Cidades

ENTREVISTA

"A IA não transforma apenas ferramentas de trabalho, mas a forma como trabalhamos"

Para Karina, o maior risco da transformação digital não está na tecnologia, mas na falta de preparo emocional, cultural e estratégico das organizações

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A inteligência artificial (IA) tem avançado rapidamente no ambiente corporativo, redefinindo processos, funções e modelos de gestão. Ao mesmo tempo, o tema ainda desperta insegurança entre trabalhadores e lideranças, muitas vezes mais ligada à forma como as mudanças são conduzidas do que à tecnologia em si. 

Nesta entrevista ao Correio do Estado, a especialista em Recursos Humanos (RH) Karina Alonso analisa os impactos da IA no mundo do trabalho, discute os desafios da gestão da mudança, fala sobre saúde mental, conflitos geracionais e defende um papel mais estratégico do RH na construção de culturas organizacionais mais humanas, conscientes e preparadas para o futuro.

Confira a entrevista a seguir:

A inteligência artificial ainda é vista com desconfiança por muitos profissionais. Esse medo é racional ou resultado de desconhecimento dentro das organizações?

A inteligência artificial, como outras tecnologias, desperta receios. O medo é compreensível, mas em grande parte está associado à forma como as mudanças são conduzidas nas organizações.

Quando não há diálogo, clareza de propósito e preparação das pessoas, qualquer transformação gera insegurança. Mais do que desconhecimento técnico, existe uma lacuna de comunicação e de cuidado com o impacto humano dessas mudanças.

 Em contextos em que a liderança está preparada para conduzir transformações e o RH atua de forma estratégica, esse receio tende a ser mais bem compreendido e trabalhado.

Historicamente, toda grande revolução tecnológica gerou receio. O que diferencia a atual era da IA das transformações anteriores no mercado de trabalho?

A principal diferença está na velocidade e na profundidade do impacto. A IA não transforma apenas ferramentas de trabalho, mas a forma como trabalhamos, tomamos decisões e nos relacionamos com o conhecimento.

Isso exige das organizações um nível maior de maturidade cultural, já que o desafio não é apenas aprender algo novo, mas também rever e, muitas vezes, desaprender modelos tradicionais de gestão e liderança.

Você acredita que a IA tende mais a substituir funções ou a redesenhar competências? Onde está, de fato, o maior impacto?

O maior impacto está no redesenho de competências. Funções mudam, mas o que realmente se transforma são as habilidades exigidas das pessoas, como pensamento crítico, colaboração, comunicação, adaptabilidade e capacidade de aprender continuamente.

O risco não está na tecnologia em si, mas em organizações que não investem de forma consistente no desenvolvimento das pessoas.

Organizações que atuam de maneira estratégica tendem a antecipar esse movimento, preparando equipes e lideranças para essa transição.

Nesse contexto, iniciativas de upskilling [aprimoramento das competências atuais] e reskilling [requalificação para novas funções] tornam-se indispensáveis para sustentar a transformação de forma estruturada e duradoura.

Muitas empresas ainda tratam a IA como ferramenta de produtividade. O erro está em olhar apenas para eficiência e não para cultura organizacional?

Sim. Quando a IA é tratada apenas como ganho de eficiência, perde-se uma oportunidade relevante de evolução cultural. A organização corre o risco de acelerar processos sem transformar comportamentos, mentalidade e modelo de gestão.

A cultura organizacional define como as pessoas interpretam, adotam e sustentam qualquer mudança. Sem a revisão de valores, práticas de liderança e formas de trabalho, a tecnologia pode até gerar agilidade, mas não, necessariamente, organizações mais saudáveis, inovadoras ou sustentáveis.

O verdadeiro desafio não está na ferramenta, mas na capacidade de conduzir uma gestão da mudança estruturada, de forma consciente, alinhando estratégia, cultura e pessoas – com comunicação clara, preparo das lideranças e espaço para escuta.

Como líderes podem usar a inteligência artificial para fortalecer equipes, em vez de criar insegurança ou competição interna?

O ponto central está na intenção da liderança. Quando as ferramentas são usadas para apoiar decisões, liberar tempo para conversas de qualidade e fortalecer a colaboração, as equipes tendem a se sentir mais apoiadas.

