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Clima

Após meses de estiagem e calor intenso, chuva traz alívio para o Estado

Precipitações aliviam os problemas decorrentes da estiagem, que a população foi obrigada a conviver, como falta de água, má qualidade do ar e calor intenso

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Após um longo período de  estiagem, queimadas no Pantanal e alertas de perigo à saúde por causa das altas temperaturas – que chegaram a ultrapassar os 40ºC em vários municípios –, finalmente, Mato Grosso do Sul começa a sentir o clima mais ameno da primavera.  

Em Campo Grande, por exemplo, choveu 50.6 mm, apenas nas últimas 12 horas  de ontem, um alívio para o tempo seco que acompanhou a região nos últimos meses. “Nossa fase chuvosa começou de forma efetiva. É a fase de início das chuvas e a finalização desse período de queimadas e incêndios florestais”, explica Franciane Rodrigues, coordenadora do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima em Mato Grosso do Sul. Vale ressaltar que a última chuva significativa ocorreu entre os dias 16 e 22 de agosto deste ano. Desde então, as chuvas foram isoladas e insuficientes para o término da condição de tempo seco.

A previsão indica que até o dia 22 de outubro ocorram chuvas de 50 mm em todo o Estado, com possível aumento para 100 mm, de 23 a 30 de outubro.  

altas temperaturas

As temperaturas também devem seguir o mesmo caminho. A previsão do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) para hoje em Campo Grande é de mínima de 21°C e máxima de 30°C. Em Corumbá, as temperaturas também caem, com mínima de 21°C e máxima de 39°C.  

A umidade do ar também melhorou nas últimas horas. Hoje, em Campo Grande, por exemplo, a umidade máxima pode chegar a 90%, enquanto a mínima não passa de 45%. A cidade chegou a receber alerta por umidade em 10%.  

abastecimento

A chuva também teve um impacto no abastecimento da cidade. Segundo a concessionária Águas Guariroba, o clima seco e quente, aliado ao aumento de 22% no consumo em 22%, resultou em situações atípicas para o período. Conforme noticiado pelo Correio do Estado, a concessionária precisou retirar água do Balneário Atlântico para garantir o abastecimento da cidade.  

Segundo nota da concessionária, “as recentes chuvas em Campo Grande contribuíram para minimizar os impactos do alto consumo de água provocado pelo período atípico de estiagem”. Ainda segundo a Águas Guariroba, “as ações de abastecimento e  a operação dos reservatórios seguem normalmente na cidade”.  

De acordo com o advogado Rogério Novais Dantas, proprietário na região do Balneário Atlântico, “a operação parou desde o último dia 3 de outubro, quando saiu a reportagem”, afirma, se referindo a publicação no Correio do Estado.  

Energia

O recorde no consumo de água também apareceu na energia elétrica.  No dia 7 de outubro, a Energisa registrou um recorde na demanda, com carga atingindo 1.188 megawatts.

Com a chuva que caiu ontem, que atingiu vários municípios do Estado, a Energia informou, por  meio de nota, que houve uma  redução de 32% na demanda. Segundo nota, “se compararmos a carga de 1188 MV com o consumo prévio registrado hoje, 808 megawatts, identificamos uma redução de 380 megawatts”. O valor da redução já é significativo, segundo a Energisa, porque daria para abastecer o fornecimento de uma cidade como Campo Grande.

Precipitações chegam ao Pantanal

Na última quinta-feira (15), os bombeiros e brigadistas desempenhados no combate às queimadas registraram um momento de alívio com a chuva na região pantaneira.

A última vez que algo parecido aconteceu foi em meados de agosto, há quase dois meses. O analista ambiental do Ibama Prevfogo, Alexandre Pereira, lembrou que mesmo em pouca quantidade, a água ajuda no controle dos incêndios. “Temos melhora e a previsão é de mais chuva, o que anima a todos. Como já estávamos com boa parte dos incêndios controlados, a chuva que chegar agora será para extinguir todos os focos.”, completou.

Com os acontecimentos climáticos que se arrastam desde o primeiro semestre do ano, MS passou a ocupar o 5° lugar no ranking nacional de estados com maior número de focos de calor, enquanto Corumbá lidera na categoria municípios.

O CEMTEC informou que a chuva ocorreu em Corumbá e nas regiões que abrangem o Passo do Lontra e Fazenda Bodoquena. Já na Serra do Amolar, a quantidade não foi muito expressiva.

