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Arauco investirá R$ 2 bilhões no porto que vai escoar a celulose de MS

Terminal será construído em Santos e a previsão é de que a estrutura esteja concluída antes do final do próximo ano

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Para despachar as 3,5 milhões de toneladas de celulose que promete produzir por ano na fábrica em Inocência, na região leste de Mato Grosso do Sul, a chilena Arauco vai investir R$ 2 bilhões na construção  de um terminal portuário em Santos, no litoral paulista.

Na última quinta-feira, (26) a diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou a empresa chilena a adquirir o controle acionário da sociedade Alempor, após a Companhia assumir a titularidade do Terminal de Uso Privado (TUP) em Alemoa.

“Isso representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência”, afirmou Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.

Além do investimento neste porto, o grupo chileno está investindo outros R$ 2,4 bilhões na construção de 50 quilômetros de ferrovia e na aquisição de 26 locomotivas e cerca de 720 vagões para fazer o transporte da celulose até o porto, numa distância de 1.050 quilômetros. Na fábrica estão sendo investidos em torno de R$ 24 bilhões. 

A fábrica, que neste momento emprega 11 mil trabalhadores — devendo chegar a 14 mil no pico da obra por volta de julho a agosto — tem previsão de iniciar produção antes do final do próximo ano. Por isso, toda a infraestrutura logística terá de estar pronta ao mesmo tempo.

O terminal em Santos é o último pilar desse tripé. É fruto da aquisição da concessão do TUP Alemoa S/A, que pertencia à empresa Terminal Marítimo Alemoa S.A. (Alempor). Depois do aval da Antaq, em até 90 dias está previsto o aval final do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para dar início às obras de construção deste terminal.

"Como Santos tem atualmente limitações de infraestrutura, avaliamos alternativas brownfield (expansão de estruturas já existentes) e greenfield (construção do zero). A opção da empresa foi por um TUP (Terminal de Uso Privativo)", disse ao Estadão Alberto Pagano, diretor de Logística da divisão de celulose da Arauco no Brasil.

Com o aval da Antaq, a empresa já pode adiantar algumas ações, como licenciamento ambiental, informa o executivo. A construção do terminal, numa área de 200 mil metros quadrados, envolve dragagem, berços de atracação de navios, piers, defensas, obras marítimas e onshore (armazenagem da celulose) e vias de acesso rodoviário e ferroviário. Dos três berços, dois serão construídos agora e um no futuro.

A definição do terminal "representa um avanço muito importante para consolidar o plano logístico estruturado para dar suporte às futuras operações industriais da empresa em Inocência", disse, em nota, Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.

NAVIOS

O calado do terminal para atracação dos navios será de 14,5 metros. A empresa vai despachar a celulose em embarcações com capacidade de transportar 50 mil a 80 mil toneladas. Pagano informa que foram feitos contratos com armadores internacionais, que já encomendaram navios em estaleiros da China, país de destino da maior parte da celulose.

A empresa prevê 18 meses de obras para o terminal — conclusão em torno de setembro de 2027. Ao mesmo tempo em que as obras da unidade industrial e do ramal ferroviário entre Inocência e a fábrica, de 50 km, também sejam concluídas. "Tudo planejado para acontecer simultaneamente. Não pode ocorrer nada que atrase os embarques de celulose", comenta Pagano.

Para o pacote de investimento em logística e infraestrutura, de R$ 4,4 bilhões, o diretor de logística informa que a Arauco está avaliando todas as opções de financiamento disponíveis. Por exemplo, linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo da Marinha Mercante (FMM).

Pagano destaca que a operação por via ferroviária vai tirar das estradas até 200 caminhões por dia. Além de segurança, um benefício apontado é a redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir do consumo de combustíveis fósseis.

LONGA VIAGEM

A viagem da celulose até o terminal em Santos será feita em trens de 100 vagões, cada um com 96 toneladas, sob operação da Rumo Logística, empresa ferroviária do grupo Cosan. O contrato da Arauco com a Rumo é de 10 anos, dividido em dois acordos: um de transporte na própria ferrovia, que passa ao lado de Inocência; e outro, de operação específica (COE), no ramal da Arauco.

A companhia chilena adquiriu para a operação logística 26 locomotivas, fabricadas em Contagem (MG) pela Wabtech, e 721 vagões do grupo gaúcho Randon, montados em Araraquara (SP). Incluindo a construção do ramal ferroviário, o desembolso da empresa nesse pacote é de R$ 2,4 bilhões.

