Artigos e Opinião

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Beto Pereira: "25 anos do Plano Real"

Deputado federal, secretário-geral do PSDB nacional

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É importante para a atual geração revisitar o passado de nosso país para debater e não mais repetir os erros, mas também para identificar os reais acertos que ocorreram na nossa história recente. Em uma população composta por jovens, em sua maioria com 40 anos ou menos, compreender o valor simbólico e prático do Plano Real, que completa 25 anos, se faz fundamental. 

Nos últimos 50 anos, o processo civilizatório do Brasil apresenta três importantes pilares: a redemocratização política; a ascensão social e a estabilidade econômica. Este último apenas foi possível pelo empenho, pelo conhecimento acadêmico e pela coragem de brasileiros, que confeccionaram e apresentaram para toda a sociedade de forma clara, transparente e honesta a engenharia econômica chamada Plano Real. 

Foi através do Plano Real que a economia brasileira subiu de patamar e venceu um inimigo que aterrorizava as famílias de países de pequenas e médias economias e ainda sufoca o desenvolvimento de países vizinhos como a Venezuela e a Argentina: a inflação. O aumento descontrolado de preços até meados da década de 1990 corroía o salário do trabalhador brasileiro, principalmente daqueles que não possuíam conta em banco, a grande maioria na época. As maquininhas que remarcavam preços trabalhavam dia e noite para acompanhar o ritmo da hiperinflação, tornando o brasileiro mais pobre a cada dia e o país sem nenhuma capacidade de vencer suas desigualdades, de investir e se desenvolver.   

A inflação é um temor simbólico e seu combate é um compromisso nacional. Muitos não viveram o período da hiperinflação, mas carrega como carga cultural esses valores herdados dos pais e avós que foram castigados pelo descontrole econômico. Antes do Plano Real, os brasileiros conviviam com a descrença de mais um plano econômico e mais um lançamento de moeda despois de tantas tentativas fracassadas. 

O Plano Real foi liderado pelo então ministro da Fazenda e depois presidente da República reeleito Fernando Henrique Cardoso e por economistas como Pedro Malan, André Lara Resende, Gustavo Franco e Pérsio Árida. Esta importante vitória contou com o papel político de um grande brasileiro: Itamar Franco, presidente da República a época.

A geração que apenas conheceu a Inflação de 3% ao ano tem que conhecer, exclusivamente por meio de livros de história que heróis brasileiros não vestiram capa para enfrentar uma inflação de até 200% ao mês. O PSDB se orgulha desta grande vitória do povo brasileiro e se reconstrói a cada dia na defesa do patrimônio que é a estabilidade econômica. O partido utilizado pela população brasileira para vencer este desafio está em conexão com a sociedade para manter o Brasil no trilho da democracia e para o reencontro com o crescimento econômico.

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Qual o papel do professor em um mundo onde a inteligência artificial já responde a quase tudo?

Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, criatividade e curiosidade não surgem espontaneamente na sala de aula

17/07/2026 07h45

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Durante séculos, a escola foi organizada em torno das respostas. O professor explicava, o aluno aprendia e as avaliações verificavam se ele conseguia reproduzir corretamente aquele conhecimento.

Esse modelo foi concebido em uma época em que a informação era escassa e o acesso ao conhecimento dependia, em grande parte, da escola.

Hoje, vivemos uma realidade completamente diferente. Qualquer estudante pode recorrer à inteligência artificial para compreender um conceito, resumir um livro, resolver uma equação ou responder a uma dúvida específica em poucos segundos.

Se as respostas estão cada vez mais acessíveis, qual passa a ser, afinal, o papel do professor? Talvez a resposta esteja menos em transmitir conteúdos e mais em desenvolver aquilo que continua sendo profundamente humano: a curiosidade, o pensamento crítico e a capacidade de formular boas perguntas.

Mas, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, criatividade e curiosidade não surgem espontaneamente na sala de aula.

Elas precisam ser provocadas, cultivadas e nutridas intencionalmente. São resultado de ambientes em que os alunos se sentem seguros para levantar hipóteses, investigar, argumentar, revisar suas ideias e construir significado.

