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Afonso Pena e Mato Grosso são as vias mais perigosas de Campo Grande

Somadas, as avenidas contabilizaram quase 250 acidentes somente neste ano, enquanto em 2025 chegaram a registrar mais de 900 sinistros

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As Avenidas Afonso Pena e Mato Grosso são as mais perigosas de Campo Grande e acumularam o maior número de acidentes, pelo menos, nos últimos dois anos.

De acordo com dados enviados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), há cinco vias que se destacam em Campo Grande quando o assunto é acidente, sendo eles as Avenidas Presidente Ernesto Geisel, Guaicurus, Duque de Caxias e, especialmente, Mato Grosso e Afonso Pena.

Somente neste ano (até ontem), as Avenidas Afonso Pena e Mato Grosso registraram, juntas, 247 acidentes, enquanto as outras três avenidas citadas, somadas, acumularam 238 sinistros.

Também segundo dados enviados pelo BPMTran, veiculados pelo Correio do Estado, a Capital contabilizou 4.976 acidentes neste ano (até o dia 20). Desses, 1.652 tiveram feridos e 25 foram fatais.

Comparando com dados de período semelhante do ano passado (1º de janeiro a 30 de abril), os mesmos trechos ocupavam as cinco primeiras colocações em número de acidentes, com a Avenida Afonso Pena na liderança, com 170 sinistros, seguida pela Avenida Mato Grosso, com 109. 

A única diferença em relação a este ano é que as Avenidas Presidente Ernesto Geisel e Guaicurus inverteram os papéis e ficaram na quarta e quinta posição, respectivamente, em 2025.

Considerando o acumulado no ano passado inteiro, a Afonso Pena terminou com 590 acidentes, enquanto a Mato Grosso ficou com 352. 

Somando os resultados de ambas, elas continuam acima das outras três avenidas, somadas, na estatística: 942 contra 752 acidentes. As únicas ruas que aparecem entre as que mais acontecem acidentes são Ceará, Joaquim Murtinho e Rui Barbosa.

Vale lembrar que, recentemente, a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) mudou regras da Avenida Afonso Pena, proibindo a conversão à esquerda em cruzamentos para quem segue na avenida, mais especificamente nas Ruas 13 de Maio, Pedro Celestino, Padre João Crippa e 25 de Dezembro.

Para aqueles que fizerem a conversão em local proibido, é de R$ 195,23, além de resultar em 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), de acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

INFRAÇÕES

Também conforme dados do BPMTran, conduzir um veículo sem o devido registro ou licenciamento é a infração mais registrada em Campo Grande neste ano até o momento, com 5.152 ocorrências. 

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é uma infração gravíssima, que resulta em multa de R$ 293,47, 7 pontos na CNH e remoção do veículo ao pátio.

Em seguida, aparece a infração de conduzir veículo sem cinto de segurança, com 4.811 registros, que é uma infração grave e pode resultar em multa de R$ 195,23 por pessoa que estiver sem o cinto, além de 5 pontos na carteira, como consta no CTB.

Fechando a lista das cinco infrações mais praticadas pelos campo-grandenses no trânsito estão: avançar o sinal vermelho, com 4.103 registros; executar operação de retorno em local proibido, com 1.523; e dirigir manuseando ou segurando o telefone celular, com 1.522. Todas as infrações citadas são gravíssimas, conforme o CTB.

A reportagem solicitou também dados dos locais das multas, mas o questionamento não foi respondido pelo BPMTran.

PERFIL

Matéria do Correio do Estado mostrou que motoqueiros de 20 a 39 anos são as principais vítimas de acidentes nas ruas de Campo Grande, concentrando mais da metade das ocorrências fatais.

Das 25 mortes registradas neste ano, foram 16 motociclistas, 4 pedestres, 3 condutores de automóveis e 2 ciclistas.

Na divisão por faixa etária dos óbitos, a maior incidência está nos adultos jovens de 20 a 29 anos, com oito ocorrências, seguido pelo intervalo de idade de 30 a 39 anos, com cinco mortos. 

As outras mortes estão divididas nas faixas de 40 a 49 anos (4), 50 a 59 anos (3) e idosos (4).

Além disso, 8 a cada 10 vítimas de acidentes fatais no trânsito campo-grandense são homens, enquanto o restante é mulher. Em números absolutos, neste ano foram registrados 20 óbitos de homens e 5 de mulheres. 

* Saiba 

Criado em 2011, o Maio Amarelo é um movimento internacional de conscientização para a redução de acidentes e mortes no trânsito.

A cor amarela foi escolhida justamente por simbolizar atenção e sinalização de advertência, semelhante ao semáforo, como um lembrete para que todos tenham mais cuidado e prudência.

