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Segurança Pública

Apreensão recorde de cocaína teria como destino os EUA

Carga apreendida em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso em toras de madeira neste mês foi a maior já registrada e investigação segue em andamento

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A apreensão de 100 toneladas de cocaína nos Portos de Arica, San Antonio e Valparaíso, no Chile, no começo deste mês, alertou autoridades na América Central e na América do Norte, em razão do destino da carga, e resultou na maior apreensão da droga da história do Brasil.

As drogas, que estavam em toras de madeira no Chile, tinham como destino os Estados Unidos, e a suspeita é de que a carga apreendida em Mato Grosso do Sul teria o mesmo destino.

Desde o começo deste mês, autoridades da América do Sul estavam em alerta, diante da atuação de traficantes internacionais em áreas fronteiriças, após a Aduana do Chile, com a Polícia Marítima e a Marinha chilena, realizar a apreensão de 100 toneladas de cocaína escondidas em forma líquida em 1.080,8 toneladas de madeira. O carregamento tinha origem na Bolívia e estava direcionado para 15 destinos.

Só na América Central e na América do Norte, a droga estava prevista para chegar a Estados Unidos, México, Panamá e República Dominicana. Na Europa, os destinos eram Alemanha, Bélgica, França, República Tcheca, Espanha, Portugal, Itália e Reino Unido. Também havia destinação para Marrocos, Nova Zelândia e Ilhas Maurício.

Carga de 260 toneladas de madeira estava impregnada de cocaína líquida e foi apreendida em Mato Grosso e Mato Grosso do SulCarga de 260 toneladas de madeira estava impregnada de cocaína líquida e foi apreendida em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul - Foto: Divulgação

Foi justamente por conta dessa apreensão, a maior da história do Chile, que outros países emitiram alerta, e isso incluiu os Estados Unidos. 

“Esta apreensão de aproximadamente 108 toneladas de droga, principalmente de cocaína e ketamina, equivale a US$ 8,3 bilhões”, pontuou o diretor-geral do Território Marítimo e Marinha Mercante do Chile, vice-almirante Arturo Oxley.

Na Bolívia, depois da apreensão chilena, a Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (Felcn) passou a monitorar outros carregamentos de madeira e fez diferentes operações.

Entre elas, uma no Aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, por conta de uma suspeita de que um voo internacional para Miami poderia ser usado para o transporte de cocaína.

Essa investigação em Santa Cruz de la Sierra ocorreu no dia 11 deste mês. Além do aeroporto, a fronteira com o Brasil passou a receber monitoramento intensificado, envolvendo as saídas para Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. 

Do lado boliviano, não houve divulgação direta sobre apreensão, mas, no dia 19, o Brasil conseguiu interceptar oito caminhões, sendo quatro em Corumbá e outros quatro em Cáceres (MT), com 260 toneladas de madeira e entre 20 toneladas e 50 toneladas de cocaína.

“A cooperação internacional entre Brasil, EUA e Bolívia foi determinante para identificação do esquema internacional, com atuação integrada entre as aduanas, os EUA e a Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico, Felcn, da Bolívia”, reconheceu a Receita Federal, em nota.

AÇÃO INTENSIFICADA

Esses casos são resultado da intensa aproximação política dos Estados Unidos com a Bolívia, o que faz o governo de Donald Trump atuar mais diretamente em ações coordenadas de investigação contra o tráfico transnacional de cocaína. 

Além da Operação Timber Shield, realizada por Bolívia, EUA e Brasil e que interceptou um carregamento recorde de cocaína em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, os norte-americanos levaram para atuar diretamente na embaixada do país na Bolívia Erik Martini, que assumiu o posto de encarregado consular no dia 18. 

Antes de atuar em território boliviano, ele era diretor em um setor diplomático estadunidense na Venezuela, país que teve uma intromissão direta do governo de Trump, sob a alegação de combate ao tráfico internacional de drogas. Martini também atuou na Ásia em ações de contraterrorismo.

Logo que assumiu o posto, Martini realizou reunião com o ministro de Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano, para discutir ações coordenadas. O encontro ocorreu na quarta-feira e foi divulgado pelos governos dos Estados Unidos e da Bolívia.

“Tive a oportunidade de me reunir com Erik Martini, encarregado de negócios e chefe de missão na Embaixada dos Estados Unidos na Bolívia. Foi uma conversa franca e positiva sobre os desafios que temos pela frente em matéria de segurança, defesa e luta contra o crime organizado. A Bolívia deve relacionar-se com o mundo com seriedade, respeito e objetivos claros. A cooperação internacional fortalece nossas capacidades para proteger nossa gente e defender a democracia”, escreveu Justiniano sobre a reunião.

