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Artigo

A fala destemperada de Trump

Um tempo em que o verbo se antecipa ao pensamento, em que a palavra deixa de ser instrumento de construção para se transformar em arma de impacto imediato

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A fala recente de Donald Trump envolvendo o papa Leão XIV não é apenas mais um episódio de sua conhecida retórica impulsiva.

É, antes, um sintoma eloquente de um tempo em que a linguagem pública se degrada, perde filtros e abdica da liturgia mínima que se espera de quem ocupa ou já ocupou o poder.

Vivemos, de fato, um mundo alucinado. Um tempo em que o verbo se antecipa ao pensamento, em que a palavra deixa de ser instrumento de construção para se transformar em arma de impacto imediato.

O problema não está apenas no conteúdo da fala, mas na forma. Há coisas que simplesmente não se dizem – ou, se ditas, exigem o véu da metáfora, a elegância da indireta, o cuidado da diplomacia.

A história da política é, também, a história da linguagem. Dos discursos de Cícero à sutileza estratégica de Maquiavel, passando pelo cerimonial de corte de Luís XIV, a palavra sempre ocupou papel central na construção do poder. Não por acaso, o exercício da liderança exige domínio da forma, do tom e da oportunidade.
 

Trump, ao contrário, parece cultivar o improviso como método e a grosseria como estilo. Sua fala, ao tocar uma figura de elevada simbologia espiritual como o papa, ultrapassa a fronteira da crítica política para ingressar no terreno da indelicadeza gratuita. É como dizer, para usar uma analogia recente, que “chinês come cachorro”. Não se trata de liberdade de expressão, mas de ausência de refinamento. É a linguagem que escorrega para o preconceito, para o simplismo, para a infantilização do debate.

Um estadista – ou alguém que aspire a sê-lo – não precisa abdicar da firmeza para exercer a elegância. Ao contrário: a verdadeira força política se expressa, muitas vezes, na capacidade de dizer sem ferir, de criticar sem vulgarizar, de discordar sem descer ao nível do insulto. A diplomacia, afinal, é a arte de administrar conflitos por meio da palavra.

O episódio revela algo mais profundo: a erosão dos padrões civilizatórios no discurso público. Em tempos de redes sociais, a recompensa está no impacto imediato, no corte viral, na frase que provoca reação instantânea.

O algoritmo premia o exagero, não a ponderação. E líderes que se adaptam a essa lógica acabam por reforçá-la, criando um círculo vicioso de radicalização verbal.

O resultado é uma arena pública mais ruidosa, porém menos qualificada. O debate perde densidade, a argumentação cede lugar ao ataque e a política se aproxima perigosamente do espetáculo. O que deveria ser diálogo transforma-se em performance.

No caso específico da fala sobre o papa, o dano não é apenas institucional ou diplomático. É simbólico. O papa representa, para milhões, não apenas uma autoridade religiosa, mas um referencial moral.

Atacá-lo de forma desabrida é, em alguma medida, desconsiderar esse universo simbólico e, por consequência, os próprios fiéis que nele se reconhecem.

É possível – e legítimo – discordar do Vaticano, de suas posições, de sua atuação global. Mas há formas e formas de fazê-lo. Entre a crítica fundamentada e a grosseria há uma distância que separa o estadista do agitador.

No fundo, a questão que se impõe é simples: que tipo de linguagem queremos ver prevalecer na vida pública? A que constrói pontes ou a que cava abismos? A que ilumina ou a que incendeia?

A resposta a essa pergunta definirá não apenas o nível do debate político, mas a própria qualidade da democracia.

Porque, no fim das contas, não é apenas o que se diz que importa, é como se diz. E é aí que, muitas vezes, se revela a verdadeira estatura de um líder.

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ARTIGOS

Aos astronautas da cápsula Orion

Reentrada na atmosfera a 40.000 km/h e a uma temperatura de 2.760ºC

22/04/2026 07h45

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Este artigo está sendo escrito mesmo antes da chegada ao planeta Terra dos astronautas da cápsula Orion, que terão o maior desafio antes da chegada à Mãe Terra.

Na reentrada na atmosfera a 40.000 km/h e a uma temperatura de 2.760ºC, torcemos pelo sucesso em seu retorno a nosso Earth planet.

De lá, nos 10 dias que orbitaram a Lua, nos enviaram imagens do “pôr da Terra”, que foram juntadas com as do “nascer da Terra” da Apollo 8, e também presenciaram um eclipse lunar, em que a Lua escondeu o astro-rei, o Sol, que nos fornece a luz diária para os 8 bilhões de terráqueos apinhados na espaçonave Terra.

