Artigos e Opinião

Claudio Humberto

"A mim não incomoda"

Lula (PT) na lorota do dia, jurando que não se importa com sua queda nas pesquisas

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‘Ok’ do MPE livra mais um da Lava Jato: Beto Richa 

Decisão assinada pelo promotor eleitoral Alexandre Ramalho de Farias diz que o Ministério Público Eleitoral “não se opõe” ao trancamento de ação penal contra o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB). O processo, que tramita em segredo de Justiça, mas a coluna teve acesso, enrola Beto Richa em suposto esquema de corrupção na concessão da rodovia PR-323 para favorecer consórcio liderado pela Odebrecht. O pagamento seria via “Setor de Operações Estruturadas” da empresa.

O piloto

Richa foi alvo da Operação Piloto, braço da Lava Jato. Caderneta da empresa indicava pagamentos a um tal de “piloto”, que seria Beto Richa.

Na canetada

O ministro Dias Toffoli anulou acordo de leniência da Odebrecht usando como pretexto supostas mensagens entre Sérgio Moro e procuradores.

Invalidou

Para embasar seu despacho, o procurador cita decisão de Dias Toffoli que viu “conluio processual” entre membros da Lava Jato e Moro.

Impunidade

Com delação e provas anuladas na canetada por Toffoli, o MPE não enxerga embasamento para uma peça acusatória contra o tucano.

Governo tenta estender calote aplicado há 33 anos

Impressiona o empenho do governo Lula estender o calote de sua dívida bilionária a produtores de açúcar e etanol, acumulada desde 1991. No governo, chamam de “pauta bomba” a decisão transitada em julgado no Supremo Tribunal Federal, que condenou a União a pagar os precatórios para ressarcir usinas do triste período em que o governo fixava preços dos produtos sem conexão com os custos, impondo prejuízos ao menos de R$80 bilhões. Agora, 33 anos depois, ainda insiste em não pagar.

Pressão cruel

Pessoal jurídico do governo, que fazia xixi na cama na época do calote, até por razões ideológicas tentam forçar o STF a mudar de ideia.

Os caras-lisas

O Planalto quer reabrir o caso com o argumento cara-lisa de que as empresas devem “provar” os prejuízos, não “o que deixaram de lucrar”. 

Histórico de miséria

O calote custou centenas de milhares de empregos e de vidas, e muitas empresas quebraram ou ainda enfrentam dificuldades para sobreviver.

Não só flores

A relação do PT e PSB, do vice Geraldo Alckmin, anda estremecida em alguns Estados. Caso do Ceará, onde os irmãos Ciro e Cid Gomes, lançam candidatos a prefeito à revelia do partido de Lula.

Sob controle

Os veículos de comunicação escolhidos a dedo pelo Planalto para fazer perguntas, após o café com Lula, incluíram três tevês abertas, três blogs de extrema esquerda, um canal de TV de Teresina (PI) e só um jornalão.

Reincidência

O Conselho de Ética recebeu o novo pedido de cassação de Glauber Braga porralouca do Psol-RJ que expulsou um cidadão a chutes da Câmara. É o segundo pedido este ano por agressão física.

Piorou

Os preços pagos aos produtores agropecuários amargam expressiva queda de 16%, aponta estudo da USP. Em 2024, a coisa não deve melhorar, o marcador já acumula retração de 15,4% de janeiro a março.

Castração ou cana

Está na pauta de hoje (24) da Comissão de Constituição e Justiça do Senado proposta do Senador Styvenson Valentim (Pode-RN) que propões castração química para estupradores como alternativa à prisão.

Escondidinho

A CGU explicou à coluna que fiscalização sobre ocupação de imóveis funcionais se dá, excepcionalmente, na área de dados abertos do Portal da Transparência até findar aprimoramento da ferramenta.

Bets no Congresso

Em vias de virar bolão, parlamentares em Brasília apostam quem cai primeiro: Alexandre Padilha, ministro de Relações Institucionais, ou Jean Paul Prates, presidente da Petrobras. Ambos estão pela bola sete.

Extremos desequilibrados

Acompanhamento do instituto de pesquisas Rasmussen da aprovação de Joe Biden, nos EUA, aponta que o presidente americano é totalmente desaprovado por 48% de eleitores e totalmente aprovado por 22%.

