EUA optaram pela aplicação da Lei Magnitsky, que pune estrangeiros por supostas violações de direitos humanos e restrições à liberdade de expressão. A medida incluiu o bloqueio de eventuais bens e restrições a transações financeiras nos Estados Unidos. Em 12 de dezembro de 2025, a administração trumpista retirou o ministro e sua mulher, Viviane Barci, da lista de sanções.

Em sua defesa de 44 páginas entregue à presidência do STF, Moraes afirmou que a quebra da "cadeia de custódia" permite a inserção de arquivos falsos, mensagens em "blocos de notas" e outras irregularidades, principalmente quando o material apreendido é enviado ao gabinete do magistrado relator sem a "observância de procedimentos mínimos de segurança".

O ministro reiterou a hipótese de acesso de terceiros ao arquivo, "possivelmente autoridades estrangeiras".

"O prazo de elaboração foi de 72 horas, impossível para aquele relatório, mas os metadados comprovam que o relato não foi produzido efetivamente pela Polícia Federal, mas sim por agentes externos - pela forma de produção, provavelmente estrangeiros, comprovando a tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras - que somente enviaram o resultado para a Polícia Federal", disse Moraes.

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