Cidades

FARTURA

Acuada, Assembleia adia licitação do 'puxadinho' de R$ 107 milhões

Propostas seriam abertas nesta segunda-feira (8), mas por conta da "grande quantidade de pedidos de esclarecimentos e impugnações", a data foi adiada

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Alheios à crise financeira pela qual passam os cofres estaduais e aos debates sobre o “tombamento” do Parque dos Poderes e todo o seu entorno, os deputados estaduais seguem firmes no propósito de destinar em torno de R$ 107 milhões para construir um novo plenário e bloco administrativo junto ao prédio onde hoje funciona a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. 

E se não bastassem as polêmicas “macro”, a construção também está envolvida em embates menores. Prova disso é que neste sábado (6) o comando a Assembleia publicou edital informando que a abertura das propostas foi adiada para o próximo dia 16. A data inicial para a abertura das propostas do chamado 'puxadinho' era esta segunda-feira (8).

De acordo com este edital, “ A Assembleia Legislativa, através da Gerência de Licitação, torna público a prorrogação da data de abertura da licitação abaixo, tendo em vista a grande quantidade de pedidos de esclarecimentos e impugnações que foram respondidas apenas em 04/09/2025”. 

O projeto do novo prédio foi anunciado em março e o edital, que prevê valor máximo de R$ 107.826.097,09, foi lançado em julho deste ano. Além deste montante, a Assembleia também destinou mais de R$ 34 milhões para construção de um estacionamento vertical, que terá capacidade para 600 vagas. As primeiras 140 serão liberadas nesta segunda-feira (8).

Este adiamento na abertura do certame não é o primeiro atraso. Pela previsão inicial, o prédio já deveria estar a todo vapor. “A obra deverá ser iniciada em junho e prepara o Poder Legislativo para os próximos anos. É um sonho, pois o avanço representa não apenas uma melhoria estrutural, mas um reflexo do compromisso dos deputados estaduais com a inovação e a eficiência no serviço público”, disse o presidente  da Casa, Gerson Claro (PP), no dia 27 de março. 

O projeto do novo prédio prevê a construção de uma nova estrutura sobre o estacionamento privativo atualmente existente na Alems. Serão 11,4 mil metros quadrados de área construída. O novo plenário terá capacidade para cerca de 700 pessoas, mais que o dobro do atual, que comporta  300. 

O comando da Assembleia alega que seu plenário é pequeno e vez ou outra é obrigada a utilizar o plenário do Centro de Convenções Rubens Gil de Camil (Palácio Popular da Cultura), que fica a pouco mais de um quilômetro da Casa de Leis.  

O novo prédio terá visual completamente diferente daquilo que é visto no Parque dos Poderes. De acordo com a proposta, a nova estrutura terá formato circular, rompendo com o padrão de linhas retas em praticamente todas as construções públicas da região. 

O projeto arquitetônico inclui o plenário principal com galerias públicas, mesa diretora com acessos privativos, salas técnicas de taquigrafia, cerimonial e assessoria, estúdios da TV e Rádio, com salas de corte, switcher, sonorização e apoio à transmissão. 

Estão previstos ainda sala VIP, sala médica com acessibilidade, salas de imprensa, recepção com triagem e controle eletrônico de acesso, sanitários acessíveis em todos os pavimentos, e outros espaços.

PALÁCIO DO TJ

Em 2023, outro grande projeto de construção no Parque dos Poderes foi alvo de polêmicas - a construção do novo Palácio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que, antes mesmo de sair do papel, já havia custado quase R$ 4 milhões. 

Na época, o então presidente do Tribunal, o desembargador Sérgio Fernandes Martins, alegou a necessidade de um espaço maior para o Tribunal, que comportava 37 desembargadores e já apresentava falta de espaço.

O projeto encarou processos para evitar novas construções no Parque dos Poderes por se tratar de grande parte de áreas protegidas. 

Caso fosse aprovada, a obra teria seu início em 2025. Porém, o atual presidente do TJ, Dorival Pavan, já deixou claro novo palácio estava “fora de cogitação”

VACAS MAGRAS

Embora fisicamente próxima da Governadoria, a Assembleia Legislativa parece estar em outra órbita ao anunciar R$ 107 milhões para um novo "palácio". 

No dia 4 de agosto, o governador Eduardo Riedel assinou decreto que definiu corte de 25% nos gastos da administração pública estadual. A iniciativa visa controlar despesas públicas para garantir o equilíbrio fiscal do Estado, conforme anunciou o chefe do Executivo.

A medida foi anunciada em meio a um cenário de queda na arrecadação. Nos quatro primeiros meses de 2025, por exemplo, a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de receita do Estado, ficou em R$ 5,13 bilhões.

O valor representa um crescimento nominal de 3,07% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram arrecadados R$ 4,95 bilhões. No entanto, a inflação acumulada no período ficou em torno de 5%, o que indica uma queda real no poder de compra da arrecadação estadual.

("Puxadinho" refere-se a uma extensão anexa a uma moradia ou estabelecimento, geralmente construída para aumentar o espaço disponível, como uma edícula ou anexo)

Saúde

Chikungunya avança e falta de agentes de saúde vira alvo da Justiça em MS

Promotoria instaura procedimento para apurar cargos vagos, falta de convocações de concursados e estrutura das equipes responsáveis pelo combate às endemias

02/06/2026 19h32

Foto: Divulgação / Prefeitura de Dourados

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A estrutura dos serviços de atenção básica e combate às endemias em Dourados passou a ser alvo de acompanhamento do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) em meio ao avanço dos casos de chikungunya no município.

