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Alto custo foi motivo que levou Estado a deixar de fazer transplantes de coração

Desde março deste ano, os hospitais de MS não têm autorização para realizar esse tipo de procedimento cirúrgico

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A complexa cirurgia de transplante de coração pode não estar mais sendo realizada em Mato Grosso do Sul por conta do alto custo operacional para os hospitais.

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com membro da equipe de transplantistas da Santa Casa de Campo Grande, que tinha a autorização para realizar as cirurgias. Conforme a pessoa, que preferiu não se identificar, foram vários motivos que levaram à desabilitação do programa de transplante cardíaco, mas o principal era o valor do procedimento.

A tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) muitas vezes não contemplava todos os custos elevados das fases pré e pós-transplante, em razão do tempo que o paciente precisava ficar internado.

Um paciente que precisa de transplante fica internado por longos períodos, de dias até meses, porque pode depender de medicamentos aplicados na veia ou até de aparelhos de suporte ventricular. 

Além do período internado esperando uma doação de coração, quando consegue o transplante, o paciente fica semanas em leito de UTI, com necessidade de hemodiálise, exames complementares e procedimentos mais invasivos para evitar a rejeição do órgão implantado.

De acordo com o membro da equipe de transplantistas, o Estado ainda segue com médicos com competência para fazer transplantes cardíacos em Campo Grande, mas, por conta da desativação deste serviço em Mato Grosso do Sul, o investimento para se ter o de volta retornou à estaca zero.

Para quem é morador de Mato Grosso do Sul e necessita do transplante, é necessário ser encaminhado para tratamento fora de domicílio (TFD), o qual é custeado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), para que a cirurgia seja feita em hospitais de outros estados. 

“Nem sempre é possível conseguir vaga em hospitais de fora do Estado, a perda do paciente em fila é muito sofrida pela família e por todos os envolvidos. Espero que nossos gestores em saúde possam pensar na possibilidade de retomar nosso serviço de transplante cardíaco em Mato Grosso do Sul”, disse o membro da equipe de transplantistas.

NOVO CORAÇÃO

Em busca de um novo coração, Elessandra Cruz dos Santos, de 48 anos, conseguiu em janeiro deste ano realizar seu transplante, depois de seis anos na fila.

Elessandra é cabeleireira e trabalhava em cozinha industrial, registrada como auxiliar de cozinha. O infarto que ela sofreu há seis anos ocasionou sequelas no coração, com a perda de 70% de sua função.

Dois anos depois, Elessandra foi considerada apta para transplante, porém, os exames pré-cirurgia detectaram que ela não poderia passar pelo processo.

“Foi constatado em exames que eu tinha uma insuficiência pulmonar muito alta, mas surgiu uma oportunidade de colocar um coração artificial e fiz a cirurgia no dia 6 de outubro de 2020, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo”, disse Elessandra.

No ano passado, Elessandra precisou ser internada na Santa Casa novamente, por conta de um problema no funcionamento do coração artificial.

Com oito meses internada no hospital, Elessandra foi transferida de UTI aérea para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde permaneceu para aguardar uma doação de coração e realizar o transplante.

A cirurgia foi realizada em São Paulo, por meio do SUS, na estrutura operacional do hospital, onde correria menos riscos na cirurgia por conta do coração artificial.

COMPLEXO 

A reportagem do Correio do Estado entrou em contato com a médica cardiologista Amanda Benfatti para entender como funciona o processo de constatação da necessidade do transplante do coração, os métodos de doação e o processo pós-operatório.

De acordo com a cardiologista, a insuficiência cardíaca é o primeiro sinal da necessidade de transplante, que tem como principais sintomas: falta de ar, fadiga/cansaço, tosse noturna, batedeira no peito, enjoo, ganho rápido de peso e aumento do inchaço nos pés, pernas pés e tornozelos.

“Na presença desses sintomas, o cardiologista deverá investigar o paciente com exames cardiológicos, em especial o ecocardiograma, exame que confirma a disfunção do coração. No casos de pacientes com disfunção grave, que não melhoram, indica-se o transplante cardíaco, devendo eles serem listados na Central de Transplantes, que é única no Brasil”, informou Amanda Benfatti. 

