A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta quinta (10), operação contra 29 pessoas que teriam participado de um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. A CGU (Controladoria-Geral da União) participa das investigações.
A medida foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino no âmbito da investigação que apura o desvio de recursos para o filme.
Entre os alvos da operação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor das emendas, e a produtora do filme, Karina Gama. O caso chegou ao STF por meio de uma representação feita pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Investigado em outro processo, sob relatoria do ministro André Mendonça, por ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme, Flávio Bolsonaro não é alvo da operação.
Em nota, a PF afirma que "as investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano".
Afirma ainda que "levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado".
Segundo a PF, "estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios".
Dino avocou também para o STF a investigação que a Polícia Civil de São Paulo já fazia sobre o filme.
Em agosto, ele autorizou a PF a ter acesso a dados da investigação da polícia paulista que envolve a produtora audiovisual Go Up Entertainment, responsável pelas gravações do filme "Dark Horse", em contratos com a Prefeitura de São Paulo. Karina Gama é a dona da empresa.
Em junho, a polícia de SP deflagrou operação em endereços ligados à produtora e em uma secretaria da Prefeitura de São Paulo, como parte de um inquérito que apura se houve irregularidades e desvios de um contrato municipal e se os recursos foram para a equipe do longa-metragem.
A suspeita é de que os recursos tenham sido desviados de um contrato de R$ 108 milhões firmados entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, que é dona da produtora. O contrato previa fornecimento de wi-fi gratuito a comunidades carentes.
Na decisão em que determinou o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da PF, na quarta (9), Dino citou o impacto do afastamento do diretor-geral sobre as investigações do caso.





