Cidades

Jogatina on-line

Apostadores na Capital superam população de 80% das cidades

Levantamento mostra que 32,5 mil campo-grandenses apostam on-line, número maior que a população da maioria dos municípios de MS

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A quantidade de apostadores em Campo Grande é maior que a população total de 63 dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, aponta levantamento realizado pelo Ministério da Fazenda.

Legalizadas no Brasil desde o governo de Michel Temer (MDB), por meio da Lei nº 13.756/2018, as apostas esportivas e os jogos on-line são alvo de inúmeros debates no País em razão do aumento de usuários dependentes.

Tanto que, no dia 1º de janeiro de 2025, entrou em vigor a regularização desse tipo de jogos de azar, com a chamada Lei das Bets (Lei nº 14.790/2023).

Diante da rigorosa regularização que criou a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), ligada ao Ministério da Fazenda, para fiscalizar o setor, inúmeras empresas que de apostas esportivas deixaram de existir. Apesar disso, o número de apostadores não apresentou queda significativa.

A União aponta que 3,35% dos campo-grandenses estão envolvidos em jogos de azar on-line, o que corresponde a aproximadamente 32,5 mil pessoas. Esse número é superior à população de 79,75% (63 de 79) dos municípios de Mato Grosso do Sul, de acordo com a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A título de comparação, o número de apostadores em Campo Grande é praticamente igual ao da população de São Gabriel do Oeste e maior que o da população de cidades como Ivinhema, Aparecida do Taboado, Costa Rica e Miranda. 

Mesmo com esse panorama estadual que assusta, Campo Grande é uma das capitais com o menor porcentual de apostadores em seu território. Para efeito de comparação, quem lidera essa lista é o Rio de Janeiro (RJ), com 26,89% da população sendo apostadores, portanto, um a cada quatro cariocas está no mundo das apostas esportivas.

Ao todo, 85 empresas são autorizadas pelo Ministério da Fazenda a ofertar apostas de quota fixa em âmbito nacional, responsáveis por 188 plataformas de jogos de azar on-line.

Saúde mental

Para o psicólogo clínico Alexandre Zanirato Contini da Silva Vitoriano, especialista em Análise do Comportamento, os dados expostos pelo Ministério da Fazenda preocupam, principalmente, por darem a ideia de que está cada vez mais difícil criar artifícios sociais para diminuir a influência dessas empresas na vida da população. 

“Quanto mais pessoas apostando, mais isso indica para os sites e aplicativos que há um público a ser explorado, e quanto mais dinheiro essas empresas geram, mais elas se estabelecem e mais difícil é criar movimentações em níveis sociais e políticos para sua regulação e conscientização acerca dos riscos que a aposta pode produzir”, disse.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece um serviço de teleatendimento em saúde mental gratuito e sigiloso para pessoas com mais de 18 anos que enfrentam problemas com jogos e apostas on-line, além de prestar suporte a familiares e à rede de apoio. São disponibilizados até 100 mil atendimentos por mês com profissionais da saúde.

Em maio deste ano, durante audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, o Ministério da Saúde informou que houve um crescimento de quase 140% nos último cinco anos na procura pelo serviço, além de mais de 500 mil pessoas terem pedido a exclusão dos cadastros de bets por tempo indeterminado, sob a justificativa de terem perdido o controle das apostas.

“Ter uma linha aberta e acolhedora para começar a conversar a respeito, entender e identificar a necessidade de ajuda pode, sim, atuar como um fator protetivo para pessoas que enfrentam essas questões, para compreender como esses comportamentos se desenvolveram e quais alternativas são possíveis para uma melhor qualidade de vida”, afirmou o especialista.

Ainda segundo o psicólogo, há alguns sinais que merecem atenção para observar se uma pessoa está viciada em jogos. Até porque, quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico e a busca por ajuda, menor será o prejuízo financeiro e psicológico do afetado.

“Podemos observar alguns elementos, como a quantidade de tempo que a pessoa passa apostando, quais os valores, como reage quando está em uma sequência de derrotas, como estão as relações sociais, se há algum afastamento em função de apostar e se tem deixado de arcar com compromissos financeiros essenciais para poder utilizar o dinheiro em apostas”, explicou.

Vale destacar que há um transtorno mental reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que se caracteriza pelo impulso incontrolável e compulsivo de jogar e apostar em jogos de azar, chamado de ludopatia.

Em pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mais de 1,4 milhão de brasileiros apresentaram diagnóstico da doença.

OPERAÇÃO RODAS DA SORTE

Justiça manda soltar irmãos Razuk após prisão por rifas de carros em MS

Eduardo e Rafael Razuk estavam presos desde 18 de agosto; Justiça substituiu as prisões preventivas por medidas cautelares

31/08/2026 20h39

Eduardo Razuk ganhou projeção nas redes sociais com a divulgação de rifas de veículos de alto padrão

Eduardo Razuk ganhou projeção nas redes sociais com a divulgação de rifas de veículos de alto padrão Foto: Reprodução.

