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A armadilha dos jogos de apostas on-line

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O Brasil enfrenta uma crise crescente com o acesso a jogos de apostas on-line. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) revelam que 63% dos apostadores comprometem seu orçamento doméstico com apostas. Mas por que isso está acontecendo de forma tão rápida e intensa? A resposta pode ser encontrada tanto nos processos cerebrais que moldam nossas decisões quanto nos mecanismos econômicos.

Nosso cérebro é vulnerável a certos mecanismos de recompensa. Quando apostamos e ganhamos, o sistema de recompensa é ativado pela dopamina, um neurotransmissor responsável por sensações de prazer e motivação, que cria uma sensação imediata de euforia, o que nos faz querer repetir o comportamento. Com as apostas on-line, essa ativação é ainda mais rápida e intensa, pois o retorno é imediato.

Esse ciclo é reforçado por vieses cognitivos como o otimismo exagerado, que nos faz superestimar as chances de ganhar. O fato de os jogos darem a falsa sensação de controle – como se o jogador tivesse poder sobre o resultado – cria uma armadilha emocional. É a chamada ilusão de controle.

Milhares de brasileiros estão caindo nessa armadilha emocional e financeira. Ainda de acordo com o estudo da SBVC, o gasto com apostas on-line passou de 0,8% da renda familiar, em 2018, para até 2,7%, em 2023. Para sustentar o vício, 23% dos participantes disseram deixar de comprar roupas, 19% pararam de fazer compras no supermercado e 14% renunciaram a produtos de higiene e beleza.

Diante de um cenário tão desafiador, é possível evitar cair nessa armadilha? Sim, existem maneiras de se proteger. A seguir, listo algumas dicas.

Educação financeira: compreender os riscos e as armadilhas do comportamento humano é o primeiro passo, o que pode ajudar a avaliar melhor as consequências de suas decisões e a estabelecer limites claros para gastos com apostas.

Reconhecer os sinais: identificar que o jogo está saindo de controle é essencial. Caso perceba que as apostas estão tomando espaço nas suas finanças ou no seu bem-estar emocional, é hora de buscar ajuda, seja com familiares, seja com amigos e profissionais.

Estabelecer limites: definir um orçamento para o lazer e nunca ultrapassar esse valor pode prevenir problemas maiores.

O vício em jogos de apostas on-line no Brasil é um problema que vai além da economia e toca em questões emocionais e cognitivas profundas. Nosso cérebro, em busca de recompensas imediatas, muitas vezes nos leva a decisões impulsivas e arriscadas.

Geralmente, usa atalhos mentais – conhecidos como heurísticas – para tomar decisões rápidas, mas sem muita precisão. A solução passa por conscientização, educação e apoio para que possamos, juntos, combater essa epidemia de vício em jogos.
 

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Promulgação da Constituição de 1988: o que mudou com a sua implantação?

10/10/2024 07h15

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Símbolo do processo de redemocratização no Brasil, a Constituição Federal completou no sábado, dia 5 de outubro, 36 anos de promulgação. Considerado um grande avanço para o País, o novo texto constitucional trouxe mecanismos até então inéditos que buscavam preservar a recém-instalada ordem democrática. Os direitos individuais do cidadão foram incluídos, por exemplo.

É possível citar os direitos trabalhistas, como a jornada de trabalho de oito horas diárias, 44 horas semanais e a licença-paternidade. Esses são apenas alguns exemplos de conquistas que até então não existiam e passaram a ser asseguradas. Além disso, a educação voltou a ser um dever do Estado. Já na área da infância e da adolescência, o texto constitucional passou a reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, assegurando a eles prioridade absoluta no tratamento das políticas públicas. 

Também nasceu com a Carta Magna brasileira o Sistema Único de Saúde (SUS), que passou a oferecer a todo cidadão brasileiro acesso integral, universal e gratuito a serviços de saúde. Considerado um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo, entre os países com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é o único que tem um sistema de saúde pública universal totalmente financiado pelo Estado.

