Artigos e Opinião

EDITORIAL

Confira o editorial desta segunda-feira: "Prejuízos aos cofres públicos e à saúde"

O contrabando de agrotóxicos tem causado prejuízo anual de mais de R$ 8 bilhões ao País, além de riscos à saúde pública

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contrabando de agroquímicos vem crescendo de forma exponencial nas fronteiras brasileiras, inclusive as de Mato Grosso do Sul, via Paraguai, levando o Brasil a perdas significativas em vários itens de sua economia. Conforme o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), estima-se que o comércio de defensivos agrícolas ilegais já represente cerca de 24% do mercado desses produtos no Brasil. Um porcentual considerado elevado.

Na prática, os lucros dos contrabandistas alimentam a lógica econômica desse rentável mercado ilícito. O fornecimento brasileiro de defensivos ainda é controlado por pouquíssimas empresas. Essa situação acaba levando ao abuso nos preços praticados. Na contramão, os produtos são vendidos mais baratos nos países vizinhos, atraindo os agricultores brasileiros, apesar de sua ilegalidade.

Os prejuízos relacionados aos agroquímicos ilegais são muito mais abrangentes do que os de qualquer outro produto contrabandeado, não ficando apenas nos custos. Isso porque, por meio da alimentação, o crime atinge toda a população. Há informações do Idesf de que os pesticidas contrabandeados do Paraguai chegam a ter índices de concentração 600% superiores ao porcentual permitido pelas autoridades sanitárias para aplicação no Brasil. Os agrotóxicos ilegais são adquiridos sem orientação técnica, contribuindo para o aumento de riscos de intoxicação humana e de contaminação ambiental. Quando as embalagens são abandonadas no ambiente, ou descartadas em lixões e aterros, podem contaminar o solo, as águas superficiais e subterrâneas. Há ainda o problema da reutilização sem critério das embalagens, que coloca em risco a saúde dos homens e dos animais.  

Se o peso desses ilícitos recai, inicialmente, sobre as regiões fronteiriças, o saldo negativo é pago por toda a sociedade, uma vez que o tráfico que passa pelas fronteiras chega até os grandes centros urbanos brasileiros. A considerar as perdas em todos os seus matizes, já está mais do que na hora de o governo federal ter um olhar mais rigoroso e comprometido sobre as regiões de fronteira, principalmente as de Mato Grosso do Sul, que concentram uma movimentação crescente de pessoas e de produtos ilegais. Caso isso não seja feito, as perdas continuarão crescentes.

EDITORIAL

IPTU: o custo da falta de diálogo

Nas próximas mudanças tributárias, políticos do Executivo e do Legislativo certamente estarão mais atentos. Não por benevolência, mas por necessidade

03/02/2026 07h15

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A relação entre o poder público e a sociedade não se estabelece por decreto, tampouco se sustenta apenas no resultado das urnas. Ela é construída diariamente, no exercício contínuo do diálogo, da transparência e da capacidade de ouvir.

Engana-se quem acredita que aqueles que ocupam cargos de decisão, munidos da caneta e da formalidade do poder, podem agir de forma isolada, impondo escolhas sem consequências. A democracia, ainda que imperfeita, cobra retorno. E cobra rápido.

Políticos precisam do povo para chegar onde estão. Essa dependência não se encerra no momento da posse; ela persiste durante todo o mandato.

Quando decisões geram insatisfação coletiva, o alerta se acende. Ignorar esse sinal costuma ser um erro estratégico e, muitas vezes, político. A reação da sociedade funciona como termômetro e aviso prévio de que algo saiu do eixo.

Foi exatamente isso que se viu em Campo Grande após a turbulência provocada pela cobrança do IPTU no início do ano. O aumento inesperado, somado à nova taxa do lixo, pegou milhares de contribuintes de surpresa.

Diante da repercussão negativa e da pressão popular, a prefeitura acabou cedendo, empurrando o prazo de pagamento por mais um mês na tentativa de arrefecer a crise. A medida ajudou a ganhar tempo, mas não resolveu o problema central: a falta de explicação prévia e clara.

Os contribuintes, ao receberem os carnês, não compreendiam o motivo do reajuste. E tinham razão. Ninguém gosta do imprevisível, especialmente quando ele impacta diretamente o orçamento familiar. Tributos exigem critérios objetivos, previsibilidade e comunicação eficiente.