A previsão é de que o tempo permaneça nublado e as condições de precipitação melhorem nos próximos dias.

PREVISÃO DO TEMPO

Semana deve ser de temperaturas amenas e chuva só volta no mês que vem

Mesmo com o Estado em alerta para chuvas intensas até o final de amanhã (25), não são esperados volumes significativos durante a semana

24/05/2026 17h00

Sol deve aparecer acompanhado de nuvens durante toda a semana

Sol deve aparecer acompanhado de nuvens durante toda a semana FOTO: Paulo Ribas/Correio do Estado

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A última semana do mês de maio deve ser marcada pelo aumento gradual das temperaturas em todo o Estado. Após a passagem de uma grande frente fria que derrubou as temperaturas para valores próximos a zero graus, a próxima semana deve ser marcada por máximas que podem chegar a 30ºC. 

Após um domingo nublado e com temperaturas amenas, a segunda-feira (25) também segue a tendência, com céu nublado e temperaturas relativamente altas, com máximas variando entre 27ºC e 28ºC, valores que se mantém durante toda a semana. 

Em Campo Grande, a previsão não espera chuvas, mas não descarta as possibilidades de pancadas esporádicas. Na região sul do Estado, as máximas não sobem muito, ficando entre 23ºC e 25ºC e as mínimas chegam a 16ºC. 

Nas regiões Pantanal e Sudoeste, também são esperadas pancadas rápidas de chuva entre segunda-feira (25) e terça-feira (26), com valores de 0.4 milímetros diários. As chuvas não abaixam as temperaturas, que variam de mínimas de 19ºC a máximas de 31ºC. 

Chuvas

Mesmo sem uma previsão de chuva nos próximos dias, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou todo o Estado em alerta de perigo potencial para chuvas intensas até o final desta segunda-feira (25). 

O alerta aponta riscos de volumes de chuva de até 30 milímetros diários e rajadas de vento de até 40 km/h. 

Porém, segundo o Climatempo, a próxima grande chuva no Estado só deve chegar no dia 05 de junho, onde são esperados volumes de até 28 milímetros diários. 

Em Corumbá, deve chover a partir da quinta-feira (4), com 14,1 milímetros e na sexta-feira (5), são esperados 28,3 milímetros. 

Em Ponta Porã, chove menos, com 7,4 milímetros no dia 04 e 6,8 milímetros no dia 05 de junho. 

Em Campo Grande, são esperadas chuvas fortes nesse período, com volume de 27,7 milímetros. 

As chuvas epseradas para Três Lagoas e região são de 21,1 milímetros no dia 05 de junho e de 16,3 milímetros no dia 06 de junho. Em Coxim, deve chover o equivalente a 18,9 milímetros no dia 05. 

Nesse período, deve ocorrer uma leve queda nas temperaturas, com as máximas variando entre 23ºC e 26ºC em todo o Estado.

tia eva

Justiça Federal livra comunidade quilombola de pagar IPTU em Campo Grande

Imunidade tributária da comunidade Tia Eva foi reconhecida como forma de evitar a migração forçada das famílias e a desconfiguração do quilombo

24/05/2026 16h31

Justiça garante isenção de IPTU a Comunidade Tia Eva

Justiça garante isenção de IPTU a Comunidade Tia Eva Foto: Divulgação/Ricardo Gomes

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A 1ª Vara Federal de Campo Grande reconheceu, em caráter liminar, a imunidade tributária da Comunidade Quilombola Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, livrando os moradores do quilombo da cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).  

Ação civil pública foi impetrada pela Defensoria Pública da União (DPU), contra a União Federal e o Município de Campoo Grande, pleiteando o reconhecimento da imunidade tributária da comunidade Tia Eva quanto a cobrança e IPTU, declarando, por consequência, a inexigilidade dos débitos passados e futuros referentes ao tributo.

Também foi requerida pela DPU a condenação solidária dos réus ao pagamento de indenização por danos morais coletivos, no valor mínimo de R$ 1 milhão, em função da expressiva demora em titular o território da comunidade, o que, segundo a Defensoria, permitiu a cobrança abusiva do IPTU e favoreceu a dispersão dos moradores do quilombo.