Pensando bem...

...já lá se foi o tempo (e o governo) em que ministro criticando jornalistas era “ataque à imprensa”.

PODER SEM PUDOR

Raposas mineiras

Uma roda de políticos especulava sobre a iminente escolha do interventor de Minas Gerais, em 1934, quando Benedito Valadares mencionou o favoritismo de José Maria Alkmin na escolha. Ele fingiu estupefação: “Você está ficando louco, Benedito?!” Poucos dias depois, Getúlio Vargas anunciaria Valadares, que logo receberia um primeiro telegrama de cumprimentos: “Parabéns pela nomeação. Retiro a expressão. Ass., Zé Maria”. ‘Zé Maria’ Alkmin ganhou o cargo de secretário do Interior.
 

 

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EDITORIAL

O cidadão merece atendimento digno

O cidadão não pode ser tratado como variável secundária na execução de política pública; se há recursos para atendimento gratuito, é preciso que esse atendimento seja digno

21/09/2026 07h15

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Nesta edição, mostramos mais um pente-fino realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU) em Mato Grosso do Sul. Desta vez, o foco está no Brasil Sorridente, programa que tem como objetivo melhorar o atendimento odontológico da Rede Pública por meio da oferta gratuita de serviços à população.

Em Campo Grande, porém, os auditores encontraram uma série de inconsistências que comprometem justamente aquilo que o programa deveria assegurar: o atendimento adequado e o acesso mais amplo à saúde bucal. A CGU realiza auditorias para avaliar a gestão, os controles e os resultados das políticas públicas.

O primeiro problema está nas condições oferecidas ao cidadão. Foram identificadas deficiências na infraestrutura dos locais de atendimento, além da falta de manutenção de equipamentos básicos. Não se trata de uma questão meramente administrativa.

Quando a estrutura não recebe os cuidados necessários, quem está na ponta é o cidadão, que depende exclusivamente do serviço público para ter acesso ao tratamento.

Há ainda um segundo problema, relacionado à falta de profissionais. Segundo o levantamento, uma das razões está no grande número de atestados médicos emitidos.

A consequência é previsível: com menos servidores disponíveis, a capacidade de atendimento diminui e a demanda que deveria ser absorvida pela Rede Pública acaba se acumulando.

Mas o quadro não termina aí. A CGU também identificou baixa produtividade no programa. Ou seja, não basta existir uma estrutura formalmente destinada ao atendimento odontológico.

É necessário que ela funcione adequadamente, tenha profissionais disponíveis, equipamentos em condições de uso e produza resultados compatíveis com os recursos empregados.

Esse ponto merece a atenção especial porque o Brasil Sorridente é uma política financiada pelo governo federal. Recursos públicos são destinados para que os municípios ofereçam serviços à população.

Portanto, é razoável esperar que a aplicação desse dinheiro resulte em atendimento eficiente e em uma oferta de serviços compatível com as necessidades dos cidadãos.

O trabalho dos órgãos de controle tem justamente essa finalidade: identificar falhas, apontar problemas e permitir que a Administração pública corrija aquilo que não está funcionando como deveria.

A fiscalização não deve ser vista apenas como uma forma de apontar erros, mas como instrumento para melhorar a qualidade do serviço público e fazer com que o dinheiro destinado às políticas públicas cumpra sua finalidade.

O que se espera, portanto, é que o município faça os ajustes necessários. As deficiências apontadas pela CGU precisam ser enfrentadas com medidas concretas, desde a manutenção adequada da estrutura e dos equipamentos até a organização dos recursos humanos e a melhoria da produtividade.

O cidadão não pode ser tratado como variável secundária na execução de uma política pública. Se há recursos para oferecer atendimento odontológico gratuito é preciso que esse atendimento seja digno, regular e acessível.

ARTIGOS

O algoritmo recompensa a exposição; a infância paga a conta?

O que vemos em nossas telas não é uma seleção neutra de publicações, e sim o resultado de sistemas desenvolvidos para identificar aquilo que prende nossa atenção por mais tempo

18/09/2026 07h20

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Quando um vídeo de uma criança alcança milhões de visualizações, é comum imaginarmos que isso aconteceu porque “as pessoas gostaram do conteúdo”.

