Quando assumiu o atual mandato, em 1º de janeiro de 2025, o salário da prefeita Adriane Lopes (PP) estava em R$ 21.263,62. Em abril, subiu para R$ 26.943,05. Em feverreiro de 2026 saltou para R$ 31.912,56. E, conforme a previsão, em fevereiro do próximo ano sobe para R$ 35.462,22.
Estes seguidos aumentos representam alta de 66,7% no salário da chefe do Executivo e também garantem melhorias salariais com índice próximo a isso para secretários e uma série de outros servidores, entre os quais médicos, parcela dos dentistas, boa parte dos auditores-fiscais e procuradores jurídicos e até uma parcela dos diretores de escolas, entre outros.
Na época da aprovação do reajuste escalonado do salário da prefeita, que serve de teto para o restante do funcionalismo, foi anunciado que o impaco médio mensal destes aumentos seria de R$ 6,85 milhões aos cofres da prefeitura de Campo Grande.
Em fevereiro de 2023 chegou a ser aprovado pela Câmara de Vereadores aumento de quase 100% sobre o salário da prefeita, que iria para R$ 41.845,48 já no começo do novo mandato.
Mas, em meio à repercussão negativa, Adriane Lopes conseguiu derrubar a lei aprovada no ano anterior e a Câmara acabou provando reajuste menor (66,7%), e escalonado em três etapas, com a última delas vigorando a partir de fevereiro do próximo ano
Nesta quarta-feira (10), a prefeita encaminhou projeto para a Câmara de Vereadores prevendo reposição de 4,39% para cerca de 9 mil servidores que estão na base da pirâmide salarial. Além da disparidade entre os valores dos salários, o índice percentual de diferença entre o reajuste da elite e o reajuste oferecido agora à plebe do funcionalismo municipal de Campo Gande é da ordem de 1.415%.
E, conforme sua proposta, 2,2% seriam concedidos em agosto e o restante, em março do próximo ano, um mês depois que o salário dela e da elite do funcionalismo subir pela terceira vez. A última vez que o funcionalismo municipal obteve reajuste linear foi em meados de 2021. Desde então, a inflação acumulada está na casa dos 34%.
No projeto enviado à Câmara nesta quarta-feira, o Executivo não fez menção ao impacto financeiro que a correção de 2,2% causará na folha salarial a partir de agosto ou a partir de março do próximo ano. Vereadores da base aliada da prefeita também não souberam informar nesta quinta-feira (11) qual seria este impacto.
Porém, para milhares de servidores o impacto será zero. Isso porque o salário-base de mais cinco mil trabalhadores municipais enquadrados até o chamado nível dez está abaixo de um salário mínimo e precisa receber complemento, já que nenhum trabalhador pode receber menos de R$ 1.621,00.
Então, com a reposição de 2,2% ou de 4,39%, o salário-base vai até apresentar uma pequena melhora. Automaticamente, porém, o complemento salarial que a administração já paga sofrerá redução e o rendimento que efetivamente chegará ao bolso dos servidores não terá alteração.
VEREADORES
No começo do ano passado também ocorreu aumento no salário dos 29 vereadores, de 37,3% . Com isso, a remuneração passou de R$ 18,9 mil para R$ 26,08 mil. O reajuste foi aprovado em dezembro de 2023, com a justificativa de que o salário dos vereadores deve corresponder a 75% daquilo que recebem os deputados estaduais.

