Cidades

Violência contra a mulher

Após 12 feminicídios em cinco meses em MS, Lula assina medidas de proteção às mulheres

Em todo o Brasil, no primeiro trimestre de 2026, foram 399 ocorrências de assassinato de mulheres

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Com o início de ano mais letal para as mulheres no Brasil desde o início da série histórica do País, o presidente Luíz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira (20) um conjunto de Projetos de Lei e decretos que visam aumentar a proteção das mulheres através do fortalecimento de medidas de responsabilização de agressores e o reforço na segurança digital. 

Desde o mês de janeiro de 2026, já foram 399 mulheres mortas no País, sendo 14 em Mato Grosso do Sul, de acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). 

Entre as medidas, foram assinados projetos de lei que criam o Cadastro Nacional de Agressores, que institui bancos de dados nacionais com informações estaduais e federais sobre condenados por crimes de violência contra a mulher; o afastamento imediato do agressor do convívio com as vítima, além de endurecer medidas contra afressores que continuam ameaçando a segurança de mulheres após o período de prisão e a redução de burocracias para a aceleração da efetivação de medidas protetivas. 

Também foram assinados dois projetos voltados à proteção das mulheres no ambiente virtual. Um deles, amplia a proteção de mulheres na internet através do detalhamento dos deveres das plataforma diante de crimes de violência contra as mulheres online. Outro, atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet à luz da Constituição Federal sobre a responsabilidade das plataformas. 

"As medidas reforçam o princípio de que direitos garantidos pela Constituição e pelas leis brasileiras também precisam valer na internet. O objetivo é assegurar maior proteção para mulheres, consumidores e famílias brasileiras diante do crescimento de fraudes, golpes, violência digital e circulação de conteúdos criminoso", afirmou o Governo Federal. 

Deveres das plataformas

Para proteger as mulheres, o decreto de proteção no ambiente virtual prevê que as plataformas devem atuar para reprimir os crimes, fraudes e violências, reduzindo danos causados às vítimas, especialmente em situações de exposição de nudez não consentida, mesmo com imagens criadas por Inteligência Artificial, assédio, perseguição e ameaças. 

O decreto determina que as plataformas virtuais mantenham um canal específico, permanente e de fácil acesso para a realização de denúncias de conteúdos íntimos divulgados sem consentimento, além da retirada do material em um período de até duas horas após a notificação. 

Também deverá estar informado, de forma clara e acessível, o serviço Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher. 

Marco Civil

O texto do Marco Civil da Internet reforçam que as empresas digitais que operam no Brasil precisam cumprir a legislação brasileira e atuar de forma "proativa e proporcional para impedir a circulação massiva de conteúdos criminosos". 

Esse decreto obriga que as plataformas deverão agir preventivamente para impedir a circulação de conteúdos relacionados a crimes de terrorismo, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas, incentivo à automutilalção e violência contra mulheres. 

As plataformas que impulsionarem conteúdos criminosos poderão ser responsabilizadas por falha na adoção de medidas para previnir as fraudes, golpes e crimes. 

Além disso, as plataformas deverão guardar os dados dos responsáveis pelas publicações de anúncios que poderão ser solicitados pelas autoridades a fim de facilitar investigações e ampliar a identificação e responsabilização de criminosos. 

Cadastro Nacional de Agressores

O PL 1.099/2024, de autoria da deputada federal Silvye Alves (União/GO), institui um banco de dados nacional com informações estaduais e federais a respeito de condenados por crimes de violência contra a mulher. 

Neste cadasrto, estarão informações sobre condenados por feminicídio, estupro, estupro de vulnerável, violação sexual, importunação sexual, assédio sexual, registro não autorizado de intimidade sexual em foto ou vídeo, lesão corporal contra mulheres, perseguição e violência psicológica contra a mulher. 

A medida vai facilitar a localização de criminosos foragidos, reduzindo risco de novos crimes em outros locais, evitando que agressores permaneçam impunes ao mudar de estado. 

Em MS, o Governo Estadual sancionou a lei que cria o Cadastro Estadual de Pessoas Condenadas por Crimes Sexuais. A medida foi publicada nesta quarta-feira (20) no Diário Oficial do Estado e prevê a divulgação de informações de pessoas condenadas com decisão transitada em julgado por crimes previstos no Título VI do Código Penal, que trata dos crimes contra a dignidade sexual.

A proposta é de autoria do deputado estadual Coronel David e estabelece que o cadastro será disponibilizado no site da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Conforme a Lei nº 6.586, o banco de dados deverá reunir informações como nome completo, foto frontal, características físicas, idade e histórico criminal dos condenados. O texto determina ainda que a população terá acesso apenas à identificação e à imagem das pessoas cadastradas.

