Cidades

CAMPO GRANDE

Armas de colecionador apreendidas seriam usadas para grande roubo em MS

A operação da Polícia Federal interceptou três pistolas 9 mm, quatro fuzis, munições, coletes balísticos e quatro balaclavas

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Um homem com registro de caçador, atirador e colecionador de armas (CAC) foi preso ontem pela Polícia Federal com fuzis e pistolas, que seriam utilizados para roubo, em Campo Grande. A identidade do proprietário do arsenal não foi divulgada. 
 
A operação da Polícia Federal chegou ao colecionador por meio de informações anônimas recebidas pela entidade. As investigações que foram realizadas para localizar o suspeito resultaram na apreensão de três pistolas 9 mm, quatro fuzis, munições, coletes balísticos com identificações falsas da Polícia Civil e quatro balaclavas (máscaras que cobrem todo o rosto), que poderiam ser utilizadas no roubo frustrado. 
 
Segundo a Polícia Federal, as investigações seguem em andamento para identificar outros indivíduos envolvidos na ação criminosa. 
 
É importante reiterar que o caso registrado pela corporação se destaca pelo arsenal interceptado antes de servir como instrumento para os furtos pertencer a um colecionador, submetido a um processo e testes que autorizaram a aquisição das armas.  
 
O Correio do Estado procurou o recém-eleito deputado federal Marcos Pollon (PL), que é líder do movimento brasileiro Proarmas, questionando-o sobre a fiscalização de crimes que podem ocorrer com indivíduos que utilizam armas de fogo legalizadas ou apresentam o porte legal da arma.
 
O político, em resposta, alegou que o processo para registro brasileiro de porte de armas é um dos mais rigorosos do mundo.
“Primeiro, elogio o trabalho da Polícia Federal na interceptação do crime que seria cometido. Existe um processo longo para registro de porte de armas no Exército Brasileiro que exige passar por exames psicológicos. Não é tão fácil assim comprar as armas de forma legal”, declarou o deputado Marcos Pollon.
 
Em relação a possíveis mudanças na aquisição do CAC, Pollon acredita que a melhora nas condições do processo administrativo pode evitar novos casos como este.
 
“Podemos aumentar os recursos, aumentar o pessoal administrativo e dar um plano de carreira a estas pessoas que trabalham neste segmento específico de aquisição do CAC, de uso comprometido e controlado das armas”, disse Pollon.
 
O deputado ainda acrescenta que o processo para aquisição das armas é demorado. “Você pode ficar de dois meses a um ano para conseguir comprar uma arma legalizada, passando por pré-contratos com a loja fornecedora. Depois de adquiri-las, o Exército ainda passa a fiscalizar se o portador fará o uso correto do armamento”, afirmou. 
 

MUDANÇAS 

Desde 2019, a aquisição de armamentos começou a ser flexibilizada no País, com incentivo ao registro e ao porte de armas. No início de 2019, o governo federal apresentou quatro projetos de lei, aprovados em 2021 com inúmeras ressalvas e ajustes, que alteraram o Estatuto do Desarmamento.
 
 
O indivíduo que tiver o registro CAC, que é a concessão de certificado de registro para pessoa física para realizar atividades de colecionamento de armas de fogo, tiro desportivo e caça, precisa da autorização do Exército para comprar armas.
Os requisitos listados no site do governo federal, em produtos e atividades controlados pelas Forças Armadas e a Defesa Civil, para a pessoa física solicitar o registro CAC são os seguintes.
 
 
A pessoa precisa apresentar comprovante de capacidade técnica para o manuseio de arma de fogo, laudo de aptidão psicológica fornecido por psicólogo credenciado pela Polícia Federal e comprovante de filiação a entidade de tiro/caça (que foi alterado em anexo C da Portaria 150, de 5 de dezembro de 2019, ficando dispensado este requisito se o registro da atividade for de colecionamento).
 
O número de registros de armas de fogo catalogadas no Sistema Nacional de Armas (Sinarm) cresceu 793% em Mato Grosso do Sul, quando comparados os anos de 2018 e 2021.
 
