Cidades

Entrevista

‘Acredito que o inverno será rigoroso, como está sendo o verão’, diz Cátia Braga

‘Acredito que o inverno será rigoroso, como está sendo o verão’, diz Cátia Braga

Cristina Medeiros

16/02/2014 - 18h00
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A visível – e sentida – mudança climática no País tem sido assunto nos quatro cantos do Brasil. Temperaturas altas, que também atingiram Mato Grosso do Sul, elevaram Três Lagoas a município que registrou a temperatura mais alta no Estado nos últimos 13 anos: 40,5 graus. Nesta entrevista, a meteorologista Cátia Braga, do Centro de Monitoramento de Tempo, do Clima e dos Recursos Hídricos de MS, fala sobre estes fenômenos, atribuídos, em sua concepção, à variabilidade climática. Ela conta que os pecuaristas são “clientes” fiéis das previsões do clima, e qual a diferença entre índice de calor e sensação térmica.

CORREIO PERGUNTA –Muito mais do que em anos anteriores, o mundo está sabendo – por meio da mídia – e sentindo na pele os efeitos extremos de altas e baixas temperaturas. Esses podem ser fenômenos climáticos mais frequentes e intensos daqui para frente? Por quê?
cátia braga – Eu acredito em variabilidade climática. Que há ciclos e que acontecerá este tipo de episódio – muito calor ou muito frio – em períodos. Eu sou prudente ao falar sobre mudanças. Porque se você usa uma blusa rosa por dez anos e depois muda, na verdade não é mudança, é uma variabilidade. Eu acredito que vai acontecer novamente, mas em ciclos. Este calor intenso que acontece este ano – e bate recorde – não acontecia há 71 anos. Mas, então, aconteceu há 71 anos, está acontecendo agora e, quem sabe, acontecerá daqui a 70 anos. Eu chamo isso de variabilidade climática.

A senhora poderia explicar como estes fenômenos ocorrem na região Centro-Oeste e quais são as perspectivas no que se refere a calor, nível de chuva, ventos e inverno?
 O principal fenômeno atmosférico que acontece aqui no Estado, no período de verão, é o fator termodinâmico – que ocorre também em outros lugares. Isso nada mais é do que calor e umidade em superfície, que gera uma instabilidade. Formam-se nuvens e acontecem estes temporais localmente. Nessa última semana, um jornalista me comunicou sobre um possível tornado que aconteceu na Avenida Zahran. Eu disse que poderia até ter ocorrido um minitornado, um F-Zero, que é o menor, mas ocorre porque há esta instabilidade muito rápida em razão do calor. E nós temos aqui também a zona de convergência do Atlântico Sul, que é própria do Centro-Oeste, ela pega da Amazônia até o sudeste de MS. Nós ficamos bem no meio da zona de convergência, então, acontecem muitas chuvas neste período e esta zona de convergência acontecerá toda a vida. Nós temos também influências das frentes frias. Nestes próximos dias, haverá uma frente fria no Sul do País porque não temos mais o bloqueio atmosférico que aconteceu há pouco tempo e que não deixou as nuvens de chuva se formarem. Esse bloqueio acabou e essa frente fria avançará, mas eu não acredito que pegue todo Mato Grosso do Sul, ela deve ficar mais na região sul do Estado.

Isso significa que o calor intenso nos dará uma trégua?
Sim, ele vai diminuir. Nós estávamos com temperaturas de 35, 36 graus aqui na Capital; então, teremos 30, 31 graus, portanto, diminui. Não é uma diminuição muito grande, mas acontecerá. E nós temos cidades com temperaturas bem mais altas, como Corumbá, Porto Murtinho e Três Lagoas, que bateu recorde no último dia 6, com temperatura de 40,5 graus. Esses são os fenômenos atmosféricos mais frequentes no período do verão. Eles é que causarão e causam chuvas aqui no Centro-Oeste, principalmente em MS.

