Cidades

SEGURANÇA PÚBLICA

Boca de fumo tem movimento à luz do dia na "cracolândia" da Capital

Trecho que envolve as Ruas Bom Sucesso, Sol Nascente e do Himalaia convive há anos com a presença intensa de usuários

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Próximas da Avenida Presidente Ernesto Geisel e em uma região conhecida por ser tomada por usuários de drogas, as Ruas Bom Sucesso, Sol Nascente e do Himalaia compõem a área de boca de fumo que tem uma intensa movimentação, mesmo à luz do dia, remetendo a uma espécie de “cracolândia” campo-grandense.

Durante visita da reportagem à região, chamou atenção a quantidade de pessoas em situação de rua perambulando pela área, o que não é novidade para quem vive por ali, e também a quantidade de pessoas comprando e usando drogas em plena luz do dia, inclusive jovens que aparentavam ser menores de 18 anos.

Na Rua Bom Sucesso, que divide a Vila Marcos Roberto e o Jardim Nhanhá, a situação é crítica para comerciantes e moradores, justamente por ser o centro da boca de fumo da região.

No local é possível observar diversos usuários de droga, o que traz medo e instabilidade para as pessoas que trabalham e vivem nas proximidades.

A empresária Renata Costa, de 36 anos, que tem um estabelecimento de manutenção técnica de aparelhos eletrônicos há cinco anos na esquina da Avenida Ernesto Geisel com a Rua Jaciro de Souza Silva, relata que a situação vem piorando com o passar dos anos, mesmo que nunca tenha presenciado uma ocorrência criminal.

“É complicado porque a gente sabe que existem vários tipos de serviços de apoio para tirar as pessoas da rua, mas também existe uma falta de vontade deles. Como a assistência social às vezes libera para eles um cobertor ou alimento, eles ficam por aqui porque eles sabem que alguém vai oferecer alguma coisa”, disse.

Ainda segundo Renata, a obra no local não está solucionando este problema, apenas “empurrando com a barriga”, pois mesmo que a limpeza dos funcionários obrigue as pessoas em situação de rua a retirarem suas barracas do local, eles apenas se abrigam quilômetros a frente, perto da Avenida Manoel da Costa Lima.

“A gente passa aqui no horário noturno, o pessoal está aqui na frente [do estabelecimento] usando droga. Está cada vez pior a quantidade de moradores de rua e andarilhos. Os garagistas [donos da loja do outro lado da avenida] sempre chamam a polícia, que tira eles, mas, quando os policiais vão embora, eles voltam rindo da cara dos empresários, não estão nem ligando”, relatou Renata.

Usuários de drogas tomaram a divisa entre o Jardim Nhanhá e a Vila Marcos Roberto, transformando a região na Usuários de drogas tomaram a divisa entre o Jardim Nhanhá e a Vila Marcos Roberto, transformando a região na “cracolândia” da Capital
Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

OBRA

Vale lembrar que a obra feita no local começou em setembro de 2024, com investimento de R$ 20,9 milhões, proveniente de recursos do governo de Mato Grosso do Sul, do governo federal, por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e da Prefeitura de Campo Grande.

O trecho crítico da Avenida Ernesto Geisel está localizado entre a Avenida Manoel da Costa Lima e a Rua Santa Adélia, em que deve ser levantado um paredão de pedra (gabião). No momento, a revitalização ocorre da Rua Bom Sucesso até a Rua da Abolição.

Em julho do ano passado, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que 65% da obra estava concluída e que a previsão de entrega era fevereiro deste ano. Porém, passados cinco meses, a revitalização não aparenta estar próxima de ficar pronta.

Com a obra em andamento, algumas pessoas em situação de rua que moram nos barrancos estão sendo retiradas do local para limpeza e futura construção do gabião.

São essas pessoas que, segundo os moradores, têm perambulado pelos bairros da região e alavancado a venda de drogas nas bocas de fumo.

