Cidades

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1 em cada 5 crianças e adolescentes tem transtornos alimentares, diz estudo

Em meninas, a proporção é ainda maior, chegando a quase um terço (30%) em comparação aos meninos (17%) de mesma idade

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Um em cada cinco jovens de 6 a 18 anos apresenta desordem alimentar. Se não tratado, o quadro pode levar a distúrbios como bulimia, anorexia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.

Em meninas, a proporção é ainda maior, chegando a quase um terço (30%) em comparação aos meninos (17%) de mesma idade. Os dados são de um estudo global, que avaliou mais de 63 mil crianças, publicado nesta segunda (20) na revista científica Jama Pediatrics.

O trabalho foi liderado por José Francisco López-Gil, do Centro de Pesquisa Social e Médica da Universidade de Castilla-La Mancha (Espanha), e Héctor Gutiérrez-Espinoza, da Universidade das Américas (Equador).

A pesquisa consiste em uma meta-análise (análise de dados de pesquisas já publicadas, sem fazer novos estudos empíricos) de 32 estudos com um público na faixa de 6 a 18 anos em 16 países, incluindo o Brasil.

Distúrbios alimentares são desordens psiquiátricas caracterizadas pela alimentação anormal ou comportamento que afetam o controle do peso, podendo resultar em sérios problemas de saúde.

Como existem diversas causas possíveis que podem levar ao quadro e por ter origem psíquica, seu diagnóstico é dificultado. Apesar de serem mais frequentes em adultos jovens e adolescentes, as desordens alimentares em crianças podem evoluir para transtornos na idade adulta.

A incidência varia de país a país e é mais comum em nações de média e alta renda, sendo que nas de baixa renda outros fatores, como desnutrição e insegurança alimentar, são mais frequentes em crianças e adolescentes.

Para avaliar a prevalência de distúrbios alimentares na infância, os pesquisadores incluíram apenas estudos com crianças de 6 a 11 anos ou adolescentes de 12 a 18 e que tinham como desfecho principal uma desordem alimentar.

Do total de participantes, 51,8% eram meninas. Uma metodologia eficaz para encontrar sinais de desordem alimentar é o questionário SCOFF ("sick", "control", "one", "fat", "food", em inglês doente, controle, um, gordura, comida).

Ele consiste em cinco perguntas com respostas do tipo sim e não que contam pontos para saber se há alguma desordem. Se a criança ou adolescente somar dois pontos ou mais, poderá ser encaminhado para uma avaliação psiquiátrica de distúrbio alimentar.

A pesquisa, então, incluiu somente estudos que tinham essa metodologia em sua análise inicial. Cerca de 14 mil (23,5%) do total de 63.181 crianças e adolescentes considerados no estudo tinham demonstrado algum sinal de desordem alimentar, e essa proporção foi significativamente maior em meninas do que em meninos.

Um outro ponto observado é que a proporção de crianças e adolescentes com desordem alimentar aumentava conforme a idade (três pontos percentuais a cada dois anos) e índice de massa corporal (3 p.p. a cada 5 kg/m2).

Os autores concluem que, utilizando a ferramenta SCOFF, cerca de um quinto das crianças em 16 países têm alguma condição de distúrbio alimentar. Essa proporção é preocupante para políticas de saúde pública e acende um alerta para a necessidade de estratégias de prevenção.

De acordo com o estudo global do peso das doenças psiquiátricas no mundo, de 1990 a 2019, os distúrbios alimentares estão entre as condições de saúde mental que mais provocam anos de vida perdidos, com uma média de 318 mortes em 2019 por essa causa.

O mesmo estudo avaliou que 3 milhões de crianças podem ter desordem alimentar em todo o mundo. Segundo uma pesquisa recente feita pela Universidade de Oxford, o número de crianças com peso saudável que tenta emagrecer cresceu entre 1997 e 2016.

