Projetos de mobilidade feitos há mais de 10 anos já estão ultrapassados, e terão de ser refeitos. É preciso pensar a cidade, longe do conforto do senso comum. Este é o desafio lançado.
Uma das mais sigfnificativas formas de expressão da liberdade de um cidadão é o seu direito de ir e vir. É por meio dele que a pessoa amplia o seu grau de pertencimento de um país, região, estado e sobretudo, uma cidade, principalmente por causa de seu livre deslocamento por espaços públicos.
No caso específico das cidades, são nestas que a vida cotidiana ocorre. São nos meios urbanos que as pessoas vivem: com suas carreiras e suas emoções.
Em meio a concentração cada vez maior das populações dos países nas cidades, fenômeno que na América do Sul têm força até maior que em outros continentes, é preciso que o poder público mantenha-se atento ao deslocamento das pessoas no sentido de ampliar o direito que eles têm de ir e vir. É muita gente se deslocando, e conforme os obstáculos forem menores, certamente a satisfação das pessoas será maior.
Não é preciso nenhum estudo para lembrar que os problemas de deslocamento nas cidades são um grande fato gerador de queixas reclamações e, consequentemente, redução da qualidade de vida de um povo. Engarrafamentos? Viagens longas em espaços curtos de tempo? Obstáculos nas vias públicas e nas calçadas? Duvidamos que alguém goste desses contratempos. Falando na palavra tempo, os problemas de deslocamento nas grandes cidades, além de tornar o dia dia mais desconfortável, também encarece o custo de vida.
Em Campo Grande, cidade cuja população cresce significativamente a cada ano, e com um amplo perímetro urbano, similar ao de cidades que têm duas vezes mais a sua população, viagens longas no transporte coletivo, e disputa por espaço entre carros, motocicletas e ônibus na área central, estão na origem dos problemas de mobilidade da cidade. Nos últimos anos, algumas ações foram feitas de modo a facilitar a mobilidade da população, como por exemplo, as vias arteriais que ligam o centro da cidade aos seus bairros. Mas há muito mais a ser feito.
Nos próximos meses Campo Grande experimentará uma grande mudança no centro da cidade, por meio do programa Reviva. O projeto, como o leitor poderá conhecer mais detalhadamente nesta edição, irá muito além do embelezamento da implantação de asfalto novo em algumas vias do Centro, como a Rua 14 de Julho. Certamente, esta nova realidade proporcionada pelo Reviva, irá mudar alguns hábitos da população, e também o deslocamento das pessoas na região central, que é o coração de qualquer cidade.
Diante das mudanças que o cidadão já começa a perceber em seu cotidiano, é importantíssimo que o poder público fique atento ao comportamento da população, e a seus deslocamentos. Certamente, projetos de mobilidade feitos há mais de 10 anos já estão ultrapassados, e terão de ser refeitos. Hoje vivemos uma era digitalizada, com aplicativos de transporte, e uso constante de ferramentas de GPS pelos cidadãos. Algumas verdades absolutas para muitos, como a de que a Avenida Afonso Pena têm de ser um corredor de transporte, podem não ser tão absolutas como eles pensam. É preciso pensar a cidade, e este é o desafio lançado.


