Cidades

EM CRISE

Afastado 24h após anúncio, ex-presidente nem chegará a assumir Santa Casa

Justiça afasta toda a diretoria e corpo conselheiro, deixando Santa Casa sob gestão provisória

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Cerca de 24 horas após anúncio de sua recondução, o ex-presidente Heitor Rodrigues Freire nem chegará a reassumir a Santa Casa, graças à decisão assinada pelo juiz de direito, Eduardo Lacerda Trevisan, que determina o afastamento imediato dos membros da diretoria corporativa, do conselho de administração e da supervisora do serviço de arquivo médico e estatística do Hospital, que ficará sob gestão provisória.

Heitor Rodrigues já aparecia como conselheiro do hospital, tendo assumido a presidência da instituição uma primeira vez em setembro de 2020, que seria reconduzido com uma mudança de última hora tendo deixado o cargo em 2023. 

Segundo consta, apesar de ação civil pública, acordo no Centro de Autocomposição do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Compor/MPMS), através do qual foram estabelecidos aportes financeiros dos entes públicos e obrigações a serem cumpridas pela Santa Casa, "inclusive quanto à comprovação da aplicação dos recursos no pagamento dos profissionais médicos e na manutenção dos serviços assistenciais", o atual cenário não se mostra resolvido. 

Classificada como "mergulhada em uma crise histórica, sem precedentes", já sem os recursos financeiros provenientes de empréstimos, recaem sobre a Santa Casa uma série suspeita de "malversação de recursos públicos", "inchaço da folha de pagamentos e aumento de gastos" e uma clara falta de resolutividade nas áreas financeiras, contratual e de pessoal.

Com isso, a Justiça requereu imediatamente o afastamento de uma série de nomes, entre eles o de Alir Terra Lima, já afastada cautelarmente em razão de prisão preventiva e do próprio Heitor Rodrigues Freire, que nem chegará a assumir a presidência da Santa Casa na próxima segunda-feira (28). 

Lista de afastados

Os afastamentos imediatos ficam separados em quatro "frentes", com a primeira englobando Alir Terra e todo o Conselho de Administração e atual Diretoria Corporativa da Santa Casa de Campo Grande, sendo: 

  • - Presidente em exercício e conselheiro: Heitor Miguel Scheibeler 
  • - Vice-presidente e conselheiro: Ivan Araújo Brandão 
  • - Diretor secretário e conselheiro: Valdir Osvaldo Júnior 
  • - Diretor de finanças: Marcos Alceu da Silva Villalba 
  • - Diretor de finanças adjunto e conselheiro: Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (afastado cautelarmente por prisão preventiva) 

Também fica determinado o afastamento judicial dos demais integrantes que compõem a estrutura financeira e administrativa da Associação. Confira: 

  • - Diretor administrativo financeiro: Rinaldo Hakme Romano 
  • - Diretor administrativo: Alessandro Dias Junqueira 
  • - Diretor financeiro adjunto e conselheiro: João Nelson Lyrio 
  • - Secretário adjunto e conselheiro: Luiz Jorge Bossay. 

Antes do anúncio de sua recondução, Heitor Rodrigues Freire seria integrante do Conselho de Administração da Associação Beneficente da Capital, sendo determinada de qualquer forma seu afastamento judicial junto dos seguintes conselheiros: 

  1. Arly Rosa Serra 
  2. Helio Gustavo Bautz Dallacqua 
  3. Levi Marcos Gomes da Cruz 
  4. Sidney Roberto Rivas 
  5. Carlos Ricartes de Oliveira 
  6. Mario Antônio Cavinatto de Mello 
  7. Sandra Regina Ferreira 
  8. Onésio Bueno de Freitas 

Por fim, também é listada a já também afastada cautelarmente em razão de prisão preventiva Monique Gregório de Oliveira, que seria supervisora do serviço de arquivo médico e estatística (Same). 

Medida cautelar

A decisão judicial proíbe ainda que essa diretoria corporativa seja reconduzida em novas eleições, bem como impede que esses e os integrantes do conselho de administração e Same acessem todas dependências da Santa Casa, o que incluiu até a filial que fica localizada no município de Dourados. 

"Vedando-se o ingresso, a permanência ou qualquer forma de atuação, gestão ou interferência nas atividades das referidas entidades, como medida destinada à preservação dos documentos físicos e digitais, arquivos, sistema, dados, registros contábeis, financeiros, administrativos e demais elementos de prova, bem como à garantia da regularidade das apurações e da efetividade das medidas de reorganização e gestão provisória", cita. 

Importante esclarecer que a gestão provisória da Santa Casa ficará ao cargo do Dr. Luiz Alberto H. Kanamura, que na mesma ocasião do anúncio da recondução de Heitor Rodrigues havia sido apresentado como então novo superintendente hospitalar. 

Nesse sentido, a determinação destaca que esse gestor provisório precisará apresentar mensalmente uma prestação de contas em Juízo, com relatório circunstanciado das medidas adotadas que deve conter, no mínimo, informações sobre a real situação administrativa, contábil, financeira e operacional da instituição. 

