Vânya Santos
Operação Espelho, deflagrada ontem pela Polícia Federal de Caxias do Sul, desarticulou quadrilha que movimentava uma tonelada de cocaína por mês. Os trabalhos resultaram na prisão de uma pessoa e na apreensão de seis veículos no município de Ponta Porã. Até o fim da tarde de ontem, foram cumpridos 18 dos 19 mandados de prisão preventiva. A Justiça expediu, ainda, 26 mandados de busca e apreensão para serem cumpridos nos municípios de Caxias do Sul, Porto Alegre, Viamão e Tramandaí (Rio Grande do Sul), Balneário Camboriú e Araranguá (Santa Catarina), Ponta Porã e Mundo Novo (Mato Grosso do Sul).
O líder do grupo, que é empresário do ramo de entretenimento e tem ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso em Balneário Camboriú (SC). Ele coordenava uma rede de tráfico e já havia sido preso pela Polícia Federal durante a Operação Colmeia, em setembro de 2007.
Em Ponta Porã, a polícia prendeu uma pessoa que seria fornecedora de droga e apreendeu cinco carros e uma motocicleta. Um mandado de prisão não foi cumprido no município. Já em Mundo Novo, policiais também não conseguiram cumprir um mandado de busca e apreensão, conforme a assessoria da polícia em Caxias do Sul.
Ao todo foram presas 14 pessoas no Rio Grande do Sul, três em Santa Catarina e uma em Mato Grosso do Sul. Durante a operação, que contou com participação de 200 policiais federais dos três estados, foram apreendidos 3,5 quilos de cocaína, 25 veículos, seis armas – sendo um fuzil –, e R$ 46,8 mil.
Esquema
A cocaína adquirida pela quadrilha entrava no Brasil pela região de fronteira em Mato Grosso do Sul. Traficantes com base em Ponta Porã eram responsáveis pela distribuição do entorpecente. Um desses fornecedores, que não teve o nome revelado pela polícia, tem ligações com o PCC e está envolvido em atentados contra autoridades paraguaias. Em 2006, ele foi preso acusado de participar da execução do ex-prefeito de Pedro Juan Caballero, Julio Benites (Partido Liberal), e também é suspeito de estar envolvido no atentado contra o senador paraguaio Robert Acevedo, também do Partido Liberal.
Investigação
Em 2007, durante a Operação Colmeia foram apreendidos 467 quilos de cocaína e 56 pessoas foram presas, no entanto, a quadrilha se reestabeleceu nos anos seguintes, passando a armazenar e refinar cocaína num sítio, localizado na BR-101, em Torres (RS), de onde a droga era distribuída para outras regiões do Sul do Brasil. O sítio foi alvo de operação no dia 15 de dezembro de 2009, quando policiais apreenderam 262 quilos de cocaína e produtos químicos, que estavam enterrados em tonéis plásticos no piso de chão batido de um galpão da propriedade.
A partir dessa apreensão de droga, a polícia descobriu o esqueleto de um grupo estabelecido sob o comando de um traficante, que foi preso em setembro de 2007, mas foi solto sete meses depois por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Esse líder atuava em parceria com pessoas de sua família ou de grande confiança. Alguns desses integrantes estão associados a quadrilha há mais de 10 anos. Além do tráfico, o empresário também é um dos maiores patrocinadores de rinha de galos do Brasil.