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A Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a soltura dos irmãos Eduardo Rezende da Silva Razuk e Rafael Rezende da Silva Razuk, presos desde o dia 18 de agosto no âmbito da Operação Rodas da Sorte, investigação que apura um esquema envolvendo rifas de veículos de luxo divulgadas pelas redes sociais.

Os irmãos haviam sido presos preventivamente durante a operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC). A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e irregularidades na exploração de sorteios. 

No caso de Rafael, a decisão que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares foi assinada nesta segunda-feira (31) pela juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande. A magistrada determinou a expedição do alvará de soltura, desde que ele não esteja preso por outro motivo.  

A defesa de Rafael é feita pelo advogado criminalista João Paulo Calves. Durante a audiência de custódia realizada após a operação, Calves já havia sustentado que não estavam presentes os requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva e argumentado que Rafael auxiliava o irmão nos sorteios, mas não exerceria função de gestão na empresa relacionada às operações investigadas. 

Prisão não seria mais necessária

Na decisão referente a Rafael, a magistrada considerou que houve uma mudança significativa no cenário existente quando a prisão preventiva foi decretada.

Inicialmente, a manutenção do investigado no cárcere estava relacionada, entre outros fatores, à necessidade de preservar provas, localizar bens, interromper as atividades investigadas e impedir eventual dissipação de patrimônio.

Com o avanço da operação, porém, as buscas foram realizadas, dispositivos eletrônicos e outros elementos probatórios foram arrecadados, houve constrições patrimoniais e apreensão de bens, além da implementação de restrições sobre perfis e outros meios utilizados nas atividades investigadas. 

A magistrada avaliou que, depois do cumprimento dessas diligências, o risco de comprometimento da investigação pela atuação direta de Rafael foi substancialmente reduzido.

Outro fator considerado foi a conclusão do inquérito policial. Conforme consta na decisão, a Polícia Civil já apresentou o relatório final da investigação e o procedimento está pendente de análise do Ministério Público para eventual oferecimento de denúncia. 

A Polícia Civil informou na sexta-feira (28) ter encerrado a investigação da Operação Rodas da Sorte com oito pessoas indiciadas. Segundo a DERCC, foram apurados crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, publicidade enganosa e contravenção penal relacionada a loteria não autorizada. 

MPMS foi contra liberdade de Rafael

Antes da decisão, o Ministério Público se manifestou pelo indeferimento do pedido apresentado pela defesa de Rafael.

O órgão argumentou que ainda existiria possibilidade de reiteração das atividades por meios digitais, reorganização das operações e eventual interferência nas análises telemática e financeira. Subsidiariamente, o MP pediu que, caso a prisão fosse revogada, fossem aplicadas medidas cautelares. 

A juíza, entretanto, entendeu que a possibilidade abstrata de criação de novos perfis, utilização de terceiros ou reorganização digital das atividades, sem indicação de uma conduta concreta posterior atribuída ao investigado, não era suficiente para justificar a manutenção da prisão preventiva. 

Também pesou na decisão o fato de os crimes investigados não envolverem violência ou grave ameaça. A magistrada ressaltou que isso, isoladamente, não impediria uma prisão preventiva, mas ganha relevância na análise da proporcionalidade da medida quando as diligências já foram cumpridas e o inquérito está concluído. 

A decisão menciona ainda a primariedade, residência fixa e ocupação lícita apresentadas pela defesa de Rafael. Conforme os autos, ele não ofereceu resistência durante o cumprimento do mandado, permitiu o acesso ao local e entregou o aparelho celular.

Também não havia, segundo a magistrada, notícia de tentativa de fuga, violação de medidas cautelares anteriormente impostas ou ato concreto destinado a obstruir a investigação após a operação. 

Rafael terá de entregar passaporte

Apesar da liberdade, Rafael continuará submetido a uma série de restrições. Ele deverá comparecer pessoalmente à Justiça todos os meses para informar e justificar suas atividades e está proibido de deixar o território nacional.

O investigado também terá de entregar o passaporte ao Juízo no prazo de 48 horas após o cumprimento do alvará de soltura. As demais medidas decorrentes da cautelar foram mantidas. 

A magistrada advertiu ainda que o descumprimento injustificado das determinações poderá resultar na imposição de medidas mais severas e, caso estejam presentes os requisitos previstos em lei, até mesmo em uma nova decretação de prisão preventiva. 

Operação apreendeu carros de luxo

Eduardo e Rafael foram presos em Campo Grande no dia 18 de agosto. A operação chamou atenção pela quantidade e pelo valor dos bens atingidos pelas determinações judiciais.

Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraíba e Rio de Janeiro.

