Brasil

FRAUDE BILIONÁRIA

Polícia Federal faz nova operação contra o Banco Master

Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e bloqueio de benhs avaliados em R$ 5,7 bilhões

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A Polícia Federal realiza nesta manhã de quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master do empresário Daniel Vorcaro. 

As autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

Também há medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.

A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.

Entenda

Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.

Maior fraude da história

O caso envolvendo o Banco Master pode se configurar como a maior fraude bancária da história do país, disse nesta terça-feira (13) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, o governo acompanha de perto a atuação do Banco Central (BC) e mantém diálogo permanente com a autoridade monetária desde a decretação da liquidação da instituição financeira.

“O caso [Master] inspira muito cuidado, podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país, podemos estar diante disso. Então temos que tomar todas as cautelas devidas, com as formalidades, garantindo todo o espaço para a defesa se explicar, mas, ao mesmo tempo, sendo bastante firmes em relação àquilo que tem que ser defendido, que é o interesse público”, disse o ministro ao chegar ao Ministério da Fazenda.

Haddad informou que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e fez questão de manifestar apoio público ao trabalho conduzido pelo BC no caso.

“Estou absolutamente seguro com o trabalho que o Galípolo e a equipe fizeram”, afirmou Haddad, durante conversa com jornalistas na portaria do Ministério da Fazenda, em Brasília.

“Eu já disse isso, é um trabalho muito robusto”, reforçou.

Haddad ressaltou que a condução do processo exige rigor técnico e transparência, diante da gravidade das suspeitas e do potencial impacto sobre o sistema financeiro nacional.

Articulação com o TCU

O ministro também revelou que tratou do assunto com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo. Segundo ele, houve avanços na interlocução entre os órgãos de controle e o Banco Central.

De acordo com Haddad, a reunião realizada na segunda-feira (12) entre Galípolo, Vital do Rêgo e o relator da apuração no TCU, Jhonatan de Jesus, indicou uma convergência de entendimento sobre os procedimentos adotados pelo BC na liquidação do Banco Master.

“Aparentemente, houve uma boa convergência em relação à leitura dos fatos e à importância da apuração”, disse Haddad.

Impacto sobre FGC

Ao comentar os desdobramentos do caso, o ministro destacou a relevância do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por proteger depositantes em situações de quebra bancária. O ministro lembrou que o fundo é abastecido não apenas por bancos privados, mas também por instituições públicas.

“O FGC é composto por recursos de todo o sistema, inclusive de bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal”, afirmou.

Após a liquidação do Banco Master, o FGC deverá honrar depósitos elegíveis de até R$ 250 mil por pessoa física, conforme as regras vigentes. O titular da Fazenda ressaltou que o episódio reforça a importância de mecanismos de proteção ao sistema financeiro e aos correntistas.

Para Haddad, a investigação completa do caso será fundamental para esclarecer responsabilidades e evitar que episódios semelhantes voltem a ocorrer.

RECORRÊNCIA

Geraldo Neto volta a negar feminicídio contra Gisele Alves em depoimento de 8h

Gisele, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com PM Geraldo Neto, na Barra Funda, em São Paulo

12/10/2026 07h40

Perícia já comprovou que a policial não cometeu suicídio, mas seu ex-companheiro continua negando que seja autor do assassinato

Perícia já comprovou que a policial não cometeu suicídio, mas seu ex-companheiro continua negando que seja autor do assassinato

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Preso suspeito de feminicídio contra a soldado Gisele Alves, em fevereiro deste ano, o tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Neto voltou a negar à Justiça as acusações de ter atirado contra a ex-companheira. As declarações foram dadas durante uma audiência, mesmo um novo laudo complementar reforçar a tese de que Gisele não tirou a própria vida.

Em imagens exibidas pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo, 11, o policial afirmou ser inocente e disse que pretende provar que a morte da ex-companheira foi um suicídio. O interrogatório durou mais de oito horas e foi a última oportunidade para que ele apresentasse sua versão antes de a Justiça decidir se será levado a júri popular.

Gisele, de 32 anos, foi baleada na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com Geraldo Neto, na Barra Funda, em São Paulo. Os dois estavam sozinhos no imóvel. Segundo a perícia, o disparo que matou a soldado partiu da arma do tenente-coronel.

Desde o primeiro atendimento à ocorrência, Neto sustenta a versão de que Gisele tirou a própria vida. A hipótese, porém, é contestada por três laudos periciais, que descartam o suicídio. A conclusão do documento mais recente é de que seria impossível que a policial tivesse atirado contra a própria cabeça.

O que dizem as perícias

Um dos pontos contestados pelos peritos é a versão de Neto de que, após ouvir um barulho, saiu do banheiro e encontrou a companheira caída na sala. Segundo a reportagem, uma reprodução simulada indicou que uma árvore de Natal posicionada no ambiente encobria a visão do local onde Gisele estava.

O tenente-coronel afirmou que a árvore já não estava ao lado do sofá quando saiu do banheiro e acusou os investigadores de terem alterado sua posição para incriminá-lo. Imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam à ocorrência, no entanto, registraram a árvore intacta na sala.

Um bombeiro que socorreu Gisele também relatou ter visto a árvore no local. Ele afirmou ainda que não havia vestígios de água próximo ao banheiro, contradizendo a versão de Neto, que diz ter saído do banho após ouvir o suposto disparo feito pela soldado.