Quando isso não ocorre, a sensação de arbitrariedade toma conta, abrindo espaço para queixas, judicialização e desgaste institucional.

Em meio a esse cenário conturbado, houve reação. Instituições se mobilizaram, entre elas a OAB-MS, além de cidadãos que buscaram esclarecimentos e questionaram os aumentos. A atuação mostrou que a sociedade não está disposta a aceitar decisões mal explicadas e que há mecanismos de controle funcionando, ainda que acionados tardiamente.

Somente agora o município apresentou uma explicação mais detalhada sobre o aumento da taxa do lixo. A justificativa, desta vez, foi satisfatória e baseada em critérios objetivos. Resta a pergunta inevitável: por que isso não foi feito antes? Uma comunicação mais eficiente no ano passado teria evitado desgaste político, insegurança jurídica e a sensação de improviso.

O que se sabe é que episódios como esse deixam marcas. E, certamente, servirão de lição. Nas próximas mudanças tributárias, políticos do Executivo e do Legislativo deverão estar mais atentos – não apenas ao impacto financeiro, mas à forma como essas decisões são apresentadas à sociedade.

Porque governar não é apenas decidir. É explicar, ouvir e, quando necessário, corrigir o rumo.

ARTIGOS

Entre a fé a ciência: a cura que renova esperanças

Com diagnóstico médico irreversível, a busca de refúgio em uma fé plural e profunda

02/02/2026 07h45

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Vítima de um grave acidente de motocross no Espírito Santo, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, tornou-se um símbolo do debate entre os limites da medicina e a força da esperança.

Durante uma competição, uma colisão aérea fez as motos caírem violentamente. Ele perdeu o movimento das pernas instantaneamente. Os exames confirmaram o pior: uma lesão medular completa, com ruptura da coluna. O diagnóstico médico era irreversível. “Foi cortado como um fio. Só resta orar por um milagre”, ouviu a família.

Diante da devastação, a família buscou refúgio em uma fé plural e profunda. Sua irmã, Carla, descreve: “Eu sou batista, meu irmão é católico, minha mãe adventista. A gente se dá muito bem”.

Essa diversidade se transformou em união. Uma corrente de orações se formou, transcendendo denominações. Os dias passaram a ser marcados por um clamor intenso e coletivo.

Enquanto oravam, Carla, que é enfermeira, agiu. Buscou entender a lesão, mas a confirmação foi dura: ruptura completa, considerada irreversível. Foi então que ela se lembrou de uma mensagem antiga sobre uma pesquisa brasileira com uma substância chamada polilaminina. “Deus ficou me incomodando a agir”, conta. Ela mergulhou em artigos científicos.

Descobriu o trabalho pioneiro da dra. Tatiana Coelho Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que não é médica, é bióloga. Após décadas de pesquisa, sua equipe desenvolveu a polilaminina, uma proteína experimental derivada da placenta humana. Aplicada na lesão, ela age como uma “cola biológica”, favorecendo a regeneração de neurônios e a reconexão de circuitos nervosos.

Luiz Fernando se tornou o primeiro paciente tratado. Os resultados surpreenderam: em menos de 48 horas, ele recuperou a sensibilidade e contraiu músculos inertes. Sua história não é única.

Outros pacientes, como Bruno Drummond, tetraplégico, voltaram a andar. Pelo menos 16 brasileiros já receberam o tratamento por decisão judicial, com vários apresentando recuperações parciais – um marco inédito.

Este avanço, visto como potencial candidato ao prêmio Nobel de Medicina, coloca a descoberta no centro de um debate maior. Para a família Mozer, a narrativa é uma.

“A gente não duvida que foi Deus. A doutora Tatiana foi um instrumento”, diz a irmã. Eles enxergam a ciência não como negação da fé, mas como sua expressão: a resposta a uma oração coletiva, materializada pelo talento de uma pesquisadora.

A história reside no limiar entre o que se chama de milagre e a revelação de novas possibilidades da criação. Enquanto a ciência continua seu meticuloso trabalho, a família segue orando.

Para eles, a polilaminina é ciência de ponta e, simultaneamente, o fruto visível de uma fé sem barreiras. Onde aparentemente se separam, fé e ciência podem se encontrar, e desse encontro nasce a mais poderosa das forças: a esperança renovada.

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