A investigação resultou ainda na apreensão de 22 veículos de alto padrão, dois relógios de luxo, indisponibilidade de cinco imóveis e bloqueio judicial de aproximadamente R$ 500 milhões em contas relacionadas aos investigados. 

Entre os automóveis apreendidos estavam modelos das marcas Porsche, BMW, Audi e RAM. Quando a operação foi deflagrada, o Correio do Estado mostrou que os irmãos foram presos em endereços diferentes de Campo Grande e que diversos veículos foram recolhidos durante as buscas. (

Segundo a Polícia Civil, Eduardo promoveu mais de cem sorteios desde 2019 e, em determinado período de seis meses analisado pelos investigadores, a movimentação financeira teria ultrapassado R$ 100 milhões.

A investigação sustenta que, a partir de 2025, teria sido montada uma estrutura envolvendo empresas de outros estados para conferir aparência de legalidade às operações. 

A defesa contesta a versão policial e sustenta que os sorteios eram autorizados e estavam amparados pela legislação da Paraíba. Os advogados também vêm questionando a necessidade das prisões preventivas e negando irregularidades na atividade.

A soltura dos irmãos não representa arquivamento do caso nem absolvição. A investigação policial foi concluída e o material segue para análise do Ministério Público, responsável por decidir sobre eventual oferecimento de denúncia.

fronteira

EUA alertam para que turistas não visitem cidades de MS por risco de crimes e sequestros

Aviso publicado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil desaconselha visitas a regiões de fronteira terrestre, entre elas com a Bolívia e Paraguai, que é o caso do Estado

31/08/2026 18h43

Orientação é que turistas evitem viajar para municípios de fronteira

Orientação é que turistas evitem viajar para municípios de fronteira Rodolfo César / Correio do Estado

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A embaixada dos Estados Unidos no Brasil emitiu, nesta segunda-feira (31), um aviso onde desaconselha que turistas americanos não viajem determinadas áreas no País, como favelas, áreas de fronteira terrestre internacionais e algumas cidades-satélites do Distrito Federal, devido ao risco de crimes e sequestros. Em Mato Grosso do Sul, a visita não é recomendada em municípios que fazem fronteira com o Paraguai e Bolívia.

A orientação vale para regiões a menos de 160 quilômetros das fronteiras terrestres internacionais do Brasil com a Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela.

O comunicado alerta que o turista "não viaje para essas áreas por qualquer motivo".

Em Mato Grosso do Sul, as cidades que fazem fronteira com o Paraguai ou Bolívia são Ponta Porã, Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas, Aral Moreira, Antônio João, Japorã, Porto Murtinho, Antônio João, Bela Vista, Caracol e Mundo Novo. 

Funcionários do governo dos Estados Unidos também só podem visitar esses locais com autorização prévia, com exceção do Pantanal.

O comunicado aconselha também aos turistas a não visitarem para áreas de desenvolvimento habitacional informal, como favelas, vilas, comunidades ou conglomerados, mesmo em excursões guiadas, devido ao risco de crimes.

De acordo com a Embaixada, mesmo em áreas consideradas seguras pela polícia ou pelos governos locais, a situação pode mudar rapidamente.

A cautela também se estende às áreas próximas às comunidades, pois segundo o órgão, "confrontos entre gangues e confrontos com a polícia às vezes se estendem para além de seus limites".

Segundo a Embaixada, também não é aconselhado a ida de turistas para as regiões administrativas, conhecidas como cidades satélites,  de Ceilândia, Santa Maria, São Sebastião e Paranoá, todas no Distrito Federal, durante a noite.

"Crimes violentos ocorrem em áreas urbanas, tanto durante o dia quanto à noite. Entre os crimes estão homicídio, roubo à mão armada e roubo de veículos (carjacking). A atuação de gangues e do crime organizado é generalizada e frequentemente está relacionada ao tráfico de drogas", diz o comunicado.

O governo americano afirma que casos de agressão contra turistas são comuns no Brasil,  inclusive com o uso de sedativos ou drogas colocadas em bebidas, especialmente no Rio de Janeiro, e que criminosos abordam estrangeiros por meio de aplicativos de relacionamento ou em bares, antes de dopar e roubar suas vítimas.

Já quanto aos crimes de sequestro, a embaixada ressalta que são raros envolvendo cidadãos dos Estados Unidos, mas que ocorrem ocasionalmente e destaca a ocorrência de sequestrps-relâmpagos em saídas de banco como principal ameaça.

Caso o turista decida viajar para o Brasil, o órgão orienta, por exemplo, a estar atento ao entorno e ter mais cuidado em áreas isoladas; não resistir a tentativas de assalto; não caminhar nas praias depois de escurecer; não exibir sinais de riqueza, como relógios ou joias caras; ser extremamente vigilante em bancos ou caixas eletrônicos; e ter cuidado no transporte público, especialmente à noite.

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