Ainda segundo a Defensoria Pública da União (DPU), a Comunidade Quilombola Eva Maria de Jesus é composta por mais de 200 famílias, que vivem no local desde 1905 e preservam a identidade étnica e cultural dos remanescentes de quilombos, com reconhecimento do governo estadual.

O processo de regularização fundiária do território teve início em 2007 e ficou parado por seis anos.

Durante o período, o IPTU continuou sendo cobrado, o que gerou dívidas tributárias e, segundo a ação, forçou a comunidade a vender lotes por falta de condições financeiras para pagar o imposto.

A DPU oficiou à Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento, requerendo a declaração administrativa da inexigibilidade de IPTU sobre os imóveis que compõem a Comunidade. Como resposta, recebeu a afirmação de que o imposto era exigível, por ausência de imunidade ou isenção previstas em lei.

Desta forma, houve o ajuizamento da ação contra o Município de Campo Grande e a União Federal. 

Citada, a União sustentou que inexiste fundamento constitucional e legal que a obrigue a conduzir e concluir o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), finalizando todo o processo de identificação, reconhecimento, delimitação, marcação e titulação das terras ocupadas e vindicadas pela Comunidade Quilombola, argumentando que a responsabiliade é do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Acrescentou que, ainda que fosse responsável, o processo de regularização é altamente complexo, impossibilitando que as demarcações sejam efetivadas de forma célere e que eventual interferência do Judiciário seria violação à separação de poderes.

O Município também apresentou contestação e argumentou que a comunidade de quilombos não preenche quaisquer dos requisitos para imunidade ou isenção do IPTU.

Sentença

Na sentença, o juiz Rodrigo Vaslin Diniz reconheceu a legitimidade passiva da União, considerando que o pedido tem como fundo a titulação do território quilombola.

O procedimento demanda atuação conjunta de órgãos da Administração Direta e Indireta e exige que o ente federal edite norma declarando o interesse social sobre o imóvel a ser desapropriado, diz a decisão.

foi declarada a inexistência da relação jurídico-tributária entre o Município de Campo Grande e qualquer titular de propriedade situada dentro da comunidade, além de desconstituir os débitos de IPTU já existentes e impedir futuras cobranças do imposto. 

O magistrado observou ainda que a Comunidade Tia Eva desfruta de reconhecimento administrativo como comunidade quilombola pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Ele destacou também que o direito das comunidades quilombolas às terras que tradicionalmente ocupam é garantido pelo artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), que prevê aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras o reconhecimento a propriedade definitiva, devendo Estado emitir-lhes os respectivos títulos.

As comunidades também têm proteção constitucional descrita nos artigos 215 e 216 da Carta Magna.

"A interpretação sistemática desses dispositivos permite inferir que, para além de se atribuir aos remanescentes dos quilombos a propriedade das terras que ocupavam, declarou-se que tais imóveis constituem patrimônio cultural brasileiro exatamente por serem portadores de referência à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, sendo essa a razão pela qual ficaram 'tombados todos os sítios detentores de reminiscências dos antigos quilombos'", diz o juiz.

A decisão levou em consideração que, para os quilombolas, a propriedade da terra possui um significado distinto daquele atribuído pela cultura ocidental hegemônica.

O magistrado afirma que não se trata apenas de moradia, mas do elo que mantém a união do grupo e permite sua continuidade no tempo ao longo de gerações, possibilitando a preservação da cultura e do modo de vida desses povos. 

“Para que tal preservação seja efetiva, deve haver a imunidade tributária em relação ao IPTU, a fim de evitar a migração forçada de grande parte das famílias e a desconfiguração do referido quilombo”, defendeu Diniz. 

No caso concreto, a Comunidade Tia Eva era originalmente uma propriedade rural, beneficiada pela isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Com o crescimento da cidade de Campo Grande, passou a ser classificada como área urbana.  

“É uma situação esdrúxula exigir da comunidade quilombola o IPTU, ao passo que, se a cidade não tivesse crescido tanto, a mesma comunidade, no mesmo local, não estaria pagando ITR”, ponderou o juiz.

Desta forma, foi concedida a tutela de urgência antecipada para declarar a inexistência de relação jurídico tributária entre o Município e qualquer titular de propriedade dentro da Comunidade Quilombola Tia Eva e proibir o ente municipal a prosseguir ou iniciar a cobrança de qualquer débito a título de IPTU.

Já o pedido de danos morais coletivos no valor mínimo de R$ 1 milhão foi indeferido pela Justiça Federal.

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