Conforme os dados disponibilizados pela Polícia Federal, corporação responsável pelo sistema, em 2018, o Estado teve 618 novas aquisições de armamentos, contra o número expressivo de 5.524 em 2021.
 
Os dados são referentes à posse de armas tanto de cidadãos comuns quanto de policiais e guardas.  
Entre as armas com maior porcentual de registro, estão, respectivamente: pistolas, com 136 declarações em 2018 e 3.229 em 2021; revólveres, 135 registros em 2018 e 1.484 em 2021; e rifles, 16 novas entradas no sistema em 2018 e 316 no ano passado.  
 
Questionado sobre o número de CACs que têm a permissão para porte de arma, o Comando Militar do Oeste (CMO) informou que o estado de Mato Grosso do Sul conta com 16.356 caçadores catalogados e ativos.
 

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

Em entrevista ao Correio do Estado no mês passado, a psicóloga Antônia Santos da Silva, credenciada pela Polícia Federal desde 2015 e que faz avaliações para porte de armas, explicou que para realizar o procedimento e emitir o laudo de aptidão é necessário que o profissional seja especialista em avaliação psicológica.  

Além disso, também são exigidos cursos de formação e testes. De acordo com a psicóloga, o profissional fica credenciado por quatro anos, com possibilidade de renovação mediante análise e exames aplicados pela PF.
 
“É uma atividade que, para exercer, o profissional precisa ter um pouco de experiência no âmbito. Ser formado há um tempo. O teste consiste em técnicas, entrevistas, observações e análise de documentos. Por meio deles é possível investigar diferentes características psicológicas, como emoção, afeto, cognição, inteligência, motivação, personalidade, atenção, memória e percepção”, explicou. 
 

INTERCEPTAÇÃO

Ainda nesta quarta-feira, a Polícia Civil apreendeu em Dourados mais de 15 armas, entre pistolas e revólveres, que estavam em residência que servia como depósito do armamento, que posteriormente seria distribuído nos presídios de MS.
 
Na casa alugada, as armas de fogo estavam escondidas em um guarda-roupas, no quarto de uma mulher de 62 anos, mãe de um presidiário que cumpre pena na Penitenciária Estadual de Dourados (PED) e é ligado à facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
 
Durante a operação, além da mãe do detento, também estava na casa um rapaz de 20 anos, que fazia a segurança do local. Ambos permanecem presos.

TRÂNSITO

Pacote de intervenções quer reduzir congestionamentos e facilitar acesso

Intervenções começaram nesta semana, com retirada de rotatórias de avenidas, mas projetos da Agetran ainda preveem melhorias em acessos a bairros como Aero Rancho e Moreninhas

24/07/2026 08h00

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) começou nesta semana uma nova etapa de intervenções viárias em Campo Grande com a intenção de reduzir congestionamentos e facilitar o acesso a alguns bairros populosos da Capital.

O pacote de obras começou com a retirada das rotatórias das Avenidas Rodolfo José Pinho, no cruzamento com as Ruas Dos Vendas e Chaadi Scaff, e no cruzamento da Avenida Rachid Neder com a Rua Arthur Jorge.

Porém, segundo o diretor-presidente da Agetran, Ciro Ferreira, essas intervenções devem continuar ao longo dos próximos meses em outros pontos.

“Nós fazemos constantemente estudos sobre o trânsito em vários pontos onde identificamos gargalos. Nosso objetivo é sempre dar fluidez nas ruas e avenidas e esse foi o motivo da retirada das rotatórias. Mas vários outros pontos também  devem receber mudanças nos próximos meses”, contou ao Correio do Estado.

Segundo Ferreira, o próximo ponto a passar por obras será o encontro entre as Ruas 14 de Julho e 13 de Maio, no Bairro São Francisco.

