Cidades

CAMPO GRANDE

Empresa vence licitação de R$ 3,5 milhões do Aquário do Pantanal

Primeira tentativa fracassou após concorrentes não apresentarem documentação exigida

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A empresa Aluminum Comunicação Visual venceu licitação do governo de Mato Grosso do Sul para conclusão do revestimento de alumínio composto dos forros internos (do auditório e da biblioteca) e das monocapas do Centro de Estudos e Pesquisas da Ictiofauna do Pantanal, o Aquário do Pantanal, por R$ 3,5 milhões. O aviso de resultado foi publicado na edição desta quinta-feira (26) do Diário Oficial Eletrônico (DOE).

Esta era a segunda tentativa do Estado para contratar uma empresa para este serviço. Como noticiou o Correio do Estado, em setembro de 2019, o governo abriu o certame, mas as duas concorrentes foram inabilitadas pela Comissão de Licitação por ausência de cumprimento de exigências previstas no edital, como a falta de documentação. Elas tiveram prazo para se adequarem, mas não apresentaram a documentação necessária e o processo foi então considerado deserto.

No mês de dezembro, outra concorrência foi aberta, e entraram na disputa três empresas: Alubond Indústria e Comércio, Aluminum Comunicação Visual e Salver Construtora. Porém, após a entrega das documentações, no dia 20 de janeiro deste ano, a empresa Alubond recorreu da decisão de habilitação das outras empresas participantes (Aluminum e Salver).  

Por conta disso, foi aberto prazo de cinco dias para que ambas recorram contra o recurso, o que aconteceu, e agora a pasta analisa os pedidos das empresas. Agora, a Aluminum acabou vencendo a licitação de R$ 4,4 milhões, oferecendo R$ 3,5 milhões.

HISTÓRICO

Iniciada em 2011, a obra estava parada desde 2014 e sofreu com o desgaste em decorrência do tempo e do abandono e foi retomada em agosto de 2019. Orçada inicialmente em R$ 84.749.754,23, a obra inacabada já consumiu mais de R$ 240 milhões do cofre do governo do Estado.

Em um novo levantamento, realizado no ano passado, foi apontado que seriam necessários R$ 40 milhões para recuperar o que foi danificado com o tempo e concluir a construção.  

“Sobre investimentos anteriores, a atual gestão do Governo do Estado não se pronuncia e se restringe a falar apenas dos valores de retomada de obra”, diz nota da Agesul divulgada em fevereiro.

Instalado no Parque das Nações Indígenas o centro de pesquisa contará com 32 tanques (24 internos e oito externos) da ictiofauna pantaneira (peixes e répteis), mais de 5,4 milhões de litros de água e um sistema de suporte à vida com condições reais do habitat.

O objetivo é fazer do espaço um centro de referência em pesquisas e, para isso, o empreendimento também terá um museu interativo, biblioteca, auditório com capacidade para 250 pessoas, sala de exposição e laboratórios de pesquisa para estudantes, cientistas e pesquisadores.

EXECUÇÃO

Atiradores matam dois jovens durante a tarde em Ponta Porã

Câmera de segurança registrou o momento que um carro para do lado do veículo das vítimas e, na sequência, um dos passageiros abre fogo contra os homens

25/06/2026 08h15

Execução aconteceu na Rua Dr. Hélio Brandão, no bairro Jardim Universitário, em Ponta Porã

Execução aconteceu na Rua Dr. Hélio Brandão, no bairro Jardim Universitário, em Ponta Porã Reprodução

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Dois homens foram mortos, na tarde desta quarta-feira (25), em Ponta Porã. As vítimas foram identificadas como Bruno de Lima Almeida, de 24 anos, e Fagner Junior Companhini, de 17 anos. Imagens de câmera de segurança mostram o momento que eles são atingidos por disparos, dentro do carro, na Rua Dr. Hélio Brandão, no bairro Jardim Universitário.