A 10ª Promotoria de Justiça instaurou procedimento administrativo para apurar a existência de déficit de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), além de verificar a falta de convocação de candidatos aprovados em concurso público realizado em 2024.

A medida foi adotada após investigações conduzidas em uma notícia de fato apontarem possível insuficiência de profissionais na rede municipal de saúde. Durante a apuração, o MPMS identificou cargos vagos nas duas categorias e constatou que ainda existem aprovados no concurso aguardando convocação.

Segundo o promotor de Justiça em substituição Amílcar Araújo Carneiro Júnior, o cenário exige atenção diante da situação epidemiológica enfrentada por Dourados. O município decretou estado de emergência em saúde pública após o aumento expressivo dos casos de chikungunya, doença que já resultou em mortes e centenas de confirmações.

Para o representante do Ministério Público, o fortalecimento das equipes é considerado estratégico para ampliar ações preventivas, educativas e de promoção da saúde, especialmente em períodos de alta circulação de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Informações encaminhadas pela Secretaria Municipal de Saúde indicam que a rede conta atualmente com 311 Agentes Comunitários de Saúde e 102 Agentes de Combate às Endemias, dos quais 18 são cedidos pela União.

Apesar disso, o MPMS avaliou que os dados apresentados ainda são insuficientes para uma análise completa da situação.

O órgão ministerial aponta que não foram detalhadas informações importantes, como a divisão territorial de atuação das equipes e o número de famílias acompanhadas por cada profissional.

Esses dados são considerados fundamentais para avaliar se a cobertura dos serviços atende adequadamente à população.

Levantamento realizado pelo Ministério Público no Portal da Transparência também identificou a existência de vagas não preenchidas.

Já a administração municipal informou que estudos técnicos sobre a reorganização da força de trabalho ainda estão em elaboração e argumentou que restrições orçamentárias decorrentes de medidas de contenção de despesas têm dificultado novas contratações.

Diante desse cenário, o MPMS notificou a Prefeitura de Dourados e requisitou, no prazo de 20 dias úteis, uma série de informações detalhadas.

Entre elas estão o número atual de profissionais em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma para convocação dos aprovados no concurso público, os estudos técnicos em andamento, a distribuição territorial das equipes e o quantitativo de famílias atendidas por cada agente.

Com a instauração do procedimento administrativo, o Ministério Público passará a acompanhar de forma permanente as medidas adotadas pelo município para reforçar a atenção básica e a vigilância em saúde.

Caso considere necessário, o órgão poderá adotar medidas extrajudiciais ou judiciais para garantir a adequada prestação dos serviços à população.

O MPMS quer saber

Entre os dados solicitados estão o número de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias em atividade, a quantidade de cargos vagos, o cronograma de convocação dos aprovados em concurso público e a distribuição territorial das equipes.

O Ministério Público também requisitou informações sobre o número de famílias atendidas por cada profissional, os estudos técnicos em andamento e as medidas adotadas pelo município para reforçar o enfrentamento às doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

 

 

Juventude

Secretário denunciado por assédio sexual é exonerado em Campo Grande

Paulo Lands estava afastado desde março e pediu exoneração da Secretaria Executiva da Juventude

02/06/2026 18h28

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude

Paulo Lands foi exonerado a pedido da Secretaria Executiva da Juventude Foto: Arquivo / Câmara Municipal

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O ex-vereador Paulo César Lands Filho foi exonerado do cargo de secretário executivo da Juventude, em Campo Grande (Sejuv). Ele estava afastado das funções desde março, após ser denunciado por assédio sexual.

A exoneração foi publicada nesta terça-feira (2) em Diário Oficial extra do Município. Conforme a publicação, a exoneração foi a pedido de Lands.

Até a publicação desta reportagem, não houve nomeação para o cargo agora vago.

Denúncia de assédio

Em 27 de fevereiro deste ano, um ex-servidor municipal, que trabalhava no setor de Infraestrutura e Inovação, registrou boletim de ocorrência contra o então secretário na 3ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o denunciando por assédio sexual e estupro de vulnerável.

Conforme a denúncia, a vítima sofria abusos desde julho de 2025, quando o secretário começou a oferecer caronas após o expediente. 

Em um dos trajetos, o chefe teria tocado as partes íntimas da vítima, que não reagiu por medo, já que havia relação de subordinação no trabalho. 

Após uma confraternização no fim do ano, houve consumo de álcool, deixando a vítima em estado de fragilidade.

Segundo o relato, Lands ofereceu carona novamente, mas seguiu em direção à própria casa com a vítima, onde houve ato sexual não consentido. Dias após o ocorrido, o servidor foi demitido. 

No dia 3 de março, Paulo Lands foi ele foi afastado do cargo, a pedido, para prestar esclarecimentos.

Pouco tempo depois, em 11 de março, a prefeita Adriane Lopes (PP) convocou reunião, onde anunciou que decidiu adotar tolerância zero para acusações envolvendo integrantes dos primeiros escalações da administração municipal, principalmente envolvendo violência contra as mulheres.

Antes de assumir a Sejuv, Paulo Lands foi empossado vereador de Campo Grande em 2022, em cerimônia realizada no plenário da Câmara Municipal.

Ele assumiu a cadeira deixada por Sandro Benites em dezembro daquele ano, que na época passou a comandar a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).

Neste ano, Sandro Benites, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes (Funesp), também foi exonerado após denúncia de uma mulher de 43 anos que afirmava ser companheira dele há seis anos e que a relação foi marcada por humilhações, ameaças, repressões e controle emocional. 

O caso veio a tona após Benites viajar com a esposa para Dubai, enquanto disse para a suposta amante que iria com amigos para um encontro do grupo Legendários. Na volta, ele teria ido até a casa da mulher e feito ameaças.

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