A médica também acrescentou que, além de critérios clínicos, existem outros quesitos que são avaliados para o paciente ser candidato ao transplante de coração.

Além da gravidade dos sintomas, inclui-se a necessidade de medicamentos para manter o coração bombeando e a pressão estável, a compatibilidade sanguínea, entre outros fatores.

De acordo com Amanda, os critérios estabelecidos para doadores de coração são: morte encefálica registrada; consentimento da família; idade menor que 50 anos; compatibilidade sanguínea entre doador e receptor; ausência de doença cardíaca prévia; peso compatível; e ausência de neoplasia maligna.

SEM AUTORIZAÇÃO

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Saúde informou que, atualmente, no MS, 414 pessoas aguardam por transplante de córneas, 160 por rim e 3 pacientes esperam por um transplante de coração em Mato Grosso do Sul. 

A SES confirmou que Mato Grosso do Sul não tem equipe e hospital autorizados para a realização do transplante de coração, então, os pacientes que estão na fila para esse tipo de transplante são encaminhados para outros estados que realizam o procedimento. 

Neste ano, Mato Grosso do Sul realizou apenas um transplante de coração, em março, no Hospital da Cassems, quando o local ainda era habilitado para realizar o procedimento.

A Santa Casa de Campo Grande, que também tinha autorização para realizar a cirurgia, registrou o último transplante de coração em 2021. 

A reportagem entrou em contato com o hospital para saber os motivos que teriam levado à desabilitação das cirurgias de transplante, mas o centro médico não respondeu até o fechamento desta edição.

A SES também informou que a lista para transplantes é única e vale tanto para os pacientes do SUS quanto para os da rede privada.

A lista de espera por um órgão funciona baseada em critérios técnicos, e os pacientes em estado crítico são atendidos com prioridade, em razão de suas condições clínicas. 

Mobilidade

Transporte público terá operação especial no aniversário de Campo Grande

Medida busca adequar a oferta de ônibus à movimentação do feriado

25/08/2026 18h15

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) preparou um plano operacional especial para o transporte público nesta quarta-feira (26), feriado em comemoração aos 127 anos de Campo Grande.

De acordo com o planejamento, as linhas do transporte coletivo irão operar conforme o Plano Funcional de Domingos e Feriados, medida que busca adequar a oferta de ônibus à movimentação esperada na Capital durante a programação especial. 

As linhas 080, 081, 515 e 522, no entanto, funcionarão com o Plano Operacional de Sábado. Já a linha 234 seguirá a programação rotineira. 

A prefeitura disponibilizará dois veículos na reserva com tripulação nos terminais Guaicurus, Morenão, Bandeirantes, Aero Rancho, Júlio de Castilho, General Osório, Nova Bahia e Hércules Maymone. A estrutura estará disponível das 5h às 19h para atender eventuais necessidades durante a operação.

Serão mantidos cinco veículos reserva, com tripulação, na Praça do Rádio Clube, das 11h às 13h, período de maior movimentação previsto no local.

O Consórcio Guaicurus deverá acompanhar a operação das linhas e, quando necessário ou mediante determinação da fiscalização da Agetran, realizar ajustes após os horários de pico. Os períodos considerados são das 5h30 às 8h30, das 10h30 às 13h30 e das 16h às 18h30. As adequações ficarão limitadas ao aumento da oferta de veículos para atender à demanda.

A Agetran também fará o acompanhamento da operação em tempo real, com possibilidade de ajustes ao longo do dia. A medida tem como objetivo garantir maior agilidade e eficiência no transporte coletivo durante o feriado e os eventos que integram a programação dos 127 anos de Campo Grande.

Erro Médico

Mulher trata HIV por oito anos sem ter o vírus em Campo Grande

TJMS manteve condenação da Prefeitura de Campo Grande ao pagamento de R$ 50 mil; documentos médicos indicaram que a paciente nunca foi portadora do vírus

25/08/2026 18h01

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV.

Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul manteve indenização de R$ 50 mil a mulher que passou oito anos em tratamento após falso diagnóstico de HIV. Foto: Divulgação TJMS.

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Uma mulher submetida durante aproximadamente oito anos a tratamento contínuo contra o HIV descobriu que jamais esteve infectada pelo vírus. O caso, iniciado com um diagnóstico positivo realizado em 2016 na rede pública de saúde de Campo Grande, terminou com a manutenção de uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.

A decisão foi proferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que rejeitou por unanimidade o recurso apresentado pelo município. O colegiado confirmou a sentença da 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros Públicos da Capital.

De acordo com o processo, a paciente recebeu o diagnóstico de HIV em 2016 e, desde então, passou a seguir o tratamento indicado pelos profissionais da rede municipal.

Durante os anos seguintes, fez uso contínuo de medicamentos antirretrovirais, acreditando ser portadora de uma infecção crônica e ainda cercada por forte estigma social.

A situação começou a ser esclarecida somente em 2024, quando um novo exame apresentou resultado não reagente.

A própria equipe de saúde passou a registrar a possibilidade de falso positivo no diagnóstico inicial. Posteriormente, um documento médico atestou que a mulher nunca havia sido infectada pelo HIV.

Oito anos convivendo com um diagnóstico equivocado

Ao analisar o caso, o Tribunal considerou que o dano não se limitou à informação incorreta recebida em 2016. Para os desembargadores, a falha também esteve na manutenção do diagnóstico e do tratamento durante cerca de oito anos, sem que a condição da paciente fosse devidamente confirmada.

Nesse período, a mulher permaneceu exposta a medicamentos considerados potencialmente tóxicos e às consequências emocionais de acreditar que possuía uma doença incurável.

O acórdão destacou ainda o impacto psicológico e social associado ao HIV, condição que, apesar dos avanços da medicina, continua sendo alvo de preconceito e desinformação.

No recurso, a Prefeitura de Campo Grande sustentou que não houve falha na prestação do serviço público.

O município argumentou que os exames poderiam apresentar limitações científicas e que a responsabilização dependeria da comprovação de culpa dos profissionais envolvidos. Também pediu, alternativamente, a redução do valor da indenização.

As alegações não foram acolhidas. Segundo o relator, desembargador Alexandre Raslan, o município não apresentou prova técnica capaz de demonstrar que o resultado não reagente, ou seja, negativo para a presença do HIV, obtido em 2024 seria compatível com uma infecção verdadeira diagnosticada oito anos antes.

Também não comprovou que o erro teria decorrido de uma limitação científica inevitável.

Ainda que o primeiro resultado positivo pudesse ser atribuído a uma eventual falha do método de testagem, o Tribunal entendeu que essa possibilidade não explicaria a continuidade do diagnóstico equivocado e da medicação por um período tão prolongado.

Responsabilidade do poder público

O julgamento reconheceu a responsabilidade objetiva do município porque o diagnóstico, a prescrição e o fornecimento dos medicamentos decorreram de ações praticadas por agentes públicos.

Nesses casos, conforme prevê a Constituição Federal, não é necessário demonstrar individualmente a culpa de cada profissional, desde que estejam comprovados o dano e a relação entre a atuação estatal e o prejuízo sofrido.

Para os magistrados, não houve culpa da paciente nem qualquer acontecimento externo capaz de afastar a responsabilidade da administração municipal. A mulher apenas seguiu as orientações médicas que recebeu e cumpriu durante anos o tratamento estabelecido pela própria rede pública.

O valor de R$ 50 mil foi mantido por ser considerado proporcional à gravidade do dano, ao sofrimento provocado e aos cerca de oito anos de tratamento desnecessário, além de cumprir a função pedagógica de evitar falhas semelhantes na rede pública de saúde.

A decisão foi publicada no Diário da Justiça de Mato Grosso do Sul desta terça-feira (25). Embora a condenação tenha sido mantida pelo TJMS, ainda podem ser apresentados recursos às instâncias superiores, dentro dos prazos previstos em lei.

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