Do lado dos EUA, também houve manifestação. “O encarregado de negócios Martini conversou com o ministro da Defesa da Bolívia sobre a cooperação de segurança contínua e a expansão dessa relação entre EUA e Bolívia. O ministro Justiniano informou sobre o papel das Forças Armadas bolivianas na proteção da segurança pública e no restabelecimento da ordem”, informou a embaixada.

Com ambos os posicionamentos, foram dados sinais ainda maiores sobre movimento para ações coordenadas contra o crime organizado no país vizinho.

E isso inclui ações contra as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que têm atuação na Bolívia.

Além disso, a Drug Enforcement Administration (DEA), unidade policial especializada em combate às drogas dos Estados Unidos, já tem unidade em La Paz e atuação em outras partes do país. 

* Saiba 

No Brasil, apesar de os Estados Unidos não terem uma atuação direta no território, como na Bolívia, o governo de Donald Trump declarou as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o que gera uma nova condição de atuação investigativa.

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Saúde

Pacientes cardíacos esperam até 50 dias por cirurgia de emergência

Irregularidade foi constatada após equipe da Defensoria visitar a Santa Casa para investigação sobre as "filas invisíveis"

29/06/2026 08h00

Santa Casa de Campo Grande está com setores superlotados

Santa Casa de Campo Grande está com setores superlotados Foto: Gerson Oliveira

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Pacientes que precisam passar por intervenção de marca-passos, cardiodesfibriladores implantáveis e outros dispositivos cardíacos, procedimentos que apenas a Santa Casa é habilitada para realizar em Campo Grande, chegam a esperar quase dois meses para realizar a cirurgia, que deveria ser de emergência.

Na semana passada, a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul ingressou com três ações civis públicas contra a Santa Casa. Em uma delas, o alvo é a demora para cirurgias cardíacas, que são consideradas de emergência, sendo observados pacientes que estão aguardando há 50 dias para passar pela intervenção.

A investigação do órgão identificou falhas relacionadas com a indisponibilidade de insumos, concentração de procedimentos em unidades específicas, limitações operacionais e ausência de fluxos assistenciais adequados.

“Em um dos casos acompanhados pelo NAS [Núcleo de Atenção à Saúde], um paciente permaneceu internado por 32 dias à espera de um implante de marca-passo que, após a disponibilização do dispositivo, foi concluído em 45 minutos. A Defensoria aponta que a demora expôs o paciente a desgaste clínico e emocional, além de gerar custos adicionais ao sistema público de saúde”, detalha o órgão em nota.

Em conversa com a defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do núcleo, o órgão constatou essa situação durante visita pessoal ao hospital para aprofundar a investigação sobre as filas invisíveis, que também acabou virando alvo de ação da Defensoria Pública.

“Uma cirurgia que demorava entre 40 minutos e uma hora, paciente com dois dias tinha alta, nós encontramos paciente internado em leito de UTI [Unidade de Terapia Intensiva], esperando o marca-passo, esperando o CDI [Cardioversor Desfibrilador Implantável] por mais de 50 dias. Então, isso mostra uma completa incapacidade de gerir a condição dos pacientes”, explicou a defensora à reportagem.

Como a Santa Casa é a única habilitada pelo Ministério da Saúde para realizar este procedimento, há duas soluções para esse problema, segundo Eni Diniz.

“Ou o Estado, Município e Santa Casa se organizam e compram o material para os pacientes, ou desabilita a Santa Casa e habilite outra unidade que tenha a condição de fazer, porque o HU [Hospital Universitário] e o Hospital Regional também fazem cirurgias”, recomendou.

Em nota publicada no início da semana passada, a Defensoria disse que a procura pelo Poder Judiciário foi a última medida depois de meses de acompanhamento de casos individuais, reuniões com gestores, participação no Comitê Estadual de Saúde do Fórum Nacional da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), envio de ofícios e tentativas de solução administrativa sem resultados concretos.

“Isso precisa ser resolvido e equacionado, mas o paciente não pode esperar. A fila do SUS [Sistema Único de Saúde] não pode esperar. As pessoas morrem, a situação se agrava, eles ficam com sequelas definitivas. As questões de valores e financiamentos eles vão discutir em outras ações que estão tramitando”, analisou a defensora pública.

A Santa Casa foi procurada sobre o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta matéria sobre os pacientes cardíacos.

