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Acordo Mercosul e União Europeia: mais mercado e novas exigências para o agro brasileiro

Enquanto a política ferve em busca de uma definição, o cenário econômico segue movimentando o mundo com mais um passo formal com a assinatura do acordo

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Com as mudanças geopolíticas tomando conta do noticiário, levantam-se questões sobre laços diplomáticos que podem ser desfeitos e novas parcerias internacionais que devem abrir novos capítulos históricos.

No entanto, enquanto a política ferve em busca de uma definição, o cenário econômico segue movimentando o mundo com mais um passo formal com a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE). Aqui, no Brasil, assistiremos a diversos impactos dessa associação para o agronegócio.

Sob o ponto de vista jurídico, haverá mudanças gradativas nos níveis e formas de cobrança de tarifas para os países envolvidos nessa associação internacional.

A primeira delas é a redução e, posteriormente, a eliminação gradual de taxas aduaneiras para diversos produtos, inclusive os agrícolas. Outras alterações que o acordo apresenta dizem respeito aos procedimentos alfandegários, às barreiras técnicas e às medidas sanitárias, que poderão ser simplificados.

Fala-se também na desburocratização do processo de certificação por entidades autorizadas, com a introdução da autocertificação de origem e o cumprimento de padrões ESG nas relações comerciais com força vinculante.

Surgem, a partir daí, oportunidades e desafios ao agronegócio brasileiro, como a eliminação ou redução de tarifas para diversos produtos agrícolas comercializados pelo Brasil para todo o mundo, como laranja, café, arroz e carne, impulsionando ainda mais o volume e o valor das exportações.

Por outro lado, com a chegada de produtos europeus em terras brasileiras também com tarifas menores, haverá um aumento na concorrência no mercado interno para produtos brasileiros (vinhos e derivados, queijos e azeites, entre outros).

Até obter vantagens, haverá desafios burocráticos e mais custos envolvidos. Nem tudo é vantagem, já que nessa nova fase de relacionamento comercial haverá inevitavelmente um aumento nos custos.

Com a possível elevação das exportações, o Brasil precisará se adequar aos padrões ambientais e sanitários da União Europeia, com emissão de certificados de qualidade que poderão gerar mais gastos, que, consequentemente, serão repassados aos preços finais.

Em um cenário que se tornará mais exigente do ponto de vista jurídico e regulatório, os produtores rurais e empresas deverão se atentar e promover ajustes burocráticos.

Atenção especial deve ser dada, por exemplo, às conformidades regulatórias, como as normas sanitárias, a adoção de práticas de desenvolvimento sustentável e, principalmente, a obtenção de certificações internacionais reconhecidas pela UE.

Não menos importante são as rígidas regras aduaneiras e as questões tributárias que também deverão ser revistas, reavaliando a estrutura de custos e preços. Soma-se a isso a obrigação de registrar e proteger as marcas brasileiras no mercado europeu, garantindo exclusividade e a originalidade dos produtos brasileiros.

Com todas essas mudanças, os produtores rurais poderão ser afetados, especialmente aqueles menos competitivos e com dificuldade para se adaptar rapidamente aos novos padrões de qualidade exigidos pela assinatura do acordo.

Além disso, poderá haver um significativo aumento dos pedidos de recuperações judiciais, já que a concorrência europeia chegará em grande número.

Por outro lado, as empresas mais robustas do agronegócio brasileiro, aquelas com grande potencial de exportação, poderão acessar o mercado europeu com maior efetividade e aumentar significativamente suas receitas e escala de produção.

Essa vantagem, no entanto, precisa de profundas avaliações e planejamento, porque, apesar do aumento das exportações impulsionar toda a cadeia de valor do agronegócio, inclusive insumos, as novas exigências trazidas pelo acordo e os investimentos para toda adequação diante das exigências legais poderá gerar um endividamento inicial até que, de fato, os produtores rurais colham os frutos desse grande acordo internacional.

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A Rota Bioceânica e o barão do Rio Branco

José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão, foi um diplomata brasileiro que atuou na defesa dos interesses do Brasil em questões fronteiriças e de integração com países vizinhos

11/03/2026 07h30

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A ideia de uma ferrovia ligando o Brasil à Bolívia foi um projeto antigo, e o barão do Rio Branco teve papel importante na concepção desse projeto.

A Ferrovia Brasil–Bolívia, também conhecida como Ferrovia do Pantanal, foi um projeto que visava ligar o Porto de Santos, no Brasil, à cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, passando pelo Pantanal. O objetivo era facilitar o comércio e a integração entre os dois países.

O barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior, foi um diplomata brasileiro que atuou na defesa dos interesses do Brasil em questões fronteiriças e de integração com países vizinhos.

Ele teve papel-chave nas negociações que envolviam a construção dessa ferrovia, especialmente no Tratado de Petrópolis (1903), quando era ministro das Relações Exteriores. Durante sua gestão, fortaleceu a imagem internacional do Brasil e consolidou a tradição diplomática baseada na solução pacífica de conflitos.

