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Senado aprova uso do Fundo do Pré-Sal para dívidas do agro

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. O restante, para áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte

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O Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o projeto de Lei (PL) 5122/23, que autoriza o uso do Fundo Social (FS) do Pré-Sal para financiar o pagamento de dívidas de produtores rurais ocasionadas por eventos climáticos adversos ou impactos econômicos negativos em razão dos conflitos geopolíticos internacionais, o chamado “Refis do Agro”.

O texto também trata do alongamento de dívidas originárias de crédito rural.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, argumentando que a medida pode ter um forte impacto fiscal de até R$ 140 bilhões

Como a proposta sofreu alterações no Senado, o texto terá de passar por nova deliberação na Câmara dos Deputados antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os senadores aprovaram o parecer do senador Renan Calheiros (MDB-AL), aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), que prevê, entre outros pontos que o financiamento das dívidas terá prazo de até 10 anos, com três anos de carência, juros reduzidos e limites de até R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por cooperativa, associação ou condomínio

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024

O texto aprovado no Senado beneficia produtores e cooperativas que comprovem perdas significativas em pelo menos duas safras, entre 2019 e 2025, decorrentes de eventos climáticos ou da queda dos preços agrícolas, em razão de conflitos geopolíticos, a exemplo do conflito no Oriente Médio.

O projeto autoriza a utilização como fonte de recursos para a disponibilização de linha especial de financiamento as receitas correntes de 2026 e de 2027 do FS; bem como do superávit financeiro do fundo apurado em 31 de dezembro dos anos de 2025 e de 2026; de fontes do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR); do superávit financeiro de outros fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda, apurado em 31 de dezembro dos anos de 2025 e de 2026 e ainda de outras fontes definidas pelo Poder Executivo.

O projeto ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO) e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé). O limite global da operação será definido pelo Executivo.

Pela proposta, a linha especial de financiamento terá o limite de R$ 10 milhões por beneficiário de programas como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Para associação, cooperativa de produção, o limite será de R$ R$ 50 milhões. 

O prazo de pagamento será de 13 anos, incluídos ao menos dois anos de carência, de acordo com a capacidade de pagamento. A taxa efetiva de juros será de 3,5% ao ano para beneficiários do Pronaf e demais pequenos produtores.

Para os beneficiários do Pronamp e demais médios produtores, a taxa será de 5,5% ao ano. Para os demais produtores, a taxa aplicada será de 7,5% ao ano.

Poderão ser renegociadas operações de crédito rural, empréstimos utilizados para liquidar dívidas rurais e Cédulas de Produto Rural (CPRs), com operações de custeio, investimento, comercialização e industrialização, incluindo contratos firmados até 31 de dezembro de 2025. Além de dívidas com cerealistas, cooperativas e fornecedores e insumos.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) disse que colocaria a matéria em votação por ter feito um acordo com os senadores.

“Eu respeito integralmente a posição do governo, que têm apelado reiteradas vezes para que o Senado tenha cautela na deliberação das matérias relevantes e que podem impactar o orçamento do Brasil, mas eu fiz um acordo com os senadores e senadoras, com os deputados em várias ocasiões. Publicamente, eu vou informar que não há acordo com o governo em relação ao texto apresentado, mas eu vou deliberar hoje o relatório aprovado pela CAE” disse.

transparência

Dino pede a Fachin investigação de relação de Mendonça com o Master

Flávio Dino acusa André Mendonça de favorecer interesses do Master e da prefeitura de São Paulo em troca de verbas do instituto Iter

15/09/2026 12h57

Audiência do STF foi agendada para decidir se o Tribunal abre ou não investigação contra Alexandre de Moraes

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Uma hora antes do início da sessão de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, o ministro Flávio Dino proferiu uma decisão na qual acusa André Mendonça de favorecer interesses do Banco Master e da Prefeitura de São Paulo em troca de verbas para o instituto Iter, fundado por ele.

Em uma ação movida pelo PCdoB sobre a concessão dos serviços cemiteriais de São Paulo, que identificou a participação do cunhado de Daniel Vorcaro no conselho da concessionária, Dino proferiu uma decisão nesta terça-feira, 15, pedindo documentos à Prefeitura de São Paulo e ao Ministério Público de SP sobre o assunto e lançando acusações contra André Mendonça.

A justificativa apresentada pelo ministro seriam "outros fatos conexos (...) que demandam esclarecimento". A decisão foi tomada de ofício, sem uma provocação pelas partes, e divulgada pouco antes do julgamento contra Moraes.

O ministro Flávio Dino escreveu que proferiu uma decisão em 13 de março determinando medidas para coibir preços abusivos das concessionárias do serviço funerário, mas afirmou que o julgamento do assunto foi suspenso por um pedido de vista de André Mendonça. Em seguida, Dino insinua que André Mendonça tomou medidas com o objetivo de beneficiar o Banco Master, beneficiar seu irmão, que ocupava cargo na prefeitura, e obter recursos para o instituto.

