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Com R$ 5 bilhões em jogo, disparo eleitoral promete bombardeio de mensagens em 2026

Parte desses recursos poderá ser direcionada a disparos via plataformas como WhatsApp, Telegram, SMS e serviços semelhantes

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A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que autoriza o disparo em massa de mensagens por candidatos durante as eleições, e que agora segue em análise no Senado, reacende uma discussão que considero central: os impactos da tecnologia na disputa eleitoral e os limites da comunicação digital entre campanhas e eleitores.

A proposta prevê um orçamento de quase R$ 5 bilhões para campanhas, além de mais de R$ 1 bilhão do Fundo Partidário para despesas permanentes.

Parte desses recursos poderá ser direcionada a disparos via plataformas como WhatsApp, Telegram, SMS e serviços semelhantes, refletindo a migração cada vez mais intensa das campanhas para o ambiente digital.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o aumento do spam eleitoral, a saturação dos usuários e a dificuldade de fiscalização sobre o volume e a origem dos conteúdos disseminados.

Na minha visão, esse é um tema que exige equilíbrio. Existe, sim, um interesse legítimo dos candidatos em ampliar seus canais de comunicação. Mas também é fundamental garantir a privacidade dos cidadãos, a transparência no uso dos dados e, principalmente, preservar a integridade do ecossistema digital.

Um ponto que considero central nesse debate é a origem das bases de dados utilizadas. Mesmo quando falamos de contatos supostamente cadastrados (a proposta libera os disparos somente nessas condições), a pergunta que fica é: houve, de fato, consentimento claro e consciente por parte dos eleitores para receber esse tipo de comunicação? Como foi realizado esse cadastro?

A realidade é que, hoje, bases de dados circulam com facilidade, muitas vezes, sem total transparência sobre como foram coletadas ou compartilhadas.

Isso abre espaço para questionamentos importantes: quantos desses contatos foram fornecidos voluntariamente e quantos fazem parte de mailings adquiridos ou repassados ao longo do tempo?

Esse cenário dialoga diretamente com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e reforça a necessidade de cuidado no uso das informações pessoais.

Outro ponto importante é a efetividade dessa estratégia. Na prática, mensagens em massa só funcionam quando chegam à pessoa certa e com consentimento. Quando o envio é feito de forma aleatória ou sem autorização, o efeito tende a ser o oposto: rejeição, desgaste da imagem do candidato e percepção negativa por parte do eleitor.

Mas minha principal preocupação está nos impactos dessa medida sobre os próprios mecanismos que hoje sustentam a qualidade da comunicação digital.

Plataformas como o WhatsApp desenvolveram sistemas de autorregulação baseados no comportamento dos usuários, com recursos como bloqueios, denúncias e até banimento de contas em casos de abuso. Esses mecanismos, embora muitas vezes invisíveis no dia a dia, são essenciais para manter o ambiente seguro e funcional.

Assim, quando uma legislação passa a flexibilizar ou limitar esses mecanismos, cria-se um desalinhamento entre as regras da plataforma e a experiência do usuário. Mesmo que temporariamente, isso pode abrir espaço para o aumento do spam e comprometer a qualidade das interações.

Eu costumo fazer um paralelo com o que aconteceu com as ligações telefônicas. Hoje, muitas pessoas simplesmente não atendem chamadas de números desconhecidos.

O excesso de abordagens, muitas legítimas, mas indistinguíveis de golpes, acabou inutilizando um canal extremamente valioso. Isso já aconteceu com a telefonia, aconteceu com o e-mail e pode acontecer também com os aplicativos de mensagem.

Do ponto de vista estratégico, não há dúvida de que o disparo em massa amplia o alcance e reduz custos operacionais. Em um ambiente competitivo e fragmentado, falar diretamente com o eleitor, no dispositivo mais pessoal que ele possui, o celular, é uma vantagem poderosa.

Mas, para mim, a discussão vai além do curto prazo. Existe o risco de transformar um ambiente hoje saudável em um ambiente saturado, e essa eficiência imediata pode ter um custo alto no futuro: desengajamento, bloqueios em massa e perda de credibilidade do canal.

Estamos falando de um ativo extremamente valioso, a comunicação direta com o cidadão, que pode ser rapidamente desgastado se não houver responsabilidade no seu uso.

A campanha eleitoral de 2026 pode marcar não apenas uma disputa nas urnas, mas também um novo capítulo na forma como os brasileiros se relacionam com a informação que chega, todos os dias, na palma da mão.

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Entre os otimistas e os alarmistas: a reforma tributária no mercado imobiliário

A realidade costuma ser mais complexa e, ao mesmo tempo, mais interessante do que qualquer um dos dois lados imagina

03/07/2026 07h30

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A reforma tributária ainda nem entrou totalmente em vigor e já divide opiniões. Tem quem aposte que o novo sistema vai resolver distorções antigas, reduzir custos e destravar investimentos. Tem quem já dê como certo o contrário: carga tributária maior, mercado mais retraído, imóveis e aluguéis mais caros.

Nos 25 anos em que acompanho o mercado imobiliário de perto, aprendi a desconfiar de previsões assim, tanto as otimistas quanto as pessimistas. A realidade costuma ser mais complexa e, ao mesmo tempo, mais interessante do que qualquer um dos dois lados imagina.

A Lei Complementar nº 214/2025 reconheceu algo que quem atua nesse mercado sabe na prática: imóvel não se comporta como qualquer outra mercadoria. O ciclo é longo. Muitas vezes, o terreno foi adquirido anos antes de a obra começar.

