É preciso toda uma aldeia para educar uma criança (provérbio africano).
O Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI – EDUCAÇÃO: um tesouro a descobrir, observa que, à educação deve fornecer, de algum modo, o mapa de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele. Afirma que a educação permanente baseia-se em quatro pilares do conhecimento: 1) Aprender a conhecer - aprendendo a aprender, para se beneficiar pelas oportunidades de aprender pelo resto da vida; 2) aprender a fazer - adquirindo qualificação profissional e competência para enfrentar numerosas situações transformadoras no trabalho; 3) Aprender a viver juntos – desenvolvendo a compreensão e o respeito pelos valores do pluralismo e da compreensão mútua da paz; e 4) aprender a ser, que engloba todos os demais, para melhor desenvolver a sua personalidade e capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade social. Essa educação permanente (para toda vida) se dá nas instituições sociais (Família, Escola, Igreja e Estado) que articuladamente, estabelecem as regras e os procedimentos, para os indivíduos viverem harmoniosamente em uma determinada sociedade. Todos nós somos resultado dessa educação compartilhada e é por meio dela que enxergamos, analisamos, e agimos no nosso cotidiano.
Até há pouco tempo, sabia-se claramente o que queriam essas instituições, porque tinham como motivação comum o TRABALHO, e com isso o fortalecimento dos valores de OBEDIÊNCIA, RESPONSABILIDADE e até de SUBSERVIÊNCIA. Hoje vivemos em um mundo muito diferente do vivido pelas gerações passadas e sequer sabemos como será no futuro. Qualquer pessoa que tenha mais de quarenta anos de idade, sabe que a matemática que lhes ensinaram na escola é velha; a gramática obsoleta; a biologia totalmente ultrapassada e que a história é suscetível de sérias contestações. Somos uma enciclopédia ambulante de informações arcaicas, da era pré-histórica, isto é, antes do Google!
O debate recente trazido pelo movimento Escola Sem Partido, de que o papel da ESCOLA é somente o de transmitir conhecimentos, isto é, ensinar matemática, português, história, geografia e ciências, cabendo à família a educação moral, encontra forte e natural resistência no meio educativo. O fato é que os problemas da sociedade não podem ser deixados à porta da escola: pobreza, fome, violência, tolerância, sexo, droga entram com os alunos nas instituições de ensino. Cabe ao professor, baseado na forte relação de confiança estabelecida entre ele e o aluno, esclarecer sobre os assuntos que os pais, instituições religiosas e poderes públicos falharam. Isto é inerente e a cerne do processo educativo. Essa relação pedagógica, estudada nos cursos de formação profissional, visa o pleno desenvolvimento do aluno e no respeito a sua autonomia. A ÉTICA que rege as demais profissões rege também o exercício profissional do PROFESSOR. Uma escola que pretende apenas aplicar um dos pilares do conhecimento – ENSINAR ou TREINAR, é uma escola sem função, fadada a formar seres subjugados, presos a seus preconceitos, subservientes e imprestáveis para uma nova sociedade.
A missão primordial da EDUCAÇÃO é de conferir a todos a liberdade de pensamento, discernimento, de que necessitarão para desenvolver os seus talentos, de modo a tornarem-se donos do seu próprio destino. Somos totalmente contra a LEI DA MORDAÇA, ou como gosto de nominar, a LEI DO AVESTRUZ. O veto do executivo a essa lei, foi um ato de respeito a toda uma categoria profissional. Aguardamos o posicionamento do poder legislativo, lembrando-os que - Nós não somos homens que formamos homens para que sejam iguais a nós. Nós somos homens que formamos homens para que sejam livres de toda servidão. (Pèguy).