O barão do Rio Branco foi um estadista na concepção da palavra, até porque ser um estadista é mais do que ocupar um cargo público.

É ter visão, liderança e habilidade de tomar decisões que beneficiem o bem comum, pensando no longo prazo e no futuro da nação. É ter visão estratégica e conseguir articular um projeto de país.

É ter a capacidade de unir pessoas e construir consensos em torno de objetivos comuns, além de tomar decisões difíceis, mas necessárias, para o bem da coletividade; é ser ético, transparente e responsável em suas ações.

A Rota Bioceânica, uma obra em andamento, quando terminada, bem poderia ser batizada como “Rota Bioceânica Barão do Rio Branco”, em homenagem a esse grande estadista brasileiro, hoje pouco lembrado, mas que teve a visão de um verdadeiro estadista na construção de uma importante ferrovia internacional que ligaria o Brasil ao resto do mundo por meio do Oceano Pacífico.

Quem diria que essa obra teve sua concepção há 120 anos?

O presidente da Bolívia, no momento em que anunciou o interesse de seu país em integrar a Rota Bioceânica, teve um papel de estadista, porque entendeu que essa integração beneficiará seu país, seu povo e os países com os quais a Bolívia faz fronteira, e que, unidos, poderão formar um bloco muito forte economicamente falando, tendo como liderança o nosso Brasil.

Felizes mesmo estamos nós, os sul-mato-grossenses, que teremos duas vias para exportar nossas riquezas: via Paraguai e, agora, via Bolívia.

As expectativas são altamente positivas para o Brasil, mas, particularmente, para a economia de Mato Grosso do Sul, com geração de milhares de empregos e aquecimento de todos os setores da economia.

Porém, isso exigirá dos gestores públicos a imediata melhoria das vias de acesso, tanto terrestres quanto das hidrovias, formando uma verdadeira rede logística que consolidará de vez a economia regional. Viva o barão do Rio Branco, o estadista!

EDITORIAL

Segurança não pode ser negligenciada

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade

11/03/2026 07h15

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A notícia publicada hoje pelo Correio do Estado, revelando que o presídio federal de Campo Grande – unidade que abriga alguns dos criminosos mais perigosos do País, incluindo chefões do Comando Vermelho e figuras ligadas ao jogo do bicho – opera com equipe reduzida, deve acender um sinal de alerta nas autoridades.

Não se trata de um detalhe administrativo, mas de um tema sensível, diretamente ligado à segurança pública e à própria credibilidade do Sistema de Justiça brasileiro.

Os presídios federais foram concebidos justamente para isolar lideranças do crime organizado e impedir que continuem a comandar atividades ilícitas de dentro das cadeias.

São estruturas de segurança máxima, com rígidos protocolos e um modelo de funcionamento que, ao longo dos anos, conquistou reconhecimento por sua eficiência. De fato, o Sistema Penitenciário Federal é considerado um dos mais seguros do hemisfério sul.

Mas nenhum sistema, por mais robusto que seja, pode prescindir de pessoal suficiente e de investimentos constantes. Segurança de alto nível exige vigilância permanente, profissionais capacitados e estrutura adequada.

Trabalhar com equipe reduzida em um presídio desse porte não é apenas inadequado: é um risco que não deveria sequer ser cogitado.

A situação expõe, mais uma vez, uma falha recorrente na forma como o poder público trata a segurança pública. E aqui não se fala apenas do Executivo federal.

O Congresso Nacional, que todos os anos destina milhões de reais em emendas parlamentares para as mais diversas finalidades, também precisa compreender que essa área exige prioridade absoluta. Não pode faltar dinheiro – e muito menos pessoal – para uma unidade penitenciária federal.

Outro ponto que merece atenção é a conclusão da muralha prevista no projeto do presídio federal de Campo Grande. A obra, planejada justamente para reforçar a proteção do complexo, não pode se arrastar indefinidamente. O Ministério da Justiça deve tratar o tema com a urgência que ele exige.

É importante reconhecer que o modelo brasileiro de presídios federais já demonstrou ser eficaz. Contudo, isso não significa que ele deva permanecer estático.

Pelo contrário: sistemas de segurança precisam ser permanentemente aprimorados para acompanhar a evolução das ameaças e das estratégias do crime organizado. Um presídio federal pode ser seguro – mas sempre pode, e deve, tornar-se ainda mais seguro e impenetrável.

Já dissemos anteriormente neste espaço que investir em presídios não costuma render dividendos eleitorais. Não é uma obra vistosa, não gera inaugurações festivas nem discursos empolgados. Ainda assim, trata-se de um dos investimentos mais importantes para a segurança pública e para a correta aplicação da Justiça.

Ignorar essa realidade é abrir brechas perigosas. E, quando se trata de criminosos de alta periculosidade, qualquer brecha pode custar caro demais à sociedade.

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