Cidades

Prisão

Megatraficante solto por desembargador vivia como "próspero agricultor" na Bolívia

Gerson Palermo estava em Cotoca, cidade próxima de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido na região como empresário

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Gerson Palermo vivia escondido da Justiça brasileira há quase 10 anos e estava morando em uma cidade da Bolívia que fica a cerca de 600 km de Corumbá, que tem pouco mais de 106 mil habitantes e é conhecida pelo turismo local, por abrigar a sede do Santuário da Virgem de Cotoca, santa padroeira do Oriente Boliviano. Por ano, ao menos 200 mil pessoas visitam o santuário. 

Ele foi preso na madrugada de ontem, a partir de uma operação que mobilizou policiais da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (FELCN) e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). 

A Polícia Federal (PF), que mantém agentes em Santa Cruz de la Sierra, atuaram em conjunto ao fornecer detalhes de monitoramento do foragido. Conforme apurado, essa equipe mantém o monitoramento que chega a 70 nomes de criminosos que são fugitivos e ligados a facções criminosas.

O criminoso estava estabelecido na cidade, distante cerca de 20 km de Santa Cruz de la Sierra, e era conhecido como um empresário que atua no ramo da agricultura. 

Cotoca tem como base de sua economia a agricultura (algodão, soja, mandioca), pecuária, silvicultura, pesca, além do setor industrial com fábrica de ferro para construção civil e ferrovias.

Sua permanência em Cotoca já vinha sendo registrada há alguns anos, conforme apurado. E ele seguiu morando no município mesmo depois que outro criminoso chegou a ser preso também em Cotoca, no começo deste mês, por conta de crimes relacionados ao Comando Vermelho (CV).

As informações divulgadas pela FELCN apontaram que Palermo tinha residência nos arredores de Cotoca, com uma vida relativamente discreta. Com seus 68 anos, ele se apresentava na região como empresário brasileiro. 

Não foi confirmado qual era a identidade que ele apresentava e se tinha documento falso. Quando foi abordado em sua casa, ele não demonstrou reação. Também não foi divulgado se houve apreensão de armas na residência dele.

O criminoso, condenado a 126 anos de prisão, conseguiu fugir do cumprimento de pena em regime semiaberto em 20 de abril de 2020, depois de obter habeas corpus que foi despachado pelo desembargador Divoncir Maran. 

O pedido foi concedido com cerca de 20 minutos depois de protocolado, mesmo tendo mais de 200 páginas. 

Além disso, Palermo foi apontado em investigações como um dos principais elos no tráfico internacional de drogas, trazendo cocaína em aeronaves da Bolívia e fazendo a distribuição, a partir de Corumbá, em caminhões. Sua ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi indicada. 

Além disso, ele participou do sequestro de um Boeing 727 da Vasp para roubar R$ 5,5 milhões em malotes do Banco do Brasil.

OPERAÇÃO CONJUNTA

Na Bolívia, está em curso um operativo de larga escala que foi denominado Plano Halcón, que foi lançado no começo de maio. A proposta é atuar com tropas policiais envolvendo a FELCN, Fuerzas Armadas de la Nación, Polícia Nacional e autoridades do Executivo para combater o crime organizado por meio de monitoramento fronteiriço e ações de inteligência, além de apoio de forças policiais de outros países vizinhos, como é o caso da PF. 

Esse trabalho está concentrado para a região de Santa Cruz de la Sierra, onde há uma atuação de membros da fação PCC, além de outras organizações criminosas.

O vice-ministro de Defesa Social y Sustancias Controladas, Ernesto Justiniano Urenda, divulgou a prisão de Gerson Palermo. 

“A prisão foi realizada por efetivo do Grupo de Inteligencia y Operaciones Especiales (Gioe Oriente-GER) da FELCN, em coordenação com a PF do Brasil. O cidadão brasileiro foi transferido para as dependências da Interpol para os procedimentos correspondentes e para fins investigativos. Essa operação foi possível graças ao intercâmbio de informações e cooperação entre as forças policiais da Bolívia e do Brasil. Exemplo da importância do trabalho conjunto na luta contra o narcotráfico internacional”, afirmou.

Urenda ainda reforçou em seu comunicado oficial que as autoridades bolivianas estão em um esforço conjunto para combater a atuação de criminosos que buscam fugir de questões legais em outros países na Bolívia. “Bolívia não deve ser refúgio de fugitivos vinculados ao narcotráfico”.

