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Participação social a chave na virada dos serviços públicos

A virada para que os serviços públicos pudessem ser prestados com impactos positivos, foi fruto da reestruturação do sistema de regulação e da implementação de uma gestão de resultados

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Os serviços públicos essenciais em Mato Grosso do Sul atendem à finalidade de satisfazer as necessidades básicas da população e têm compromisso com a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Essa deveria ser uma constatação óbvia, afinal, todos nós pagamos pelos serviços, tarifas de água e esgoto, de energia, transporte, limpeza urbana, coleta de lixo e assim por diante.

Se olharmos para o cenário de cinco anos atrás, o atendimento não correspondia à finalidade de suprir nossas necessidades básicas.

Mas hoje podemos dizer que os nossos direitos de serviços eficientes, seguros e de qualidade estão garantidos, graças à efetividade do sistema regulatório gerido pela Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems).

A virada para que os serviços públicos pudessem ser prestados de foma eficiente e segura, com impactos positivos, foi fruto da reestruturação do sistema de regulação e da implementação de uma gestão de resultados, com foco em eficiência e transparência, planejamento e participação social.

Além de restabelecermos o papel institucional da regulação de serviços delegados, buscamos implementar uma gestão inovadora, capaz de induzir práticas sustentáveis, ancorada nos princípios socioambientais e governança.

A par dos resultados que asseguram a qualidade e a eficiência dos serviços públicos, a Agems está liderando um processo estratégico no reposicionamento do papel da regulação diante da inovação e da incorporação de tecnologias emergentes pelas concessionárias, especialmente nos segmentos de saneamento básico e ambiental, transporte intermunicipal de passageiros, transição energética e rodovias.

Quero ressaltar que essas conquistas não seriam possíveis sem o nosso corpo técnico. Um grupo altamente capacitado que muito nos orgulha.

Coube à Agems assumir a coordenação da primeira Câmara Técnica de Inteligência Artificial, Inovação Tecnológica e Mudanças Climáticas no âmbito da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (Abar), fato que, para nós, como gestores, é motivo de comemoração, não só pela representação, que marca a presença de Mato Grosso do Sul nos grandes debates da era digital, mas por nos credenciar e reconhecer nossa capacidade de responder a uma agenda tão desafiadora no processo de modernização e inovação tecnológica, soluções digitais e mudanças climáticas. Eventos que impactam a economia, os serviços públicos e o desenvolvimento social.

Ao cabo de cinco anos e três meses da nova estrutura regulatória de MS, relatório de todas as ações e atividades da Agems demonstra que o modelo de gestão implementado, buscando efetividade na fiscalização e a participação social em todos os processos de melhoria dos serviços públicos, foi capaz de obter ganhos socioambientais e a adesão das nossas comunidades às práticas sustentáveis, avançando na qualidade de vida das pessoas, nosso objetivo maior.

Evoluímos ano a ano, numa trajetória marcada pela implementação de soluções inovadoras, fortalecimento da governança e ampliação da atividade regulatória. Avançamos além do ambiente normativo, fazendo da regulação um instrumento de transformação social e desenvolvimento econômico.

Artigo

O eleitor mediano sumiu da corrida presidencial deste ano?

A corrida presidencial segue a todo vapor, trazendo uma pergunta que creio valer uma quantia milionária: o teorema do eleitor mediano da ciência econômica explica a conjuntura política do Brasil?

20/04/2026 07h30

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Professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Pesquisadora do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica.

A corrida presidencial segue a todo vapor, trazendo uma pergunta que creio valer uma quantia milionária: o teorema do eleitor mediano da ciência econômica explica a conjuntura política do Brasil?

O tal teorema, enunciado inicialmente pelo economista escocês Duncan Black, na década de 1940, prevê que candidatos com chance de vitória devem mirar em campanhas voltadas para o centro do espectro ideológico.

A lógica é a seguinte: em uma democracia com regra de maioria, aquele que se distancia do meio dá votos de bandeja para o seu rival ocupar o espaço.

O matemático Harold Hotelling, em 1929, ofereceu um raciocínio rigoroso e visualmente impactante sobre o assunto. Considere dois sorveteiros em uma faixa de praia.

Cada um deles, de maneira experimental, tenta várias opções para deixar o seu carrinho ou quiosque, mas a competição acirrada faz com que os dois percebam que o ponto mais lucrativo deve ser mesmo o centro da praia.

Ainda que na política a analogia seja válida, vale o alerta de que nem a praia e nem a política real têm consumidores distribuídos de maneira uniforme.

Tampouco podemos imaginar que os mais de 155 milhões de eleitores brasileiros tenham preferências organizadas como a famosa “curva do sino.”

Todos que acompanham as pesquisas de intenção de voto percebem retratos de um eleitorado polarizado em dois grandes picos comumente chamados de esquerda e direita, mesmo que as pessoas tenham dificuldade em compreender seus fundamentos.

Nesse cenário, as candidaturas do ex-governador de Goiás e o de Minas Gerais ao Executivo Federal parecem ser balões de ensaio para examinar se há mesmo fôlego para a moderação.

Ambos investem em temas que fisgam nossa atenção como a segurança pública, o combate à corrupção e a modernização do Estado. Além disso, defendem a anistia do ex-presidente Bolsonaro.

Estão de olho no mesmo eleitor de Flávio Bolsonaro e de outros descontentes com Lula da Silva e o mais recente ex-presidente. Difícil especular se eles conseguem mesmo mirar no eleitor mediano.