Mas a realidade das redes sociais é mais complexa: o que vemos em nossas telas não é uma seleção neutra de publicações, e sim o resultado de sistemas desenvolvidos para identificar aquilo que prende nossa atenção por mais tempo.

Em outras palavras, existe uma lógica por trás do que viraliza – e compreendê-la é essencial para entendermos por que tantas imagens da infância ganham enorme repercussão na internet.

Cada plataforma utiliza sistemas diferentes, mas o objetivo costuma ser semelhante: manter as pessoas conectadas pelo maior tempo possível.

Para isso, os algoritmos observam sinais como quanto tempo uma pessoa assiste a um vídeo, quantas vezes ele é compartilhado, quantos comentários gera, se desperta reações intensas e se faz alguém permanecer mais tempo na plataforma.

Quanto maior o envolvimento, maior a probabilidade de aquele conteúdo ser recomendado para outras pessoas.

O algoritmo não faz julgamentos éticos. Ele não diferencia uma lembrança de família de um momento constrangedor. Ele apenas identifica aquilo que gera atenção.

Emoção é combustível para o alcance: diversos estudos sobre comportamento digital mostram que conteúdos capazes de despertar emoções fortes – surpresa, humor, indignação, comoção, encantamento – tendem a circular mais rapidamente. Tudo aquilo que nos faz parar de rolar a tela aumenta as chances de interação.

É por isso que vídeos de crianças costumam alcançar números expressivos: a espontaneidade da infância desperta identificação, afeto e curiosidade. O problema surge quando a busca por esse alcance começa a influenciar o que escolhemos registrar e publicar.

Quando a lógica da plataforma entra na rotina da família: nem sempre percebemos, mas os algoritmos também moldam comportamentos.

Quando uma publicação recebe milhares de curtidas, comentários e compartilhamentos, é natural sentir vontade de repetir aquilo que funcionou – esse mecanismo faz parte da forma como as redes sociais foram desenhadas.

Pouco a pouco, sem perceber, algumas famílias deixam de registrar apenas momentos importantes e passam a pensar em quais cenas têm maior potencial de engajamento. A infância deixa de ser apenas vivida: ela passa a ser, também, produzida para uma audiência.

Nem sempre isso acontece de forma consciente, mas vale a pena reconhecer que essa influência existe.

O risco de transformar a criança em conteúdo: toda criança tem direito a viver momentos de alegria, tristeza, frustração, descoberta e aprendizado – experiências que fazem parte do desenvolvimento.

Quando cada emoção passa a ser registrada pensando em uma possível publicação, existe o risco de invertermos a lógica: em vez de a tecnologia servir à infância, a infância começa a servir ao funcionamento das plataformas.

A criança deixa de ser apenas filha, neta ou estudante – ela pode passar a ocupar, ainda que sem intenção, o papel de personagem de um conteúdo.

Seria confortável responsabilizar apenas a tecnologia, mas ela, sozinha, não decide o que será publicado. O algoritmo recomenda, as plataformas distribuem – quem escolhe apertar o botão “publicar” continua sendo um adulto.

Por isso, o debate sobre a infância digital não é contra a tecnologia. É sobre fortalecer o olhar crítico diante dela.

Em um ambiente em que visualizações se transformam em reconhecimento, influência e, muitas vezes, retorno financeiro, é compreensível que o alcance se torne uma preocupação para quem produz conteúdo.

Mas existe uma pergunta que deveria vir antes de qualquer métrica: esta publicação respeita a criança que aparece nela?

Se a resposta não for claramente positiva, talvez o melhor indicador não seja o número de visualizações – talvez seja o silêncio de uma memória preservada apenas para quem realmente participou daquele momento.

Acredito que a tecnologia pode despertar curiosidade, criatividade, aprendizagem e conexão. Ela faz parte da infância contemporânea e pode ser uma poderosa aliada do desenvolvimento quando utilizada com intenção e responsabilidade.

Mas nenhuma inovação deve custar aquilo que a infância tem de mais valioso: o direito de crescer com dignidade, privacidade e liberdade para construir a própria história.

Os algoritmos continuarão evoluindo. As plataformas mudarão. Novas redes sociais surgirão. O desafio permanecerá o mesmo: garantir que, por trás de cada tela, nunca deixemos de enxergar a criança.
Porque as visualizações passam. A infância, não.

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