Parabéns ao comandante Reid Wiseman pela condução sem acidentes em pleno espaço sideral. Tivemos também palavras da astronauta Christina Koch, que sentiu falta de nossas imagens da Terra, como nossos oceanos e nossas florestas, já o astronauta Victor Glover citou que as obras do Criador têm que ser cuidadas para todas as gerações e o astronauta canadense Jeremy Hansen vibrou muito com uma de suas fotos, o “pôr da Terra”, e citou que devemos cuidar, porque ela é a nossa casa.

No seu retorno, vamos entrar em contato com eles para se juntarem à nossa causa maior, que é a plataforma pela regeneração do planeta Terra, porque, aqui, a natureza e a vida têm sido muito prejudicadas, principalmente pelas guerras sem fim.

Nesses 10 dias, milhares de bombas, mísseis e drones explodiram nas terríveis guerras de EUA-Israel e Irã, Rússia e Ucrânia, onde milhões de agentes, oriundos das explosões que tiraram a vida das pessoas, contaminaram nosso meio ambiente e a atmosfera.

Vamos aguardar o retorno desses grandes heróis para lhes propor a viagem mais longa que o ser humano fará no planeta Terra, “para dentro de nós mesmos”.

Juntem-se a nós, o tempo da mudança chegou.

ARTIGOS

Participação social a chave na virada dos serviços públicos

A virada para que os serviços públicos pudessem ser prestados com impactos positivos, foi fruto da reestruturação do sistema de regulação e da implementação de uma gestão de resultados

22/04/2026 07h30

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Os serviços públicos essenciais em Mato Grosso do Sul atendem à finalidade de satisfazer as necessidades básicas da população e têm compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Essa deveria ser uma constatação óbvia, afinal, todos nós pagamos pelos serviços, tarifas de água e esgoto, de energia, transporte, limpeza urbana, coleta de lixo e assim por diante.

Se olharmos para o cenário de cinco anos atrás, o atendimento não correspondia à finalidade de suprir nossas necessidades básicas.

Mas hoje podemos dizer que os nossos direitos de serviços eficientes, seguros e de qualidade estão garantidos, graças à efetividade do sistema regulatório gerido pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems).

A virada para que os serviços públicos pudessem ser prestados de foma eficiente e segura, com impactos positivos, foi fruto da reestruturação do sistema de regulação e da implementação de uma gestão de resultados, com foco em eficiência e transparência, planejamento e participação social.

Além de restabelecermos o papel institucional da regulação de serviços delegados, buscamos implementar uma gestão inovadora, capaz de induzir práticas sustentáveis, ancorada nos princípios socioambientais e governança.

A par dos resultados que asseguram a qualidade e a eficiência dos serviços públicos, a Agems está liderando um processo estratégico no reposicionamento do papel da regulação diante da inovação e da incorporação de tecnologias emergentes pelas concessionárias, especialmente nos segmentos de saneamento básico e ambiental, transporte intermunicipal de passageiros, transição energética e rodovias.

Quero ressaltar que essas conquistas não seriam possíveis sem o nosso corpo técnico. Um grupo altamente capacitado que muito nos orgulha.

Coube à Agems assumir a coordenação da primeira Câmara Técnica de Inteligência Artificial, Inovação Tecnológica e Mudanças Climáticas no âmbito da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), fato que, para nós, como gestores, é motivo de comemoração, não só pela representação, que marca a presença de Mato Grosso do Sul nos grandes debates da era digital, mas por nos credenciar e reconhecer nossa capacidade de responder a uma agenda tão desafiadora no processo de modernização e inovação tecnológica, soluções digitais e mudanças climáticas. Eventos que impactam a economia, os serviços públicos e o desenvolvimento social.

Ao cabo de cinco anos e três meses da nova estrutura regulatória de MS, relatório de todas as ações e atividades da Agems demonstra que o modelo de gestão implementado, buscando efetividade na fiscalização e a participação social em todos os processos de melhoria dos serviços públicos, foi capaz de obter ganhos socioambientais e a adesão das nossas comunidades às práticas sustentáveis, avançando na qualidade de vida das pessoas, nosso objetivo maior.

Evoluímos ano a ano, numa trajetória marcada pela implementação de soluções inovadoras, fortalecimento da governança e ampliação da atividade regulatória. Avançamos além do ambiente normativo, fazendo da regulação um instrumento de transformação social e desenvolvimento econômico.

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