"Da aplicação e destinação dos recursos públicos e privados recebidos pela entidade, das despesas realizadas, dos contratos celebrados ou mantidos, das medidas implementadas para a regularização da gestão e da continuidade dos serviços de saúde", complementa o texto da decisão. 

Tudo isso deve ajudar a Justiça a manter o acompanhamento da administração, fiscalizando adequadamente aplicação dos recursos e cumprimentos das finalidades institucionais do Hospital. 

Nas palavras do Juiz de Direito, a Santa Casa aparece como o maior hospital de Mato Grosso do Sul, atendendo não somente pacientes da Capital mas de vários municípios do interior, recebendo verbas de natureza pública para essa finalidade. 

"Referido hospital tem vivenciado uma grave crise que se arrasta há anos, decorrente de desvios, incompetência, corrupção, falta de transparência na prestação de suas contas, dentre outros fatos... que afeta não só os pacientes e usuários de seus serviços, mas também os próprios colaboradores, além das empresas que lhe prestam serviços mediante fornecimento de insumos e materiais imprescindíveis ao desenvolvimento de suas atividades", aponta o texto. 

 

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Delivery

Gigante chinesa rival do iFood escolhe cidade de MS para nova expansão

Três Lagoas será a primeira cidade de Mato Grosso do Sul a receber a Keeta nesta nova etapa; aplicativo aposta no interior antes de avançar sobre grandes metrópoles

06/10/2026 20h19

Keeta prepara expansão para Mato Grosso do Sul e escolhe Três Lagoas para receber a operação da plataforma de delivery.

Keeta prepara expansão para Mato Grosso do Sul e escolhe Três Lagoas para receber a operação da plataforma de delivery. Foto: Divulgação/Keeta.

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Mato Grosso do Sul entrou na nova rota de expansão da Keeta, plataforma de delivery da gigante chinesa Meituan e concorrente de empresas como iFood e 99Food no mercado brasileiro. Três Lagoas foi escolhida para integrar o grupo de 21 cidades que receberão a operação da companhia até o fim de 2026.

O município é o único de Mato Grosso do Sul incluído nesta etapa. Ainda não foi divulgada uma data específica para o início das operações na cidade.

A chegada faz parte de uma mudança de estratégia da companhia, que decidiu avançar primeiro sobre cidades médias do interior antes de ampliar a disputa nas grandes metrópoles brasileiras.

Além de Três Lagoas, a expansão contempla oito cidades de Mato Grosso: Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Tangará da Serra, Cáceres e Alta Floresta. Em Goiás, a escolhida foi Rio Verde, enquanto São Paulo terá Araçatuba.

Em Minas Gerais, a Keeta chegará a Patos de Minas, Governador Valadares, Araxá e Passos. No Rio Grande do Sul, estão Passo Fundo e Santa Maria.

A nova estratégia representa a retomada de um plano nacional que havia sido interrompido no início deste ano.

Em vez de concentrar esforços inicialmente em capitais, a Keeta pretende usar mercados do interior para conhecer diferentes perfis de consumidores, restaurantes e desafios logísticos antes de aumentar sua presença no País.

Três Lagoas passa, assim, a fazer parte de uma ofensiva que levará a empresa a sete Estados além de ampliar sua presença em São Paulo. Entre os 21 municípios estão cidades de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Interior entra no centro da estratégia

A escolha de municípios fora das grandes capitais não é por acaso. A Keeta vê nas cidades médias a possibilidade de testar sua operação em mercados com características distintas, incluindo áreas urbanas menos densas e diferentes hábitos de consumo.

Mato Grosso concentra oito das 21 cidades escolhidas nesta rodada. Três Lagoas, por sua vez, representa Mato Grosso do Sul na expansão.

Com a nova estratégia, a Keeta pretende ampliar gradualmente sua presença no Brasil, utilizando a entrada em cidades do interior como uma etapa para testar a operação em diferentes mercados antes de avançar para novos centros urbanos.

A expansão deve aumentar significativamente o alcance da Keeta no Brasil. Até então, a plataforma estava presente em 11 municípios do Estado de São Paulo, incluindo a Capital e cidades da Região Metropolitana, além de Santos e São Vicente, onde iniciou sua operação piloto no País em outubro de 2025.

Disputa entre aplicativos

A retomada dos investimentos ocorre depois de uma batalha judicial envolvendo a Keeta e a 99Food. Em decisão de 29 de setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou ilegais cláusulas impostas pela concorrente que impediam determinados restaurantes de trabalhar com a Keeta.

Segundo a empresa chinesa, a decisão tem validade nacional e retirou uma das barreiras que dificultavam a expansão de sua operação no Brasil. A disputa teve início em 2025 e passou por decisões judiciais em primeira e segunda instâncias.

As dificuldades no ambiente competitivo já haviam levado a Keeta a rever seus planos no começo de 2026. A companhia chegou a preparar uma operação no Rio de Janeiro, prevista inicialmente para março, mas adiou a estreia.