Na construção do terminal portuário em Santos, estão previstos 1.850 funcionários. Para a operação, entre 350 e 400 pessoas. Para o ramal ferroviário, em Inocência, cujas obras foram iniciadas em dezembro do ano passado, a contratação é de mil pessoas.

(Com informações do Estadão)

Maus-Tratos

Ex-vereadora de Água Clara é denunciada após simular matar pintinho; veja o vídeo

Simone Chucra aparece segurando o animal e levando-o à boca durante "brincadeira"

11/09/2026 17h45

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara

Suspeita é ex-vereadora do Município de Água Clara Divulgação: Governo Federal

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A ex-vereadora da cidade de Água Clara, Simone Chucra, foi denunciada após a publicação de um vídeo nas redes sociais em que aparece segurando um pintinho e simulando que arrancaria a cabeça do animal. A gravação repercutiu nas redes e levou um delegado da Polícia Civil de São Paulo, que atua em defesa da causa animal, a comunicar o caso às autoridades.

Nas imagens, Simone segura o pintinho nas mãos, aproxima o animal da boca e faz o movimento como se fosse arrancar sua cabeça. A situação é apresentada em tom de brincadeira, mas provocou críticas nas redes sociais diante da possibilidade de o comportamento configurar maus-tratos.

Ao comentar a gravação, o delegado classificou a atitude como grave e afirmou ter procurado autoridades de Água Clara para que o caso seja analisado.

A denúncia deverá ser avaliada pelos órgãos competentes, que poderão verificar as circunstâncias da gravação e se houve efetivamente maus-tratos contra o animal. Até o momento, não há informação de que o pintinho tenha sido ferido ou morto durante a gravação.

Simone Chucra foi vereadora de Água Clara e chegou a ser lançada como pré-candidata a deputada estadual pelo MDB em 2022. No período, ela era apresentada como uma das representantes políticas da região do Bolsão.

O vídeo que motivou a denúncia foi publicado nas redes sociais e passou a circular após a manifestação do delegado.

Mudança no Comando

Vice-presidente assume Santa Casa de Campo Grande após prisão de presidente

Heitor Scheibeler passa a comandar o maior hospital de Mato Grosso do Sul após operação prender Alir Terra Lima e outros integrantes da cúpula administrativa.

11/09/2026 17h25

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa. Foto: Divulgação/Santa Casa.

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A prisão da presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e de dois integrantes da cúpula administrativa do hospital provoca uma mudança no comando da maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul. Vice-presidente da instituição, Heitor Heitor Miguel Scheibeler passa a ocupar a linha de frente de administração em meio à Operação Antidotum, deflagrada nesta sexta-feira (11) para investigar supostas fraudes milionárias em contratos da entidade.

Além de Alir, segundo apuração do Correio do Estado, foram presos Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano, diretores administrativo e financeiro, respectivamenete.

Também estão entre os presos Paulo Duarte Cruz, Beatriz Lemes da Silva, diretora do plano de saúde da Santa Casa, e Monique Gregório, responsável pelos serviços de digitalização de prontuários. Ao todo, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva.

Com parte da alta administração atingida simultaneamente pela operação, Heitor ganha protagonismo na condução da Santa Casa justamente no momento em que a instituição enfrenta uma das maiores crises administrativas recentes.

A investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) apura irregularidades em pelo menos dois núcleos de contratos.

O prejuízo identificado até o momento chega a R$ 4,9 milhões, mas o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) ressalta que o valor total ainda está sendo apurado.

Um dos contratos investigados previa o pagamento de R$ 5,4 milhões ao longo de três anos para digitalização de prontuários. Segundo o MPMS, somente no primeiro ano teriam sido desviados R$ 1,4 milhão, por meio de pagamentos sem a correspondente prestação dos serviços.

Outra frente envolve contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico.

Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões teriam sido pagos a essas empresas, provocando, segundo a investigação, prejuízo mínimo de R$ 3,5 milhões à instituição.

O MPMS afirma ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido sistematicamente ocultados de órgãos de controle, entre eles o Conselho Fiscal da própria Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

As suspeitas seguem sob investigação, e as prisões preventivas não representam condenação.

Comando em meio à crise

A entrada de Heitor na linha de frente ocorre, portanto, em circunstâncias diferentes de uma troca administrativa convencional. De uma só vez, a operação alcançou a presidente e os diretores administrativo e financeiro do hospital.

O cenário aumenta a responsabilidade sobre o vice-presidente para garantir a continuidade administrativa de uma instituição que mantém serviços de alta complexidade e ocupa posição estratégica na rede pública de saúde de Mato Grosso do Sul.

Apesar da operação desta sexta-feira, os atendimentos aos pacientes agendados e às pessoas já internadas foram mantidos normalmente, segundo informações divulgadas pela instituição.

