Cidades

CAMPO GRANDE

Antigo 'Hotel Americano', Edifício José Abrão é tombado e população agradece

Prédio está localizado na rua 14 de Julho, n.°2.311, esquina com a Rua Marechal Cândido, sendo o primeiro "mais alto da Capital" no passado graças à inauguração de seus três andares

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Localizado no "coração da Cidade Morena", o chamado Edifício José Abrão, ponto popularmente conhecido como "Hotel Americano", foi finalmente tombado pelo Executivo da Capital através de decreto publicado na edição de hoje (16) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), o que já é visto com bons olhos pela população local, que agradece o ato de preservação.  

Conforme o decreto n. 16.575 que veio à público nesta segunda-feira (16) no Diogrande, que passa a valer a partir da data de publicação, o tombamento do Edifício José Abrão se dá pelo seu valor histórico e arquitetônico, colocando fim à um processo que chegou a ser provisório e se arrasta há mais de uma década.

Esse edifício fica em endereço localizado na rua 14 de Julho, n.°2.311, esquina com a Rua Marechal Cândido Mariano Rondon, com o tombamento do bem cultural garantindo a proibição de: "demolição, destruição, alteração, mutilação, transformação, reparação, ou restauração sem a devida autorização do Órgão Municipal de Cultura e prévio licenciamento da municipalidade. 

Ou seja, protegidas a cobertura e fachadas, bem como os demais componentes do edifício, o descumprimento deste decreto implicará na obrigação de reconstrução do demolido ou restauração das mutilações ocasionadas ao bem. "Sendo a obrigação custeada pelo proprietário do bem tombado, restando ainda instituída a pena de multa correspondente ao dobro do valor do dano, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis", complementa o segundo parágrafo do artigo 2 do decreto. 

Além da preservação do edifício em si, uma das ferramentas de proteção desse bem tombado é o estabelecimento de uma "área de entorno", que deverá obedecer a proteção estabelecida ao Hotel Americano, sendo proibido no entorno imediato ao bem tombado: 

  1. Fazer construção ou locar objetos que impeçam ou reduzam a visibilidade do bem tombado;
  2. Qualquer construção que exceda, em sua altura, a altura do bem tombado;
  3. A utilização, na pintura predial, de cores iguais, semelhantes ou que tomem para si o destaque garantido ao bem tombado;
  4. Colocar anúncios, publicidades, painéis ou cartazes. 

"Será permitida, no entorno do Edifício José Abrão, a fixação apenas de anúncios indicativos, que estiverem em conformidade com os padrões métricos e estéticos exigidos pela legislação municipal que regulamenta a poluição visual aplicáveis a bens protegidos. 

Quaisquer obras ou intervenções, inclusive paisagísticas, na área tombada por este Decreto, bem como na área de seu entorno, deverão ser precedidas de solicitação ou projeto encaminhado ao Protocolo Geral da Prefeitura Municipal de Campo Grande, devendo ser analisado pela SEMADES, mediante parecer da PLANURB e da Fundação Municipal de Cultura (FUNDAC), e Guia de Diretrizes de Restauro (GRE)", complementa o novo decreto.

História e população

Em estilo Art Decó, o chamado Edifício José Abrão foi projetado pelo arquiteto Frederico João Urlass, construído em 1939 pelas mãos de Manoel Rosa e pelo engenheiro Joaquim Teodoro de Faria, tendo como características frisos e linhas em sua fachada, uma platibanda escalonada e balcão curvo na esquina. 

Para os populares que têm Campo Grande como lar, e o centro da cidade como fonte de renda, o tombamento e preservação pode garantir um reflexo positivo para a região. É o que comenta, por exemplo, o taxista Valdecir Queiroz, de 60 anos, que cita inclusive o desejo há tempos de que tal atitude fosse tomada. 

"Já devia ter feito há muitos anos. Está todo abandonado, mas sem vandalismo, o que se enxerga é a ação do tempo. [O tombamento] melhorar para todo mundo, pelo menos visualmente... na área central, é um prédio antigo e bonito", comenta ele. 

Histórico, o edifício ganha admiração até de quem não tem Campo Grande como sua terra natal, mas que encontrou na Cidade Morena um abrigo tal qual o antigo "Hotel Americano" já forneceu para uma série de populares em um passado local. 

