Cidades

DISPUTA

Após prisão em retomada de terra, indígenas de Dourados têm casas incendiadas

Os ataques aconteceram por civis após operação conduzida pela Tropa de Choque e pelo Batalhão da Polícia Militar

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Na madrugada desta segunda-feira (10), moradias de indígenas dos povos Guarani Kaiowá e Terena foram incendiadas no município de Dourados. Os ataques aconteceram por civis após operação conduzida pela Tropa de Choque e pelo Batalhão da Polícia Militar (BOPM), no mesmo dia, ocasião em que dez indígenas foram presos ao realizarem protesto contra construção de condomínio de luxo na região. 

As informações acerca do incêndio das moradias foram divulgadas pela Aty Guasu – Assembleia Geral do povo Kaiowá e Guarani. 

“Botaram fogos onde as crianças e mulheres indígenas estavam dormindo, massacre e genocídio em andamento no município de Dourados e no Mato Grosso do Sul”, informaram em postagem realizada no Instagram. Veja imagens do incêndio abaixo: 

A Aty Guasu destaca que as casas são dos mesmos dez indígenas presos na tarde de domingo (9). “Famílias, mulheres, crianças ocas/casas dos presos indígenas Guarani Kaiowá foram atacadas e incendiadas pelos pistoleiros da empresa”, escreveram.

A empresa citada é a empreiteira multimilionária Corpal Incorporadora, interessada em construir um condomínio de luxo na localidade.  

Com relação à atuação da PM durante o dia, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) afirma que a área aguarda a demarcação pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além disso, afirmam que a ação da PM foi realizada sem mandado judicial. 

Segundo o advogado Anderson Santos, a ação da PM realmente não tem respaldo legal. “Para cumprir ordem de despejo precisa de uma decisão de um Juiz Federal”, destacou. 

O advogado explica que os conflitos na região têm aumentado em razão do crescimento da cidade e em função do pequeno espaço destinado à reserva indígena. 

“A reserva Jaguapiru e Bororó foi criada muito próxima à cidade, agora os bairros estão chegando na aldeia, e os indígenas estão ficando cada vez confinados, pois a área da reserva é de 2400 hectares e tem mais de 18 mil indígenas”, explicou. 

Em tal cenário, os indígenas residem em uma área pequena em comparação à população e lutam pela retomada das terras nas proximidades do anel viário da região. 

A reportagem acionou a Polícia Militar para saber se teriam alguma informação ou esclarecimento a respeito do acontecido, mas não conseguimos resposta ou retorno até o fechamento deste material. Mesmo assim, o espaço continua aberto para um posicionamento. 

O Ministério Público Federal em Dourados confirmou estar ciente da questão das obras no terreno e afirma já ter solicitado informações via ofício para a construtora. Com relação às prisões e aos novos fatos, não divulgaram mais informações. 

Saiba mais 

Entre os presos estava o ex-candidato ao Governo do Estado, Magno Souza, que concorreu nas últimas eleições, em 2022. 

De acordo com o Cimi, também havia um idoso Kaiowá de 77 anos, liberado após intermediação da Defensoria Pública do Estado (DPE) do Mato Grosso do Sul. 

Os outros nove permanecem detidos, presos em flagrante pelos militares, acusados de associação criminosa, dano ao patrimônio privado e ameaça, além de lesão corporal e posse de arma. 

Ainda de acordo com o Cimi, em depoimento à Polícia Civil, os indígenas negaram as acusações, afirmando ter ocupado o terreno em protesto contra o início das obras do condomínio, enquanto a PM relata que um grupo de 20 pessoas “estariam [sic] adentrando propriedade privada” e, por isso, o Choque teria sido enviado.

Anteriormente 

Em março, outros três indígenas foram presos na região em conflito semelhante, em área disputada pelo ramo da soja. 

Em ambos os casos, uma propriedade privada se sobrepõe ao território reivindicado como tradicional pelos Guarani e Kaiowá.

