Cidades

CONVÊNIO MÉDICO

Alta de clientes idosos pode levar plano de saúde a se tornar artigo de luxo

Nos últimos anos, o número de jovens com planos caiu, enquanto o de idosos com mais de 80 anos teve aumento de 39,5%

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Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam que o número de jovens com planos de saúde caiu nos últimos anos no País, enquanto o de idosos, em especial os mais velhos, aumentou de forma expressiva no mesmo período. 

Ao longo da próxima semana, o jornal Correio do Estado publicará uma série de reportagens sobre o tema, com diversos aspectos que influenciam na saúde da população de Mato Grosso do Sul.

Segundo o sociólogo Paulo Cabral, se nada for feito quanto ao desequilíbrio de clientes, os custos podem aumentar a ponto de o plano de saúde passar a ser um artigo de luxo em um futuro bem próximo. 

“A gente observa uma redução da quantidade de usuários nos planos de saúde e vários fatores levam a essa situação”, pontuou.

De acordo com Paulo Cabral, o Sistema Único de Saúde (SUS) representa a possibilidade de o cidadão ser atendido pelo Estado. 

“Todos os brasileiros, todas as pessoas que moram no Brasil têm direito ao atendimento pelo SUS, portanto, há uma garantia de as pessoas serem atendidas”, argumentou.

Ele recorda que existe uma situação a respeito do SUS porque, especialmente nos últimos quatro anos, durante o governo do ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL), a qualidade foi largamente perdida. 

“Entretanto, apesar do governo negacionista, houve uma grande atuação do SUS no que diz respeito à Covid-19”, ressaltou.

A despeito disso, completa o sociólogo, outros segmetos da área de saúde sofreram perdas, principalmente a vacinação. 

“A queda da imunização da população brasileira é um caso clássico. Tínhamos uma cobertura de 95% e, após o governo Bolsonaro, caiu 65%”, alertou.

Então, prossegue Paulo Cabral, há uma clara situação de comprometimento do SUS, tanto que a ministra da Saúde, Nísia Trindade Lima, vem atuando no sentido de reorganizar o sistema. 

“O que é possível porque as pessoas estão preocupadas e elas sempre estiveram comprometidas com a causa da vacinação”, projetou.

De acordo com ele, diante disso tudo, atualmente o País tem um quadro de queda do número de jovens clientes de planos de saúde privados e o aumento da quantidade de idosos.

“Isso é um fator quase que óbvio, que é a falta de dinheiro em razão da crise econômica, impedindo que as pessoas consigam pagar pelos planos de saúde. Não podemos nos esquecer de que as operadoras aumentam os valores dos planos e o salário das pessoas nem sempre acompanha, fazendo com que o que antes era essencial se torne um artigo de luxo no futuro”, alertou.

O sociólogo acredita que, com a probabilidade de melhora das condições econômicas, o quadro pode mudar, porém, no cenário atual, os jovens não se interessam por gastar com planos de saúde.

“Os jovens não se interessam porque a probabilidade de adoecer é muito baixa, tanto que o custo das mensalidades dos planos de saúde para os mais novos é muito menor em razão da falta do risco de doenças graves, então, eles sentem-se seguros, agradecem às operadoras dos planos de saúde e pulam fora”, ressaltou.

ANS

Por isso, conforme o levantamento da ANS, a perspectiva dos usuários de planos de saúde é sombria, já que o perfil da população está mudando, com o número de idosos crescendo vertiginosamente e os planos querendo cobrar cada vez mais caro deles.

Para a maioria da população, os planos de saúde são como uma poupança, ou seja, os clientes gastam menos quando jovens para gastar mais quando idosos, entretanto, as operadoras de planos de saúde não previram isso e, agora, tentam aplicar aumentos descabidos para compensar.

O fenômeno apontado pela ANS amplia o desafio de equilibrar as contas do setor para operadoras de saúde e usuários, escancarando a urgência de alterações no modelo de prestação de serviço, que deve ter foco maior no acompanhamento de doenças crônicas e prevenção de complicações.

Se nada for feito, os custos podem aumentar a ponto de o plano de saúde passar a ser proibitivo, afinal, historicamente, o maior volume de jovens entre os clientes ajuda a compensar o aumento de custos que acontece durante o envelhecimento, período da vida em que os beneficiários utilizam mais os planos.

No Brasil, o envelhecimento populacional acontece de forma mais acelerada do que em outros países que passaram pelo processo, o que explica o aumento de clientes idosos. Por outro lado, as crises econômicas de 2015 e dos anos de pandemia reduziram o número de empregos formais e, consequentemente, de beneficiários mais jovens.

Isso porque 83% dos cerca de 50 milhões de brasileiros que têm convênio médico são clientes de planos empresariais. No levantamento da ANS, o número de beneficiários na faixa etária dos 20 aos 39 anos caiu 7,6% entre 2013 e 2023, enquanto o de maiores de 60 anos saltou 32,6% no período, índice muito superior à alta de 5,3% no total de clientes de convênios médicos.

A faixa etária com a maior queda foi a dos 25 aos 29 anos, com redução de 18,1% nos últimos dez anos. Já na outra ponta, o grupo de idosos de 70 a 74 anos aumentou 41,9%. A segunda faixa etária com maior aumento foi a de clientes com 80 anos ou mais – alta de 39,5%.

Com isso, a proporção de idosos entre o total de clientes de convênios passou de 11,4% para 14,4% na última década.

COMBUSTÍVEL

Petrobras recebe parcela de R$ 448 milhões, referente à subvenção à gasolina

Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela empresa no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões

19/09/2026 21h00

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito

Gasolina em Campo Grande ultrapassa os R$ 7 no crédito Gerson Oliveira

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A Petrobras informou hoje que recebeu parcela do Programa de Subvenção Econômica à comercialização de gasolina. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), foram repassados à estatal R$ 448 milhões, referentes à comercialização de gasolina no período de 16 e 31 de julho.