E como é que será o nosso inverno, rigoroso?
Nós estamos num período de neutralidade, ou seja, sem o El Niño e sem o El Niña. No ano passado, nós também tivemos neutralidade e um inverno bastante rigoroso. Eu acredito que o próximo inverno será bastante rigoroso como está sendo o verão. Temos verão com recorde de temperatura e o inverno passado bateu recorde também. Nós tivemos temperaturas negativas em Corumbá. Nós temos este registro porque há uma estação meteorológica numa fazenda em Inhumirim, que fica dentro da Embrapa Pantanal. Lá, nós tivemos temperaturas negativas em pleno Pantanal. Eu acredito que o mesmo se repetirá neste ano, no Estado.

O que vem causando chuvas abaixo da média histórica no Estado?
Variabilidade climática. Esta é a palavra que eu mais uso. Tem ano que chove mais, tem ano que chove menos. Mas este ano tivemos o bloqueio atmosférico, que é um sistema de alta pressão que ficou paralisado. Ele promove um efeito tampa na atmosfera. Há um movimento de subsidência no ar, ele vai para baixo, causando um efeito tampa, efeito de pressão, com aquela sensação de abafamento, e impede a formação de nuvens de chuva. Esse foi o fenômeno atmosférico que aconteceu nesse período que não teve chuva. Mas eu acredito que até o fim de fevereiro ainda tenhamos muita chuva – e acompanhada de vento. A típica chuva de verão, que vai causar estrago, alagamento – este último por falta de drenagem – vai até dia 18, 19 de fevereiro. Teremos chuvas na região pantaneira, acima de 60 mm. A partir de 18 de fevereiro as chuvas ocorrerão, mas em menor volume.

Quais as temperaturas mais altas e mais baixas já registradas em MS?
A temperatura mais alta já registrada em Mato Grosso do Sul foi em Três Lagoas, em 6 de fevereiro deste ano, de 40,5 graus. E eu devo esclarecer que Mato Grosso do Sul tem estação meteorológica há poucos anos. Apenas de 2008 para cá é que começou a bombar esse tipo de estação. O que havia antes era apenas em Corumbá, Ivinhema e uma na região do Bolsão. Portanto, poucas estações meteorológicas. Os dados que temos acesso são de 2001 para cá, portanto, Três Lagoas foi quem registrou a maior temperatura. E foi maior do que a registrada ano passado, em Porto Murtinho, com 39,8 graus. Então, não havia temperatura registrada de 40 graus, apesar da sensação de calor muito maior. E, para completar, segundo estudo do Inmet, há temperaturas baixas. Em 1975, houve geada negra, na qual há perdas grandes na agricultura. Tivemos temperaturas de menos 3 em Ponta Porã, em 1975, e menos 2 em Três Lagoas, no mesmo ano. Então, no Estado temos o contraste de temperaturas muito elevadas, é um Estado quente; mas também temos temperaturas muito baixas. E posso dizer que em 2012 nós não tivemos um inverno tão rigoroso como o de 2013.

Pecuaristas costumam consultar o serviço meteorológico do Estado para tomar decisões?
Nós fazemos laudos meteorológicos para prefeituras (defesa civil), universidades, se precisarem, mas, principalmente, para produtor rural ligado à Agraer, gratuitamente. E nós vamos frequentemente na Famasul, onde eles reúnem os pecuaristas para uma palestra aqui do Centec, na qual falamos sobre a previsão climática. Porque há uma diferença entre tempo e clima. Tempo é o que acontece em pouco tempo, contado por horas, dias. Então, eu sou meteorologista, faço a previsão do tempo. Previsão de clima já é mais para o climatologista – mas o meteorologista também faz essa previsão climática porque uma atividade está inserida na outra. Saber do clima é o que o pecuarista mais quer; saber sobre a próxima estação, quatro a cinco meses depois, o que acontecerá. Eles (os pecuaristas) sempre querem saber sobre a próxima safra, sobre o inverno. Um exemplo é o inverno do ano passado, com muita geada, que acabou com as culturas em geral. E neste ano não será tão diferente, será rigoroso. Posso fazer uma analogia com o ano passado, que foi um ano neutro, sem El Niño e sem El Niña, e tivemos uma geada bastante forte. Haverá temperaturas negativas até no Pantanal.