Quando a tecnologia assume um papel de controle excessivo ou foco exclusivo em eficiência, a insegurança cresce.

Liderança continua sendo sobre pessoas, não sobre sistemas. Em contextos mais maduros, líderes preparados para conduzir mudanças com empatia, clareza e escuta fazem com que a tecnologia seja percebida como apoio ao trabalho, e não como ameaça, com o RH atuando como facilitador desse processo.

A transformação digital exige também transformação emocional? Como a saúde mental entra nessa equação?

Sem dúvida. Toda transformação relevante exige adaptação emocional, pois mudanças significativas afetam identidade, segurança e senso de pertencimento.

A saúde mental entra como elemento estratégico da transformação, e não apenas como benefício ou tema de bem-estar, na medida em que as organizações reconhecem que as pessoas precisam de segurança psicológica para aprender, se adaptar e performar de forma sustentável.

Quando o impacto emocional dessas mudanças é ignorado, o custo aparece em queda de engajamento, aumento do absenteísmo e maior rotatividade.

Há um conflito geracional evidente nas empresas quando o assunto é tecnologia. Como equilibrar a experiência dos mais velhos com a fluidez digital dos mais jovens?

O equilíbrio vem da valorização das diferenças. Experiência, visão sistêmica e maturidade podem e devem conviver com agilidade, fluidez digital e novas formas de pensar. Esses atributos não são opostos, mas complementares.

O desafio das organizações está em criar ambientes de troca, aprendizado mútuo e respeito, capazes de fortalecer a cultura colaborativa, em vez de reforçar estereótipos geracionais.

O medo da substituição pode estar mais ligado à falta de qualificação contínua do que à tecnologia em si?

Certamente. O medo costuma surgir quando as pessoas não se sentem preparadas para acompanhar as mudanças.

Ao longo da minha experiência em projetos de gestão da mudança, observei que muitas transformações organizacionais despertam o receio de não se estar suficientemente qualificado para novas exigências.

Por isso, a aprendizagem contínua precisa fazer parte da cultura organizacional, e não ser tratada como uma responsabilidade individual isolada. Investir em desenvolvimento é, antes de tudo, uma decisão estratégica.

Qual é o papel do RH nesse momento, mediador cultural, agente estratégico ou protagonista da transformação digital?

O RH atua, sobretudo, como agente estratégico e mediador cultural. É ele quem ajuda a conectar a estratégia do negócio às práticas de gestão e à experiência das pessoas, trabalhando de forma integrada com as lideranças para conduzir mudanças de maneira consistente.

Mais do que protagonizar a tecnologia, o papel do RH é garantir que qualquer transformação digital esteja alinhada à cultura organizacional, ao desenvolvimento das lideranças e à preparação contínua das pessoas, criando as condições necessárias para que a mudança seja compreendida, adotada e mantida de forma sustentável ao longo do tempo.

Empresas que resistem à adoção de novas ferramentas digitais correm risco competitivo real? Esse atraso pode comprometer a sustentabilidade do negócio?

Existe, sim, um risco competitivo, mas ele não está apenas na ausência de novas ferramentas digitais. O maior risco está na incapacidade de adaptação das pessoas e da própria organização.

Empresas verdadeiramente sustentáveis são aquelas que conseguem evoluir preservando coerência cultural, clareza estratégica e cuidado genuíno com as pessoas ao longo do processo de mudança.

Você passou por grandes multinacionais e também pelo terceiro setor no Masp. Há diferenças na forma como organizações lidam com inovação e cultura?

Em minha experiência profissional, percebo que grandes organizações costumam contar com estruturas robustas, processos bem definidos e maior escala, o que traz eficiência, mas também pode gerar certa rigidez na forma de inovar. Já o terceiro setor tende a operar com mais flexibilidade, senso de propósito e colaboração.

Ao transitar por esses contextos, meu principal aprendizado foi entender que a verdadeira maturidade organizacional está em integrar esses mundos: unir eficiência e governança ao propósito, desenvolver lideranças, gerar impacto social e promover cuidado genuíno com as pessoas, independentemente do setor.