ESCONDERIJO

O município que está na região metropolitana de Santa Cruz de la Sierra, mas tem vida autônoma, de certa forma pacata e distante da estrutura de autoridades que têm sede no grande centro protagonizou outro refúgio de procurado pela Justiça brasileira.

No começo deste mês, Kleber Nóbrega Pereira, o Kekeu, foi preso também em Cotoca, durante o fim de semana.

Ele é apontado como liderança no CV, facção iniciada no Rio de Janeiro. Ele vivia na cidade com a esposa, Micaely Santos Silva, e atuava com as finanças do CV. 

A ligação dele com o crime envolve investigações sobre tráfico internacional de drogas, crime organizado, tráfico de armas, homicídio, lavagem de dinheiro, corrupção de menores e roubo.

* Saiba 

Segundo informações obtidas pelo Correio do Estado, o megatraficante será extraditado para Mato Grosso do Sul hoje, pela manhã. Ele deve ser entregue à Polícia Federal em Corumbá e trazido para Campo Grande.

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decisão confirmada

STF determina fim de aposentadoria compulsória para juízes condenados

Em Mato Grosso do Sul, três magistrados já foram punidos com a aposentadoria compulsória

26/05/2026 18h31

Foto: Divulgação / STF

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (26) confirmar a decisão individual do ministro Flávio Dino que acabou com a aposentadoria compulsória como pena máxima a juízes condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, corrupção, assédio sexual e moral, entre outras. Em Mato Grosso do Sul, três magistrados já foram punidos com a aposentadoria compulsória.

Nesta terça, o colegiado negou um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e por dois magistrados que foram aposentados compulsoriamente e perderam o benefício.

No dia 16 de março, Dino determinou o fim da aposentadoria compulsória e alegou que a Emenda Constitucional n° 103, a última reforma da previdência, deixou de prever o benefício. 

Pelo entendimento, após condenação à pena máxima pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá entrar com uma ação no Supremo para que o magistrado tenha a perda do cargo decretada.

Na sessão desta terça-feira, Flávio Dino reafirmou sua posição sobre a impossibilidade de condenação de magistrados à aposentadoria compulsória como pena administrativa mais grave. Nesses casos, o juiz recebe aposentadoria proporcional ao tempo de serviço. 

“Se um juiz vende uma decisão judicial ou se um juiz mata alguém, esse juiz tem que ser punido. Se a punição é uma aposentadoria compulsória, quem está suportando o ônus da punição dele? A sociedade. A punição é para o contribuinte. O magistrado que cometeu um homicídio será sustentado pela coletividade", afirmou.

O fim da aposentadoria compulsória foi também foi chancelado pelos ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. 

Moraes afirmou que não tem sentido punir um juiz corrupto, por exemplo, com aposentadoria compulsória.

"A aposentadoria compulsória paga pelo contribuinte não é sanção", completou. 

Punições em MS

Em 20 anos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) condenou 126 magistrados à aposentadoria compulsória, sendo três deles em Mato Grosso do Sul.

O primeiro caso do Estado é o da desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), Tânia Garcia de Freitas Borges. Ela foi afastada em 2018, acusada de usar o cargo para favorecer o filho acusado por tráfico de drogas. 

A decisão do CNJ para a aposentadoria compulsória foi tomada em fevereiro de 2021, mas a magistrada apresentou liminar, que foi negada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, no final de agosto de 2021 e a punição foi confirmada pelo CNJ em setembro do mesmo ano.

O segundo caso é do juiz Aldo Ferreira da Silva Júnior, aposentado compulsoriamente em julho de 2022, por decisão do próprio Tribunal de Justiça.

Ele estava afastado do cargo havia cerca de quatro anos por suspeita de envolvimento em um esquema de cobrança de propina para liberação de precatórios, que são créditos concedidos para quem venceu ações na Justiça contra o poder público e que não cabem mais recurso. 

O caso mais recente é do desembargador do TJMS, Divoncir Schreiner Maran, que teve a pena imposta em fevereiro deste ano pelo CNJ.

A punição decorre da decisão que autorizou a prisão domiciliar do traficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão por tráfico de drogas, no feriado de Tiradentes em abril 2020. Porém, a punição teve pouco efeito prático, pois o desembargador já está aposentado desde abril de 2024, quando completou 75 anos.