RODOVIÁRIA

Outro trecho da cidade que é conhecido pelo grande número de pessoas em situação de rua e usuários de drogas é o Terminal Heitor Eduardo Laburu, a antiga rodoviária de Campo Grande, na Rua Barão do Rio Branco.

A reforma da antiga rodoviária, prometida há três anos, foi novamente adiada pela Prefeitura de Campo Grande em dezembro do ano passado, com prazo que também já venceu, junho deste ano. A obra promete resolver a situação.

Com ordem de serviço assinada no dia 15 de junho de 2022, a reforma deveria ser entregue em junho do ano seguinte, em celebração dos 124 anos da Capital, comemorados em agosto. De lá para cá, o contrato sofreu uma série de prorrogações, tanto de prazo de entrega quanto financeiras.

Enquanto isso, pessoas em situação de rua ocupam áreas próximas do prédio. Na visita da reportagem, foram observadas diversas pessoas nas vias laterais, especialmente na Rua Joaquim Nabuco.

Há um mês, cinco homens foram assaltados e agredidos a pedradas na esquina da Rua Joaquim Nabuco com a Avenida Marechal Rondon, nas proximidades da antiga rodoviária.

Dos cinco, três sofreram lesões na cabeça e tiveram de ser encaminhados a unidades de terapia intensiva (UTIs) da Santa Casa, onde recebem cuidados médicos. Três celulares foram subtraídos das vítimas, sendo dois da marca Motorola e um da marca Samsung.

De acordo com o boletim de ocorrência, duas pessoas assaltaram cinco homens nas imediações da antiga rodoviária. Em seguida, as vítimas entraram em luta com os assaltantes, na tentativa de recuperar os objetos. 

No entanto, elas foram agredidas com pedradas, tiveram graves ferimentos na cabeça e foram socorridas por populares.

Morte POR ASFIXIA

Polícia procura suspeito após mulher ser encontrada morta pela mãe em Campo Grande

A Polícia Civil procura Aparecido da Silva Dourado, de 46 anos, apontado como principal suspeito da morte de Adriele dos Santos, de 34 anos, encontrada sem vida dentro de casa, no Bairro Santo Antônio, em Campo Grande, neste sábado (29).

29/08/2026 16h35

Polícia Científica e equipes de investigação estiveram na residência onde Adriele dos Santos, de 34 anos, foi encontrada morta neste sábado (29), em Campo Grande.

Polícia Científica e equipes de investigação estiveram na residência onde Adriele dos Santos, de 34 anos, foi encontrada morta neste sábado (29), em Campo Grande. Foto: Divulgação.

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A Polícia Civil realiza buscas por Aparecido da Silva Dourado, de 46 anos, apontado como principal suspeito da morte de Adriele dos Santos, de 34 anos, encontrada sem vida dentro de uma residência no Bairro Santo Antônio, em Campo Grande, no inicio da tarde deste sábado (29). A principal linha de investigação é de feminicídio.

Conforme informações repassadas pela delegada Larissa Franco, responsável pelo caso, durante entrevista à imprensa, Adriele morreu por asfixia. O corpo da vítima foi localizado pela própria mãe na sala da residência, situada na Rua Brasil Central, nas proximidades da Avenida Júlio de Castilho.

Aparecido passou a ser procurado pelas forças de segurança e, até o momento, não havia sido localizado. As circunstâncias que antecederam a morte e a dinâmica do crime são apuradas pela Polícia Civil.

Adriele era mãe de duas crianças. A mais nova tem três anos e é filha do suspeito. A vítima também deixa outro filho, mais velho, conforme as informações disponíveis até o momento.

A polícia verificou ainda que Adriele não possuía medida protetiva de urgência contra Aparecido. A informação faz parte dos primeiros levantamentos realizados durante a apuração do caso.

Encontrada pela própria mãe

A morte foi descoberta no fim da manhã deste sábado, quando a mãe de Adriele foi até a residência e encontrou a filha sem vida na sala. Equipes de segurança foram acionadas e o local passou por levantamentos para auxiliar na investigação.

