Nesta edição, noticiamos que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar a aquisição de novos vagões e locomotivas para a Rumo Logística operar na Malha Norte. Trata-se de uma informação positiva, que merece registro e reconhecimento.
O investimento é bem-vindo, dialoga com uma agenda ambiental mais responsável e contribui para ampliar a capacidade de escoamento da produção, especialmente do etanol de milho produzido em Mato Grosso do Sul e em Mato Grosso.
Não se trata apenas de modernizar equipamentos ferroviários. Trata-se de fortalecer uma infraestrutura que, ao longo do tempo, mostrou ser estratégica para o desenvolvimento regional.
A Malha Norte – inaugurada ainda como Ferronorte – consolidou-se como um corredor logístico relevante, capaz de reduzir custos, desafogar rodovias e tornar a economia mais competitiva.
O financiamento anunciado reforça esse papel e aponta para um uso mais racional dos modais de transporte, algo essencial para um estado produtor e exportador.
Por isso, é legítimo comemorar. Investimentos em ferrovias não são triviais, exigem planejamento de longo prazo e, quando acontecem, produzem efeitos estruturais. Cada novo vagão, cada locomotiva, representa mais eficiência logística, menor emissão de poluentes e mais previsibilidade para quem produz.
Sob esse aspecto, a decisão do BNDES e a operação da Rumo na Malha Norte merecem aplausos.
Mas é justamente esse cenário que impõe uma comparação inevitável. Enquanto a Malha Norte avança, outra ferrovia igualmente importante para Mato Grosso do Sul permanece à margem: a Malha Oeste.
Administrada pela mesma concessionária, a Rumo, ela está sucateada, subutilizada e, na prática, tratada como uma ferrovia inviável. Trilhos abandonados, trechos inoperantes e ausência de investimentos transformaram um ativo estratégico em um problema crônico.
Causa estranheza, inclusive, que a Malha Oeste ainda figure como parte da estrutura da concessionária, se não há, de fato, um projeto consistente para sua recuperação. Talvez a explicação seja simples: a concessão continua válida.
Mas concessão, por si só, não pode ser sinônimo de imobilismo. Uma ferrovia concedida e abandonada não atende ao interesse público nem ao desenvolvimento regional.
Por isso, a comemoração do investimento na Malha Norte não elimina a cobrança que precisa ser feita. Mato Grosso do Sul não pode se dar ao luxo de desenvolver um corredor logístico e abandonar outro. A Malha Oeste tem potencial, tem traçado estratégico e poderia cumprir papel relevante na integração regional e no transporte de cargas.
Celebramos, sim, o avanço da Malha Norte. Mas esperamos – e cobramos – que o mesmo compromisso com o desenvolvimento se estenda à Malha Oeste. Infraestrutura não se escolhe pela conveniência do momento, mas pela necessidade de longo prazo. E essa necessidade, no caso da ferrovia oeste, segue ignorada.