As gravações mostram as vítimas entrando no carro e, logo após, um outro veículo com os autores do crime se aproxima. Em seguida, um dos passageiros atira contra os jovens, efetuando diversos disparos. Após a ação criminosa, os suspeitos fugiram rapidamente.

Bruno de Lima Almeida morreu ainda no local. Fagner Junior Companhini chegou a ser socorrido e encaminhado para um hospital do município, porém não resistiu aos ferimentos e faleceu. 

A Polícia Civil de Ponta Porã instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do crime, identificar os autores e esclarecer a motivação da execução.

Ação Civil

Negligência da Santa Casa pode ter causado morte de paciente

Jussara Delmondes, de 49 anos, contraiu infecção que resultou em seu óbito após haste intramedular colocada no fêmur não ser retirada no tempo correto

25/06/2026 08h00

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos

Jussara Marisa tinha paralisia cerebral e morreu aos 49 anos Foto: Arquivo Pessoal

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Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após a Santa Casa de Campo Grande não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente.

Nascida com paralisia cerebral, Jussara nunca andou ou falou durante sua vida. Por ser uma pessoa acamada e com uma certa idade, seus ossos foram ficando cada vez mais frágeis e atrofiados, dependendo sempre de ajuda externa para realizar ações do cotidiano.

No final de 2024, Jussara quebrou o fêmur após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após análise da situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma “tala interna”, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

No primeiro retorno ao médico depois da cirurgia, a mãe e a sobrinha de Jussara solicitaram que a haste fosse retirada, mas o médico explicou que os ossos ainda não tinham colado e calcificado, e por isso não retiraria a estrutura naquele primeiro momento.

Além disso, o médico recomendou que a família esperasse mais 30 dias para que, no próximo retorno, fosse mais viável a retirada do instrumento.

Neste primeiro retorno, Kamila Delmondes, a sobrinha da paciente, já havia informado que, em razão da haste ser exposta, estava com medo de acontecer uma infecção.

Porém, o médico a tranquilizou sobre a situação e ensinou como limpar e higienizar a área – o que era seguido à risca pelos parentes todos os dias.

O próximo retorno estava marcado inicialmente para ocorrer em março, mas não aconteceu por conta da greve da Santa Casa.

Mesmo que não falasse, Kamila percebeu que Jussara estava com aparência de dor, o que ela desconfiou ser por causa da haste.

Diante disso, a levaram ao atendimento 24 horas do hospital, onde os enfermeiros realizaram a mesma limpeza já feita todos os dias no local da cirurgia e liberaram a paciente, sob a justificativa de que “não tinham o que fazer”.

Depois de alguns dias, a mãe percebeu um corpo estranho no céu da boca de Jussara, do qual as profissionais da Unidade Básica de Saúde (UBS) recomendaram que fosse retirado no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap).

Lá, além da retirada do corpo estranho, os familiares de Jussara tentaram dar um “jeitinho” para que um médico ortopedista conseguisse avaliar a região da cirurgia na perna, já que fazia muito tempo desde o último retorno na Santa Casa.

Contudo, o médico se recusou a fazer a avaliação justamente por Jussara ser paciente da Santa Casa, e não do Humap.

Depois de seguidas tentativas, o retorno à Santa Casa foi marcado para abril. Chegando ao hospital, outra surpresa: não havia médico disponível para atendê-la. A mesma situação ocorreu seis meses depois, no dia 7 de outubro.

No mesmo dia, para não perder tempo, Kamila e Jussara foram ao Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, onde foram atendidas por um médico.

Ao explicar toda a situação para o profissional, ele ligou no Centro Especializado Municipal (CEM) para saber se o local poderia receber Jussara e finalmente retirar as hastes. Mas, por se tratar de fratura exposta, o caso da paciente fugia da alçada da unidade, estendendo mais ainda a novela.