"Ocorre que, em 14 de março de 2025 - um dia antes da formulação do referido pedido de vista -, consoante informações confirmadas pelo próprio Ministro André Mendonça, Sua Excelência recebeu, na sede de uma empresa privada, em São Paulo, o Sr. Daniel Vorcaro. Como vimos acima, havia elevados interesses de fundos geridos pelo Banco Master exatamente em temas atinentes à privatização de cemitérios. Vale recordar que o Sr. Fabiano Zettel (cunhado de Vorcaro) é vinculado à Igreja Batista da Lagoinha, e simultaneamente exercia cargo diretivo na empresa Cortel (concessionária de cemitério em São Paulo)", escreveu Dino.

Aliado de Moraes, Dino afirma que Mendonça votou contra sua medida cautelar e de forma favorável aos cemitérios privados. Em seguida, acusa o colega de ter feito isso por interesses próprios.

"Conforme noticiado, em 24 de setembro de 2025 - após o voto do Exmo. Ministro André Mendonça no sentido de não referendar a medida por mim deferida -, o Instituto celebrou com a Prefeitura do Município de São Paulo, por intermédio da Secretaria Municipal de Gestão, o Termo de Contrato nº. 32/SEGES/2025, mediante contratação direta fundada no art. 74, III, "f", da Lei nº. 14.133/2021. O contrato, no valor de R$ 380.000,00, teve por objeto a prestação de serviços especializados de treinamento e aperfeiçoamento de agentes públicos municipais, mediante os cursos "Governança e Gestão Estratégica em Contratações Públicas" e "Excelência na Gestão e Fiscalização Contratual", realizados no âmbito da Escola Municipal de Administração Pública de São Paulo (EMASP)", diz na decisão.

Ao final, Flávio Dino pede que cópia da decisão seja enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, para instruir um procedimento que acusa André Mendonça de quebra da imparcialidade e direcionamento das investigações do Banco Master.

transparência

Mensagens indicam pagamento de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques

Informações foram retiradas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ministro se absteve do caso nesta terça-feira (15)

15/09/2026 12h52

Nunes Marques diz que nunca votou a favor do Master e o filho nunca recebeu dinheiro de Vorcaro

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As mensagens trocadas por WhatsApp pelo banqueiro Daniel Vorcaro indicam pagamento de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação aparece em conversa de Vorcaro com o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, em julho de 2025. O Estadão teve acesso às mensagens, que fazem parte da íntegra do conteúdo do celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal.

Em nota, a assessoria de Kevin Marques afirmou que o advogado "não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro".

Procurado, o ministro afirmou que "nunca votou a favor do Banco Master, e o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro" (leia mais abaixo). Ele deve se declarar impedido no julgamento desta terça-feira, 15.

Em 4 de julho de 2025, Rennó enviou o contato de Kevin Marques a Vorcaro escreveu, uma sequência de quatro mensagens: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk". Vorcaro respondeu: "Kkkk".

No dia 8 do mês seguinte, Rennó escreveu a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a consult". Em seguida, enviou o contato de Kevin Marques com a indicação "Aqui" e complementou: "Esse aí. Único 'meu' que faltou".

Como revelou o Estadão em março, Kevin Marques recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult Inteligência entre agosto de 2024 e julho de 2025. Essa firma havia recebido R$ 6,6 milhões do Banco Master e outros R$ 11,3 milhões da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A assessoria de Kevin Marques afirmou que o pagamento da Consult é relacionado a prestação de "serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa". "A atuação profissional do advogado Kevin Marques em favor da Consult não tem qualquer relação com o Supremo Tribunal Federal", frisou.

A PF também encontrou mensagens de Vorcaro com a advogada Camilla Ewerton Ramos nas quais o banqueiro a direciona para serviços de voos privados, em novembro de 2025.

Naquele mês, como revelou o Estadão, Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence a empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.

O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite da advogada Camilla Ramos, que atua judicialmente para o Banco Master e assumiu ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

O Estadão também mostrou que em abril do ano passado, a advogada deu carona em um voo privado para Trancoso, na Bahia, a dois filhos do ministro Kassio Nunes Marques.

Mulher cobrou Vorcaro por 'amiga' que 'ficou com Kassio'

No celular de Daniel Vorcaro também foram encontradas mensagens enviadas por uma mulher que informou ao banqueiro, em 28 de fevereiro de 2025, que "as meninas estão prontas" e pediu um endereço.

Em 7 de março, a mulher, identificada na conversa como Rayanna, mandou outras mensagens a Vorcaro: "A minha amiga lá aquele dia ! Deu certo né ? Ela disse que ficou com o kassio! Ela tá me cobrando aqui".

Vorcaro pediu para que ela enviasse "dados e valor". Antes de enviar uma chave Pix ao banqueiro, a mulher escreveu: "10 né! Ela ficou com ele".

A assessoria do ministro informou que ele "não tem conhecimento sobre o contexto" das mensagens de Vorcaro com Rayanna.

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