Trecho na Rua 13 de Maio terá mudança no sentido para permitir entrada de motoristas que estiverem na Rua 14 de Julho, no Centro - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Neste ponto, segundo o diretor-presidente, quem estiver na Rua 14 de Julho e pretender entrar na Rua 13 de Maio não vai mais precisar fazer o contorno pela Euler de Azevedo e poderá já entrar diretamente.

Entrada das Moreninhas está entre as obras a serem realizadas - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

“Vamos fazer uma mudança no sentido do fluxo, tudo semaforizado e só vai precisar entrar na Euler quem realmente for para essa via”, afirmou Ferreira.

Além desta intervenção, que deve facilitar o trânsito para quem pretende seguir para o Bairro São Francisco, a autarquia ainda projeta outras melhorias, em diferentes regiões da cidade, como o acesso aos Bairros Moreninhas e Aero Rancho.

Nas Moreninhas, segundo Ferreira, a intervenção será na Avenida Gury Marques, onde o acesso ao bairro será facilitado. Já no Aero Rancho a mudança será na Gunter Hans, que facilitará a entrada pela avenida de quem quer ir para o bairro.

Contorno da Avenida Gunter Hans para acessar o Aero Rancho - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

“Sempre estudamos os impactos dessas mudanças, fazemos reuniões com a comunidade para escutá-la. Avaliamos índice de sinistros, horário de pico, volume do tráfego, tudo isso antes de decidirmos fazer a alteração”, explicou o diretor-presidente da Agetran.

Um trecho que passa por estudos neste momento, segundo Ciro Ferreira, é a Rua Jeribá/Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camilo, no Bairro Chácara Cachoeira, próximo à Câmara Municipal.

Na via está em estudo a manutenção ou não de várias rotatórias, principalmente com a Ricardo Brandão (esquina da Câmara). Nesta rua, na esquina com a Rua Raul Pires Barbosa, por exemplo, a rotatória já foi retirada para dar lugar à semaforização.

“Sempre que vemos o trânsito acumulando muito em uma região, estudamos a melhor intervenção para o local, se é retirar a rotatória e colocar semáforo ou se é outra intervenção”, afirmou Ferreira.

AFONSO PENA

O reordenamento começou em abril deste ano, pela Avenida Afonso Pena, onde vários pontos tiveram a conversão à esquerda proibida na região central, uma forma que a prefeitura encontrou de reduzir a concentração de veículos em alguns locais.

Foram proibidas as conversões com as Ruas Bahia, 14 de Julho, Rui Barbosa, José Antônio, Joaquim Távora, 13 de Maio, Pedro Celestino, Padre João Crippa e 25 de Dezembro.

*SAIBA

No Bairro São Francisco, as Ruas Pedro Celestino, Padre João Crippa, José Antônio e 13 de Junho, no trecho entre a Avenida Rachid Neder e a Rua Amazonas, passaram a ter mão única, assim como a Rua Alegrete, entre a Rua Brasil e a Rua José Antônio.

SEGURANÇA PÚBLICA

Crimes de pistolagem tem salto em julho e somam oito vítimas na Capital

Último caso ocorreu no fim da tarde de ontem, no Bairro Los Angeles, quando um homem foi executado com seis tiros

24/07/2026 08h00

Homem de 40 anos foi executado com seis tiros na tarde de ontem, no Bairro Los Angeles, em Campo Grande; caso é investigado

Homem de 40 anos foi executado com seis tiros na tarde de ontem, no Bairro Los Angeles, em Campo Grande; caso é investigado Divulgação

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Depois de um novo caso esta semana, Campo Grande chegou a, pelo menos, oito vítimas executadas com indícios de pistolagem somente neste mês, segundo levantamento feito pelo Correio do Estado. Os casos geralmente são motivados por rixas no mundo do tráfico de drogas ou dívidas.

O crime mais recente ocorreu no fim da tarde de ontem, no Bairro Los Angeles. Leandro Martinez Ortiz, de 40 anos, foi morto com seis tiros enquanto estava em frente de casa.

Segundo a polícia, dois homens em uma moto chegaram ao local e atiraram contra a vítima, que estava sentada e de costas para os autores. Até o fechamento desta matéria não havia sido divulgada a motivação do crime.

