A luta para conter o acidente nuclear da central japonesa de Fukushima entrou hoje numa nova fase, com o início da descontaminação de enormes quantidades de água radioactiva acumulada nos edifícios dos reactores.
O material resulta da própria tentativa de arrefecer os reactores, depois do sistema normal de refrigeração ter entrado em colapso com sismo e tsunami de 11 de Março no Japão. Neste momento, há cerca de 110 mil toneladas de água radioactiva acumuladas na base dos edifícios dos reactores. A unidade de descontaminação que hoje entrou em funções deverá tratar 1200 toneladas por dia.
Com os níveis de radiação reduzidos, a água será utilizada no sistema normal de arrefecimento, que a Tepco – empresa que opera a central de Fukushima – conta estabilizar dentro de um mês. Com isso, a empresa espera conseguir, até Janeiro, o encerramento “a frio” dos reactores – ou seja, manter a sua temperatura a um nível tal que a água de arrefecimento não ultrapasse os 100 graus Celsius.
O tratamento da água radioactiva é um alívio para a Tepco, que estava a enfrentar dificuldades em armazenar o material contaminado. Uma parte – com baixos níveis de radioactividade – chegou a ser despejada no mar.
Este novo passo, no entanto, está longe de representar o fim dos problemas de Fukushima, palco do pior acidente nuclear desde Tchernobil, em 1986. Além da água, será preciso armazenar e posteriormente tratar lamas radioactivas.
A resolução do problema da água deverá, porém, facilitar o trabalho no interior dos edifícios dos reactores, em zonas hoje de difícil acesso aos funcionários que combatem os efeitos do acidente.
Numa medida paralela, a Tepco está a iniciar a construção de enormes estruturas metálicas que irão envolver os edifícios dos reactores danificados, e sobre as quais será aplicada uma cobertura para reduzir a fuga de material radioactivo. Não será um “sarcófago” – tal como a estrutura de betão construída sobre Tchernobil – mas também envolverá por completo os reactores. O trabalho de montagem está a decorrer fora do perímetro da central, e as estruturas metálicas poderão começar a ser instaladas à volta dos reactores 3 e 4 no final de Junho, segundo um comunicado da Tepco.