Alerta de Tempestade

Campo Grande entra em alerta para tempestade e ventos fortes nesta terça

Aviso do Inmet começa às 23h desta terça-feira (25) e prevê chuva intensa, rajadas de vento e risco de alagamentos e descargas elétricas na Capital.

24/08/2026 18h09

Tempo fechado em Campo Grande em imagem de arquivo; Capital tem alerta para tempestade entre terça (25) e quarta-feira (26).

Tempo fechado em Campo Grande em imagem de arquivo; Capital tem alerta para tempestade entre terça (25) e quarta-feira (26). Foto: Arquivo Correio do Estado

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Depois de dias marcados pelo tempo seco, Campo Grande volta a ficar sob alerta para tempestades. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil emitiu nesta segunda-feira (24) um novo comunicado para a possibilidade de chuva forte e ventos intensos na Capital entre a noite de terça-feira (25) e quarta-feira (26).

O aviso amarelo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começa às 23h desta terça e permanece válido até as 22h59 de quarta-feira.

Durante o período, há possibilidade de chuva entre 20 e 30 milímetros por hora, podendo chegar a 50 milímetros ao longo de um único dia, além de ventos intensos.

Apesar de o nível amarelo representar perigo potencial, o alerta aponta risco de ocorrências como interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

A mudança ocorre depois de um período de calor e baixa umidade e está relacionada ao avanço de instabilidades sobre Mato Grosso do Sul.

Segundo previsão divulgada pelo Inmet nesta segunda-feira (24), a formação de uma área de baixa pressão, associada à passagem de um cavado, uma faixa alongada de baixa pressão atmosférica que favorece a formação de nuvens carregadas e aumenta a instabilidade, deve alterar as condições do tempo no Centro-Oeste.

O fenômeno cria um ambiente favorável à ocorrência de pancadas de chuva, rajadas de vento e trovoadas.

Instabilidade avança sobre MS

A mudança deve começar a ser percebida ao longo de terça-feira. O Inmet prevê que o sistema favoreça a formação de áreas de instabilidade principalmente sobre o centro-sul de Mato Grosso do Sul, com possibilidade de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas. As condições devem permanecer durante a quarta-feira.

Além da chuva, a combinação entre a queda da pressão atmosférica e a intensificação das correntes de vento em níveis mais altos da atmosfera cria condições para episódios de tempo severo.

O Inmet aponta possibilidade de tempestades e eventual ocorrência de granizo nas áreas atingidas pelo sistema entre terça e quarta-feira.

A previsão representa uma mudança significativa em relação ao cenário registrado nos últimos dias no Centro-Oeste, quando o calor e a baixa umidade predominaram.

A tendência, porém, é que a instabilidade seja passageira: a partir de sexta-feira (28), o Inmet prevê o retorno do tempo seco e estável à região, condição que deve permanecer até o fim da semana. 

Temperaturas

Em Campo Grande, a terça-feira (25) terá temperatura mínima de 18°C e máxima de 31°C. Na quarta-feira (26), os termômetros devem variar entre 19°C e 30°C.

Já na quinta-feira (27), apesar da instabilidade prevista nos dias anteriores, o calor volta a ganhar força, com mínima de 19°C e máxima de 35°C.

Cuidados durante a tempestade

Em caso de temporal, a orientação é evitar áreas abertas e locais próximos a árvores, postes e estruturas que possam ser atingidas pelas rajadas de vento. Objetos soltos em quintais e varandas também devem ser recolhidos diante da possibilidade de ventos fortes.

Moradores que enfrentarem ocorrências relacionadas ao temporal podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou solicitar serviços municipais pelo 156.

Em situações envolvendo risco elétrico, como árvores ou galhos sobre a rede de energia, a orientação é procurar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
 

Sobreaviso

Com mais de mil denúncias Conselho Tutelar Norte suspende atendimento

Responsável por região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes fechou as portas ao público para tentar reduzir demanda acumulada por falta de servidores

24/08/2026 17h40

Conselho Tutelar região Norte

Conselho Tutelar região Norte Foto: Paulo Ribas

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Uma região com cerca de 58 mil crianças e adolescentes, cinco conselheiros tutelares e, atualmente, apenas uma servidora administrativa trabalhando seis horas por dia. O resultado dessa conta é uma fila de 1.581 denúncias e relatórios ainda sem atendimento no Conselho Tutelar da Região Norte de Campo Grande.