A morte anterior havia acontecido na quarta-feira, quando o empresário Matheus Luiz de Castro Vasconcelos, de 22 anos, foi executado na calçada em frente ao imóvel que ele estaria reformando, onde esperava um eletricista no momento do crime.

Enquanto aguardava o prestador de serviço, dois homens em uma motocicleta chegaram atirando contra a vítima, que ainda correu para dentro do imóvel, mas foi atingido e morreu no quintal da casa.

Com essa morte, a Capital chegou a sete vítimas por execução a tiros. A maioria desses crimes está ligada a disputas de facções criminosas ou a dívidas. Tanto que, neste caso mais recente, a suspeita inicial da equipe de policiais é de que a vítima atuava como agiota e o valor de R$ 600 mil seria a motivação do crime.

De acordo com o portal de estatísticas da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), foram registradas 82 vítimas de homicídio doloso (quando há a intenção deliberada de matar ou quando o autor assume o risco de produzir o resultado fatal) em Campo Grande este ano, sendo 13 somente neste mês.

A pena para os autores de homicídio é de 6 anos a 20 anos, podendo ser aumentada ou diminuída a depender da motivação do crime, da idade dos condenados, da dinâmica do assassinato, conforme consta no Artigo nº 121 do Código Penal Brasileiro.

CASOS

O primeiro assassinato a pistolagem registrado neste mês na Capital aconteceu no dia 8, na Rua Barbacena, esquina com a Rua Indianápolis, no Bairro Jardim Noroeste.

Na ocasião, Lucas Barreto Pericena, de 31 anos, caminhava em direção a uma praça quando foi surpreendido por dois homens. Um deles disparou duas vezes contra a vítima, atingindo-a na cabeça.

Ainda com sinais vitais quando o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local, Lucas foi encaminhado à Santa Casa, mas teve sua morte cerebral declarada horas depois.

Cerca de duas semanas depois do caso, Leonardo Ribeiro de Carvalho, de 19 anos, apontado como suspeito de envolvimento na morte de Lucas, foi preso.

No dia 14 de julho, os corpos dos jovens Lucas Lima de Oliveira e Tiago Salles Pereira foram encontrados em uma estrada vicinal que liga a BR-262 à MS-040, próximo a Campo Grande.

Ambos estavam com marcas de tiros e a uma distância de 10 metros um do outro. O caso continua em investigação pela Polícia Civil.

No dia 17, Felipe Pereira dos Santos, de 20 anos, morreu após ser executado por dois homens que estavam em uma moto, no Parque do Lageado. A vítima chegou a receber atendimento no Centro Regional de Saúde (CRS) do Aero Rancho, mas morreu ainda na unidade de saúde. Os suspeitos ainda não foram identificados.

Três dias depois, André Oliveira dos Santos, de 16 anos, morreu após ser alvejado por 12 tiros dentro da própria residência, no Bairro Vila Nhanhá, em Campo Grande. A vítima estava deitada no sofá da sala, quando o autor invadiu o imóvel, efetuou vários disparos e fugiu rapidamente do local.

Durante as diligências, os policiais receberam a informação de que o adolescente assassinado teria se envolvido em uma discussão, dias antes do homicídio. O motivo do desentendimento não foi esclarecido, mas esse fato passou a integrar a linha de investigação conduzida pelos policiais.

Na noite de domingo, Maurilho Murer Chaves, de 36 anos, foi assassinado a tiros no estacionamento de uma pizzaria na Rua Paraíba, no Bairro Jardim dos Estados.

A suspeita é de que a ação foi motivada por um possível acerto de contas, já que ele era apontado como um dos líderes do tráfico de drogas na região da Vila Nhanhá, acumulando seis passagens anteriores à sua morte.

*SAIBA

Para se ter uma ideia, nos municípios considerados na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul pela Sejusp, 44 ao todo, foram registrados 126 assassinatos neste ano, dos 285 contabilizados em todo o Estado até quarta-feira.

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