"Eu vim de Miranda, cheguei há dois anos e eu gosto daqui. É uma preservação que é boa, porque a região também ainda precisa melhorar", comenta Agnes Reis, de 38 anos, que trabalha em um quiosque logo na calçada em frente ao hotel, na rua Cândido Mariano. 

O Edifício José Abrão, vale lembrar, chegou a passar por um processo de tombamento temporário, oficializado pelo município de Campo Grande ainda em 26 de abril de 2012 após quase um ano, movimento de tentativa de preservação esse que se arrastou com o passar do tempo por meio de ações civis públicas, do Ministério Público, e outras iniciativas por parte dos demais poderes. 

"Eu acho que pode refletir de forma positiva [o tombamento], porque isso aí é um patrimônio antigo, então é bom porque muita coisa foi vivida aí, muitas pessoas lá no passado tiveram uma história, então acho muito legal preservar", completa Agnes. 

Através de um provimento parcial dos pedidos em ação civil pública do Ministério Público do Mato Grosso do Sul, uma década após o tombamento provisório, em novembro de 2022, o MPMS conseguiu a proteção do primeiro edifício de três andares de Campo Grande. 

Como bem destacou o Ministério à época, embora protegido provisoriamente, o antigo Hotel Americano sofreu diversas reformas indevidas, todas sem prévia autorização do órgão responsável. 

Adailton Rosa Alves, de 55 anos, é vendedor de frutas na esquina da 14 com a Marechal Rondon há tempos, vindo de Fátima do Sul para Campo Grande ainda em 1997 para formar a família com sua esposa, e diz que essa melhoria se faz necessária. 

"Esse prédio aí está meio esquisito. Tem que ter reforma, uma restauração para ficar bonito, já que ficou tão boa a 14 de julho... se as coisas estiverem feias, com o aluguel caro e as lojas fechando, o pessoal não aguenta ficar. Restaurar pode atrair, que daí não vai fugir das características", afirma. 

 

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Imigrantes

Cubanos superam venezuelanos em pedidos de refúgio no Brasil; veja números

O estudo leva em conta o período de 2010 a 2025 e foi divulgado nesta segunda-feira (22)

22/06/2026 19h00

FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Os cubanos lideraram os pedidos de refúgio no Brasil em 2025, superando os venezuelanos, que estiveram no topo do ranking nos últimos anos. O País recebeu 75.599 pedidos desse tipo de acolhimento feito por cidadãos de outras nacionalidades, atrás apenas de 2018 e 2019.

Destes, 41.919 (55,4%) vieram de Cuba, crescimento de 88,1% em relação ao ano anterior. Já 21.233 (28,1%) venezuelanos pediram refúgio - no ano anterior tinham sido 27.140.

Impulsionadas pelos cubanos, as solicitações de refúgio aumentaram 10,9% em 2025, em comparação com o ano anterior.

Os dados são do relatório Refúgio em Número 2026, produzido pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O estudo leva em conta o período de 2010 a 2025 e foi divulgado nesta segunda-feira, 22, em evento alusivo ao Dia Mundial do Refugiado, que transcorreu no sábado, 20.

Conforme o MJSP, o refúgio é concedido para a pessoa que foi forçada a sair do país por fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social, opiniões políticas, ou por causa de grave e generalizada violação de direitos humanos. Enquanto tramita um processo de refúgio, pedidos de expulsão ou extradição ficam suspensos.

O refúgio tem diretrizes globais definidas e possui regulação pelo organismo internacional Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

No Brasil, a matéria é regulada pela Lei nº 9.474, de 22 de julho de 1997, que criou o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), e pela Convenção das Nações Unidas sobre o Estatuto dos Refugiados, de 28 de julho de 1951.

O país receptor é obrigado a proteger contra a devolução ao país onde corre risco, além de dar acesso ao trabalho, educação, saúde, liberdade religiosa e à documentação legal.

Nacionalidades que mais pediram refúgio no Brasil em 2025

  • Cuba: 41.919 (55,4%)
  • Venezuela: 21.233 (28,1%)
  • Colômbia: 1.432 (1,9%)
  • Angola: 1.253 (1,7%)

Em um período mais amplo, de 2010 a 2025, um total de 551.072 imigrantes de 177 nacionalidades pediram refúgio ao Brasil. Por Estado, o maior volume de solicitações foi para Roraima (32%), São Paulo (26,5%) e Amapá (12,6%).