Na ocasião, executivos afirmaram que encontraram um número de contratos de exclusividade entre restaurantes e concorrentes superior ao esperado.

Mesmo com a retomada da expansão, o Rio de Janeiro ficou de fora do atual pacote. A companhia decidiu priorizar os municípios do interior e deixar a entrada na capital fluminense para outra etapa.

Investimento bilionário no Brasil

A ofensiva faz parte de um plano de R$ 5,6 bilhões em investimentos no Brasil ao longo de cinco anos, anunciado pela Meituan em 2025.

Na ocasião, a companhia também projetou a construção de uma rede nacional de entregas e a contratação de funcionários para sustentar a expansão da operação brasileira.

Segundo informações divulgadas nesta terça-feira, a Keeta afirma reunir atualmente 83 mil estabelecimentos cadastrados, cerca de 430 mil entregadores parceiros registrados e 10 milhões de downloads do aplicativo no Brasil.

A entrada em Três Lagoas coloca Mato Grosso do Sul pela primeira vez no mapa dessa nova fase da disputa entre grandes plataformas de entrega.

Para restaurantes, consumidores e entregadores da cidade, a chegada da Keeta também deve acrescentar um novo concorrente ao mercado local de delivery.

As 21 novas operações estão previstas para entrar em funcionamento até o fim de 2026, mas a empresa ainda não informou quando o serviço será efetivamente lançado em Três Lagoas.

Quem é a Keeta

A Keeta é o braço internacional da Meituan, companhia chinesa de tecnologia fundada em 2010 e que atua em serviços de entrega e comércio digital.

A marca Keeta foi criada para levar o negócio de delivery da empresa a outros países e iniciou sua expansão internacional por Hong Kong, avançando posteriormente para mercados do Oriente Médio.

No Brasil, a operação começou em outubro de 2025, com um projeto-piloto em Santos e São Vicente (SP), antes de avançar para São Paulo e outros municípios. A Meituan anunciou um plano de R$ 5,6 bilhões em investimentos no País ao longo de cinco anos.

Meio Ambiente

Embrapa é designada como Centro de Referência para Florestas Plantadas

É o primeiro CR da FAO para florestas plantadas no mundo

06/10/2026 20h00

Divulgação

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) designou a Embrapa Florestas como Centro de Referência em Florestas Plantadas. O anúncio foi feito na sexta-feira (2) durante a 10ª Semana Mundial das Florestas e a 28ª Sessão do Comitê de Florestas da FAO, realizadas em sua sede em Roma. Este é o primeiro CR da FAO para florestas plantadas no mundo.

Segundo a FAO, a designação de CR visa aproveitar conhecimentos científicos, técnicos e de políticas reconhecidos no setor florestal.

A Embrapa Florestas é uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). 

As instituições designadas colaboram com a FAO na troca de conhecimentos em suas áreas específicas de atuação, fornecendo assessoria técnica, dados, pesquisas, treinamento, transferência de tecnologia e outras formas de apoio técnico à organização e aos seus Estados-Membros.

Em relação à Embrapa Florestas, a unidade deverá cooperar para o desenvolvimento de florestas plantadas produtivas, resilientes e de baixa emissão de carbono, integradas a sistemas agropecuários e para responder a demandas de cooperação internacional. 

De acordo com dados da FAO, de 2025, as florestas plantadas ocupam cerca de 304 milhões de hectares no mundo. Desse total, 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, predominantemente destinadas à produção. 

A China concentra a maior área de florestas plantadas, seguida por Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia. 

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) apontam que o Brasil tem cerca de 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas. O eucalipto e o pinus são as espécies mais cultivadas, além de araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano. 

Segundo o comunicado divulgado pelo diretor-geral adjunto da FAO e diretor da Divisão Florestal, Zhimin Wu, a designação dos primeiros CR da FAO na área florestal representa um avanço importante na mobilização da expertise científica e técnica para enfrentar situações complexas que as florestas enfrentam.

"Ao conectar conhecimentos especializados às necessidades dos países, podemos acelerar o intercâmbio de conhecimento e a inovação, além de ajudar a transformar a ciência em soluções práticas", afirmou.

O CR da Embrapa Florestas vai operar sob demanda e mediante captação conjunta de recursos em diversas áreas. Entre as competências do CR em florestas plantadas estão a silvicultura e manejo florestal sustentável, sistemas integrados, melhoramento genético, sanidade florestal e controle biológico de pragas, métricas de carbono e mitigação de gases de efeito estufa (GEE) e bioeconomia florestal/química verde.

A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, disse que a designação funciona como um selo de excelência, permitindo que o país colabore na capacitação técnica, no intercâmbio de conhecimento e no desenvolvimento de projetos conjuntos com a FAO.

“São quase 50 anos de pesquisas e de ciência para o desenvolvimento florestal, que hoje se traduzem neste reconhecimento, em que a Embrapa poderá tanto ajudar outros países como também fortalecer trabalhos e redes de cooperação dentro do Brasil”, afirmou. 

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