Quarenta e seis acadêmicos de Medicina da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) que recebem o diploma em dezembro, levaram um cano de mais de meio milhão de reais, dinheiro investido na formatura, cerimônia que havia sido marcada para janeiro do ano que vem.
O montante sumiu da conta dos estudantes, que era controlada por uma empresa de Santa Catarina, já perto da falência pelos seguidos calotes em formandos de universidades situadas em regiões distintas do país.
O advogado Leonardo Avelino Duarte, defensor dos acadêmicos, informou ao Correio do Estado. que moveu medida cautelar, notícia-crime como meios de identificar bens e patrimônios dos gestores da firma supostamente caloteira.
A empresa em questão, a Brave Brazil, com sede em Florioanópolis (SC), mostrava-se, pela internet, como "especialista em realizar as maiores e melhores formaturas de medicina do Brasil". Na tarde desta terça-feira (1), o site do tal empreendimento tinha saído do ar.
O advogado disse que a Brave tinha fechado negócio com os estudantes de Medicina, em Campo Grande, em julho de 2020, e que, pelo combinado, cada um dos acadêmicos ia pagar, em parcelas, por meio de boletos, em torno de R$ 20 mil pela festa.
Leonardo Duarte, que defende 42 dos 46 alunos, disse que há variações nos valores quitados pela turma de Medicina. "Alguns acadêmicos pagavam boletos para participar do jantar [no dia da formatura], outros da festa, eram planos diferentes. Em geral, eles pagaram, uma média de R$ 400 reais por boletos", afirmou o advogado, ex-presidente da OAB de MS.
Ainda segundo Duarte, até dezembro, um mês atrás, extrato da conta dos futuros médicos somava R$ 570 mil, depois caiu para R$ 36 mil, e, em seguida, nada, nenhum centavo.
A reportagem tentou conversar com um dos acadêmicos, hoje "desolados", segundo o defensor, mas até a publicação deste material ainda não tinha conseguido. Assim que houver manifestação, a reportagem será atualizada.
CALOTE PELO PAÍS
Domingo passado (29), o Fantástico, programa da Rede Globo, exibiu material sustentando que, desde o início de 2019, a Brave Brazil, a que deu o calote nos estudantes da UFMS, já empilhava cerca de 90 processos na Justiça e dívidas com fornecedores.
Históricos como a dos acadêmicos de Campo Grande ocorreram com formandos de Medicina no Rio de Janeiro e Paraná, por exemplo.
Em Maringá, interior do PR, a justiça determinou, por um período, o bloqueio nas contas da empresa.
Note o que um dos dirigentes da empresa Brave, Rafael Brogni, disse em reunião virtual com uma turma que havia levado o calote, diálogo este mostrado pelo Fantástico:
“Eles [decisão que bloqueou as contas da empresa] basicamente tornaram inviável toda a operação da empresa, porque o que que a gente faz? Eventos. Onde é que está o nosso material? Travado. Como é que entrega outra formatura? Não entrega. Resumindo, senhores: a vida está um caos, onde tem todas as turmas do Brasil inteiro solicitando reunião”.


Alessandro Zahdi praticando tiro esportivo. Foto: Reprodução Instagram @cbtptiropratico