A mudança ocorre ainda no momento em que uma ação civil pública pede à Justiça uma intervenção temporária na Santa Casa, com a nomeação de administrador provisório ou junta interventiva pelo período inicial de 180 dias.

O pedido também prevê afastamento temporário da presidente e da diretoria financeira dos poderes de gestão. Até o momento, trata-se de um pedido submetido à Justiça.

Quem é Heitor Scheibeler

A chegada de Heitor Miguel Scheibeler à linha de frente da Santa Casa de Campo Grande não ocorre por acaso. O atual vice-presidente percorreu diferentes postos da administração do hospital nos últimos anos e integra a cúpula da instituição desde, pelo menos, 2020.

Naquele ano, registros da própria Santa Casa já apresentavam Heitor como diretor-secretário adjunto. Dois anos depois, em fevereiro de 2022, ele aparecia como secretário da instituição durante a gestão de Heitor Rodrigues Freire, então presidente do hospital.

A permanência na administração continuou com a mudança de comando ocorrida em 2023. Quando Alir Terra Lima assumiu a presidência da Santa Casa pela primeira vez, Heitor foi empossado como diretor-secretário para o triênio 2023-2025.

Ele permaneceu próximo ao núcleo decisório da instituição durante todo o primeiro mandato de Alir. Em novembro de 2025, quando a chapa “Por Amor à Santa Casa” foi reeleita para mais três anos, Heitor esteve entre os nove nomes eleitos para o Conselho de Administração e voltou a ser escolhido diretor-secretário.

A nova diretoria tomou posse em 2 de janeiro deste ano. Naquele momento, a presidência permaneceu com Alir, enquanto Jary de Carvalho e Castro assumiu novamente a vice-presidência e Heitor iniciou mais um mandato como diretor-secretário.

A configuração, porém, durou menos de três semanas. Em 20 de janeiro, Jary renunciou à vice-presidência alegando motivos particulares e a intenção de voltar a se dedicar exclusivamente às atividades profissionais. Já naquele momento, Heitor era apontado como o provável nome para ocupar a vaga.

A substituição se concretizou e, atualmente, a própria Santa Casa apresenta Heitor Miguel Scheibeler oficialmente como vice-presidente da Diretoria Corporativa. Ele também integra o Conselho de Administração da entidade.

A trajetória colocou Heitor na linha sucessória justamente no momento mais delicado da atual gestão.

Nesta sexta-feira (11), a Operação Antidotum atingiu diretamente parte da cúpula administrativa da Santa Casa, com as prisões da presidente Alir Terra Lima e dos diretores administrativo e financeiro, Alessandro Dias Junqueira e Rinaldo Halme Romano.

Com a presidente e outros integrantes da administração presos preventivamente, Heitor passa de um cargo que assumiu há poucos meses para o centro das decisões envolvendo o maior hospital de Mato Grosso do Sul.

De primeira mulher na presidência à prisão em operação

Advogada, Alir Terra Lima chegou ao comando da Santa Casa de Campo Grande cercada de simbolismo. Eleita em novembro de 2022, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da instituição em mais de um século de história.

Sua chapa, “Por Amor à Santa Casa”, recebeu 49 votos, contra 39 da concorrente, e ela tomou posse em 2 de janeiro de 2023.

Heitor Miguel Scheibeler, vice-presidente da Santa Casa de Campo Grande, passa à linha de frente da instituição após operação atingir a cúpula administrativa.
Alir Terra Lima estava à frente da Santa Casa de Campo Grande desde 2023 e foi presa preventivamente durante operação nesta sexta-feira (11). Foto: Divulgação/Santa Casa.

Alir permaneceu à frente do maior hospital de Mato Grosso do Sul durante todo o triênio 2023-2025 e conseguiu renovar o mandato.

Em novembro do ano passado, foi reeleita para comandar a instituição por mais três anos. Desta vez, a chapa foi única e recebeu os votos dos 55 associados que participaram da eleição.

O segundo mandato começou oficialmente em 2 de janeiro deste ano, quando Alir tomou posse para a gestão 2026-2028. Na ocasião, afirmou que a administração pretendia investir no plano de saúde e na Escola de Saúde da instituição, além de buscar o fortalecimento financeiro e da formação profissional.

Pouco mais de oito meses depois da nova posse, a trajetória à frente da Santa Casa sofreu uma ruptura. Nesta sexta-feira (11), Alir foi presa preventivamente durante operação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga supostas fraudes em contratos ligados à instituição. 

As suspeitas ainda são investigadas e a prisão preventiva não representa condenação.

 

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