Cidades

INSPIRAÇÃO

Após 52 anos, doador se despede e transforma gesto em legado familiar

Última doação, feita pela própria filha, simboliza trajetória marcada por solidariedade

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Aos 69 anos, Domingos Paulo Sosti encerrou, nesta semana um ciclo raro de dedicação ao próximo. Foram 52 anos doando sangue de forma contínua, um compromisso iniciado ainda na juventude e que agora ganha um significado ainda mais profundo: o de legado.

A última doação aconteceu no Hemosul Coordenador, em Campo Grande, e foi cercada de simbolismo. Quem realizou a coleta foi a própria filha, Vanessa dos Santos, técnica em enfermagem da unidade. Mais do que um procedimento, o momento se tornou uma despedida carregada de afeto e reconhecimento.

Prestes a completar 70 anos, idade limite para doação no Brasil, Domingos recebeu um certificado inédito em homenagem à sua trajetória. O documento marca não apenas o fim de uma jornada, mas o reconhecimento por décadas de solidariedade silenciosa.

“Eu acho muito gratificante doar sangue, porque estamos ajudando o próximo. Já são 52 anos de doação. Se eu pudesse, doaria mais ainda, mas existe o limite de idade, que vai até os 70 anos”, afirmou.

Um gesto repetido por uma vida inteira

A história de Domingos com a doação de sangue começou aos 18 anos, em São Paulo, e seguiu firme ao longo das décadas. Entre tantas lembranças, uma em especial permanece viva: a vez em que ajudou a salvar a filha de um amigo.

“Ela precisava com urgência. Isso me tocou muito, porque penso que ajudei aquela criança a ter uma vida inteira pela frente”.

Mais do que números ou frequência, o que define essa trajetória é a constância e a forma como um gesto simples se tornou parte da identidade dele.

Exemplo que começa em casa

Se a rotina de doações moldou a vida de Domingos, também influenciou diretamente o caminho da filha. Vanessa cresceu vendo o pai voltar das doações com orgulho e, ainda criança, já sabia que queria seguir o mesmo exemplo.

“Desde muito pequena, eu via ele chegando da doação, com orgulho. E eu sempre falava: ‘Quando eu crescer, quero ser doadora de sangue igual ao meu pai’”.

O medo de agulha, no entanto, atrasou um pouco esse plano. Mas não impediu. Hoje, ela também é doadora e carrega cerca de cinco anos de doações no histórico.

A escolha pela enfermagem também não veio por acaso. Com mais de duas décadas de profissão e quase 13 anos como servidora da Secretaria de Estado de Saúde, Vanessa passou a atuar no Hemosul há poucos meses e encontrou ali um novo significado para a própria história.

“Hoje eu vivo isso de perto. É muito mais do que um trabalho”, afirmou.

A homenagem ao pai teve um peso especial justamente por esse encontro entre vida pessoal e profissão. Para Vanessa, participar da última doação foi uma forma de retribuir, ainda que simbolicamente, tudo o que aprendeu dentro de casa.

“Ele está prestes a completar 70 anos, mas tem um espírito jovem. É o tipo de pessoa que, se você ligar de madrugada pedindo ajuda, ele vai. Ele se doa para os outros, isso faz parte da essência dele”.

O exemplo também alcançou os irmãos: uma das filhas já é doadora e o incentivo segue dentro da família.

Fim de um ciclo, começo de outro

O que seria apenas um registro institucional acabou se transformando em um momento íntimo e marcante. A despedida de Domingos não tem o peso da interrupção, mas o significado da continuidade.

“Fecha um ciclo, mas começa outro. Ele encerrou essa fase com saúde, não por doença, mas porque chegou o tempo. Como diz a Bíblia, há tempo para todas as coisas”.

Mesmo sem poder doar, o impacto de décadas de solidariedade permanece vivo, agora multiplicado nas atitudes de quem cresceu ao redor dele.

Antes de sair da cadeira de doador pela última vez, Domingos deixou um recado simples, mas direto: é preciso vencer o medo.

“Não dói. E é um gesto de amor. A gente pode salvar vidas”, afirmou.

Em tempos de estoques instáveis nos hemocentros, histórias como a dele ajudam a lembrar que, por trás de cada bolsa de sangue, existe algo maior: a disposição de se colocar no lugar do outro, repetidas vezes, por uma vida inteira.