Prisão

Megatraficante solto por desembargador vivia como "próspero agricultor" na Bolívia

Gerson Palermo estava em Cotoca, cidade próxima de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido na região como empresário

27/05/2026 08h10

Palermo foi preso em uma operação da polícia especializada em narcotráfico da Bolívia com a Interpol

Palermo foi preso em uma operação da polícia especializada em narcotráfico da Bolívia com a Interpol Divulgação

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Gerson Palermo vivia escondido da Justiça brasileira há quase 10 anos e estava morando em uma cidade da Bolívia que fica a cerca de 600 km de Corumbá, que tem pouco mais de 106 mil habitantes e é conhecida pelo turismo local, por abrigar a sede do Santuário da Virgem de Cotoca, santa padroeira do Oriente Boliviano. Por ano, ao menos 200 mil pessoas visitam o santuário. 

Ele foi preso na madrugada de ontem, a partir de uma operação que mobilizou policiais da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (FELCN) e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). 

A Polícia Federal (PF), que mantém agentes em Santa Cruz de la Sierra, atuaram em conjunto ao fornecer detalhes de monitoramento do foragido. Conforme apurado, essa equipe mantém o monitoramento que chega a 70 nomes de criminosos que são fugitivos e ligados a facções criminosas.

O criminoso estava estabelecido na cidade, distante cerca de 20 km de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido como um empresário que atua no ramo da agricultura. 

Cotoca tem como base de sua economia a agricultura (algodão, soja, mandioca), pecuária, silvicultura, pesca, além do setor industrial com fábrica de ferro para construção civil e ferrovias.

Sua permanência em Cotoca já vinha sendo registrada há alguns anos, conforme apurado. E ele seguiu morando no município mesmo depois que outro criminoso chegou a ser preso também em Cotoca, no começo deste mês, por conta de crimes relacionados ao Comando Vermelho (CV).

As informações divulgadas pela FELCN apontaram que Palermo tinha residência nos arredores de Cotoca, com uma vida relativamente discreta. Com seus 68 anos, ele se apresentava na região como empresário brasileiro. 

Não foi confirmado qual era a identidade que ele apresentava e se tinha documento falso. Quando foi abordado em sua casa, ele não demonstrou reação. Também não foi divulgado se houve apreensão de armas na residência dele.

O criminoso, condenado a 126 anos de prisão, conseguiu fugir do cumprimento de pena em regime semiaberto em 20 de abril de 2020, depois de obter habeas corpus que foi despachado pelo desembargador Divoncir Maran. 

O pedido foi concedido com cerca de 20 minutos depois de protocolado, mesmo tendo mais de 200 páginas. 

Além disso, Palermo foi apontado em investigações como um dos principais elos no tráfico internacional de drogas, trazendo cocaína em aeronaves da Bolívia e fazendo a distribuição, a partir de Corumbá, em caminhões. Sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi indicada. 

Além disso, ele participou do sequestro de um Boeing 727 da Vasp para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.

OPERAÇÃO CONJUNTA

Na Bolívia, está em curso um operativo de larga escala que foi denominado Plano Halcón, que foi lançado no começo de maio. A proposta é atuar com tropas policiais envolvendo a FELCN, Fuerzas Armadas de la Nación, Polícia Nacional e autoridades do Executivo para combater o crime organizado por meio de monitoramento fronteiriço e ações de inteligência, além de apoio de forças policiais de outros países vizinhos, como é o caso da PF. 

Esse trabalho está concentrado para a região de Santa Cruz de la Sierra, onde há uma atuação de membros da fação PCC, além de outras organizações criminosas.

O vice-ministro de Defesa Social y Sustancias Controladas, Ernesto Justiniano Urenda, divulgou a prisão de Gerson Palermo. 

“A prisão foi realizada por efetivo do Grupo de Inteligencia y Operaciones Especiales (Gioe Oriente-GER) da FELCN, em coordenação com a PF do Brasil. O cidadão brasileiro foi transferido para as dependências da Interpol para os procedimentos correspondentes e para fins investigativos. Essa operação foi possível graças ao intercâmbio de informações e cooperação entre as forças policiais da Bolívia e do Brasil. Exemplo da importância do trabalho conjunto na luta contra o narcotráfico internacional”, afirmou.

Urenda ainda reforçou em seu comunicado oficial que as autoridades bolivianas estão em um esforço conjunto para combater a atuação de criminosos que buscam fugir de questões legais em outros países na Bolívia. “Bolívia não deve ser refúgio de fugitivos vinculados ao narcotráfico”.

ESCONDERIJO

O município que está na região metropolitana de Santa Cruz de la Sierra, mas tem vida autônoma, de certa forma pacata e distante da estrutura de autoridades que têm sede no grande centro protagonizou outro refúgio de procurado pela Justiça brasileira.