Já sobre as instituições, é importante destacar a autonomia ampliada ao Ministério Público (MP) em diferentes instâncias e, anos depois, à Defensoria Pública (DP). Ambos são importantes para o funcionamento do Sistema de Justiça, merecendo também destaque para a atuação do advogado, com singular disciplina no texto constitucional: “Art. 133. O advogado é indispensável à administração da Justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei”.

Portanto, a Constituição Cidadã traz uma legitimação do Estado Democrático de Direito, conferindo grande suporte para as transformações políticas, econômicas, culturais e sociais. Buscando, portanto, grandes avanços em áreas conexas e valendo sempre dos mecanismos de sustentabilidade assegurados pelas normas constitucionais.

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O impacto desproporcional do aumento do IPI sobre os cigarros

09/10/2024 07h45

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Os planos de saúde podem passar por uma nova transformação no Brasil. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está propondo mudanças significativas nas regras que regem o setor. O foco é estimular a venda de planos exclusivamente ambulatoriais, que oferecem cobertura para exames e consultas, mas que não incluem internações.

Entretanto, a proposta tem uma questão polêmica: uma nova política de critérios de reajustes dos planos individuais e familiares. As novidades começaram a ser avaliadas a partir de uma audiência pública no início desta semana.

Atualmente, a ANS é responsável por aprovar os reajustes anuais dos planos individuais e familiares, que representam 17,2% dos 51,1 milhões de consumidores de planos de assistência médica no País. Neste ano, o reajuste máximo autorizado foi de 6,91%, enquanto os planos coletivos tiveram um aumento médio de 13,8%.

No entanto, nessa nova proposta, a ANS sugere a possibilidade de reajustes excepcionais para planos individuais em caso de desequilíbrio econômico-financeiro em um contrato.

Além de criar a possibilidade de um reajuste extra nos planos individuais, a proposta da ANS também pretende criar novas regras a planos coletivos, limites para reembolso e coparticipação e uma regulamentação dos programas conhecidos como cartões de benefícios.

Outro ponto de discussão é a ampliação dos agrupamentos dos planos coletivos para diluir os riscos e tornar os reajustes mais equilibrados, além de maior transparência no cálculo desses reajustes – uma reivindicação frequente dos consumidores, que muitas vezes recorrem ao Judiciário para contestar aumentos considerados abusivos.

A ANS também pretende discutir a definição de novos critérios para coparticipação e franquia, limites para os custos que podem ser repassados aos consumidores e a obrigatoriedade da venda de planos pela internet, facilitando o acesso a diferentes opções de produtos.

Essas iniciativas, no entanto, ligam um sinal de alerta para os consumidores. Isso porque a proposta inclui uma série de ações que afetam diretamente a relação entre beneficiários e operadoras. Uma das principais é a de reajustes excepcionais, o que vai contra o Código de Defesa do Consumidor.

Importante destacar que essas eventuais mudanças precisariam de uma avaliação mais criteriosa. As propostas da ANS deveriam ser discutidas com mais profundidade pela sociedade e também no Legislativo. A criação de novas regras podem ser um novo gatilho para o crescimento da judicialização do segmento.

A ANS busca, na minha visão, equilibrar o acesso à saúde com a sustentabilidade financeira das operadoras, mas essa balança não pode pender apenas para um dos lados.

Atualmente, os consumidores enfrentam graves problemas, como aumentos abusivos, rescisão unilateral de contratos, descredenciamento da rede de atendimento sem nenhum tipo de comunicação prévia e a negativa de atendimento para diversos tipos de exames e enfermidades.

Portanto, em um cenário de grande complexidade, a ANS deveria considerar tanto a sustentabilidade das operadoras quanto a proteção dos consumidores, buscando um equilíbrio que promova um sistema de saúde justo e acessível.

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