Cidades

SAÚDE

Acordo tira Santa Casa do sufoco, mas inicia pente-fino em suas contas

Termo prevê auditoria custeada pelo governo do Estado para fiscalização operacional, financeira e contábil do hospital

Continue lendo...

A Santa Casa de Campo Grande e o poder público fecharam um acordo aos “45 do segundo tempo” de 2025 para garantir o retorno integral de todos os atendimentos do hospital a partir de repasses adicionais, mas mediante uma auditoria terceirizada que será custeada pelo governo do Estado para fiscalizar setores internos da entidade filantrópica.

Conforme o termo de acordo assinado na noite de segunda-feira, ao qual o Correio do Estado teve acesso, a quinta cláusula deixa explícito que o Executivo estadual se comprometeu a pagar a realização de uma auditoria independente para analisar as ações operacionais, financeiras, contábeis e finalísticas da entidade.

“O governo do estado de Mato Grosso Do Sul se compromete a custear a realização de auditoria independente operacional, financeira, contábil e finalística da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, indicada pelo estado de Mato Grosso do Sul, com o objetivo de avaliar a gestão dos recursos públicos, identificar irregularidades, verificar o cumprimento das obrigações contratuais relacionadas à assistência, bem como propor medidas de melhoria operacional, abrangendo não só o objeto do presente acordo, mas toda a administração do hospital”, informa o documento.

Ainda segundo o acordo, serão feitas, pelo menos, seis avaliações na auditoria: análise da aplicação dos recursos públicos repassados à Santa Casa; verificação da conformidade das despesas com as normas de contabilidade pública e privada; avaliação do modelo de gestão e da estrutura organizacional; análise da terceirização (contratos) e quarteirização de serviços; verificação do cumprimento das metas de atendimento pactuadas; e recomendações para melhoria da eficiência operacional e financeira.

Inclusive, é destacado que a implementação das sugestões de melhorias expostas nos documentos será de responsabilidade da Santa Casa. Os relatórios da auditoria serão apresentados aos representantes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), da Secretaria de Estado de Saúde (SES), e às Promotorias de Justiça de Saúde de Campo Grande.

A auditoria será realizada por uma empresa especializada, que deverá ser credenciada e com experiência em outras auditorias de instituições de saúde.

Além do pente-fino nas ações do hospital, a Santa Casa deverá prestar contas da utilização dos recursos previstos no acordo ao Estado, ao Município e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), em 30 dias após cada pagamento.

Procurador-geral de Justiça falou sobre o acordo em coletivaProcurador-geral de Justiça falou sobre o acordo em coletiva - Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

Caso não seja feito dentro do prazo determinado, o documento prevê consequências aos gestores da entidade.

“A não comprovação da correta aplicação dos recursos implicará a suspensão imediata dos repasses subsequentes e na apuração de responsabilidade civil e administrativa dos gestores da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande”, reforça a quarta cláusula do acordo.

FÔLEGO

O acordo prevê o repasse adicional de R$ 54,1 milhões à Santa Casa que serão parcelados pelos próximos quatro meses (R$ 24 milhões em janeiro, R$ 16 milhões em fevereiro, R$ 16 milhões em março e R$ 4,8 milhões em abril), dos quais R$ 23 milhões são do governo do Estado, R$ 15,1 milhões do Executivo Municipal e R$ 16 milhões da bancada federal.

Com isso, o hospital terá 100% dos seus serviços oferecidos retomados, após, nos últimos meses, 15 atendimentos chegarem a paralisar por causa da crise financeira da entidade.

“Com a assinatura do presente termo, a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande se compromete a restabelecer de imediato todos os serviços médicos e hospitalares das equipes médicas (pessoas jurídicas) com as quais mantém contrato”, diz o documento.

Em conversa com o Correio do Estado, João Carlos Marchezan, diretor de Negócios e Relações Institucionais da Santa Casa, disse “que o acordado é começar imediatamente a urgência a 100% e eletivas num cronograma de retorno”, mas que ainda não há precisão de quais serviços vão ser retomados primeiro.

Ademais, R$ 9 milhões dos R$ 54,1 milhões serão usados para pagar o 13º salário dos funcionários e médicos celetistas até o dia 10 de janeiro, benefício que está em atraso desde o dia 20 de dezembro. Alguns setores do hospital chegaram a entrar em greve no fim de ano.

Para garantir que o acordo será cumprido de forma integral, uma comissão formada por representantes de ambas as secretarias de Saúde e do MPMS vai fiscalizar e acompanhar as ações durante os quatro meses.

Na manhã desta terça-feira, o procurador-geral de Justiça, Romão Ávila Milhan Junior, esclareceu que tanto o Estado quanto a prefeitura sofrerão uma multa de R$ 6 milhões caso descumpram os cronogramas de repasses.

Vale destacar que o acordo não substitui a contratualização entre a Santa Casa e o poder público para atendimento via Sistema Único de Saúde (SUS), sobre o qual o hospital alega que o repassado atualmente (R$ 32,9 milhões) não é suficiente para cobrir as despesas operacionais e pede reajuste para R$ 45 milhões.

Assine o Correio do Estado

TENTATIVA DE HOMICÍDIO

Professor abre fogo contra motorista após Justiça apreender carro da família

Alex Sandro Regmunt foi preso em flagrante após perseguir e atirar contra veículo em Jardim; testemunhas relatam que suspeito mantinha armas expostas em casa e placa com mensagem política

09/10/2026 12h00

Fiat Strada foi atingida por disparos durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em Jardim

Fiat Strada foi atingida por disparos durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em Jardim Jardim MS News

Continue Lendo...