Apesar de já ter sido publicada, a lei passará a valer somente em 20 de junho, prazo de 30 dias após a publicação oficial.

Feminicídios em MS

primeiro feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista. A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que em seguida tirou a própria vida.

Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.

Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho da vítima, de 22 anos.

No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi, que procurou a polícia e confessou o feminicídio.

No início da manhã do dia 7 de março, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, foi encontrada morta em casa, na Rua Professora Cleusa Batista. O principal suspeito é o marido da vítima, Edson Campos Delgado, que acabou preso.

Inicialmente, Edson disse às autoridades que havia encontrado a esposa sem vida e levantou a hipótese de suicídio. No entanto, durante as investigações, confessou ter asfixiado a mulher.

Também no dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.

Ela foi atacada com golpes de marreta no dia 3 de março. Após o crime, foi socorrida e transferida para o Hospital da Vida, em Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

Em 8 de março, Ereni Benites, de 44 anos, foi o sétimo feminicídio. Morta carbonizada no dia internacional da mulher pelo ex-companheiro.

Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos, foi o 8º caso de feminicídio do Estado, e interrompeu 15 dias sem registros do crime. Ela foi encontrada morta em Selvíria, interior do Estado, a menos de 400 quilômetros de Campo Grande. 

Maurício da Silva, sobrinho da vítima, confessou que matou a tia após uma discussão com vários golpes aplicados com instrumentos contundentes na cabeça da vítima, entre quais foram usados uma panela e uma maquita. 

Antes de Vera Lucia, a morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, encontrada morta na sala de casa, ainda fardada, com marca de tiro no pescoço, morta pelo namorado, Gilberto Jarson, de 50 anos, aparece como o nono feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste 2026. 

O 12º caso neste ano em Mato Grosso do Sul foi na tarde do dia 30 de abril, quando Vicente Asuncion Vidal Gonzalez, de 41 anos, foi preso em flagrante por ser suspeito de matar a esposa, Zelita Rodrigues de Souza, de 48 anos, na região do Porto Isabel, zona rural de Mundo Novo.

No local, os policiais constataram que a vítima estava sobre uma cama e apresentava sinais evidentes de violência, incluindo lesões na região da nuca e cabelos arrancados, circunstâncias incompatíveis com morte natural.

De acordo com a Sejusp, no mês de maio foram registrados mais dois feminicídios no Estado, totalizando 14 ocorrências em 2026. 

Clima extremo

Vendaval em Campo Grande deixa prejuízo de R$ 40 milhões; União reconhece emergência

Após articulação de Adriane Lopes (PP) em Brasília, com ajuda do deputado Vander Loubet (PT), governo federal reconhecerá situação de emergência na Capital para acelerar recuperação dos estragos

15/09/2026 16h11

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José Guimarães

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José Guimarães Divulgação

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O reconhecimento da situação de emergência em Campo Grande, decretada pela prefeita Adriane Lopes (PP) no fim de semana por causa do vendaval acompanhado de forte chuva ocorrido na capital na noite de quinta-feira (10), será publicado nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial da União, disse a chefe do Executivo municipal ao Correio do Estado

Adriane Lopes foi a Brasília pedir celeridade na apreciação do pedido e foi prontamente atendida pelo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. A reunião foi intermediada pelo deputado federal e candidato ao Senado, Vander Loubet (PT).

Também participaram do encontro os vereadores da capital Beto Avelar (PP), líder da gestão municipal na Câmara, e o deputado Landmark Rios (PT).

“Nosso pedido foi prontamente atendido. Conseguimos o reconhecimento de emergência e vamos trabalhar com a recuperação dos estragos causados pelo temporal”, afirmou a prefeita.

“Tivemos muitos estragos: 37 escolas destelhadas, dezenas de famílias desabrigadas, a UPA do Bairro Universitário e a Esplanada Ferroviária também foram destelhadas”, enumera Adriane Lopes.

Segundo ela, agora haverá um trabalho conjunto da Defesa Civil Nacional com o órgão homólogo do município. “Assim conseguiremos dar uma resposta mais rápida e conseguir ajuda humanitária”, explica.

Na prática, o reconhecimento do Decreto de Emergência possibilita que o município faça contratação emergencial de serviços e obras relacionadas ao evento que motivou o decreto, no caso, o vendaval de quinta-feira (10), com ventos de quase 90 km/h que deixaram um rastro de destruição pela cidade.

O decreto também facilita o acesso do município a recursos federais destinados exclusivamente ao fim de mitigar os danos do vendaval.