Como doar sangue

Para doar sangue, é necessário:

  • Estar em boas condições de saúde
  • Ter entre 16 e 69 anos (menores com acompanhamento do responsável e primeira doação até 60 anos)
  • Pesar no mínimo 51 kg
  • Estar alimentado (evitar alimentos gordurosos nas horas anteriores)
  • Apresentar documento oficial com foto
  • Respeitar o intervalo entre doações (homens: 60 dias – mulheres: 90 dias)
  • Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas
  • Estar bem hidratado (hidratar-se antes e depois da doação)
  • Aguardar prazos específicos em caso de vacinas, cirurgias ou procedimentos

Antes da doação, todos os candidatos passam por triagem clínica para garantir a segurança do doador e de quem vai receber o sangue.
 

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FAZENDA 5 ESTRELAS

Milho substitui girassol em fazenda que virou 'ponto turístico' em MS

Fazenda Cinco Estrelas, famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, plantou milho no lugar de girassol para 'despistar' a erva daninha

21/06/2026 19h00

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026 Gerson Oliveira

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Milho tomou o lugar do girassol, neste ano, na Fazenda Cinco Estrelas, localizada no Indubrasil, próximo a BR-060/BR-262, perto de Campo Grande/Terenos.

Famosa pelo campo de girassóis que bombou nas redes sociais, a fazenda suspendeu a plantação de girassóis em 2026, para plantar milho.

De acordo com o gerente da fazenda, Carlos de Lima Rosa, a substituição se deu por conta do aparecimento de erva daninhas, planta invasora que nasce em locais indesejados.

“Esse ano aqui tem girassol e não milho por conta da erva daninha. Nós não estávamos conseguindo controlar o caruru, então, com os herbicidas que nós passamos no milho, nós não podemos passar no girassol, então por isso o milho. Girassol esse ano só na Fazenda Guariroba, que é outra fazenda do seu Stefanello”, disse o capataz ao Correio do Estado.

O local se tornou um ‘ponto turístico temporário’ nos meses de agosto e setembro, por vários anos, onde centenas de pessoas visitavam a plantação diariamente para fazer ensaios fotográficos de casamento, gestação, noivado, 15 anos ou simplesmente atualizar o perfil das redes sociais.

Confira a paisagem da fazenda (antes e depois) em 2025 e 2026:

2025

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de girassol na Fazenda Cinco Estrelas, em 2025. Foto: Marcelo Victor/arquivo

2026

Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026Plantação de milho na Fazenda Cinco Estrelas, em 2026. Foto: Gerson Oliveira

O campo de girassóis estará de volta, na Fazenda Cinco Estrelas, em 2027.

MILHO

O milho (Zea mays) é um cereal (grão) que produz espigas cheias de grãos amarelos. É uma das principais culturas agrícolas de Mato Grosso do Sul.

Os principais municípios produtores são Maracaju, Dourados, Ponta Porã, Sidrolândia e Itaporã, que concentram grande parte da produção de grãos do Estado.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento apontam que 12,49 milhões de toneladas de milho foram produzidas, na safra 2024/25, no Estado. Em grãos, a produção chegou a 27,79 milhões de toneladas.

O preço da saca de milho (60 kg) gira em torno de R$ 48 a R$ 52 em Mato Grosso do Sul. A área total do Estado é de 6,6 milhões de hectares.

GIRASSOL

O girassol é uma planta da família Asteraceae e do gênero Heliantheae. É nativo da América do Norte. É uma planta anual, que nasce, cresce, floresce uma vez por ano e morre logo em seguida.

De acordo com o biólogo Pedro Isaac, a planta tem cerca de dois metros de altura e o recorde, já registrado no mundo, é de nove metros. Mas, em épocas de seca, pode não alcançar nem um metro.

É rico em reserva energética e estrutural, como açúcares, proteínas e ácidos graxos, sendo estes a matéria prima do óleo.

É cultivado com matéria orgânica. "Não é das plantas mais exigentes quanto à adubação, podendo usar estrume, fertilizantes químicos e chorume de composteira, mas é bom sempre lembrar de diluir estes dois últimos e nunca usar fertilizantes demais, pois podem causar queimaduras químicas ou até intoxicar a planta", detalhou Pedro Isaac.

