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A transformação da segurança pública

Mais do que ferramentas isoladas, drones, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial (IA) estão formando um novo modelo operacional

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A segurança pública e privada está passando por uma transformação profunda impulsionada pelo avanço tecnológico. O uso combinado de drones, satélites e sistemas baseados em inteligência artificial (IA) e machine learning está criando uma nova forma de monitorar territórios, antecipar riscos e responder a ameaças com maior eficiência.

Mais do que ferramentas isoladas, essas tecnologias estão formando um novo modelo operacional: a inteligência aérea integrada.

A geointeligência aplicada à segurança e defesa cresce em importância em todo o mundo por causa das guerras em curso. Aqui no Brasil não temos, felizmente, guerras, mas temos alto índice de criminalidade, crime organizado e fronteiras não tão bem protegidas dos traficantes.

Esse conceito integra dados geoespaciais – provenientes de satélites, drones, sensores terrestres e outras fontes – e os combina com análise avançada – incluindo IA – para gerar conhecimento acionável sobre o território.

A geointeligência permite entender “o que está acontecendo, onde, quando e por quê”, apoiando decisões estratégicas e operacionais com base em evidências.

Tradicionalmente, as operações de segurança eram baseadas em informações fragmentadas e, muitas vezes, reativas. Hoje, a integração de diferentes plataformas permite construir uma visão contínua e dinâmica do território.

Satélites oferecem cobertura ampla e monitoramento constante de grandes áreas, enquanto drones proporcionam alta resolução e capacidade de resposta rápida em nível local.

Ao mesmo tempo, algoritmos de IA e machine learning analisam grandes volumes de dados em tempo real, identificando padrões, anomalias e comportamentos suspeitos. Essa combinação marca uma mudança importante de sair da reação para a antecipação.

No combate ao crime organizado, essa evolução tecnológica é particularmente relevante. Organizações criminosas operam com alto nível de sofisticação e capilaridade, exigindo respostas igualmente estruturadas.

A integração entre dados orbitais, sensores aéreos e inteligência artificial permite monitorar rotas de tráfico, identificar movimentações suspeitas e detectar atividades ilegais em áreas remotas, como garimpo, desmatamento e contrabando.

Além disso, essas tecnologias apoiam operações táticas com informações em tempo real, aumentando a precisão das ações e reduzindo o tempo de resposta das forças de segurança.

No setor privado, o impacto também é significativo. Empresas que operam em grandes áreas – como mineração, energia, agronegócio e logística – estão adotando essas soluções para proteger ativos e reduzir riscos.

Drones são utilizados para vigilância perimetral e inspeções, enquanto imagens de satélite garantem monitoramento contínuo.

Com o apoio da IA, é possível detectar intrusões, falhas operacionais e situações de risco de forma automática. Assim, a segurança deixa de ser apenas vigilância e passa a ser uma gestão inteligente baseada em dados.

A defesa civil é outro campo que se beneficia diretamente dessa integração. Em situações de desastres naturais, como enchentes, deslizamentos e incêndios, a rapidez na obtenção de informações é crucial.

Satélites permitem mapear grandes áreas afetadas, drones oferecem avaliações detalhadas em campo e sistemas inteligentes ajudam a priorizar ações e otimizar o uso de recursos. Essa combinação aumenta a eficiência das operações de resposta e, sobretudo, contribui para salvar vidas.

No âmbito militar e de segurança nacional, a vigilância de fronteiras representa um dos maiores desafios, especialmente em países com extensos territórios. A integração de sensores orbitais, drones de longo alcance e sistemas de análise inteligente permite criar uma camada contínua de monitoramento.

Isso possibilita detectar movimentações ilegais, como tráfico de drogas e armas, com maior antecedência, reforçando a soberania e a capacidade de resposta do Estado.

O elemento central dessa transformação não está apenas nas tecnologias em si, mas na forma como elas são integradas. O verdadeiro valor surge quando diferentes sistemas se comunicam, compartilham dados e geram inteligência consolidada para apoiar a tomada de decisão.

É exatamente nesse ponto que a geointeligência se consolida como um pilar estratégico, conectando informação geográfica, sensores e análise avançada em um único fluxo de valor.

Mais do que reagir a eventos, o objetivo agora é antecipar riscos e agir de forma preventiva. Nesse cenário, a informação deixa de ser apenas um recurso estratégico e passa a ser um elemento central de proteção, capaz de transformar dados em decisões e tecnologia em segurança real.

Artigo

Entre o 6 e o 9: quando a política atravessa relações

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que ao escutar o outro se perca o rumo

29/05/2026 07h30

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A polarização política no Brasil é inegável. O País se vê dividido entre esquerda e direita, e essa cisão tem atravessado relações de forma profunda. Amizades antigas acabaram, famílias se desentenderam, casais se separaram. A divergência de ideias, quando acompanhada de emoções intensas, cria ruídos que se acumulam e provocam um verdadeiro “curto-circuito” nas relações. 

Do ponto de vista psicológico, a polarização surge, muitas vezes, da insegurança diante do diferente: o medo de que ao escutar o outro se perca o rumo.

