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Ano novo, pressão velha: por que seguimos sofrendo com metas?

A tradição das resoluções de Ano Novo, uma herança ancestral, oferece a ilusão de recomeço com a simples virada do calendário

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A cada virada de ano, somos bombardeados por listas de metas – emagrecer, cuidar da saúde, guardar dinheiro, ler mais, ser produtivo...

A tradição das resoluções de Ano Novo, uma herança ancestral, oferece a ilusão de recomeço com a simples virada do calendário. No entanto, eis a verdade incômoda: a maioria esmagadora falha.

Segundo pesquisas recentes, cerca de 80% das pessoas abandonam as resoluções ainda no primeiro mês. Por que insistimos nessa autoimposição mesmo sabendo dessas estatísticas? Porque a sociedade, e nós mesmos, transformamos o começo de ano em sinônimo de redenção pessoal.

A pressão é dupla: externa (redes sociais, marketing de saúde, expectativas sociais) e interna, que a psicologia chama de pressão autoimposta.

Do ponto de vista psicológico, há vários elementos de risco nesse ritual anual. Metas vagas e genéricas, sem um plano concreto, são um deles. Prometer ser saudável ou mudar de vida é fácil, mas sem um caminho claro, a chance de desistência é maior.

O perfeccionismo e o pensamento do “tudo ou nada”, definindo medidas radicais – vou meditar todos os dias, vou me exercitar cinco vezes por semana, nunca mais vou comer doce – criam uma armadilha: qualquer escorregada vira fracasso absoluto.

A falta de conexão profunda com o sentido e os valores pessoais, o que, para a logoterapia, é decisivo. Quando metas são motivadas por culpa, vergonha, comparação ou obrigação social, e não por significados autênticos, se tornam superficiais.

A logoterapia, proposta pelo psicólogo Viktor Frankl, surge como antídoto, dando um sentido à vida. Em vez de pensar em metas como listas de tarefas, deveres ou projetos de autopromoção, deveríamos buscar orientações existenciais: o que faz a vida valer a pena para mim

 Quais valores me sustentam? Que tipo de pessoa quero ser, e não apenas o que quero conquistar? Quando metas anuais são baseadas em sentido, tornam-se faróis, não correntes que nos sufocam.

A mudança deixa de ser um espetáculo para os outros, e o novo corpo, a nova rotina e o novo status passam a ser um gesto autêntico de autotransformação.

Além disso, os dados mostram que muitas pessoas abandonam essas promessas porque simplesmente não consideram o desgaste psicológico envolvido – estresse, culpa, ansiedade e autojulgamento. Sob pressão, o aparelho psíquico, que deveria nos sustentar na mudança, colapsa. E o ciclo se repete, ano após ano.

Entretanto, há algo de ainda mais profundo e perturbador nessa tradição: ela legitima a ideia de que ser feliz, produtivo, saudável ou melhor só é possível se a pessoa organizar a vida por metas externas e prazos.

Isso conflita com o que a psicologia e a logoterapia ensinam, que a existência humana não se mede em marcos de produtividade, mas em significado, em relação, em profundidade de viver e, sobretudo, em compaixão consigo mesmo.

Portanto, aqui vai o provérbio necessário – pare de ver o Ano Novo como salvador ou como pontapé inicial, que só alimenta uma sociedade obcecada por metas e resultados rápidos. Em vez disso, use cada dia como chance de recomeço.

Concentre-se no que realmente importa para você, no que ecoa com os seus valores e no que dá sentido à sua existência. Porque só existe um tipo de meta que vale a pena: aquela que nasce da alma, não da pressão do calendário. E que, no limite, não transforma apenas o corpo ou a planilha, mas a vida.

EDITORIAL

Fundersul e o dever de investir bem

Se o Estado tiver uma boa safra neste ano, é plausível imaginar que a arrecadação do Fundersul volte ao auge em curto prazo, depois da queda de receita em 2024

18/02/2026 07h15

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A volta do faturamento bilionário do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul) é, sem dúvida, uma boa notícia para Mato Grosso do Sul.

Trata-se de um indicador relevante tanto para o governo do Estado quanto para o agronegócio, setor que banca o fundo e que depende diretamente da qualidade da infraestrutura rodoviária para escoar sua produção.

Depois de um 2024 marcado por frustração de receitas, o fundo recupera musculatura e volta a superar a marca de R$ 1 bilhão.

Ainda não alcança, é verdade, o patamar registrado em 2023, quando houve sobra de recursos e até rendimentos financeiros expressivos. Mas o simples fato de retomar o nível bilionário já demonstra uma reação importante.

Se o Estado tiver uma boa safra neste ano, é plausível imaginar que o Fundersul volte ao auge de arrecadação em curto prazo.