Diante do acúmulo, os conselheiros decidiram suspender temporariamente o atendimento ao público para concentrar esforços na demanda represada. A medida, segundo as conselheiras, foi tomada após quase dois meses de quadro administrativo incompleto e semanas de espera pela reposição de funcionários.

“Hoje nós fizemos um levantamento e vimos que temos, em média, 1.581 denúncias e relatórios que ainda não receberam atendimento por conta da falta da equipe administrativa”, afirmou a conselheira Suellen Gomes, em entrevista ao jornal Correio do Estado. 

A situação é considerada crítica porque as demandas recebidas pelo Conselho Tutelar passam primeiro pela equipe administrativa. São os servidores que fazem a triagem, registram as denúncias, verificam documentos e localizam os históricos das famílias antes de os casos chegarem aos conselheiros.

Sem essa estrutura, o atendimento praticamente trava.“Tudo que chega dentro do Conselho Tutelar primeiro passa pela equipe administrativa. Quando chega à mesa do conselheiro, já deveria estar tudo certo para a gente notificar a família, fazer o atendimento e aplicar as medidas de proteção”, explicou Suellen.

O número, inclusive, não para de crescer. Poucos minutos depois de concluído o levantamento das 1.581 denúncias e relatórios pendentes, uma escola chegou ao Conselho com mais 60 fichas escolares, ampliando imediatamente a demanda.

A área atendida pelo Conselho Norte é uma das maiores de Campo Grande e se estende do fim da região do Nova Lima até o José Abrão. Segundo levantamento citado pelas conselheiras, realizado pela Planurb em 2023 para a divisão das áreas dos conselhos tutelares, a região concentra cerca de 58 mil crianças e adolescentes.

Portões fechados 

A suspensão do atendimento ao público, segundo as conselheiras, não significa a interrupção completa do serviço. Casos emergenciais continuam sendo atendidos, assim como as ocorrências acionadas pelo plantão, que permanece disponível 24 horas.Conselho Tutelar região Norte

A decisão, porém, expõe um problema mais profundo: para tentar dar conta das denúncias já acumuladas, o Conselho precisou fechar temporariamente as portas para novas demandas presenciais.

Administrativamente, a unidade é vinculada à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social). De acordo com o relato das conselheiras, houve solicitação para reposição dos servidores e a situação também foi levada ao Ministério Público, responsável pela fiscalização dos Conselhos Tutelares.

A expectativa era de que funcionários fossem encaminhados para a unidade, o que não ocorreu até o momento. Conforme informado durante a entrevista, a prefeitura teria indicado a possibilidade de envio de servidores, mas, até a decisão pela suspensão do atendimento, a equipe não havia sido recomposta.

Para a conselheira Eliane Diniz, a medida é extrema, mas foi considerada necessária diante da dimensão da demanda e da natureza dos casos atendidos pela unidade.

“Isso é muito ruim, tanto para nós quanto para a população. A gente atende pessoas em situação de vulnerabilidade, que às vezes não têm nem dinheiro para uma passagem de ônibus e chegam aqui com o portão fechado. Isso, para a gente, é frustrante. Não é o que queremos”, afirmou.

Ela ressalta que o acúmulo não representa apenas números ou procedimentos burocráticos, mas casos envolvendo crianças e adolescentes em situações de vulnerabilidade. “A gente trabalha com vidas. Às vezes é preciso tomar medidas drásticas para as pessoas acordarem. Do jeito que está, precisamos de socorro”, declarou Eliane.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para questionar a falta de servidores, a previsão de reposição e quais medidas serão adotadas diante das mais de 1,5 mil denúncias e relatórios pendentes. O espaço permanece aberto para manifestação.

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