No começo deste mês, Kleber Nóbrega Pereira, o Kekeu, foi preso também em Cotoca, durante o fim de semana.

Ele é apontado como liderança no CV, facção iniciada no Rio de Janeiro. Ele vivia na cidade com a esposa, Micaely Santos Silva, e atuava com as finanças do CV. 

A ligação dele com o crime envolve investigações sobre tráfico internacional de drogas, crime organizado, tráfico de armas, homicídio, lavagem de dinheiro, corrupção de menores e roubo.

* Saiba 

Segundo informações obtidas pelo Correio do Estado, o megatraficante será extraditado para Mato Grosso do Sul hoje, pela manhã. Ele deve ser entregue à Polícia Federal em Corumbá e trazido para Campo Grande.

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narcotraficante

Ordem para sequestrar a própria filha culminou na prisão de Palermo

Investigação iniciada em Campo Grande envolveu polícias brasileiras e bolivianas; narcotraficante foi preso na Bolívia

26/05/2026 18h44

Gerson Palermo foi preso na Bolívia

Gerson Palermo foi preso na Bolívia Reprodução/Felcn

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A prisão do megatraficante com ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Gerson Palermo, é resultado de investigação iniciada pela Polícia Civil de Campo Grande, após o criminoso mandar sequestrar a própria filha , motivado por disputa envolvendo dinheiro relacionado ao tráfico de drogas.

Palermo foi preeso nesta terça-feira (26) em Santa Cruz de la Sierra, após anos fugido das autoridades brasileiras. Ele estava vivendo em uma confortável casa boliviana, no momento em que foi surpreendido pelos agentes e será entregue as autoridades brasileiras nesta quarta-feira (27).

De acordo com a Polícia Civil, investigação que culminou na prisão foi iniciada após a identificação de um sequestro orquestrado pelo próprio investigado contra sua filha.

Na ocasião, ações integradas pela Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) resultaram na localização e libertação da vítima, além da prisão de um dos sequestradores em Campo Grande.

A partir do esclarecimento do caso, as investigações prosseguiram por meio do Núcleo de Inteligência Policial da Depca, em atuação conjunta com a Polícia Federal e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia (FELCN), que permitiram identificar a localização de Gerson Palermo na região de Santa Cruz de La Sierra.

Ainda segundo a Polícia Civil, após meses de monitoramento e troca de informações estratégicas entre as forças de segurança, a polícia boliviana deflagrou a operação para a captura do narcotraficante.

A prisão foi confirmada pelas autoridades do país vizinho e pela Polícia Federal, que destacou que Palermo aparecia entre "alvos prioritários das forças de segurança brasileiras e permanecerá à disposição das autoridades competentes para os procedimentos cabíveis".

Gerson Palermo é apontado como integrante de organização criminosa ligada ao narcotráfico internacional, com atuação no tráfico transnacional de cocaína, lavagem de dinheiro e articulação logística entre Brasil e Bolívia.

Ele tem histórico de condenações e era considerado foragido de alta relevância, figurando em mecanismos de cooperação policial internacional em razão de sua periculosidade e vínculos com o crime organizado transnacional.

Solto na pandemia

Pivô do afastamento do desembargador Divoncir Schreiner Maran de suas funções do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o o megatraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão, estava foragido desde abril de 2020.

O desembargador concedeu o benefício de prisão domiciliar em meio ao feriadão de Tiradentes (21 de abril) de 2020, apesar da série de condenações que pesavam contra o traficante. 

Divoncir acatou o argumento de que ele corria risco na prisão por conta da covid e determinou que ele usasse tornozeleira eletrônica. Porém, horas depois rompeu o equipamento e fugiu. 

Desde então ele estava na lista de mais procurados do Brasil e agora foi localizado na Bolívia. 

Gerson Palermo tem longo histório de envolvimento com o crime. Em agosto de 2000, participou do de um Boeing 727 da antiga Vasp. O avião saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi sequestrado cerca de 20 minutos após a decolagem.

O avião foi forçado a pousar em Porecatu (PR), quando o grupo roubou malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.

Durante o dia das mães de 2005, o presídio de Segurança Máxima da Capital viveu um motim, que levou sete presos à morte, além da destruição de diversas alas do complexo. 

Enquanto cumpria regime semiaberto na Colônia Penal Agrícola de Campo Grande, foi preso pela Polícia Federal, em setembro de 2007, acusado de liderar quadrilha que estava com 1,5 tonelada de maconha.

Já em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In contra um esquema de tráfico internacional de drogas e Palermo foi apontado como um dos chefes do grupo.

Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados,seguindo a rota do tráfico. Por tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.

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