* Com Agência Brasil

Saúde

MS investe R$ 783 milhões na saúde, mas fica abaixo do mínimo

Relatório apresentado na ALEMS aponta aumento nos investimentos em saúde, porém aplicação de recursos próprios não alcançou os 12% exigidos pela Constituição

26/05/2026 18h22

Foto: Divulgação

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O Governo de Mato Grosso do Sul aplicou R$ 783,1 milhões em ações e serviços públicos de saúde entre janeiro e abril de 2026, conforme balanço apresentado durante audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), realizada nesta terça-feira (26).

Apesar do volume de investimentos, o Estado não atingiu o percentual mínimo constitucional de aplicação de recursos próprios na área da saúde.

De acordo com os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), o percentual aplicado com recursos próprios ficou em 10,23% da receita de impostos e transferências constitucionais, abaixo dos 12% exigidos pela Constituição Federal.

O relatório aponta que foram liquidados R$ 696,7 milhões em recursos estaduais para a saúde no período, enquanto o valor necessário para atingir o mínimo constitucional seria de R$ 816,9 milhões, diferença de R$ 120,2 milhões.

Os números apresentados durante a audiência mostram que os recursos estaduais seguem como principal fonte de financiamento da saúde pública em Mato Grosso do Sul, representando 87,41% das despesas liquidadas no quadrimestre.

Já os repasses federais fundo a fundo corresponderam a 11,31% dos recursos utilizados.

Mesmo abaixo do índice constitucional, o percentual aplicado em 2026 foi o maior registrado nos últimos quatro anos para o primeiro quadrimestre.

Em 2023, o índice ficou em 8,42%; em 2024, subiu para 8,67%; e em 2025 alcançou 9,60%, chegando agora a 10,23%.

Durante a audiência, o presidente da Comissão de Saúde da ALEMS, Lucas de Lima, destacou a necessidade de acompanhamento permanente dos gastos públicos na área da saúde e afirmou que as audiências periódicas permitem monitorar a aplicação dos recursos e discutir demandas relacionadas ao atendimento da população.

Obras e ampliação da rede estadual

O relatório também detalhou investimentos em infraestrutura hospitalar e modernização da rede pública estadual.

No Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, foram realizadas reformas na UTI Pediátrica, enfermaria pediátrica, Central de Material Esterilizado (CME) e na área externa da unidade

Outro destaque foi a reforma e ampliação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que recebeu investimento superior a R$ 15,4 milhões. As obras do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) em Campo Grande chegaram a 99,56% de execução, enquanto a unidade de Dourados alcançou 96,61%.

Já a ampliação do Hospital Regional de Dourados entrou na fase final da terceira etapa, com 99,45% das obras concluídas. A estrutura inclui enfermarias, setor de hemodinâmica e novos leitos de UTI.

Saúde digital e regionalização

Na área de saúde digital, a SES informou avanços na implantação de painéis de indicadores e na expansão dos serviços de teleatendimento.

Segundo os dados apresentados, foram realizadas 1.768 teleconsultas e emitidos mais de 31 mil laudos de eletrocardiograma por meio do sistema estadual de telediagnóstico.

O relatório também aponta que a estratégia de regionalização da saúde busca reduzir o deslocamento de pacientes do interior para Campo Grande, principalmente nos atendimentos de baixa e média complexidade.

Conforme a SES, o percentual de pacientes regulados para hospitais fora da Capital aumentou de 33,18% para 37,18%, indicando ampliação da capacidade de atendimento em outras regiões do Estado.

Atenção primária supera metas

Os dados apresentados durante a audiência mostram ainda que a cobertura da Atenção Primária à Saúde atingiu 96,05%, acima da meta estadual de 90% estipulada para 2026. Na saúde bucal, a cobertura populacional chegou a 67,58%, com mais de 7 mil ações de escovação supervisionada realizadas no período.

A Rede Hemosul distribuiu 37.095 hemocomponentes durante o quadrimestre e registrou índice de satisfação de 96,6% entre os usuários. Durante a audiência pública, também foram debatidos os desafios relacionados ao avanço dos casos de chikungunya e o andamento das campanhas de imunização em Mato Grosso do Sul.

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