A reportagem também mostrou uma fotografia feita pelo bombeiro que registrou a posição da arma junto à mão da vítima, apoiada sobre a coxa. O socorrista disse ter estranhado a cena.

De acordo com a perícia, Gisele teria sido abordada por trás e imobilizada antes de receber um disparo à queima-roupa. Marcas no queixo da policial também foram citadas entre os elementos analisados.

Sangue foi encontrado no banheiro, em uma toalha e na bermuda de Neto. O tenente-coronel contestou as evidências e alega que a cena foi alterada por agentes que entraram no apartamento.

Mensagens indicam conflitos no relacionamento

A investigação também reuniu mensagens que indicam conflitos entre o casal. Gisele relatava a familiares e amigos que queria se separar porque considerava o companheiro possessivo e ciumento.

Em uma mensagem de áudio enviada 12 dias antes de morrer, a soldado afirmou que Neto havia colocado a mão em seu rosto durante uma discussão.

Questionado sobre a mensagem, o policial negou as acusações e disse acreditar que a ex-companheira teria criado a situação para incriminá-lo. Na versão do tenente-coronel, ela produzia as mensagens no celular dele e enviava a ela, simulando uma conversa de conteúdo tóxico para incriminá-lo.

Outras mensagens recuperadas do celular de Gisele mostram discussões sobre o relacionamento e a possibilidade de divórcio. Em uma delas, Neto teria escrito que tratava a mulher com a autoridade de um "macho alfa", esperando que ela fosse obediente e submissa.

Durante o interrogatório, ele também negou ter enviado parte das mensagens apresentadas na audiência. Ele confirmou, no entanto, ter enviado uma mensagem dizendo o "sexo" com Gisele "era caro", visto que ele sustentava os gastos da companheira.

Apesar de Gisele mencionar repetidamente a intenção de se separar, Neto afirmou que ela não desejava realmente o divórcio. Na audiência, o policial disse que ele próprio queria encerrar o relacionamento.

Defesa pede liberdade

A defesa de Geraldo Neto pediu à Justiça que ele responda ao processo em liberdade. O Ministério Público se manifestou contra a soltura, argumentando que o tenente-coronel poderia usar sua influência para comprometer o julgamento e interferir no depoimento de testemunhas.

O oficial permanece preso preventivamente. Em nota, a defesa afirmou confiar na impronúncia do acusado, decisão que impediria que ele fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Cabe agora à Justiça decidir se há elementos suficientes para que Neto seja levado a júri popular pelo feminicídio de Gisele.

gratuidade

Pix ultrapassa 1 bilhão de chaves cadastradas no Brasil

Como uma mesma pessoa pode cadastrar mais de uma chave, o Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes

10/10/2026 07h37

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20

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O número de chaves Pix cadastradas no Brasil ultrapassou a marca de 1 bilhão em setembro, segundo dados do Banco Central (BC). Ao todo, o sistema contabilizava 1,008 bilhão de registros no dia 30, ante 998 milhões em agosto. O total representa um crescimento de aproximadamente 80 milhões de chaves desde o fim de 2025, quando havia 920 milhões.

O número de chaves, porém, não corresponde à quantidade de usuários do sistema. Como uma mesma pessoa pode cadastrar mais de uma chave, o Pix reúne cerca de 170 milhões de clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. Isso significa uma média próxima de seis chaves por cliente, considerando os números aproximados.

Do total de registros, 956,7 milhões estavam vinculados a pessoas físicas e 51,2 milhões a empresas, conforme os dados do BC.

Mais da metade dos cadastros corresponde a chaves aleatórias, que permitem receber transferências sem precisar compartilhar informações pessoais, como Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), telefone ou e-mail.

Confira a distribuição por tipo de chave:

    Aleatórias: 526,8 milhões (52,3%);
    Celulares: 166,3 milhões (16,5%);
    CPF: 153,9 milhões (15,4%);
    E-mails: 144,6 milhões (14,3%).

Como funcionam

As chaves Pix são identificadores associados a uma conta bancária ou de pagamento e facilitam o envio e o recebimento de dinheiro. O usuário pode cadastrar CPF, Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), número de celular, endereço de e-mail ou uma chave aleatória gerada pela instituição financeira.

Pessoas físicas podem cadastrar até cinco chaves por conta, empresas podem registrar até 20. Cada chave só pode estar vinculada a uma conta por vez.

O cadastro e o gerenciamento são feitos pelo aplicativo ou internet banking da instituição financeira. A chave Pix, entretanto, não é obrigatória, também é possível realizar transferências utilizando os dados bancários do destinatário, além de recursos como Código QR.

Volume de transações

O avanço no número de chaves acompanha a utilização do Pix para transferências e pagamentos cotidianos. Em setembro, foram processadas 7,1 bilhões de transações pelo Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), do Banco Central, movimentando aproximadamente R$ 3,2 trilhões.

O SPI processa e liquida transferências entre diferentes instituições financeiras em tempo real. Operações realizadas entre clientes de uma mesma instituição podem ser liquidadas internamente, sem passar pelo sistema do BC.

Segurança dos cadastros

A chave aleatória permite receber valores sem divulgar diretamente dados pessoais. Ainda assim, os usuários devem conferir a identidade do destinatário antes de confirmar uma transferência.

Em novembro de 2025, o Banco Central informou que estudava mecanismos para permitir o bloqueio da criação de novas chaves não autorizadas, como medida adicional de prevenção a fraudes. 

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