Autoridades municipais e parcela da Câmara Municipal de Campo Grande estão fazendo esforço hercúleo para tentar convencer a sociedade de que o investimento da ordem de R$ 1,2 milhão dos recursos do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) no Banco Master foi algo absolutamente normal e que todo o dinheiro será recuperado.
Porém, eles sabem que, se algum dia houver recuperação, será somente quando ninguém mais se lembrará daqueles que fizeram a lambança, para não usar um termo mais agressivo e preciso para classificar a chegada dos representantes do Master ao Paço Municipal e ao instituto que deveria zelar pelo dinheiro que pertence aos servidores municipais.
Essas autoridades e até técnicos do IMPCG alegam agora que ninguém tinha bola de cristal para saber que o Master estava falindo. Porém, não é necessário ser expert em mercado financeiro para saber que quando a esmola é demais até santo desconfia.
Ou seja, os juros oferecidos pelo Master estavam acima daquilo que os demais pagavam e, somente por conta disso, qualquer aplicador sensato já deveria ficar com um pé atrás.
Contudo, o mais intrigante e, ao mesmo tempo, revelador nesta história que agora tentam vender como mero azar são os empréstimos consignados que passaram a ser oferecidos a servidores municipais e estaduais depois que o IMPCG fez a aplicação financeira.
O banco pagava menos de 1% ao instituto e, ao mesmo tempo, cobrava até 4,5% mensalmente dos servidores que aceitaram o cartão de crédito. E esses empréstimos não foram tomados por algum tipo de irresponsabilidade de servidores que não conseguem controlar seus gastos.
A administração municipal literalmente empurrou os servidores para o colo do Master. Primeiro, mudou a legislação e ampliou a margem de endividamento do funcionalismo. Depois, restringiu o acesso de servidores aos bancos tradicionais.
Na sequência, repassou aos corretores do Master o cadastro, com telefone, de praticamente todos os servidores, que começaram a receber uma saraivada de ligações telefônicas com a oferta de empréstimo.
Esses corretores, porém, não explicavam que não se tratava de um consignado tradicional, mas de um cartão de crédito. Muita gente caiu na pegadinha e, por conta disso, existem centenas de ações judiciais (270 ações ajuizadas somente este ano em Campo Grande) contestando a legalidade desses financiamentos impagáveis.
Somente entre os 7 mil aposentados, o Master recolhe mensalmente em torno de R$ 500 mil mensais, conforme revelou o presidente do IMPCG em audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande nesta sexta-feira.
Quando da aplicação dos recursos, parte dos servidores, especificamente os sindicatos que representam os professores (o maior de todos) e o dos dentistas, votou contra a aplicação e alertou que a instituição financeira não era confiável.
Os sindicatos foram ignorados, mas, ao colocarem a boca no trombone, conseguiram evitar que fosse concretizada uma segunda aplicação, já que, inicialmente, o comando do instituto previa aplicar mais de R$ 3 milhões no Master.