Os efeitos do vendaval foram sentidos pela população de Campo Grande durante todo o fim de semana. Na manhã de segunda-feira, 36 horas após o temporal, havia moradores sem energia elétrica, por exemplo.
 

Adriane Lopes esteve em Brasília e articulou reconhecimento da situação de emergência com o deputado Vander Loubet (esq) e com o ministro das Relações Institucionais José GuimarãesEscreva a legenda aqui

Saneamento

MS chega a 80% de cobertura de esgoto e pode antecipar meta nacional

36 dos 68 municípios atendidos pela Sanesul já alcançaram a universalização

15/09/2026 16h00

Reprodução/Sanesul

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Mato Grosso do Sul chegou a 80,36% de cobertura de esgotamento sanitário nos 68 municípios atendidos pela Sanesul e avança para atingir antes de 2033 a meta prevista no Novo Marco Legal do Saneamento. Atualmente, 36 dessas cidades já são consideradas universalizadas, enquanto outras registram cobertura próxima de 100%.

A legislação nacional estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso à coleta e ao tratamento de esgoto. Em Mato Grosso do Sul, a expansão da rede ocorre por meio dos investimentos da Sanesul e da parceria com a Ambiental MS Pantanal, responsável pela operação da concessão em parte do sistema.

O abastecimento de água tratada já alcança 100% da população nos 68 municípios atendidos pela Sanesul, segundo os dados apresentados pela empresa.

Entre as cidades que chegaram a 99% de cobertura estão Bataguassu, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Santa Rita do Pardo, Selvíria, Três Lagoas, Alcinópolis, Caracol, Japorã, Laguna Carapã, Paranhos, Ponta Porã, Anaurilândia, Jateí, Inocência e Paranaíba.

Outros municípios também se aproximam da universalização. Aral Moreira tem 98,92% de cobertura; Bonito, 98,76%; Batayporã, 97,92%; Antônio João, 97,52%; Itaquiraí, 97,46%; Dois Irmãos do Buriti, 97,16%; Chapadão do Sul, 96,86%; Angélica, 96,52%; Tacuru, 96,21%; Figueirão, 95,12%; e Ivinhema, 94,88%.

Um dos maiores avanços ocorreu em Itaquiraí, onde a cobertura de esgoto passou de zero para 97,46%. O sistema recebeu R$ 59,2 milhões em investimentos específicos para o esgotamento sanitário. Considerando também obras de infraestrutura e melhorias no abastecimento de água, o volume aplicado no município chega a R$ 66 milhões.

A nova Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) foi projetada para atender ao crescimento da cidade e conta com estrutura para controle de odores e tratamento dos resíduos gerados no processo.

O diretor-presidente da Sanesul, Renato Marcílio, afirma que a expansão ocorre de forma gradual nos municípios atendidos pela empresa. “Estamos avançando município por município, com investimentos que permitem ampliar a cobertura e antecipar uma meta que o Brasil estabeleceu para 2033. O compromisso da Sanesul é transformar esses investimentos em qualidade de vida para a população”, disse.

Levantamento 

Além da ampliação da infraestrutura, os investimentos em saneamento têm impacto econômico. Estudo do Instituto Trata Brasil (ITB), em parceria com a Ex Ante Consultoria, estima que Mato Grosso do Sul poderá acumular R$ 25,9 bilhões em benefícios líquidos até 2040 com a expansão dos serviços.

O cálculo considera efeitos em diferentes áreas, como saúde, produtividade, turismo e valorização imobiliária. Entre 2025 e 2040, a projeção aponta R$ 14,8 bilhões em ganhos de produtividade, R$ 2,25 bilhões relacionados ao turismo e R$ 1,7 bilhão em valorização imobiliária. Na saúde, a estimativa é de R$ 258,8 milhões em economia no período.

Segundo o ITB, cada R$ 1 investido em saneamento no Estado pode resultar em R$ 5,90 em ganhos sociais.

A presidente-executiva do instituto, Luana Pretto, afirma que a expansão da rede já produziu efeitos econômicos relevantes. Segundo ela, a evolução do saneamento em Mato Grosso do Sul gerou quase R$ 20 bilhões em ganhos nas últimas décadas.

Média nacional

O avanço de Mato Grosso do Sul ocorre em um cenário em que cerca de 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto, segundo dados do Instituto Trata Brasil apresentados no material.

Entre 2000 e 2022, mais de 1 milhão de pessoas passaram a ter acesso à coleta de esgoto no Estado. No mesmo período, cerca de 870 mil foram incorporadas ao atendimento com água tratada.

A ampliação da rede também reduz a quantidade de esgoto lançado sem tratamento nos corpos hídricos, com reflexos ambientais para rios e áreas como o Pantanal.

 

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