A partir desse cenário climático dos últimos anos, vocês notaram mudanças significativas em MS, principalmente no que se refere ao ciclo hidrológico, com ênfase no Pantanal?
Eu não tenho estudos sobre o Pantanal. Tenho contato com o pessoal da Embrapa Pantanal, mas eu não os vejo falando sobre alguma coisa tão significativa assim. O Pantanal é, geralmente, muito cheio e tem momentos em que fica seco. Eu não consigo mudar o rumo da conversa a não ser falar, de novo, em variabilidade. Muita gente quer que associemos isso a aquecimento global e eu sou receosa em falar disso. Eu falo em variabilidade climática sempre. Mas, se nos basearmos em pesquisas sobre essa área, veremos que sempre houve períodos de muita cheia e períodos de seca. Portanto, eu não vejo mudanças significativas no Pantanal, nesses últimos anos, que não sejam justificadas pela variabilidade climática.

O que é básico e que a população deve fazer para contribuir e não interferir tanto na mudança climática?
Eu penso que o primordial é cuidar da natureza. Não desmatar, cuidar da água, não abusar do uso dela. Mas eu acredito que as pessoas não interferem no tempo. O que vai interferir no clima de um planeta é muito mais do que essa ação humana. É nisso que eu acredito. Há uma coisa chamada Sol, há vulcões, há muitos fenômenos naturais que vão interferir no clima e não o ser humano. Não é o gás carbônico, não é o CO2 que vai fazer esta mudança significativa no clima.

Há alguns anos as estações eram perfeitamente definidas no Centro-Oeste e no Brasil, em geral. Hoje, São Paulo deixou de ser a terra da garoa e MS não pode ser mais tachado de Estado mais quente do País. Por quê?
Dizem isso, mas veja que as temperaturas não chegam a 40 graus tão frequentemente como as pessoas imaginam. Porque existe o índice de calor, que é o que nós sentimos no período do calor. Então, com temperaturas altas, nós fazemos uma ligação com umidade. Temperatura e umidade relativa do ar dão a sensação de que nós estamos com muito calor (chamado índice de calor). Quando falamos em frio, sensação térmica é o termo correto. Então, sensação térmica é quando temos temperaturas de até 20 graus com ventos. Na terminologia popular tudo vira sensação térmica, mas, na verdade, é índice de calor.  

ACIDENTE NA BR-060

Van com 17 pessoas que voltavam de hemodiálise sofre acidente em MS

Veículo da Secretaria de Saúde de Bela Vista retornava de Campo Grande quando saiu da pista na BR-060; ocupantes foram encaminhados para atendimento em três cidades.

06/10/2026 18h37

Van que transportava pacientes de hemodiálise saiu da pista após acidente na BR-060, entre Sidrolândia e Bela Vista.

Van que transportava pacientes de hemodiálise saiu da pista após acidente na BR-060, entre Sidrolândia e Bela Vista. Foto: Divulgação Prefeitura de Bela Vista

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Uma van que prestava serviço à Secretaria Municipal de Saúde de Bela Vista sofreu um acidente na tarde desta terça-feira (6), na BR-060, durante o retorno de Campo Grande. O veículo transportava 17 pessoas que haviam se deslocado até a Capital para realizar hemodiálise, segundo informações divulgadas pela Prefeitura.

O acidente ocorreu cerca de 50 quilômetros depois de Sidrolândia, no trajeto de volta a Bela Vista. Conforme as informações preliminares divulgadas pelo município, outro veículo teria realizado uma ultrapassagem em local proibido e entrado na trajetória da van.