Quais são os principais erros que líderes cometem ao implementar tecnologia sem preparar as pessoas?

Um erro recorrente é subestimar o impacto humano da mudança. Faltam escuta ativa, comunicação clara, capacitação adequada e tempo para adaptação.

A ausência de uma gestão da mudança estruturada faz com que as pessoas não compreendam o propósito da transformação nem se sintam parte do processo, o que gera resistência, medo e baixa adesão, comprometendo, consequentemente, os resultados esperados numa implementação.

O que muda nas relações de trabalho quando a tecnologia assume tarefas operacionais? Sobra mais espaço para criatividade ou aumenta a cobrança por performance?

Depende essencialmente da cultura da organização. Em ambientes mais saudáveis, há mais espaço para criatividade, colaboração e desenvolvimento. Em culturas orientadas exclusivamente a resultados, a cobrança costuma se intensificar. A tecnologia, no fim, amplia aquilo que a cultura organizacional já valoriza.

Se tivesse que deixar uma mensagem para empresários e trabalhadores que ainda veem a IA como ameaça, qual seria?

A IA, como qualquer outra tecnologia, não define o futuro sozinha. O futuro do trabalho será determinado pelas escolhas que fazemos hoje sobre como conduzimos as mudanças, desenvolvemos pessoas, preparamos lideranças e construímos culturas organizacionais mais humanas, conscientes e responsáveis.

Quando há clareza de propósito, uma gestão da mudança bem conduzida e um RH atuando de forma estratégica em parceria com a liderança, a tecnologia deixa de ser ameaça e passa a ser um apoio, um meio. O centro da transformação continua sendo o ser humano.

{Perfil}

Karina Alonso

Líder em Recursos Humanos com mais de duas décadas de experiência em grandes companhias globais, como The Walt Disney Company, Schneider Electric, IBM e PwC.

Sua atuação mais recente foi como líder no RH do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), com foco em cultura organizacional, desenvolvimento de equipes e transformação institucional.

Psicóloga formada pela Faculdade Metodista, é pós-graduada em Administração de Empresas pela Faap, tem MBA em Trends Innovation pela Inova Business School, formação em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Centro de Estudos de Terapia Cognitivo Comportamental e certificação como analista comportamental sólides profiler (Disc).

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POLÊMICA

TJMS e MPE repudiam charge que associa morte de juíza do RS com fim dos penduricalhos

Na publicação de sábado (9) da Folha de São Paulo, feita pela jornalista Marília Marz, o desenho mostra uma lápide com a frase "vidinha mais ou menos, até perdê-la junto com os penduricalhos"

11/05/2026 10h15

TJMS classifica a publicação como um ato doloso, pensado e direcionado, e diz que merece o ajuizamento de ações civis e penais

TJMS classifica a publicação como um ato doloso, pensado e direcionado, e diz que merece o ajuizamento de ações civis e penais Foto: Divulgação / TJMS

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) e o Ministério Público Estadual (MPE) divulgaram notas, em seus respectivos veículos de comunicação, para repudiar a publicação da charge, na véspera do Dia das Mães, do jornal Folha de São Paulo. A ilustração da jornalista Marília Marz mostra uma lápide com a frase "vidinha mais ou menos, até perdê-la junto com os penduricalhos".

O cartum foi publicado após a juíza de direito Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, falecer em decorrência de complicações em um procedimento de reprodução assistida, ocorrido na última quarta-feira (6). A magistrada tinha apenas 34 anos e tentava realizar o sonho de ser mãe. 

Em nota, o TJMS acusa a ilustradora e a Folha de São Paulo de utilizarem a morte da juíza para "destilar ódio" contra a categoria, e que isso "demonstra o dolo intencional, a ausência de boa-fé e responsabilidade social".

Para o órgão legislativo, a charge configura-se como um ato doloso, pensado e direcionado, e que merece o ajuizamento de ações civis e penais, tanto para Marília quanto para Folha de São Paulo, que permitiu a veiculação da publicação.

O debate sobre a publicação ocorre um dia após os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes publicarem uma nova decisão conjunta para tentar conter o avanço dos chamados “penduricalhos” no Judiciário brasileiro.