De acordo com o biólogo, o óleo é retirado da semente do girassol para consumo humano. “No entanto, como o maior produto consumido é o óleo, naturalmente pode causar alguns problemas, contribuindo para a obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras”.

As sementes também são utilizadas como alimento para animais, especialmente aves de estimação como periquitos e canários.

O preço da saca de girassol (60 kg) gira em torno de R$ 65 a R$ 80 em Mato Grosso do Sul.

AÇÃO

Empreiteiro compra prostíbulo em leilão e aciona Justiça para tomar posse de imóvel

Proprietário de construtora com contratos estaduais arrematou bem por R$ 750 mil após inadimplência de cooperativa; ocupante alega contrato verbal e resiste à desocupação

21/06/2026 18h00

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda.

Casa da Barbie, em Inocência, comprada pelo empreiteiro Bruno Trindade, da Avance Construtora Ltda. Foto: Arquivo

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Bruno Cesar de Souza Trindade, sócio-administrador da Avance Construtora Ltda., ajuizou ação de imissão na posse contra o ocupante de um imóvel em Inocência (MS) onde funciona um estabelecimento denominado "Casa da Barbie". O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) determinou a desocupação do local em 30 dias, decisão confirmada por unanimidade pela 3ª Câmara Cível em 31 de março de 2026.

O imóvel pertencia à Cooperativa Agroindustrial e Pecuária de Inocência (Coapi). Em 2019, a cooperativa deu o bem em alienação fiduciária ao Sicredi Celeiro Centro Oeste como garantia de financiamento de R$ 200 mil. Com a inadimplência, o banco consolidou a propriedade em seu nome e conduziu leilão extrajudicial.

Em 28 de outubro de 2025, Trindade arrematou o imóvel em 2ª praça por R$ 750.488,56, pagos à vista, conforme carta de arrematação. O empreiteiro tem diversos contratos com o governo do Estado na região, inclusive sendo proprietário de uma usina nas proximidades do terreno onde está a "Casa da Barbie". Entre 2025 e 2026, a Avance teve R$ 141.662.386,41, entre pagamentos e empenhos da Agesul.

Casa das meninas

O imóvel é ocupado por Maicon Martins Brandão, comerciante residente em Inocência, que instalou no local o estabelecimento "Casa da Barbie", descrito pela defesa de Trindade nos autos como "prostíbulo sem qualquer regularização junto ao poder público". Fotos juntadas ao processo mostram construção pintada de rosa com a identificação do nome.

Brandão alega ter locado o bem verbalmente da antiga proprietária, a Coapi. Segundo o processo, o próprio Maicon assinou, em 2 de dezembro de 2025, a notificação extrajudicial enviada pelo advogado de Trindade. Não houve desocupação voluntária.

Com a recusa extrajudicial, Bruno Trindade ajuizou ação de imissão na posse na Vara Única da Comarca de Inocência. O juiz Edimilson Barbosa Ávila indeferiu o pedido de liminar, entendendo que a desocupação imediata poderia causar "prejuízos irreparáveis à atividade econômica exercida pelo demandado", considerando o risco de dano ao réu como contrapeso ao direito do autor.

Inocência passa por um boom imobiliário e comercial por conta da instalação da Arauco no município, com muito fluxo de pessoas, principalmente homens solteiros.

Recurso

Em 27 de janeiro de 2026, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa deferiu tutela antecipada recursal ao empreiteiro e fixou prazo de 30 dias para desocupação, sob pena de despejo.

Brandão apresentou contrarrazões em março de 2026, informando ter realizado R$ 200 mil em benfeitorias no imóvel,construção de cômodos, reforma de dormitórios e banheiros e instalação de piscina, em propriedade que, segundo a defesa, era "um prédio abandonado de uma cooperativa de produtores de leite". Requereu prazo de 60 dias para concluir obras em outro local para onde transferiria o negócio.

O tribunal negou a ampliação do prazo. No acórdão de 31 de março de 2026, a 3ª Câmara Cível, por unanimidade, deu provimento ao recurso de Trindade.

O relator, Des. Odemilson Roberto Castro Fassa, decidiu que "a alegação de benfeitorias não tem o condão de afastar o direito possessório do proprietário".

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