O estudo aponta que o maior volume de solicitações de refúgio no ano de 2025 tem relação com a retomada de fluxos em direção ao Brasil já verificados anteriormente para os anos de 2022 (50 355), 2023 (58.628) e 2024 (68.159), após um período de maiores restrições à mobilidade humana internacional em decorrência das ações impostas em virtude da pandemia de covid-19.

O aumento das solicitações de refúgio por cubanos também pode estar relacionado ao momento político e social vivido por Cuba. O país caribenho está com a economia debilitada e em um momento tenso na relação com os Estados Unidos.

Na semana passada, no entanto, o Parlamento de Cuba aprovou um pacote de reformas na economia. A reforma aproxima Cuba de uma economia de mercado e reduz o controle do governo. Quando entrar em vigor, o pacote vai abrir a economia para investimentos privados e estrangeiros nos setores de turismo, agricultura, imobiliário, bancário e cambial. Bancos estrangeiros poderão se instalar em Cuba.

Região Norte recebe mais

No ano passado, 52,4% das solicitações de refúgio decididas pelo Conare foram registradas nos Estados da região Norte. Os solicitantes para essa região tinham como origem, principalmente, Venezuela (13.125), Cuba (11.490) e Colômbia (524).

Roraima também foi a unidade da federação que concentrou o maior volume de solicitações de reconhecimento da condição de refugiado decididas pelo Conare, com 16.166 (32% do total), seguida por Amapá, com 6.372 (12,6%), e Amazonas, com 2.445 (4,8%).

A maioria dos pedidos atendidos pelo Conare (94,7%) foi por violação generalizada de direitos humanos. O maior grupo nessa categoria é o dos venezuelanos.

Mais homens solicitaram refúgio do que mulheres (55,9% contra 44%), e a maioria está na faixa etária dos 25 aos 40 anos (26 911 solicitantes).

Entre os cubanos, diferentemente, a maioria dos que pedem refúgio tem mais de 60 anos (67,8%).

Os trâmites são mais fáceis para países em que o Brasil reconhece que há grave e generalizada violação de direitos humanos, como nos casos de Venezuela, Síria e Afeganistão.

Diferente do refúgio, no caso do asilo, as garantias são dadas apenas após a concessão do benefício. Antes disso, a pessoa que estiver em território nacional estará em situação de ilegalidade

O asilo pode ser diplomático - quando o requerente está em país estrangeiro e pede asilo à embaixada brasileira - ou territorial - quando o requerente está em território nacional. Se concedido, o requerente estará ao abrigo do Estado brasileiro, com as garantias devidas.

flagrante

Médica veterinária é presa por suspeita de atear fogo no marido em Campo Grande

Durante discussão, ela jogou álcool e ateou fogo no homem, que teve 80% do corpo queimado e está internado, em coma e estado grave

22/06/2026 18h31

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol

Caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento (Depac) Cepol FOTO: Arquivo

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Uma médica veterinária, de 42 anos, foi presa por suspeita de atear fogo no marido, um servidor público federal de 41 anos, nesta segunda-feira (22), em Campo Grande. Ele está em coma e o estado de saúde é considerado grave.

De acordo com informações do boletim de ocorrência, o homem deu entrada no Hospital Proncor com queimaduras em praticamente 80% do corpo.

No momento em que chegou ao hospital, ele estava consciente e informou a equipe de atendimento que sua esposa teria ateado fogo nele.

Pouco depois, a veterinária chegou ao local pedindo para vê-lo, mas não foi autorizada por funcionários da unidade, que a informaram que não estava em horário de visita. Temendo que a mulher retornasse, eles acionaram a Polícia Militar (PM).

Quando os policias chegaram ao local, foram informados pelo médico responsável pelo atendimento que a vítima apresentava queimaduras extensas e estado saúde grave. Ainda segundo o médico, em razão da gravidade das lesões, o diretor administrativo se encontra internado, em coma e sob cuidados intensivos.

Os policiais apuraram junto ao médico, com base em informações repassadas pela vítima antes de entrar em coma, que o casal teria iniciado uma discussão e a esposa teria atirado álcool 70% nele, ateando fogo em seguida. Não há informações sobre o motivo da discussão inicial.

A mulher ainda estava no local e foi presa em flagrante e encaminhada à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Cepol).

O caso foi registrado como lesão corporal dolosa e será investigado pela Polícia Civil.

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