Brasil

FRAUDE FINANCEIRA

PF quebra sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso Master

A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do STF, mas a decisão teve o sigilo retirado nesta sexta-feira, 16

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A Polícia Federal (PF) quebrou os sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso do Banco Master. A medida foi autorizada em 6 de janeiro pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão teve o sigilo retirado nesta sexta-feira, 16.

As quebras de sigilo abrangeram as movimentações no período de 20 a 21 de outubro de 2025. A solicitação foi pela Polícia Federal (PF) com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

De acordo com a decisão, a apuração aponta indícios da prática de crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento de investidores em erro, uso de informação privilegiada, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

"Também verifico que, na linha do que consignado pelo Procurador-Geral da República e pela Polícia Federal, que há elementos suficientes que apontam para o 'aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, notadamente mediante o uso de fundos de investimento e intrincada rede de entidades conectadas entre si por vínculos societários, familiares ou funcionais.'", argumentou Toffoli.

O ministro afirmou que o procurador-geral da República acertou ao pedir a remessa do caso ao Supremo, ao destacar que as investigações conduzidas na 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo são mais amplas do que aquelas da Operação Compliance Zero

Na decisão, Toffoli também determinou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 envolvidos em valores que podem chegar a R$ 5,77 bilhões. As medidas foram cumpridas no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro e, seu cunhado, o pastor e empresário Fabiano Zettel.

Como mostrou o Estadão, Zettel é o dono dos fundos de investimento da Reag Investimentos que compraram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões.

Documentos com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostraram que Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso desse e de um outro fundo que o pastor passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento. Os familiares de Toffoli foram os principais acionistas do empreendimento.

Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, a administração do resort e a Reag não se manifestaram. O ministro não tem participação direta no Tayayá, mas frequenta o resort.

Ao Estadão, Zettel, cunhado de Vorcaro, confirmou que foi cotista do fundo e disse ter deixado o investimento em 2022; e que este foi liquidado em 2025. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que não tem "qualquer conhecimento a respeito dos negócios dos referidos fundos". Primo do ministro, Mario Umberto Degani, controlador das empresas que receberam o aporte, não foi localizado.

ESCÂNDALO FINANCEIRO

Centrão chantageou TCU para acabar com liquidação do Master, diz Renan

Senador diz que uma das metas da comissão que supervisiona as investigações é analisar os dados do celular de Daniel Vorcaro

12/02/2026 07h15

Renan Calheiros diz que se reuniu com Vital do Rêgo, que teria sofrido constrangimento político

Renan Calheiros diz que se reuniu com Vital do Rêgo, que teria sofrido constrangimento político

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O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 11, que o grupo de trabalho que supervisiona as investigações sobre o Master requisitará dados do celular do dono do banco, Daniel Vorcaro. O senador também defendeu que o grupo de trabalho comece os depoimentos ouvindo o banqueiro, mas que ainda não há data marcada.

"Para que os trabalhos da comissão sejam produtivos, defendi isso publicamente, acho que deveríamos começar as fases de depoimento ouvindo o Vorcaro", disse Calheiros, após reunir-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin

Segundo Calheiros, durante a conversa, ele reafirmou o pedido de acesso às investigações sobre o caso Master. "Vamos requisitar todas as informações das investigações, porque são várias investigações, para que possamos, com autoridade, colaborar na responsabilização dessas pessoas, mas fundamentalmente aperfeiçoar a legislação, a regulação e a própria fiscalização", disse.

O senador disse ter abordado, no encontro, as conversas que teve com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, que supostamente teria sofrido constrangimento político para interromper as medidas do órgão contra o Master.

"Contei para o ministro Fachin o clima de constrangimento do Tribunal de Contas da União. Eu estive lá, conversei pormenorizadamente com o presidente Vital do Rêgo. O Centrão chantageou um ministro do Tribunal de Contas para que ele acabasse com a liquidação (do Master, feita pelo Banco Central)", continuou.

O senador afirmou ainda que o grupo de trabalho fará o "possível" para elucidar o caso, mas que as atividades não podem ser confundidas com as de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). "Nós não temos papel de polícia, mas nós podemos ter papel na investigação", falou.

Reunião com a PF

Renan Calheiros também se reuniu nesta quarta com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e disse ter solicitado a ele acesso a informações das investigações do Banco Master. "Fizemos uma proveitosa reunião. Nosso objetivo é fortalecer a investigação da Polícia Federal para que, em nenhuma hipótese, haja blindagem. Pedimos acesso a informações, inclusive sigilosas", declarou.

Segundo o senador, Andrei se comprometeu a ceder um assessor técnico para colaborar com os trabalhos do grupo da CAE que supervisiona as investigações do Master.
 

OTIMISMO

Dólar cai para o menor valor em 21 meses, e bolsa bate recorde

Somente neste ano a bolsa brasileira sobiu 15,69%. Nesta segunda-feira o índice Ibovespa, da B3, fechou aos 186.241 pontos, com alta de 1,8%

10/02/2026 07h58

Moeda dos EUA fechou em R$ 5,18 nesta segunda-feira, no menor valor desde maio de 2024

Moeda dos EUA fechou em R$ 5,18 nesta segunda-feira, no menor valor desde maio de 2024

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Num dia de euforia no mercado financeiro, o dólar caiu para o menor nível em 21 meses e fechou abaixo de R$ 5,20. A bolsa de valores teve forte alta e bateu recorde, superando os 186 mil pontos.

O dólar comercial encerrou esta segunda-feira (9) vendido a R$ 5,188, com queda de R$ 0,032 (-0,62%). A cotação caiu durante toda a sessão, chegando a R$ 5,17 por volta das 13h. A partir daí, investidores aproveitaram para comprar moeda barata, mas a moeda não deixou de operar em baixa.

A moeda estadunidense está no menor nível desde 28 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,15. A divisa acumula queda de 5,47% em 2026.

O mercado de ações teve um dia de ganhos. O índice Ibovespa, da B3, fechou aos 186.241 pontos, com alta de 1,8%. O indicador foi puxado por ações de bancos, de petroleiras e de mineradoras, setores com maior peso no índice.

A última vez em que o Ibovespa tinha batido recorde foi no último dia 3. A bolsa brasileira sobe 15,69% em 2026.

Recomendação da China

O dólar iniciou o pregão em queda frente ao real, acompanhando o movimento no mercado internacional. Possíveis intervenções para fortalecer o iene japonês e a repercussão de dados recentes da economia dos Estados Unidos contribuíram para a queda.

Os números do mercado de trabalho americano, divulgados na semana passada, vieram abaixo do esperado. Isso aumentou as chances de que o Federal Reserve (Fed, Banco Central estadunidense) volte a reduzir os juros. Além disso, a vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi fez o dólar recuar diante do iene.

O principal fator, no entanto, que pesou no mercado foi a recomendação do governo da China de que bancos privados reduzam a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O país asiático é o maior detentor de papéis estadunidenses e pretende diversificar as reservas internacionais.

Essa combinação de fatores fez o dólar cair e a bolsa subir. A moeda estadunidense também cedeu diante de divisas de outros países emergentes, como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso chileno. Esse ambiente mais favorável aos mercados emergentes, observado desde o início do ano, tende a persistir e pode continuar a beneficiar o câmbio brasileiro nos próximos meses.

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