Com uma nova tentativa frustrada, o médico do CRS aconselhou Kamila a procurar a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, o que foi feito no mesmo dia, 7 de outubro.

Ao ser atendida, a responsável pelo caso de Jussara na Defensoria explicou que a Santa Casa deveria ter direcionado os pacientes para outro hospital por conta da paralisação. Ao fim, ela foi colocada em uma fila de espera na Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para tentar vaga em outra unidade.

Porém, 16 dias depois, na manhã de 23 de outubro, a mãe de Jussara foi acordá-la, mas ela não reagia e estava gelada. Horas depois, a morte foi constatada, cerca de 10 meses depois da fratura.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

“Eu não culpo o médico por não ter atendido ela. Mas, sim, o Estado por não ter repassado [dinheiro] para Santa Casa para que os médicos pudessem trabalhar e culpo a Santa Casa por não ter remanejado ela para outro hospital. Primeiro porque ela era uma paciente que não andava e não falava, e eles estavam cientes que ela estava com essa haste para fora. O médico sabia que aquilo poderia ter uma infecção, mas ele falou que não, que isso não aconteceria”, explica Kamila.

Hoje, Kamila e a família de Jussara estão juntando os documentos e procurando advogados para entrar com um pedido de ação indenizatória contra a Santa Casa, pela negligência do hospital com a situação da paciente.

Kamila conta que não vai desistir, especialmente pela sua avó, mãe de Jussara, que está em tratamento contra um câncer e quer que esta história seja divulgada para que não aconteça o mesmo com futuros pacientes. 

AÇÃO

O caso de Jussara foi um dos encontrados pela Defensoria Pública ao aprofundar investigação nos gargalos da Santa Casa. Além de Jussara, outros casos parecidos também foram observados, o que chamou a atenção do órgão.

De acordo com a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), muitos pacientes observados estavam com mais de um ano sem retirar implantes ortopédicos, que deveriam ser extraídos dentro de três a quatro meses.

“Nós estávamos recebendo e judicializando pacientes com dois anos, dois anos e meio sem retirar e sem a perspectiva de realizar a retirada. Eles precisavam judicializar, entrar com ação para retirar um pino ou uma gaiola ortopédica e, enquanto isso, ele não pode trabalhar, não há cicatrização adequada e pode sofrer infecções”, afirma.

Diante disso, a Defensoria ingressou com uma ação civil pública no Poder Judiciário contra a Santa Casa, solicitando informações e respostas do porque esses pacientes estão ficando tanto tempo com os implantes ortopédicos, visto que a retirada deles está prevista no contrato assinado entre paciente e hospital antes da cirurgia.

Para que as partes (Estado, Município, Santa Casa e Defensoria Pública) cheguem em um acordo, o Poder Judiciário marcou uma audiência para hoje.

RESPOSTA

Em nota enviada à reportagem, a Santa Casa se posicionou apenas sobre a primeira ação, reportada pelo Correio do Estado ontem, que colocou as filas invisíveis do hospital na mira.

“Importante destacar que a redução do número de salas simultaneamente abertas em determinados períodos não significa redução da capacidade de atendimento às urgências e emergências”, diz na nota sobre o fato de a defensora ter encontrado salas de cirurgia fechadas.

Sobre o caso de Jussara e a demora para retirada de implantes ortopédicos de seus pacientes, a instituição ainda não se posicionou, mesmo com o contato da reportagem.

Já a Sesau também foi contatada e afirmou que acompanha “permanentemente a situação da rede hospitalar de Campo Grande e reconhece os desafios históricos relacionados à demanda por procedimentos de média e alta complexidade, especialmente nas áreas ortopédica e cardiológica”.

“Após a vistoria realizada conjuntamente com a Defensoria Pública, Ministério Público e equipes técnicas da Sesau na Santa Casa, a Secretaria notificou formalmente a instituição para apresentação de esclarecimentos e de um plano de ação corretivo diante de problemas identificados”, diz a nota da secretaria.

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