Para evitar uma colisão frontal, o motorista teria desviado do outro veículo. Com a manobra, a van saiu da pista e ficou danificada.

Van que transportava pacientes de hemodiálise saiu da pista após acidente na BR-060, entre Sidrolândia e Bela Vista.Van que transportava pacientes de hemodiálise saiu da pista após acidente na BR-060. Foto: Divulgação Prefeitura de Bela Vista.

Em um primeiro comunicado, a Prefeitura informou que cinco ocupantes apresentavam escoriações leves e seriam encaminhados ao Hospital São Vicente de Paula, em Bela Vista.

Os demais seriam levados para avaliação médica em Sidrolândia. O motorista, ainda segundo a nota inicial, apresentava os ferimentos considerados de maior gravidade entre os ocupantes.

Posteriormente, a administração municipal divulgou uma atualização sobre o atendimento às pessoas envolvidas no acidente. Os pacientes foram distribuídos entre unidades de saúde de Bela Vista, Sidrolândia e Nioaque.

Pacientes são atendidos em três cidades

No Hospital São Vicente de Paula, em Bela Vista, estavam Rahuane Correa Martins Calixto, Helena de Sena Florentino, Evilasio Arguelho, Bento Arguelho, Rosivaldo Areco Orosco e Maikon Bogado Ortiz.

Em Sidrolândia, recebiam atendimento Natalia Aparecida, Reinaldo, Marcelo Estevan Escobar Alves e Maria Lina Maldonado. Conforme a atualização da Prefeitura, Reinaldo e Marcelo aguardavam vaga para serem transferidos para Campo Grande.

Outros cinco pacientes foram encaminhados para atendimento em Nioaque: Claudiney Alfonso, Maria da Conceição da Silva, Venancia Colma, Ramona Gonzales Soares e Maria Angela Olazar.

A Prefeitura não detalhou, na atualização divulgada, o estado de saúde individual de todos os pacientes nem informou para quais unidades de Campo Grande seriam encaminhadas as duas pessoas que aguardavam transferência.

Van retornava de Campo Grande

O grupo havia viajado para Campo Grande para a realização de hemodiálise, tratamento utilizado por pacientes que necessitam da filtragem do sangue por meio de equipamento específico.

Após os atendimentos na Capital, a van fazia o caminho de volta para Bela Vista quando ocorreu o acidente na BR-060.

A dinâmica apresentada pela Prefeitura ainda é baseada em informações preliminares. Segundo o comunicado, a saída da pista ocorreu após o motorista tentar evitar a colisão com o veículo que teria feito a ultrapassagem proibida.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que mantém equipes mobilizadas para acompanhar a situação dos pacientes e prestar assistência aos familiares.

TRABALHO ESCRAVO

MS tem 27 nomes na 'lista suja' do trabalho escravo; veja quem aparece

Cadastro atualizado nesta terça-feira (6) reúne pessoas e empresas ligadas a fiscalizações que envolveram 199 trabalhadores em Mato Grosso do Sul

06/10/2026 17h44

Fiscalizações de combate ao trabalho análogo à escravidão são realizadas em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/MPT-MS

Fiscalizações de combate ao trabalho análogo à escravidão são realizadas em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/MPT-MS Foto: Divulgação/MPT-MS.

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Mato Grosso do Sul tem 27 empregadores na chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro oficial que reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas administrativamente por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão. Somados, os registros ligados ao Estado envolvem 199 trabalhadores, conforme levantamento feito pelo Correio do Estado a partir da atualização publicada nesta terça-feira (6).

A relação é o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão, atualizado periodicamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

O documento identifica o empregador, estabelecimento fiscalizado, número de trabalhadores envolvidos, ano da ação fiscal, decisão administrativa de procedência e data de inclusão. 

Os casos de Mato Grosso do Sul estão espalhados por diferentes regiões e têm forte concentração no meio rural. Fazendas aparecem em 25 dos 27 registros, enquanto os outros dois estão relacionados a uma empreiteira e a um estabelecimento localizado em Ivinhema.