O alvo são mecanismos utilizados por tribunais para ampliar remunerações acima do teto constitucional, prática que ganhou destaque em Mato Grosso do Sul após magistrados receberem salários superiores a R$ 200 mil em abril.

Nos despachos, os ministros afirmam que tribunais vêm promovendo um “drible” à decisão do STF tomada em 25 de março, quando a Corte estabeleceu limites para verbas indenizatórias e reforçou que o teto salarial do funcionalismo deve ser respeitado.

NOTA DO TJMS

O Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul vem a público manifestar o seu mais profundo e veemente repúdio à charge publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, de autoria da jornalista Marília Marz, nesta data, 9 de maio, referente ao trágico falecimento da juíza de direito Mariana Francisco Ferreira, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul,  ocorrido em 6 de maio de 2026.

A publicação em questão, ao utilizar a expressão "vidinha mais ou menos, até perdê-la junto com os penduricalhos", descerra um conteúdo de perversidade incompatível com os valores civilizatórios e com a ética jornalística.

É imperativo esclarecer que o episódio em tela não está acobertado pela liberdade de manifestação do pensamento ou de imprensa. Tais garantias constitucionais não servem de salvo-conduto para o escárnio da morte alheia nem para o vilipêndio à memória de uma magistrada e muito menos para destilar a aversão dessa senhora, que não merece o título de jornalista, contra a magistratura brasileira, constituindo-se em ato doloso, pensado e consequência do mais puro e simples desprezo pela vida humana, da Mulher e de quem tentava ser mãe.

A charge configura-se como um ato doloso, pensado e direcionado, que merecerá dos legitimados,  certamente, ajuizamento de ações civis e penais não só contra essa indesejada pessoa, mas do próprio jornal Folha de São Paulo, que encampou e permitiu a veiculação dessa monstruosidade e que também tem responsabilidade pelo que permitiu fosse publicado.

A utilização de um evento fúnebre para "destilar ódio" contra uma categoria profissional demonstra o dolo intencional, a ausência de boa-fé e responsabilidade social. É um ato ignominioso, reprovável e que merece severa punição.

A gravidade do ato é acentuada pelo contexto da perda. A Juíza Mariana Francisco Ferreira faleceu aos 34 anos, em decorrência de complicações em um procedimento de reprodução assistida. Tentava ser mãe.

A publicação ironiza o sonho da maternidade e a vulnerabilidade de uma mulher submetida a tratamentos médicos complexos.

Atacar uma cidadã que faleceu trazendo perda irreparável à família enlutada, associando sua existência a "penduricalhos" — termo pejorativo usado para deslegitimar prerrogativas da função — é uma tentativa vil de desumanizar a figura da magistrada.

Transformar esse luto em escárnio é uma agressão que ultrapassa a crítica institucional para atingir o campo da criminalidade e da barbárie moral.

A Folha e essa senhora devem promover, no mínimo, uma retratação pública, para a preservação da honra da magistrada e a defesa da dignidade de sua família e de toda magistratura enlutada, que jamais os isentarão, de qualquer forma da responsabilidade civil e penal pelo ato, em foro próprio.

NOTA DO MPMS

O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) manifesta veemente repúdio à charge publicada no jornal Folha de S.Paulo, pela absoluta falta de empatia com a perda precoce de uma vida humana e, também, por considerar que a abordagem adotada desrespeita tema extremamente sensível relacionado aos desafios da maternidade diante das exigências da atividade laboral dentro do sistema de Justiça brasileiro.

A publicação ocorre em contexto de profunda comoção pelo falecimento da juíza Mariana Francisco Ferreira, aos 34 anos, após procedimento de coleta de óvulos, fato que mobilizou magistrados, membros do Ministério Público e, especialmente, mulheres que convivem com os impactos pessoais e profissionais decorrentes das exigências das carreiras jurídicas.

O CNPG reafirma seu compromisso com a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão e o direito à crítica institucional, valores essenciais ao Estado Democrático de Direito. Essas garantias, contudo, não afastam a necessária responsabilidade ética e sensibilidade humana diante de episódios marcados por dor e luto.