SOLUÇÃO

Na quinta-feira, ocorreu uma audiência de conciliação com todas as partes envolvidas no Fórum de Campo Grande, e teve a presença de representantes do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e do titular da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), Marcelo Vilela. 

A ideia era solucionar dois dos três problemas encontrados pela Defensoria Pública nas ações civis públicas. 

Ficou decidido que pacientes de baixa e média complexidade ortopédica serão reinseridos na regulação depois de 48 horas sem realizar a cirurgia. Além disso, a Santa Casa terá de apresentar, dentro de 15 dias, a quantidade de pacientes que estão nessa situação.

Porém, neste primeiro momento, não aconteceu um debate sobre a falta de materiais cardíacos para cirurgia.

De acordo com a defensora, ainda nesta semana deve sair alguma decisão do juiz após as partes se manifestarem na sexta-feira.

“Um paciente não pode ficar 50 dias internado num leito de UTI com os custos de um leito de UTI por 50 dias, enquanto ele poderia ter feito uma cirurgia de 40 a 50 minutos e que em até dois dias ele poderia ser liberado”, disse Eni Diniz.

BTG/Nexus

Lula tem 47% contra 44% de Flávio Bolsonaro no 2º turno, em empate técnico

Na comparação com a pesquisa anterior, Lula recuou dois pontos e seu principal opontente, Flávio Bolsonaro, cresceu um ponto percentual 

29/06/2026 07h15

Diferença entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno recuou três pontos entre o levantamento anterior e o atual

Diferença entre Lula e Flávio em um eventual segundo turno recuou três pontos entre o levantamento anterior e o atual

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera numericamente todos os cenários de segundo turno testados pela pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 29, mas a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diminuiu e os dois estão tecnicamente empatados. Lula tem 47% das intenções de voto, ante 44% de Flávio, diferença dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.

Na comparação com a pesquisa anterior, Lula recuou dois pontos e seu principal oponente, Flávio Bolsonaro, cresceu um ponto percentual em um eventual segundo turno.

Nos demais cenários de segundo turno, Lula aparece à frente do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), por 48% a 38%; do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), por 47% a 39%, e do presidente do partido Missão, Renan Santos, por 48% a 36%.

Os eleitores que afirmam votar em branco, nulo ou nenhum variam entre 8% e 15%, atingindo o menor porcentual na disputa entre o atual presidente e o filho de Jair Bolsonaro. Já os que não sabem ou não responderam variam de 1% a 2%.

No primeiro turno, Lula registra 42% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. Na sequência aparecem Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, e Zema, com 3%. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) aparece com 2%. Brancos, nulos ou nenhum somam 5% e não souberam ou não responderam, 3%.

A pesquisa ouviu 2.009 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 26 e 28 de junho. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-08521/2026.

CASO MASTER

O caso do Banco Master é apontado por 35% dos eleitores como um escândalo ligado tanto ao grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quanto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aponta A pesquisa.

A percepção de que o escândalo do Master é mais ligado ao grupo de Flávio é compartilhada por 32% dos entrevistados, enquanto para 23% o caso é mais ligado ao grupo de Lula.

Esta é a primeira pesquisa realizada depois da operação contra o agora ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA) e da divulgação da conversa entre Flávio Bolsonaro e o Daniel Vorcaro, dono do Master.

A pesquisa mostrou que 24% dos entrevistados não ouviram falar da operação contra Wagner, realizada no dia 18 de junho. Por outro lado, 17% não ouviram falar da conversa entre Flávio e Vorcaro, divulgada em 13 de maio. Ao todo, 82% ouviram falar do caso de Flávio e 75%, do caso de Wagner.

SEGURANÇA PÚBLICA

A segurança pública segue sendo apontada como o principal problema do País, segundo a pesquisa. A questão, no entanto, perdeu força em relação a meados de junho, enquanto o temor em relação à corrupção cresceu.

Para 29% dos entrevistados, a segurança é um dos principais problemas: 15% a apontaram em primeiro lugar e 14%, em segundo. No caso da corrupção, 19% a apontaram em primeiro lugar e 7%, em segundo, totalizando 26% dos entrevistados colocando-a como principal problema do País.

A saúde pública também é citada como principal problema do Brasil por 26% dos eleitores (para 12%, é o primeiro, e para 14%, o segundo). A classe política (15%), a educação (14%), a inflação e o custo de vida (11%), o desemprego (11%) e a desigualdade social (10%) também são apontados como problemas brasileiros.
 

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