Entre todos os registros sul-mato-grossenses, o maior número de trabalhadores aparece no caso de Valdinei Aparecido Roque, relacionado à Fazenda Pedra Negra, na zona rural de Aparecida do Taboado.

A fiscalização, realizada em 2024, envolveu 20 trabalhadores. A decisão administrativa de procedência ocorreu em novembro daquele ano e a inclusão no cadastro foi registrada em abril de 2025.

Na sequência está Aparecido Christofolli, ligado à Fazenda São Cristóvão I, em Nova Andradina. A ação fiscal de 2024 envolveu 19 trabalhadores, e o nome foi incluído no cadastro em outubro de 2025. 

Também aparecem entre os maiores números Altemar Estevam, relacionado à Fazenda Represa, em Ribas do Rio Pardo, com 12 trabalhadores, além de Jessica Aparecida dos Santos, da Fazenda Progresso, em Deodápolis, e Wanderlei Lopes, relacionado à Fazenda Guarujá, em Caracol, ambos com 11 trabalhadores. 

Corumbá concentra cinco registros

Corumbá é o município que mais aparece entre os estabelecimentos de Mato Grosso do Sul, com cinco dos 27 registros.

Um deles é Airton de Araujo Gomes, relacionado à Fazenda São José. O documento aponta nove trabalhadores envolvidos na ação fiscal realizada em 2024. A decisão administrativa de procedência ocorreu em maio de 2025 e a inclusão no cadastro, em outubro do mesmo ano.

Também aparece Nilton de Araujo Gomes, igualmente relacionado à Fazenda São José, com sete trabalhadores.

A lista traz ainda Claudinei Leite de Queiroz, ligado à Fazenda Santo Antonio, com um trabalhador, e a LLB Prestadora de Serviços Ltda, relacionada à Fazenda Campo Alegre, com oito.

O quinto registro de Corumbá é Rubens Antonio Claro, relacionado à Fazenda MR2. A ação fiscal ocorreu em 2026, envolveu oito trabalhadores e resultou em decisão administrativa de procedência em julho. A inclusão ocorreu na atualização desta terça-feira.

Novos nomes entram na atualização

Entre os registros cuja data de inclusão é 6 de outubro de 2026, aparecem empregadores de Mato Grosso do Sul.

A A. B. Pires Empreiteira Ltda, de Ivinhema, consta no cadastro com nove trabalhadores envolvidos em fiscalização realizada em 2025. A decisão administrativa de procedência ocorreu em abril deste ano.

Em Aquidauana, João Luiz Righetti Ltda aparece relacionado à Fazenda Mamãe Querida. A ação fiscal ocorreu em 2026, envolveu três trabalhadores e teve decisão administrativa registrada em agosto deste ano.

Também foi incluído nesta terça-feira o Espólio de Paulo Sergio Angelo, relacionado à Fazenda Alegria, em Bela Vista, com três trabalhadores envolvidos em ação fiscal realizada neste ano.

Completa o grupo de registros de MS incluídos nesta atualização Rubens Antonio Claro, da Fazenda MR2, em Corumbá, com oito trabalhadores.

Veja os 27 nomes de Mato Grosso do Sul

A relação abaixo reproduz os registros classificados como MS no cadastro oficial atualizado em 6 de outubro. O número ao fim de cada item corresponde à quantidade de trabalhadores envolvidos indicada pelo próprio documento:

