Médicos e município de Campo Grande cederam, e agora, esperamos que o paciente, principal prejudicado da tensa relação entre os dois primeiros, saia vencedor deste acordo.
Se agir com cautela e ceder para não levar conflitos adiante não fosse o melhor caminho para se criar uma sociedade saudável e buscar a paz, este comportamento não seria levado adiante por várias gerações. Aos que a vida não ensinou na prática, que a ampliação da tensão faz com que nenhuma das partes saia vitoriosa (isso se aplica mesmo aos que comemoram), o conhecimento transmitido na teoria por pais, avós e professores ajudou este conhecimento - que também pode ser chamado de sabedoria - e tornar-se uma verdade, sempre muito absoluta, por várias gerações.
A lição do conflito é danosa não somente às partes envolvidas, mas também gera danos aos que não estão diretamente envolvidos no enfrentamento. Em Campo Grande, um dos setores mais sensíveis ao sofrimento e ao drama da sobrevivência, foi um dos que mais foram atingidos por um conflito entre o setor público e uma categoria. Estamos falando da tensa relação dos últimos quatro anos estabelecida entre prefeitura e médicos. Basta uma rápida busca na internet, nos arquivos da impresa, para saber quem mais sofreu enquanto médicos e gestores públicos da Capital não se entendiam sobre salários e o regime de trabalho.
Claro que foram (e continuam sendo) as pessoas, sobretudo as mais necessitadas, cuja única assitência médica à sua disposição é a oferecida nas unidades de saúde do município. Longa espera por consultas e por atendimentos de emergência, internações improvisadas, e visível má vontade de médicos e outros servidores, causadas sobretudo por causa das tensões nas relações com os gestores, sempre foram cenas comuns em Campo Grande.
O problema ainda existe, porém, a julgar pela proposta do município enviada à Câmara Municipal na semana passada, pode estar a caminho de uma solução, que esperamos seja definitiva. Como o leitor poderá conferir com mais detalhes em reportagem publicada nesta edição, este caminho foi construído conjuntamente, entre médicos e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).
As duas partes concordaram em ceder. Enquanto o município, que enfrentava dificuldade para contratar novos profissionais com o salário que oferece, ampliou a fiscalização de cumprimento de cargas horárias, os médicos não demonstravam grande esforço em aumentar o atendimento, e dedicar o serviço público como uma de suas prioridades (quase todos eles têm clínicas e outros empreendimentos na área da saúde privada).
Caberá agora aos vereadores, aprovar a proposta encaminhada pelo município. À prefeitura, criar um clima amigável, porém, sempre visando um bom atendimento em sua rede pública. Já aos médicos, estes devem cumprir sua parte do acordo: produzir mais, para atenuar o drama dos seus pacientes nos postos de saúde.