Um professor identificado como Alex Sandro Regmunt foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira (8), após atirar contra um motorista que transportava um veículo apreendido por determinação judicial, em Jardim, município localizado a cerca de 230 quilômetros de Campo Grande.

A vítima, Guilherme Henrique Oliveira Gonçalves, conduzia uma Fiat Strada branca em direção ao Fórum da comarca quando foi interceptada pelo suspeito, que estava em uma caminhonete GM/D20 azul. O ataque ocorreu na Avenida Onze de Dezembro, nas proximidades do Hospital Marechal Rondon.

Conforme o boletim de ocorrência, uma oficial de Justiça havia cumprido um mandado de busca e apreensão do automóvel na residência da esposa de Alex, em Jardim. O veículo estava registrado em nome dela e, após o cumprimento da ordem judicial, Guilherme ficou responsável por conduzi-lo até o Fórum, enquanto a oficial seguia em outro carro.

Durante o trajeto, o professor teria alcançado a Fiat Strada, interceptado o motorista e efetuado disparos de arma de fogo contra o automóvel, atingindo Guilherme.

Segundo informações divulgadas inicialmente pela Polícia Militar, Alex teria acreditado que o carro estava sendo furtado, apesar de a retirada ocorrer em cumprimento de uma determinação judicial.

A oficial de Justiça acionou a Polícia Militar por volta das 16h30, informando que disparos haviam sido efetuados durante o deslocamento.

Ao chegar ao local, uma equipe da Força Tática encontrou os dois veículos parados na avenida e o motorista ferido dentro da Fiat Strada. O Corpo de Bombeiros foi acionado e encaminhou Guilherme ao hospital da cidade.

Até o momento, não foram divulgadas informações atualizadas sobre o estado de saúde da vítima.

Conforme informações repassadas por testemunhas à reportagem, Alex Sandro Regmunt é professor, servidor municipal cedido ao Governo do Estado e pai de uma criança autista.

As testemunhas também afirmaram que o suspeito mantinha diversas armas expostas na parede da área gourmet de sua residência, onde haveria uma placa com a frase “Proibida a entrada de petistas”.

Essas informações sobre o ambiente da residência não constam no boletim de ocorrência e não foram confirmadas pelas autoridades policiais.

O suspeito também seria registrado como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), conforme informações preliminares. A condição não foi confirmada na documentação policial apresentada.

Três armas apreendidas

Durante a abordagem, policiais militares encontraram três armas na caminhonete utilizada pelo professor, sendo duas armas de fogo e uma espingarda de pressão.

Entre os armamentos estavam uma pistola Taurus calibre .380, apontada como a possível arma utilizada no ataque, e um revólver Taurus Raging Bull calibre .454 Casull, que estava carregado com cinco munições intactas.

Também foi apreendida uma espingarda de pressão calibre 5,5 milímetros.

No local do ataque, os policiais encontraram cinco cápsulas deflagradas de munição calibre .380, espalhadas pela via pública. A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Científica.

Ainda segundo o boletim, a esposa da vítima presenciou os disparos, assim como a oficial de Justiça responsável pelo cumprimento do mandado.

Prisão em flagrante

Alex foi abordado pela Força Tática ainda nas proximidades do local do ataque e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Jardim, acompanhado de seu advogado.

A ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima, além de infração relacionada à posse ou ao porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias do crime, incluindo a motivação dos disparos e a regularidade das armas encontradas com o suspeito.

 

CONTRATOS

Ciclovias de Campo Grande custarão 4,2 milhões à Prefeitura

Os contratos envolvem requalificação em três avenidas da Capital e no Parque Sóter

09/10/2026 11h50

Ciclovia em Campo Grande

Ciclovia em Campo Grande Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

A Prefeitura de Campo Grande contratou duas empresas, pelo valor total de R$ 4.215.753,69, para reformar as ciclovias nas avenidas Nelly Martins Coelho, Cônsul Assaf Trad, Zulmira Borba e Parque Sóter. O Executivo publicou os extratos de contratos no Diário Oficial do Município (Diogrande), desta sexta-feira (9). 

De acordo com a administração municipal, a licitação foi realizada porque o recurso é procedente de emenda parlamentar da deputada Camila Jara (PT), que carimbou os recursos para investimento em ciclovias. Inicialmente, a licitação previa o investimento de R$ 4,62 milhões na revitalização das ciclovias. 

O primeiro contrato é da Prefeitura é com a empresa Zion Prime Obras e Pavimentação Ltda, que será a responsável pela requalificação do trecho das avenidas Cônsul Assaf Trad e da Zulmira Borba, ambas na região norte de Campo Grande, em direção a saída para Cuiabá. 

 Este é o maior investimento entre os dois que foram divulgados, com o valor de R$ 3.397.833,33. O prazo será de 150 dias para execução total dos serviços.

André de Moura Brandão, titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP), assinou o documento juntamente com Cleiton Nonato Correia, responsável pela empresa. Nonato, inclusive, já foi preso na Operação Tromper, que investiga um esquema de corrupção, fraudes em licitações, peculato e lavagem de dinheiro na Prefeitura de Sidrolândia. Ele já foi solto e cumpre apenas medidas cautelares.

O segundo contrato da Sisep foi com a CG3F Serviços e Construtora Ltda., no valor de R$ 817.920,36, para reformar a malha cicloviária no trecho da Avenida Nelly Martins e Parque do Sóter. A empresa terá 90 dias para concluir os serviços. André Brandão assinou este contrato junto com Celso Ricardo Gazolla.


 

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).