A queda verificada anteriormente não foi um fenômeno isolado da contabilidade pública. Ela refletiu a quebradeira enfrentada pelo agro em 2024, pressionado por custos elevados, crédito mais caro e oscilações de mercado.

Quando o campo sofre, a arrecadação do fundo também sente. Até o ano passado, os efeitos dessa retração estavam visíveis nos números.

Mas mais importante do que celebrar cifras é cobrar eficiência. Não basta que entre muito dinheiro. É fundamental que a gestão do fundo faça a diferença concreta para MS.

O investimento precisa se traduzir em rodovias melhores, em manutenção permanente, em obras estruturantes que mudem a realidade logística e também em intervenções urbanas capazes de transformar a face das cidades.

Estrada boa significa competitividade para o produtor, mas também segurança e qualidade de vida para quem vive nos municípios.

Criado em 1999, o Fundersul nasceu sob forte resistência de parte de quem o financiava. À época, havia desconfiança quanto à sua eficácia e ao peso da contribuição.

Passadas mais de duas décadas, o fundo resistiu ao tempo e se consolidou como instrumento estratégico de investimento. Hoje, é celebrado não apenas pelo governo, mas por grande parte da população que reconhece nas obras viárias um dos pilares do desenvolvimento estadual.

Em um cenário em que aumentar impostos é politicamente difícil e economicamente arriscado, ter um fundo robusto, vinculado à atividade produtiva, ajuda o Estado a manter investimentos e aliviar sua situação financeira.

O desafio, agora, é garantir que cada real arrecadado retorne em forma de progresso. O número é importante. A gestão é decisiva.

ARTIGO

Logística no agronegócio: como superar os desafios do pico da safra

Grande parte dessa operação nasce em regiões distantes dos centros urbanos e dos portos, o que torna a infraestrutura um dos principais desafios para o escoamento

17/02/2026 08h45

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A cada nova safra, o agronegócio brasileiro reafirma sua relevância no cenário global. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a estimativa é uma safra de 345,6 milhões de toneladas em 2025, a maior já observada no Brasil, sendo 18,1% superior a de 2024. Esses números evidenciam a força do setor e, ao mesmo tempo, a urgência de uma logística capaz de acompanhar o crescimento. À medida que os números avançam e a produtividade se consolida como um diferencial competitivo, fica claro que a eficiência na operação deixou de ser apenas uma parcela da preocupação para se tornar parte essencial e estratégica, especialmente nas épocas em que o volume é concentrado e a pressão sobre toda a cadeia aumenta.

Grande parte dessa operação nasce em regiões distantes dos centros urbanos e dos portos, o que torna a infraestrutura um dos principais desafios para o escoamento. Estradas rurais pouco preparadas, acessos fragilizados e gargalos históricos ao longo dos corredores logísticos impactam diretamente custos, prazos e previsibilidade. Mesmo com avanços graduais na malha nacional, a infraestrutura física ainda evolui de forma mais lenta que a demanda, o que reforça a importância de soluções digitais sólidas, baseadas em dados, inteligência e integração, e capazes de compensar as questões de limitações estruturais.

Outro ponto crítico é a escassez de caminhões e motoristas durante o pico da safra. A concentração de demanda pressiona valores de frete e reduz a capacidade de resposta do setor, intensificando um desafio que se repete ano após ano, especialmente em um país onde cerca de 68,8% do fluxo de soja ainda depende do transporte rodoviário, segundo dados do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial (Esalq-Log). Esse nível de concentração torna o sistema mais sensível a qualquer oscilação, e é justamente nesse contexto que as plataformas digitais ganham protagonismo ao conectar embarcadores e transportadores com maior rapidez e assertividade, melhorando a alocação de recursos e reduzindo o impacto da sazonalidade.

Quando combinamos previsibilidade, transparência e dados em tempo real, deixamos de reagir ao gargalo para antecipá-lo.

“O movimento já faz parte da transformação mais profunda que o setor logístico vive. A digitalização de ponta a ponta elimina burocracia, amplia visibilidade e melhora a colaboração entre todos os agentes da cadeia. A otimização de soluções com recursos como automação e uso de inteligência artificial trazem velocidade e precisão às operações críticas, enquanto o rastreamento de cargas pode estabelecer um novo padrão de transparência e segurança. Visibilidade, que antes era diferencial, tornou-se requisito básico para operar em grande escala.

A alta temporada do agronegócio, portanto, não deve ser vista apenas como um período de tensão operacional, mas como oportunidade para elevar o patamar logístico do setor. Quando unimos tecnologia, integração, inteligência e presença operacional, transformamos desafios históricos em vantagem competitiva, conectando o campo à estrada por meio de uma logística que responde ao agora e evolui para um futuro sustentado por líderes estratégicos, cadeias mais integradas e uma convivência madura entre o digital e o físico.

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