O grande erro de aplicar o teorema resulta da confusão entre os conceitos de mediana e média. A mediana é uma medida que divide o eleitorado exatamente ao meio, ou seja, uma metade prefere estar mais à esquerda, enquanto a outra, à direita.

Ela só se iguala com a média aritmética quando as preferências do espectro ideológico se distribuem de forma simétrica como a famosa “curva do sino.”

Porém, hoje, temos intenções de votos que sugerem uma distribuição com dois picos e, por isso, a mediana pode estar em uma região diferente do que se espera de um eleitorado de preferência moderada, nem progressista e nem conservador.

Isso quer dizer que o teorema caducou? Não, ele apenas precisa ser melhor interpretado. Para começar, o eleitor real não tem preferências unidimensionais.

Há todo o tipo de gente: conservadores nos costumes e liberais na economia; liberais em tudo; conservadores nos costumes e intervencionistas; e combinações que desafiam o entendimento sobre o eixo esquerda-direita.

Além disso, o espectro ideológico não é estático: aumento da violência, novos escândalos de corrupção, mudanças tecnológicas e transformações econômicas variadas transformam as crenças dos eleitores.

A metáfora da praia do matemático muda a forma da faixa de areia assim como os sorveteiros candidatos deslocam-se para ganharem mais clientes ou votos.

O baixo entusiasmo com o governo de plantão pode ser um indício da mudança. O eleitor de hoje provavelmente não parece mais seduzido pelos programas de assistência; eles já são tidos como obrigação do Executivo Federal. Sendo assim, apostar todas as fichas no debate nessa pauta pode ser tão arriscado quanto a estratégia do microempreendedor tentando vender sorvete numa praia em que pessoas desejam bebidas ricas em proteína.

Se a analogia estiver correta, vale especular se o eleitor mediano busca um Estado moderno que reduza custos de transação, resolva o sério problema de segurança e combata o câncer da corrupção.

Talvez o eleitor não queira que o Estado resolva tudo para ele e tampouco deseje que a solução de todos os seus problemas venha do Estado; só anseie que o Estado limpe o jardim para que ele possa plantar o que precisar ou desejar. Afinal, não é disso que se trata o desenvolvimento humano?

Certamente, nem tudo é economia, a despeito do slogan de James Carville na campanha de Bill Clinton em 1992 “It´s the economy, stupid.” Não há como negar que a política tem muito das paixões, identidades e investidas tribais, que desafiam a lógica do cálculo racional.

Sendo assim, vale seguir o aviso do Nobel de Economia Amartya Sen, em seu “Identidade e Violência”: perigoso é acreditar em uma única identidade tribal que precisa rivalizar e destruir outras para sobreviver. Steven Pinker chama atenção para nossos dois chips mais importantes: nascemos com o do instinto de sobrevivência e o da racionalidade, é uma conquista cultural e merece ser preservada. Sem eles fica difícil neutralizar a marcha da insensatez.

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Editorial

Fertilizantes e a soberania produtiva

Garantir segurança para a UFN3 é, portanto, garantir segurança para o agronegócio nacional. Trata-se de um ativo estratégico localizado em Mato Grosso do Sul

20/04/2026 07h15

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A garantia de que a Petrobras terá gás natural suficiente para abastecer a Fábrica de Fertilizantes de Três Lagoas, conforme revelado nesta edição, traz um elemento essencial para o agronegócio brasileiro: previsibilidade.

Em um setor altamente dependente de insumos e sujeito a oscilações externas, assegurar o fornecimento da principal matéria-prima é, na prática, garantir condições para que a produção avance com mais estabilidade.

Se há segurança no suprimento de gás, há também segurança para o agro de Mato Grosso do Sul e do Brasil prosperar. Trata-se de uma relação direta.

A produção de fertilizantes nitrogenados depende desse insumo, e qualquer incerteza nesse elo compromete toda a cadeia produtiva, do plantio à colheita.

Nesse sentido, a sinalização de que existem alternativas para suprimento, inclusive em cenários de eventual escassez nas jazidas bolivianas, reforça a robustez do projeto e reduz riscos.

Esse ponto é crucial. A dependência externa sempre foi uma vulnerabilidade histórica do Brasil no setor de fertilizantes.

Ao indicar que há caminhos para contornar eventuais interrupções no fornecimento internacional, a Petrobras amplia a confiabilidade da operação e fortalece a segurança produtiva nacional.

Mais do que uma questão empresarial ou regional, a reativação da fábrica não pode ser reduzida a disputas políticas. O debate precisa ser elevado ao seu devido patamar estratégico.

As recentes tensões globais expuseram fragilidades no conceito de livre mercado irrestrito, especialmente quando interesses nacionais entram em jogo. A circulação de mercadorias, antes tratada como garantida, passou a sofrer interferências, restrições e incertezas.

É nesse contexto que a unidade de Três Lagoas ganha relevância ainda maior. A UFN3, sozinha, tem potencial para suprir cerca de 15% da demanda brasileira por fertilizantes.

Não resolve integralmente o problema da dependência externa, mas representa um avanço significativo rumo à autonomia. Em um cenário global instável, cada ponto percentual de produção interna conta.

O Brasil consolidou-se como um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Essa posição, no entanto, exige bases sólidas. Não basta produzir em larga escala; é preciso garantir o acesso contínuo aos insumos que sustentam essa produção. Fertilizantes são parte central dessa equação.

Garantir segurança para a UFN3 é, portanto, garantir segurança para o agronegócio nacional. Mais do que uma obra industrial, trata-se de um ativo estratégico.

Em tempos de incerteza global, investir em capacidade produtiva interna deixa de ser opção e passa a ser necessidade.

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