O investimento é elevado e o retorno financeiro acontece de forma gradual. Aplicar a regra geral do IVA a essa realidade, sem nenhuma adaptação, ignoraria como o setor de fato funciona.

Foi por isso que o legislador criou um regime específico para incorporações, parcelamento do solo, locações, arrendamentos e compra e venda de imóveis. Isso não é privilégio. É reconhecer, na prática, que nem toda atividade econômica cabe na mesma régua.

Os mecanismos que sustentam esse regime, o Redutor de Ajuste, o Redutor Social e o Redutor de Alíquota, cumprem uma função específica: evitar que o novo sistema tribute patrimônio já constituído, preservar o acesso à moradia e adequar a incidência do IBS e da CBS às particularidades do mercado imobiliário.

Mas quem discute a reforma apenas pelas alíquotas está olhando para a parte mais simples do problema. A mudança de verdade acontecerá na rotina de quem trabalha com imóveis. O crédito tributário deixa de ser apenas uma linha na planilha e passa a integrar o resultado financeiro do empreendimento.

A nota fiscal deixa de representar mera burocracia e passa a influenciar diretamente a formação dos preços. A escolha dos fornecedores, a formalização dos contratos e a organização documental passam a impactar a competitividade das empresas.

Some-se a isso a integração entre a nota fiscal eletrônica, o Sinter, o Cadastro Imobiliário Brasileiro, a Dimob e os novos sistemas digitais de arrecadação. O Fisco passará a enxergar o mercado com um nível de detalhamento jamais visto.

A informalidade, que durante décadas encontrou espaço em parte das operações imobiliárias, tende a se tornar cada vez mais difícil de sustentar.

Isso não significa que todos pagarão mais tributos. Também não garante redução da carga tributária. Os efeitos dependerão da natureza de cada operação, do grau de formalização das atividades, do aproveitamento correto dos créditos tributários e, sobretudo, da capacidade de adaptação às novas regras.

Ao longo da minha trajetória profissional, aprendi que, em momentos de grandes transformações, quem sai na frente não é o mais entusiasmado nem o mais pessimista, é quem estuda, compreende a lógica do novo sistema e se prepara antes dos demais.

A reforma tributária já não é mais uma promessa, é rotina no mercado imobiliário brasileiro. E, nesse cenário, conhecimento técnico deixou de ser diferencial para virar condição básica de quem quer continuar investindo, empreendendo e construindo negócios sólidos.

EDITORIAL

O futuro industrial de Mato Grosso do Sul

Regiões que se industrializam tendem a oferecer empregos mais qualificados, salários mais elevados e maior estímulo à formação profissional

03/07/2026 07h15

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O futuro econômico de Mato Grosso do Sul parece ganhar contornos cada vez mais definidos. Levantamento ao qual o Correio do Estado teve acesso com exclusividade, publicado nesta edição, aponta que o principal vetor de crescimento do Estado nos próximos anos deverá ser a indústria.

A constatação não representa uma mudança de rumo, mas uma evolução natural de uma economia que amadureceu e agora amplia suas bases de desenvolvimento.

Essa é uma notícia positiva. Nenhuma economia sólida depende de um único setor, por mais eficiente que ele seja. Diversificar as matrizes produtivas sempre foi uma característica das regiões que conseguiram crescer de forma consistente e enfrentar melhor as oscilações dos mercados.

Nesse aspecto, o fortalecimento da indústria é um passo importante para Mato Grosso do Sul.

Isso não significa diminuir a relevância do agronegócio, ao contrário, o campo continuará sendo um dos pilares da economia estadual. Nas últimas décadas, o produtor rural investiu em tecnologia, aumentou a produtividade e consolidou Mato Grosso do Sul entre os maiores protagonistas da produção nacional.

Esse patrimônio econômico permanecerá indispensável para o desenvolvimento do Estado.

Mas é igualmente desejável que os setores secundário, representado pela indústria, e terciário, formado pelos serviços, avancem na mesma velocidade. Uma economia equilibrada é menos vulnerável às crises e mais capaz de gerar oportunidades para sua população.

Entre os três grandes setores da economia, a indústria tem um diferencial que poucos contestam: seu enorme efeito multiplicador.

Ao transformar matérias-primas em produtos de maior valor agregado, movimenta cadeias produtivas inteiras, fortalece fornecedores, impulsiona o comércio, amplia a demanda por logística e serviços especializados e estimula novos investimentos.

Os benefícios vão além dos indicadores econômicos. Regiões que se industrializam tendem a oferecer empregos mais qualificados, salários mais elevados e maior estímulo à formação profissional.

Como consequência, cresce a renda das famílias, aumenta a arrecadação pública e melhoram indicadores ligados ao desenvolvimento humano. Não por acaso, boa parte das economias mais prósperas construiu sua riqueza sobre uma base industrial robusta.

Mato Grosso do Sul reúne condições favoráveis para aproveitar esse momento. Dispõe de matérias-primas, localização estratégica, infraestrutura em expansão e um ambiente que tem atraído investimentos.

Se esse cenário for acompanhado por políticas públicas capazes de manter a competitividade e formar mão de obra qualificada, o Estado poderá consolidar uma transformação econômica de longo prazo.

Que as projeções apresentadas pelo levantamento se confirmem. O agronegócio seguirá como motivo de orgulho, mas uma indústria mais forte significará uma economia mais diversificada, mais resiliente e, sobretudo, mais capaz de distribuir renda, gerar oportunidades e promover desenvolvimento para toda a sociedade sul-mato-grossense.

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