O Ministério Público brasileiro reconhece a legitimidade do debate público sobre o sistema de Justiça e suas estruturas. O que não se pode jamais admitir é a banalização do sofrimento humano ou a desumanização de experiências profundamente sensíveis.

Neste momento, o CNPG se solidariza com os familiares, amigos e colegas da juíza Mariana Francisco Ferreira, reiterando respeito a todas as mulheres que enfrentam, diariamente, os desafios de equilibrar responsabilidade profissional e projetos legítimos de vida pessoal e familiar.

 

CAMPO GRANDE

Frio leva 170 pessoas a ponto de acolhimento durante fim de semana em Campo Grande

Com temperaturas de até 7°C e sensação térmica negativa, ponto de acolhimento no Parque Ayrton Senna recebeu idosos, migrantes e até pets durante o fim de semana

11/05/2026 10h00

Ponto de acolhimento no Parque Ayrton Senna recebeu dezenas de pessoas em situação de rua durante o fim de semana mais frio do ano em Campo Grande

Ponto de acolhimento no Parque Ayrton Senna recebeu dezenas de pessoas em situação de rua durante o fim de semana mais frio do ano em Campo Grande Divulgação

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A queda brusca das temperaturas em Campo Grande levou ao menos 170 pessoas em situação de rua a procurarem abrigo no ponto de acolhimento montado no Parque Ayrton Senna durante o fim de semana. Somente entre as noites de sábado(9) e domingo (10), o espaço recebeu homens, mulheres, idosos, migrantes e até animais de estimação em meio ao avanço da frente fria sobre Mato Grosso do Sul.

Na primeira noite da ação Inverno Acolhedor, realizada na sábado (9), 90 pessoas passaram pelo local. Segundo balanço da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS), foram acolhidos 80 homens e 10 mulheres. Entre eles, cinco idosos e dois migrantes. Quatro cães também receberam atendimento no espaço.

A madrugada foi marcada pela sensação térmica de -3,2°C em algumas regiões da Capital, considerada a mais fria do ano até agora. Além dos acolhidos, outras dez pessoas recusaram atendimento das equipes.

Já no domingo (10), mesmo com temperaturas um pouco mais elevadas, o acolhimento voltou a registrar alta procura. Foram 80 atendimentos, sendo 70 homens e 10 mulheres. O grupo incluía cinco idosos, quatro migrantes e quatro pets. Seis pessoas recusaram o encaminhamento.

O frio intenso veio acompanhado de chuva. Conforme dados meteorológicos, Campo Grande registrou 72,4 milímetros de precipitação entre sexta-feira e sábado, enquanto os termômetros chegaram aos 7°C no domingo.

No ponto de apoio, os acolhidos receberam colchões, cobertores, alimentação e bebidas quentes. Equipes de saúde também fizeram atendimentos médicos no local, enquanto os animais foram assistidos com ração e cobertas.

Após a triagem, parte das pessoas foi encaminhada para unidades de acolhimento da Capital, onde puderam tomar banho, jantar e passar a noite protegidas do frio.

A operação continuará nesta segunda-feira (11), novamente no Parque Ayrton Senna, no Bairro Aero Rancho. O atendimento começa às 18h e contará com apoio de equipes de assistência social, saúde e bem-estar animal.

As equipes costumam ser compostas por educadores sociais e psicólogos, revezando-se em plantões ao longo de toda a semana, com atendimento 24 horas. 

Nas áreas de maior circulação, como na região central, por exemplo, as equipes do Seas atuam tanto através de denúncias quanto por meio das ações de busca ativa. 

Diante de um chamado, os profissionais se dirigem até o local indicado para realizar o atendimento e oferecer acolhimento. 

Em casos de recusa, cabe esclarecer, as equipes seguem com o acompanhamento e retornam aos locais com novas abordagens, o que reforça o vínculo e a oferta de apoio. 

Importante frisar que não é possível levar essas pessoas, mesmo que em situação de rua, à força, uma vez que a decisão de não aceitar o acolhimento é um direito garantido pela Constituição Federal.

Disponíveis 24 horas, o Serviço pode ser acionado através do telefone 156, ou dos números: (67) 99660-6539 e (67) 99660-1469.

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