Muitas das compulsões ou desordens alimentares podem ser tratadas, embora cada caso deva ser avaliado com psiquiatras e médicos para tratamentos específicos.

Fique atento aos sinais 

Podem ser sinais de anorexia:

Apresenta perda exagerada e rápida de peso; recusa-se a participar das refeições familiares; leva o prato para o quarto, mas, não come; preocupa-se exageradamente com o valor calórico dos alimentos; mantém atividade física intensa, rígida e exagerada; tem pele muito seca e coberta por lanugo (pelos parecidos com os de recém-nascidos).

Podem ser sinais de bulimia:

Visita com frequência o banheiro logo após as refeições; tem dentes manchados ou amarelados; usa frequentemente laxantes e diuréticos; mantém atividade física intensa, rígida e exagerada; tem rituais relacionados à comida ou à alimentação (comer apenas um alimento ou um grupo específico de alimentos, mastigar excessivamente a comida ou evitar que o alimento toque os lábios ao ser colocado na boca); ingere porções muito pequenas de comida; pula refeições com frequência; usa roupas folgadas para esconder os contornos do corpo

CAMINHOS

Veja como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Assunto ganha importância durante o Setembro Verde, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante

20/09/2026 08h47

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim

Cerca de 45 mil dos que aguardam um transplante de órgão esperam por um rim Divulgação

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Desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024, mais de 32 mil brasileiros já usaram os cartórios para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos. 

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. 

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão. 

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

 

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SAÚDE

Morre Paulo Roberto Teixeira, referência no combate à aids no Brasil

Médico atuou na criação de políticas de prevenção e tratamento

19/09/2026 23h00

Paulo Roberto Teixeira

Paulo Roberto Teixeira EMI SHIMMA/DIVULGAÇÃO

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Morreu neste sábado (19), aos 77 anos, o médico Paulo Roberto Teixeira, uma das referências em saúde pública no Brasil. Ele foi protagonista na criação da primeira resposta de governo à aids no Brasil, em 1983, época em que a doença era ainda pouco conhecida e marcada pelo estigma.Paulo Roberto TeixeiraPaulo Roberto Teixeira

Quando os primeiros casos da doença foram confirmados em São Paulo, Teixeira estava à frente do programa de hanseníase do estado. A experiência com uma doença que também era marcada pela exclusão, ajudou a desenhar para a aids uma política pautada no direito à saúde e ao respeito, que passava pela prevenção e assistência, incluindo o acesso aos antirretrovirais, e o trabalho em parceria com sociedade civil.

Em 2000, já à frente do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Paulo Teixeira passou a denunciar que os preços dos medicamentos eram inviáveis para a manutenção do acesso universal ao tratamento de aids pelo SUS e passou a defender a quebra de patentes dos laboratórios farmacêuticos.

Defendeu que a Lei de Patentes brasileira, aprovada em 1996, limitou o acesso à saúde e organizou um programa internacional de transferência de tecnologia entre países do Sul global para a produção de antirretrovirais genéricos.

Esse movimento foi fundamental para que em 2001, a Organização Mundial do Comércio reconhecesse que o direito à saúde está acima das regras de propriedade intelectual e fortaleceu a luta dos países pobres pelo direito de acesso ao tratamento.

A luta pelo acesso universal ao tratamento seguiu na OMS, quando Paulo Roberto Teixeira, assumiu em 2003 o Departamento de HIV/Aids da OMS e integrou a estratégia 3 by 5 que estabeleceu a meta de 3 milhões de pessoas vivendo com HIV em tratamento até o fim de 2005.

Em nota, o Ministério da Saúde manifestou pesar pela morte de Paulo Roberto Teixeira, reconhecendo que ele foi um dos "nomes fundamentais da resposta do país à epidemia" e que Paulo Teixeira "dedicou a vida à defesa da saúde como direito, dos direitos humanos e do acesso universal à prevenção e ao tratamento".

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