• Airton de Araujo Gomes - Fazenda São José, Corumbá  - 9 trabalhadores

• A. B. Pires Empreiteira Ltda - Ivinhema - 9

• Agropecuária Formosa Ltda - Fazenda Formosa, Bonito - 7

• Alberto Junior Pellin - Fazenda Sucuri II, Caracol - 5

• Altemar Estevam - Fazenda Represa, Ribas do Rio Pardo - 12

• Aparecido Christofolli - Fazenda São Cristóvão I, Nova Andradina - 19

• Claudinei Leite de Queiroz - Fazenda Santo Antonio, Corumbá - 1

• Claudio Martinho Rojas - Fazenda Bandeirantes, Porto Murtinho - 7

• Edmur Miglioli Junior - Fazenda Persistência, Anastácio - 3

• Espólio de Paulo Sergio Angelo - Fazenda Alegria, Bela Vista - 3

• Fazenda Serradinho Ltda - Fazenda Formoso, Bonito - 8

• Jessica Aparecida dos Santos - Fazenda Progresso, Deodápolis - 11

• João Luiz Righetti Ltda - Fazenda Mamãe Querida, Aquidauana - 3

• João Silva de Souza - Fazenda São Lourenço, Ponta Porã - 5

• Leonice Vilharga de Brito - Fazenda São Camilo, Camapuã - 1

• LLB Prestadora de Serviços Ltda - Fazenda Campo Alegre, Corumbá - 8

• Luis Alberto de Souza - Fazenda Sobradinho, Caracol - 3

• Marcelo Botassini Ambiental Ltda - Fazenda Bertoncin, Coxim - 10

• Marcio Antonio de Carvalho - Fazenda Boa Sorte, Porto Murtinho - 7

• Marcio Antonio Nantes - Fazenda Vaca Branca, Nova Alvorada do Sul - 5

• Nilson Pereira Bento -  Fazenda Invernada do Piri, Reserva Indígena Kadiwéu, Porto Murtinho - 1

• Nilton de Araujo Gomes -  Fazenda São José, Corumbá - 7

• Rubens Antonio Claro -  Fazenda MR2, Corumbá - 8

• Sumaia Carvão Vegetal Ltda -  Fazenda Piúva, Aquidauana - 9

• Valdinei Aparecido Roque -  Fazenda Pedra Negra, Aparecida do Taboado - 20

• Valdir Fernandes Pessoa -  P.A. Tamakavi, lote 118, zona rural de Itaquiraí - 7

• Wanderlei Lopes - Fazenda Guarujá, Caracol - 11

Os registros estão relacionados a ações fiscais realizadas entre 2022 e 2026, o que significa que a atualização da lista nesta terça-feira não representa que todos os fatos tenham ocorrido recentemente.

Há nomes incluídos no cadastro em abril ou outubro de 2025, abril de 2026 e na atualização atual.

O que é a ‘lista suja’

A chamada “lista suja” é o nome pelo qual ficou conhecido o cadastro mantido pelo governo federal com empregadores responsabilizados, na esfera administrativa, por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

A presença de uma pessoa ou empresa na relação não significa, necessariamente, que exista condenação criminal. O cadastro é resultado de um processo administrativo relacionado à fiscalização trabalhista.

Na relação atualizada em 6 de outubro, o Ministério do Trabalho e Emprego informa, entre outros dados, o empregador, o local fiscalizado, a quantidade de trabalhadores envolvidos, o ano da fiscalização, a data da decisão administrativa de procedência e quando ocorreu a inclusão no cadastro.

A publicação segue as regras estabelecidas pela Portaria Interministerial MTE/MDHC/MIR nº 18, de 13 de setembro de 2024.

Quando o trabalho é considerado análogo à escravidão

Pela legislação brasileira, reduzir alguém a condição análoga à de escravo pode envolver a submissão a trabalhos forçados ou jornada exaustiva, condições degradantes de trabalho ou a restrição da liberdade de locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto.

O artigo 149 do Código Penal também alcança situações como impedir o trabalhador de deixar o local por meio de vigilância ostensiva, retenção de documentos ou outros mecanismos previstos na lei.

O crime é punido com reclusão de dois a oito anos e multa, além da pena correspondente à violência eventualmente praticada, podendo haver aumento de pena nas hipóteses previstas na legislação.

 

 

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