E esse sentimento de segurança é extremamente importante, pois perguntar é um ato de coragem. Coragem de admitir que ainda não sabemos. Coragem de nos expor. Coragem de permanecer na incerteza enquanto a resposta ainda está sendo construída.

Durante muito tempo, valorizamos estudantes que encontravam rapidamente a resposta certa. Mas os desafios mais complexos do século 21 raramente começam com respostas. Eles começam com perguntas.

Perguntas rasas tendem a produzir reflexões superficiais. Perguntas bem elaboradas ampliam a investigação, estimulam conexões, favorecem a argumentação e desenvolvem um pensamento mais profundo.

É justamente nesse contexto que o papel do professor se torna ainda mais relevante.

Mais do que transmitir respostas, cabe ao educador criar experiências de aprendizagem que despertem a curiosidade e conduzam os alunos em um percurso investigativo, que parte sempre de uma inquietação, de uma pergunta profunda que precisa ser explorada em toda a sua complexidade.

Um processo que exige tempo, intencionalidade, escuta e segurança para que cada estudante desenvolva confiança para pensar por si mesmo.

Todo mergulho profundo começa no raso. Ninguém inicia explorando as maiores profundidades. Primeiro aprendemos a entrar na água, ganhamos confiança, desenvolvemos técnicas e, pouco a pouco, ampliamos nossa capacidade de explorar ambientes mais profundos e desconhecidos.

O papel do professor é acompanhar esse percurso, criando as condições para que os alunos avancem das respostas padronizadas para a investigação, da repetição para a reflexão, do certo para a incerteza, da superfície para a profundidade.

Se a inteligência artificial já responde a quase tudo, talvez a missão mais importante da escola seja ensinar nossos alunos a fazer perguntas que nenhuma máquina pode formular por eles. Porque aprender a perguntar melhor é, acima de tudo, aprender a pensar melhor.

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O futuro do trabalho em plataformas: novo cenário internacional em debate

A comunidade internacional estabeleceu parâmetros voltados à promoção do trabalho decente na economia de plataformas

17/07/2026 07h30

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A tecnologia trouxe mudanças para o mundo do trabalho. Com elas, surgiram novas demandas relacionadas à garantia dos direitos fundamentais e à necessidade de proteção de novas formas de prestação de serviços, como ocorre com os trabalhadores que atuam em plataformas digitais.

Para lidar com essa questão, a comunidade internacional estabeleceu parâmetros voltados à promoção do trabalho decente na economia de plataformas.

A aprovação da Convenção nº 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), durante a 114ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, representa um acontecimento que, embora não produza efeitos jurídicos imediatos no Brasil, pode influenciar a forma como o tema será analisado.

A nova convenção estabelece que os Estados-membros devem assegurar aos trabalhadores e às trabalhadoras de plataformas digitais o pleno exercício dos direitos fundamentais do trabalho, incluindo a liberdade sindical, a negociação coletiva, a proteção contra a discriminação, a erradicação do trabalho infantil e do trabalho forçado, além da garantia de um ambiente de trabalho seguro e saudável, o que envolve também a proteção contra acidentes e assédios.

Diante dessa importante inovação normativa, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU) apresentaram manifestações nos processos que discutem o reconhecimento do vínculo de emprego entre trabalhadores e trabalhadoras de plataformas digitais e empresas do setor, informando que o Brasil votou favoravelmente à adoção da convenção.

Considerando a possível repercussão da norma internacional, o Ministro Edson Fachin, presidente do STF, retirou de pauta o julgamento do RE 1.446.336 (Uber), de sua relatoria, e da Rcl 64.018 (Rappi), de relatoria do ministro Alexandre de Moraes, determinando a intimação das partes e dos amici curiae para que se manifestem sobre o tema.

Com isso, a definição da matéria deverá ocorrer apenas no segundo semestre de 2026, após o término do recesso forense. Vale lembrar que as convenções da OIT não produzem efeitos automáticos no Brasil.

Para integrarem o ordenamento jurídico nacional, precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional por meio de decreto legislativo, ratificadas pelo presidente da República e, posteriormente, promulgadas por decreto presidencial, passando então a produzir efeitos internos.

O debate sobre o trabalho em plataformas permanece aberto e segue relacionado às transformações que atingem o mercado de trabalho e as formas de organização produtiva nas próximas décadas.

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