Inicialmente, as marcas encontradas no pescoço da vítima levantaram suspeitas sobre a forma como ela havia sido morta. Posteriormente, segundo a delegada, foi constatado que a morte ocorreu por asfixia.

Desde então, as investigações se concentram na localização do principal suspeito e na reconstrução dos acontecimentos anteriores à morte de Adriele. A Polícia Civil também busca reunir elementos que possam esclarecer a motivação e confirmar a autoria.

O caso é tratado, neste momento, como suspeita de feminicídio, enquanto as diligências continuam. A conclusão sobre as circunstâncias e a responsabilidade pela morte dependerá do avanço da investigação.

Suspeita de Feminicídio

Mãe encontra filha morta em casa e polícia apura feminicídio em Campo Grande

Mulher de 34 anos apresentava marcas no pescoço e foi localizada após a mãe estranhar a falta de contato; homem de 46 anos é apontado inicialmente como suspeito.

29/08/2026 15h40

Adriele dos Santos, de 34 anos foi encontrada morta pela própria mãe e caso é apurado como possível feminicídio em Campo Grande.

Adriele dos Santos, de 34 anos foi encontrada morta pela própria mãe e caso é apurado como possível feminicídio em Campo Grande. Foto: Divulgação

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Adriele dos Santos, de 34 anos, foi encontrada sem vida dentro de casa, no Bairro Santo Antônio, em Campo Grande, no início da tarde deste sábado (29). A própria mãe localizou o corpo após estranhar a falta de contato com a filha. Marcas encontradas no pescoço da vítima levaram a polícia a apurar as circunstâncias da morte, tratada inicialmente como suspeita de feminicídio.

O corpo foi localizado em uma casa na Rua Brasil Central, nas proximidades da Avenida Júlio de Castilho. A mulher morava nos fundos de outra residência e teria sido encontrada depois que familiares não conseguiram contato com ela.

Conforme as informações disponíveis até o momento, preocupada com a falta de respostas às mensagens enviadas à filha, a mãe foi até o endereço. Para conseguir entrar no imóvel, teria utilizado uma escada para transpor o muro. Ao chegar a casa, encontrou a filha já sem vida em um dos cômodos.

A Polícia Militar foi acionada e equipes seguiram para o local. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também esteve no endereço e constatou o óbito.

As circunstâncias da morte ainda serão esclarecidas pela investigação. Entretanto, hematomas encontrados na região do pescoço levantaram a possibilidade de que a mulher tenha sido esganada. A confirmação da causa da morte dependerá dos exames periciais.

A suspeita inicial é de que a vítima estivesse morta desde a noite de sexta-feira (28). Uma das estimativas levantadas no local indica que a morte pode ter ocorrido por volta das 22h, mais de 12 horas antes da localização do corpo. O horário, contudo, ainda deverá ser confirmado pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Uma equipe que realiza captação de córneas chegou a comparecer ao endereço, mas o procedimento não pôde ser realizado em razão do período transcorrido desde a morte.

Relacionamento é investigado

Um homem de 46 anos que mantinha um relacionamento com a vítima há aproximadamente quatro anos aparece, nas informações iniciais, como suspeito. O relacionamento seria marcado por períodos de separação e reconciliação.

Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre a autoria nem sobre a dinâmica da morte. A eventual responsabilidade do homem deverá ser apurada pela Polícia Civil, assim como a existência de elementos que permitam enquadrar o caso como feminicídio.

Equipes da Polícia Militar permaneceram no imóvel durante os primeiros procedimentos. Também era aguardada a presença da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), responsável pela investigação de crimes praticados contra mulheres na Capital.

A mãe da vítima permaneceu no endereço enquanto os trabalhos eram realizados. O local deverá passar por perícia para auxiliar na identificação das circunstâncias em que ocorreu a morte.

Caso a investigação confirme que a mulher foi assassinada em contexto de violência de gênero, o episódio será contabilizado como o 25º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026.

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