"Com esse pagamento, o montante acumulado recebido pela Petrobras no âmbito dos programas de subvenção ao óleo diesel, gasolina e GLP alcança, até o momento, R$ 9,9 bilhões", diz a empresa.

Além disso, a estatal informou que seu Conselho de Administração, em reunião realizada a sexta-feira, aprovou a adesão à subvenção econômica de produtores e importadores de óleo diesel e suas correntes, instituída pela Medida Provisória nº 1.391, de 11 de setembro de 2026. Segundo a empresa, a adesão ocorre nos termos da regulamentação aplicável estabelecendo o valor unitário da subvenção em R$ 1,00 por litro de óleo diesel "A", de uso rodoviário, pelo prazo de 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período.

"A adesão à subvenção econômica de que trata a MP nº 1.391/2026 não afasta o direito ao recebimento das subvenções econômicas já devidas ao produtor ou ao importador, tampouco revoga a adesão da companhia à subvenção autorizada pela MP nº 1.363/2026, no valor de R$ 1,12 por litro de óleo diesel "A"", disse a Petrobras. "Dessa forma, os benefícios previstos em ambos os programas são cumulativos."

De acordo com a estatal, diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia. "A efetiva assinatura do termo de adesão ficará condicionada à publicação e à análise do regulamento previsto na MP nº 1.391/2026, necessário à operacionalização da subvenção econômica", informou.

Cabe destacar que a Petrobras mantém sua estratégia comercial, orientada pela participação de mercado, pela otimização de seus ativos de refino e pela busca de rentabilidade de forma sustentável, evitando o repasse imediato aos preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio, informou a estatal.

"A companhia segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, preservando a flexibilidade necessária para a execução de sua estratégia comercial e para a geração de valor de longo prazo", afirmou a Petrobras.

ENCONTRO

Oposição cobra afastamento de Gonet após foto com Vorcaro em Londres

O advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro

19/09/2026 18h00

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro

Encontro de Paulo Gonet, procurador-geral da República, com o banqueiro Daniel Vorcaro Divulgação: Polícia Federal

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Lideranças da oposição cobraram neste sábado, 19, o afastamento do cargo do procurador-geral da República, Paulo Gonet, após a divulgação de uma foto em que ele aparece ao lado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em uma degustação de charutos em Londres.

O registro foi enviado no dia 19 de junho de 2025. "PG mandou agora", disse o advogado Ciro Soares, que intermediava as conversas entre Gonet e o banqueiro, em mensagem logo em seguida A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Ao O Globo, a assessoria de Gonet confirmou o encontro, mas lembrou que o ministro André Medonça, do Supremo Tribunal Federal, atestou durante sessão da Corte que não encontrou ilícito envolvendo o procurador-geral. Na sessão da terça-feira, 15, Mendonça fez menção a encontros sociais apenas vinculados ao nome de Gonet.

Em nota via assessoria de imprensa, o advogado Ciro Soares disse que a foto é de um evento de 2024, quando não havia nenhuma investigação sobre Vorcaro. "Não há qualquer irregularidade na foto", afirma.

Candidato do Novo ao Senado pelo Rio Grande do Sul, o deputado federal Marcel van Hattem acusa Gonet de ter mentido na sessão do Supremo Tribunal Federal realizada na última terça-feira, 15. Na ocasião, a corte analisou uma petição que trata da possibilidade de que seja aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

"(A foto) Mostra mais uma vez que eles acham que estão acima de qualquer crítica, inclusive mentindo deslavadamente na sessão do Supremo Tribunal Federal", disse Van Hattem. "Se não tinha proximidade, talvez seja só porque ele apareceu na foto do outro lado da mesa, o que obviamente é um escárnio, uma ironia. Ele precisa ser investigado também e sair da procuradoria-geral da República", afirmou.

Na sessão, Gonet afirmou que não teve proximidade com o dono do Banco Master e disse que esteve com o empresário em ocasião com outras autoridades no mês de abril de 2024.

O senador Carlos Viana (PSD-MG), candidato à reeleição, também acusou Gonet de ter mentido. "Disse que não tinha proximidade, que Vorcaro era desconhecido, que o encontro foi breve, banal, no meio de muita gente", escreveu em uma rede social. "Há 17 dias eu protocolizei no STF o pedido de afastamento de Paulo Gonet do caso Master. Ele continua no cargo e o Senado continua em silêncio", continuou.

Ex-secretário da Pesca no governo de Jair Bolsonaro (PL), o senador Jorge Seif (PL-SC) defendeu que o procurador-geral da República renuncie ao cargo. "O PGR de Lula, Gonet, também está enrolado com Master/Vorcaro. Mentiroso. Por isso na última semana protocolei o impeachment desse sujeito", disse, em postagem em uma rede social. "Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau", concluiu.

Para o deputado federal Zucco (PL-RS), candidato ao governo do Rio Grande do Sul, a foto "reforça a percepção de que, no Brasil, dinheiro e influência abrem portas que permanecem fechadas ao cidadão comum".

"Enquanto milhões de brasileiros esperam anos por uma decisão judicial, personagens poderosos circulam com desenvoltura entre ministros, magistrados e as autoridades que deveriam fiscalizá-los", disse.

Líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ) argumentou que quem ocupa cargos públicos precisa respeitar distanciamento. "As relações são institucionais", disse. Para ele, o procurador-geral escolheu "se aproximar de investigados e dos clientes". "Como disse em sua sabatina no Senado: 'Gonet, você fracassou'", escreveu.

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