Soma-se a dificuldade de lidar com sentimentos intensos, o que torna o diálogo mais árduo. Logo, em vez de se aproximar, a pessoa se afasta; em vez de escutar, reage; em vez de perguntar, julga. 

Ainda assim, quando falamos de pessoas de boa índole, temos algo em comum: embora as ideias divirjam, muitos dos ideais se aproximam.

Há um desejo compartilhado por justiça, dignidade, liberdade e acesso aos direitos básicos como saúde, segurança e educação. 

É nesse ponto que a metáfora do número 6 ganha força. Duas pessoas, frente a frente, podem olhar para o mesmo símbolo e enxergar coisas diferentes: uma vê um 6, a outra um 9.

Ambas estão certas dentro de seus pontos de vista. Assim também ocorre com as ideias: diferentes interpretações podem emergir a partir de um mesmo ideal. 

Quando aproximamos essas visões, surge o número 69. Nesse encontro, não há disputa sobre quem está certo, porque aquilo que antes era oposição se transforma em complementar.

Ou seja, duas perspectivas coexistindo e compondo algo maior quando colocadas, lado a lado, harmoniosamente. 

Talvez seja justamente essa a habilidade que falte ao Brasil, e a todos nós: a capacidade de transformar o embate em encontro. De lembrar que discordar não significa desarmonia.

De aceitar que ninguém enxerga tudo sozinho. De trocar certezas rígidas por curiosidade genuína. 

Entretanto, é preciso lembrar que somos seres humanos complexos, com uma diversidade de sentimentos que, se não bem administrados, podem gerar disputas e desavenças.

Por isso, não será surpresa se, mesmo quando os que veem 6 e os que veem 9 se integrarem, surgir alguém que diga que, de fato, o número é 96. Longe de ser um problema, é justamente entre integração e divergência que aparecem novos caminhos. 

O importante é reconhecer que, assim como os números 6, 9, 69 ou 96, as ideias podem assumir formas distintas, desde que o ideal permaneça ético, digno e coerente. Afinal, é isso que ainda nos mantêm em diálogo. 

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Editorial

O crime organizado na economia formal

Com distribuidoras de combustíveis em Mato Grosso do Sul entre os alvos das investigações, caso expõe a necessidade de fiscalização mais rígida para benefícios fiscais

29/05/2026 07h15

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Mais uma vez Mato Grosso do Sul apareceu no centro de uma grande investigação nacional contra o crime organizado. A nova fase da operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal (PF), voltou os olhos para o fluxo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma estrutura criminosa que há muito tempo deixou de agir apenas nas periferias e presídios para se infiltrar no coração do sistema econômico brasileiro.

Não por acaso, a investigação alcança conexões que passam pela Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, símbolo máximo do mercado financeiro nacional.

E é justamente aí que o caso se torna ainda mais inquietante. O que distribuidoras de combustíveis instaladas em Iguatemi, no interior de Mato Grosso do Sul, têm a ver com uma engrenagem financeira ligada ao PCC?

É uma pergunta que toda a sociedade precisa fazer. Quando operações policiais apontam que empresas aparentemente legais podem estar sendo utilizadas para movimentar dinheiro de facções criminosas, o problema deixa de ser apenas policial. Passa a ser institucional e econômico.

O comércio de combustíveis historicamente figura entre os setores mais vulneráveis à lavagem de dinheiro, evasão fiscal e fraudes tributárias. A circulação elevada de recursos e a complexidade da cadeia de distribuição tornam o ambiente propício para organizações criminosas sofisticadas.

O que a operação Carbono Oculto sugere é justamente a possibilidade de que empresas ligadas ao PCC tenham utilizado mecanismos fiscais e empresariais para esconder dinheiro ilícito sob aparência de atividade econômica regular.

Isso precisa servir de alerta. Combater sonegação fiscal, rastrear movimentações financeiras suspeitas e desmontar engenharias tributárias artificiais não é excesso de fiscalização. É fortalecimento institucional. E instituições fortes geram desenvolvimento.

Não existe ambiente econômico saudável onde o crime organizado consegue circular bilhões de reais com facilidade, abrir empresas de fachada e utilizar estruturas formais para lavar dinheiro.

Nos últimos anos, parte do debate público passou a vender a ideia de que qualquer controle representa ataque à liberdade econômica. É um equívoco perigoso. Liberdade não é sinônimo de ausência de regras.

O avanço das fintechs e dos sistemas financeiros digitais trouxe inovação, mas também abriu brechas para organizações criminosas movimentarem recursos com menos barreiras e menor capacidade de rastreamento.

Quem não deve, não teme fiscalização. Empresas corretas e empreendedores sérios dependem justamente de um ambiente em que o crime organizado não encontre facilidades para atuar.

O verdadeiro risco está no descontrole, na fragilidade dos mecanismos de fiscalização e na infiltração silenciosa das facções dentro da economia formal brasileira.

MS precisa acompanhar atentamente as investigações da operação Carbono Oculto. Não apenas pelo impacto criminal, mas, porque elas ajudam a revelar como o crime organizado tenta se infiltrar silenciosamente na economia formal.

E esse talvez seja hoje o maior desafio das democracias modernas: impedir que facções criminosas passem a agir como grandes conglomerados empresariais.

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